Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008
ESCOLA DE CRIMINOSOS:Título:
Animal FactoryRealizador: Steve Buscemi
Ano: 2000

Steve Buscemi é o maior.
Figura de proa do (verdadeiro) cinema independente, parceiro habitual dos irmãos Coen (vénia) e protagonista de alguns dos mais desconcertantes filmes de Hollywood dos últimos anos, Steve Buscemi é uma espécie de versão trash de Peter Lorre. Como actor gosto mesmo muito dele. Como realizador, a conversa já é outra.
Escola De Criminosos foi o segundo filme a sério de Buscemi e o primeiro onde ele pôde reunir uma série de amigos: Williem Dafoe, outro tipo que é o maior, mas que se perde vezes demais em filmes menores; Mickey Rourke; Danny Trejo (o ex-presidiário que é o melhor actor de sempre a fazer de mexicano, seguido de perto por Joaquim de Almdeia e que agora todos conhecem devido a
Machete); e Edward Furlong, um daqueles actores-desaparecidos-em-combate (ou seja, que depois do sucesso precoce, desapareceu da circulação ao cair numa espiral de drogas, bebidas e prisões (não necessariamente por esta ordem)).
Escola De Criminosos é um filme de prisão (cuja capa do dvd tenta recriar a de
Papillon, mas cujas únicas semelhanças são mesmo essas), onde um muito petiz Ron Decker (Edward Furlong) é condenado à prisão por consumir erva. Felizmente, o tipo que domina o submundo interno daquela prisão, Earl Copen (Willem Dafoe), vai simpatizar nunca se sabe porquê com aquele jovem e vai protege-lo das investidas dos predadores sexuais, dos pervertidos e daqueles que simplesmente o querem tramar.
A prisão que Buscemi filma é, provavelmente, a que tem a fauna mais esquisita da história dos filmes de prisão. Talvez influenciado por alguns filmes em que já participou, Buscemi cria um verdadeiro freakshow, com mexicanos, pretos, jogadores de andebol, skinheads, travestis (Mickey Rourke é fenomenal como drag queen) e até Antony (esse mesmo, o dos Johnsons) aparece a dar um concerto(!). Aliado a isto, Buscemi junta-lhe a banda-sonora certa: country-rock, o género oficial das prisões desde que Johnny Cash gravou
Folsom Prision Blues.
Temos então o cenário perfeito, a banda-sonora certa e os actores ideais. Tudo certo para dar um bom filme. Só bastava mesmo um guião. Coisa que Steve Buscemi não conseguiu arranjar.
Escola De Criminosos é um filme demasiado morno, onde nunca se passa nada, para além de demasiadas tensões homossexuais. Edward Furlong e Williem Defoe nunca conseguem criar aquela empatia especial, como nos buddy movies de prisão como
Os Condenados De Shawshank e, apesar das tentativas de Defoe, numa actuação contida e profunda, as personagens nunca conseguem ganhar dimensão suficiente para não parecerem simples bonecos de papel. O caso mais flagrante é o facto de nunca sabermos porque é que Defoe gosta tanto de Furlong. E o porque sim só é uma razão aceitável no cinema xunga.
Filme demasiado polido, quando devia ser sujo e porcalhão,
Escola De Criminosos é inóquo e, a partir de certo ponto, desinteressante. Como lhe chamam na
República do Cinema Xunga é um filme boff. Vale um Double Chesseburger e amanhã por esta hora já nem me vou lembrar do que comi ao almoço.
Posted by: dermot @
10:43 AM
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