Sábado, Fevereiro 16, 2008
DON JUAN DeMARCO:Título:
Don Juan DeMarcoRealizador: Jeremy Leven
Ano: 1995

Agora que passámos mais um dia de S. Valentim, nada melhor do que recuperar um dos mais românticos filmes (de sempre?) das últimas décadas:
Don Juan DeMarco. E este último ponto final incinerou de vez os últimos resquícios da minha virilidade.
Don Juan DeMarco é um feelgood movie à boa maneira dos anos 80, mas inesperadamente realizado em plenos anos 90, por Jeremy Leven, um desconhecido sem mais nada no currículo. Contudo, o elenco traz três nomes de peso: Marlon Brando e Johnny Depp, dois mestres da arte de representar, mais Faye Dunaway. E lá pelo meio anda também a bela Talisa Soto, que os mais nerds reconhecem pelo nome de Kitana, da xungosa adaptação de
Combate Mortal.
Apesar do título, o filme não é sobre a figura mítica criada por Lord Byron. Quer dizer, mais ou menos. Pelo menos Johnny Depp acredita piamente que é esse mesmo Don Juan, o maior amante do mundo. E veste-se como ele, mascarilha incluida. O que eu quero dizer é que
Don Juan DeMarco não é um filme de época.
Na sociedade contemporânea só há lugar para um tipo que afirma ser Don Juan e que se veste como um espanhol senhorial do século XIX: o hospital psiquiátrico. E é aí que Don Juan vai parar, mais especificamente aos cuidados do Dr. Jack Mickler (um Marlon Brando inchado), o
maior psiquiatra do mundo, prestes a reformar-se. Don Juan vai entregar-se aos cuidados de Mickler e vai contar-lhe a sua inacreditável história, que inclui duelos mortais à espada em aldeolas mexicanas, anos de prisão entre 1500 comcubinas de um harém árabe, naufrágios em ilhas desertas e muitas, mas mesmo muitas mulheres desfloradas.
Don Juan DeMarco é um pequeno e descomprometido filme, romântico mas nada trôpego, sobre uma mentira que quando é contada muitas vezes torna-se verdade. É o que acontece com o Dr. Mickler, que vai encontrar naquele romântico inverterado uma maneira de ultrapassar aquela crise de meia-idade, numa história que nos lembra que não devemos nunca deixar de sonhar. Porque para pesadelo já nos chega o mundo real.
Para além deste maravilhoso e honesto filme sobre
o sonho comanda a vida,
Don Juan DeMarco é ainda um curioso ensaio pós-moderno sobre a posição existencial que o par de protagonistas ocupava no cinema na altura: dois actores referências de diferentes gerações a interpretarem literalmente aquilo que ocupam simbolicamente no cinema de então - Johnny Depp era então um actor em ascensão, que já começava a ser o ai jesus das senhoras e Marlon Brando era o ex-rei do star system que, como Depp lhe diz pertinentemente,
apenas se esqueceu de quem era.
Don Juan DeMarco é um pequeno filme que consegue verdadeiros momentos de magia, graças ao tour de force do trio de actores principais, a uma partitura musical perfeita, a pequenos momentos de humor e a divertidas referências à (super)carreira de Brando.
Don Juan DeMarco é um Royale With Cheese pelas afinidades sensoriais que desperta e não tanto como objecto fílmico; tenha isso em consideração antes de me enviar hate mails.
Posted by: dermot @
3:23 PM
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