Terça-feira, Fevereiro 12, 2008
CRISTÓVÃO COLOMBO - O ENIGMA:Título:
Cristóvão Colombo - O EnigmaRealizador: Manoel de Oliveira
Ano: 2007

Antes de começar esta prosa, há que pôr as coisas em pratos limpos: existe um preconceito para com Manoel de Oliveira. O homem está velho, cada vez faz mais filmes mezxendo-se cada vez menos e as suas produções são verdadeiros tachos para a sua família (se virem com atenção os créditos de um dos seus últimos filmes, verão que mais de 50% da equipa tem Oliveira ou Trêpa como apelido). No entanto, confesso que o admiro. Admiro-o pela meia dúzia de filmes interessantes que tem no currículo, mas admiro-o sobretudo pela preserverança com que continua a fazer filmes com 99 anos. E a manter uma conversa lúcida. E a conduzir. Quem me dera chegar a metade. E com metade do seu discerimento. E agroa, admiro-o por ainda se prestar a fazer filmes de baixo orçamento.
Pois é,
Cristóvão Colombo - O Enigma é um filme de época de baixo orçamento, passado em Portugal e nos Estados Unidos dos anos 40. E como é que Oliveira contornou o problema, apenas com dinheiro para as roupas e meia dúzia de automóveis? Fácil. Em Portugal limita-se a planos do pescoço para cima em zonas históricas das cidades, de forma a apanhar só os telhados das casas, ou do pescoço para baixo, apanhando apenas as calçadas. E nos Estados Unidos todas as cenas se passam à noite. E com nevoeiro. E dentro de carros ou casas, preferencialmente.
Cristóvão Colombo - O Enigma podia ser o nosso
Código Da Vinci: uma apologia da tese de que Cristóvão Colombo era português, natural de Cuba do Alentejo (e, em sua homenagenm, a Cuba de Fidel Castro fora assim baptizada), com uma viagem pelos vários factos históricos e locais que o comprovam: Nova Iorque, Porto Santo, Alentejo e Algarve. Contudo, não há uma trama dramática ou sequer um thriller de suspense para dar brilho à coisa. Apenas uma espécie de road-movie em formato lua-de-mel do casal Manuel (primeiro Ricardo Trêpa e depois o próprio Manoel de Oliveira) e Sílvia (primeiro Maria Isabel de Oliveira e depois Maria Isabel de Oliveira). Por isso,
Cristóvão Colombo - O Enigma é o nosso
Código Da Vinci versão turística e bai(xíssim)o orçamento.
Com diálogos assustadoramente descritivos e umas noções de ritmo (existe uma montage com apenas uma imagem (!)) e até de colocamento da câmara duvidosas (como num diálogo que parece um jogo de ténis),
Cristóvão Colombo - O Enigma começa com aquele problema que tem sido comum nos últimos filmes de Manoel de Oliveira: Rodrigo Trêpa, um tipo com uma excelente capacidade interpretativa para tocar guitarra. É sabido que o ancião cineasta não acredita na direcção de actores, mas aqui parece que aqui decidiu ajudar o seu sobrinho a não parecer tão mau. Ou seja, procurou que todos os outros actores fossem ainda piores.
Todos os actores (ou quase todos) parecem ser meros amadores. Diálogos declamados em tom teatral, pose rígida, inexpressão facial... Tudo é constrangedor e começa a sufocar o filme, que ameaçava ser o melhor de Oliveira das últimas décadas. E quando pensávamos que não podia piorar, eis que o filme avança 50 anos no tempo e Manoel de Olveira e a sua esposa entram em acção. E aí o filme bate no fundo.
Eu sei que não havia dinheiro para contratar actores mais velhos parecidos com os actores mais novos, mas qualquer opção era preferível a pôr o casal Oliveira a representar. Ele não consegue acabar uma frase (que são claramente decoradas literalmente do papel) sem utilizar duas famosas muletas orais: o "uuh" e o "aah". E ela desmancha-se a rir no final da maioria das falas, que também decora com dificuldade. A partir daí o filme tem mais umas cenas e umas viagens, mas eu não me recordo de muita coisa. Mesmo tendo uma capacidade asbtração bastante apurada, não consegui prestar atenção a mais nada.
Assim, despeço-me desta prosa com uma Hamburga de Choco, dando um desconto pela forma de Oliveira tentar ultrapassar a contenção de custos num filme histórico e a apologia patriótica da nossa história e da nossa bandeira, que continuam a ser, habitualmente, tão mal cuidadas.
Posted by: dermot @
11:43 PM
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