Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008
PARANOID PARK:Título:
Paranoid ParkRealizador: Gus Van Sant
Ano: 2007

Existem dois temas recorrentes na filmografia de Gus Van Sant: a adolescência e o alheamento. Depois de ter cumprido uma triologia acerca deste último, Gus Van Sant decidiu cruzar os dois. E assim surgiu
Paranoid Park, adaptado do romance homónimo de Blake Nelson - onde um jovem num momento determinante da sua adolescência, vai viver num filme em que trabalha mais para a câmara do que propriamente o contrário (influência de Antonioni e Oliveira?).
O título do filme remete-nos para o skatepark de Portland onde se reúnem os jovens de todas as tribos urbanas da cidade: skaters, bandidos, drogados, sem-abrigos, dreds, xungaria... You name it. Alex (Gabe Nevins) pertence ao primeiro grupo e na primeira vez que lá vai fica fascinado com aquela atmosfera. E da segunda vez vê-se envolvido num homicídio.
Paranoid Park situa-se naquele momento da adolescência em que algo marcante nos vai transformar de vez em homens. No caso de Alex é um homicídio(?), mas poderia ser outra coisa qualquer. Mesmo que haja uma banda-sonora deslocada de um qualquer crime-movie dos anos 50, o que interessa em
Paranoid Park é este ritual de passagem, em que o rapaz deixa de ser rapaz e se transforma em homem.
Como crime-movie,
Paranoid Park é uma lástima: simples, plano e translúcido. Mas como filme sobre a juventude, já se pode dizer algo mais. Gus Van Sant trucida-o numa edição não-linear, em que o filme anda para trás, para a frente e que chega a repisar cenas que já passaram. O efeito tem objectivos dramáticos e funciona na construção emocional do protagonista. O pior é o resto: os grandes planos em câmra-lenta ao sabor de uma música escolhida aleatoriamente de um ipod cheio de música indie-pop-folk que alternam com as cenas, os efeitos marados com câmaras digitais de baixa resolução e as cenas aleatórias de gente a andar de skate. Useless, tal como ficaria o Exterminador Implacável se o John Connor morresse.
Sem tanta peneirice,
Paranoid Park seria um filme normal, mas porreiro. Com estes truques todos, parece que Gus Van Sant se armou em espertalhão. Para os mais optimistas,
Paranoid Park é algo parecido com um McBacon. Para os mais pessimistas, um McChicken. Eu? Eu cá sou dos cépticos.
Posted by: dermot @
12:01 AM
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