Terça-feira, Fevereiro 19, 2008
RED EYE:Título:
Red EyeRealizador: Wes Craven
Ano: 2005

Wes Craven é um dos mais respeitados realizadores de cinema da actualidade, mas se pensarmos bem não conseguimos entender porquê. É certo que tem um par de filmes bem jeitosos feitos nos anos 70 (sim,
The Last House On The Left) e o primeiro
Pesadelo Em Elm Street, mas desde então não fez mais nada de jeito. E além do mais foi o grande responsável por esse flagelo que foram os slasher teen movies (meu Deus, seriam mesmo preciso tantos
Gritos?). Seja como for, sempre que Craven lança um filme novo nós vamos ver a pensar "É desta, caraças!". Mas nunca é.
Resumindo e baralhando: com
Red Eye ainda não é desta. Depois dos lobisomens no filme anterior, Craven tentou um conceito diferente. Abandonou o terror, abraçou o thriller e criou uma premissa verdadeiramente hitchcockiana: um avião, um assassino e a sua vítima. Particularizando ainda mais,
Red Eye é a estória de Lisa Reisert (Rachel McAdams), uma super-recepcionista de hotel(!), que ao apanhar um avião para casa se vai ver ameaçada pelo homem do lugar ao lado (Cillian Murphy): ou muda a reserva que um político tem lá no seu hotel, ou o seu pai é que pagará as favas.
Continua a ser uma premissa do caraças. Primeiro, porque é impossível fugir dum avião. Segundo, porque lá do alto ninguém te ouve gritar (como já dizia Ridley Scott). E terceiro, a limitação do espaço resulta em tensão de cortar à faca, em ambientes claustrofóbicos e numa atmosfera sufocante. Tem
Red Eye alguma destas coisas. Hmmm... só muito levemente.
O problema é que o argumento é completamente oco e óbvio (para não lhe chamar qualquer coisa pior). E a noção de suspense de Wes Craven resume-se a repetir vezes sem conta as mesmas linhas de diálogo. Não sei se isso vos mantém interessados, inquietos ou ansiosos. A mim aborrece-me de morte.
A viagem rapidamente chega ao fim e lá se vai a premissa interessante. E, sinceramente, não havia muito mais para se passar. E ainda só vamos numa hora de filme. Por isso era preciso encher o chouriço mais uns vinte minutos, pelo menos. Então, Wes Craven cria uma diversão completamente inóqua (para não lhe chamar nada pior), onde esta mania de fazer filmes de acção para toda a família vai impedir que hajam mortos. No final, os maus vão todos presos e os bons ficam todos felizes. Final feliz demasiado polido à moda de Hollywood para a mesa do canto, se faz favor.
Por fim, menção para Cillian Murphy, um dos novos grandes actores que, inesperadamente, consegue ter igual credibilidade em papéis de mau como em de gay. Contudo, em
Red Eye, para quem é um assassino a soldo é muito fraquinho e está sempre a levar porrada. E de uma mulher, ainda por cima. E que raio de assassinos são estes que não usam pistolas, apenas facas?
Red Eye é mais uma seca de todo o tamanho de Wes Craven. E segundo o próprio, que afirmou ser mais provável fazer uma sequela deste do que a quarta do
Gritos, adivinha-se o pior: novo franchising anual de pastelões insonsos. A partir do Cheeseburger será sempre a descer, aposto.
Posted by: dermot @
10:33 AM
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