Terça-feira, Fevereiro 12, 2008
GODZILLA:Título:
GodzillaRealizador: Roland Emmerich
Ano: 1998

Sabem de quê é que o Mundo precisa mais? De mais filmes de monstros!
Quem me conhece costuma ouvir-me a dizer isto. Para mim, esta é a solução para todos os problemas do mundo: mais filmes de monstros. E porquê? Porque sim e porque eu quero, as duas melhores razões de todas. Felizmente, JJ Abrams tem a mesma opinião que eu. E porque desde 1998 (desde
Godzilla, claro) que não tínhamos um filme de monstros como deve ser.
O cinema conteporâneo sempre precisou da sua própria adaptação de Godzilla, o super-monstro japonês, um tipo vestido num fato de uma espécie de lagarto gigante que aparecia regularmente no cinema japonês para destruir cidades atrás de cidades, personificando o fantasma das armas nucleares. Por isso, em 1998, dois factores fundamentais cruzaram-se e permitiram que acontecesse
Godzilla: os recentes testes nucleares franceses do Atol da Mururoa e o sucesso estrondoso do filme-catástrofe
O Dia Da Independência.
Assim, convocou-se Roland Emmerich (o realizador de
O Dia Da Independência) e deu-se-lhe carta verde para fazer o que quisesse do franchising. O resultado só poderia ser um dos dois: ou um grande pedaço de celulóide de entretenimento ou um fiasco de todo o tamanho. A princípio, tudo se conjugava para que a segunda hipótese fosse a mais provável: começando pelo próprio realizador, passando pela escolha de Matthew Broderick para protagonista (aquele tipo irritante que por mais que envelheça continua a ter a mesma cara de quando tinha 16 anos em
O Rei Dos Gazeteiros) e terminando no facto da Toho, os criadores do monstro, terem renegado completamente o filme. Contudo, ao contrário do que a maioria das pessoas diz,
Godzilla é um dos grandes filmes de entretenimento dos últimos anos.
Com efeito,
Godzilla mostra logo nos créditos iniciais que seria ou um desastre perfeito ou um pedaço de lixo fantástico: num longo genérico de abertura, são filmadas séries de iguanas a observar cogumelos atómicos na Mururoa. Estava premido o alerta xunga. Agora, o caminho só poderia ser a descer. E quando mais rápido melhor.
Robert Emmerich sabia disso e não procurou fazer nenhuma espécie de filme sério. Ao fim ao cabo,
Godzilla é um filme sobre um monstro gigante a destruir uma cidade. E é isso que se quer: muita destruição gratuta, aleatória e sensacionalista. E quanto maior, melhor. E é isso que temos: Godzilla é um lagarto mutante da Mururoa que vem a Manhattan desovar. E pelo caminho há uma série de destruição de proporções exacerbadas, só possiveis no pré-11 de Setembro. Não há Estátuas da Liberdade decepadas, mas há o Edifício Chrysler partido ao meio, o Madison Square Garden bombardeado e a ponte de Brooklyn arrasada.
Existem actores que são meras alavancas para a narrativa ir avançando e, como tal, não passam de meros bonecos de papel. E Emmerich leva-os ao extremo, tranformando-os em autênticas caricaturas, como é o caso da protagonista feminina, Audrey Timmonds (Maria Pitillo), uma rapariguinha boazinha, que come chupa-chupas e gomas ao pequeno-almoço e alimenta os meninos do terceiro mundo ao fim de semana, e o caso do exército francês (com Jean Reno à cabeça), que passam o filme a comer croissants e se chamam todos Jean-Paul ou Jean Pieere.
É certo que
Godzilla não respira o mesmo ar que a série japonesa, porque no fundo troca o tipo num fato manhoso pelo CGI ainda mais manhoso da altura, mas em compensação é um verdadeiro festival de cinema de série B. Existem referências a
O Império Contra-Ataca, bicadas pessoais ao conceituado crítico de cinema Roger Ebert e até referências aos
Simpsons.
Apesar de algo extenso para um filme da sua espécie,
Godzilla é um excelente trash-movie, mesmo que a última meia-hora seja uma sequela não-oficial do
Parque Jurássico, chamada
Parque Jurássico No Madison Square Garden. Apesar de ter sido um enorme fiasco que valeu o cancelamento das suas sequelas,
Godzilla é um sumarento McRoyal Deluxe. Não se deixe enganar pelos haters do filme. A maioria deles nem sequer o viu.
Godzilla é o
Armaggedon dos filmes de monstros.
Posted by: dermot @
5:46 PM
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