Domingo, Janeiro 13, 2008
STARDUST - O MISTÉRIO DA ESTRELA CADENTE:Título:
StardustRealizador: Matthew Vaughn
Ano: 2007

Com o sucesso inusitado de
Harry Potter e de
O Senhor Dos Anéis, o universo da fantasia ganhou um novo alento em Hollywood. De repente, tudo o que eram mundos paralelos à Terra Média do Tolkien foram repescados, desde os mais antigos (
As Crónicas De Narnia à cabeça, obviamente) até aos mais recentes (
Eragon ou
A Bússola Dourada, por exemplo). A qualidade não interessava; tudo servia desde que tivesse fadas, bruxas ou dragões.
Por isso, era apenas uma questão de tempo até a indústria apontar baterias para aquele que é um dos melhores (o melhor?) escritores fantásticos da actualidade: Neil Gaiman, que até os mais distraídos conhecem de
A Máscara De Cristal. A esses apenas deixo-vos um título a descobrir:
A Short Story About John Bolton.
Stardust - O Mistério Da Estrela Cadente é a adaptação da BD homónima de Gaiman e é a estreia de Matthew Vaughn na cadeira de realizador, o que me deixa desde já curioso para ver
Thor, a adaptação que vem aí de um dos meus heróis da Marvel favoritos. Resumidamente, é a estória de uma estrela cadente que cai do céu (a bela Claire Danes, que está de regresso aos ecrãs mais bonita do que nunca, mas que parece ter-se esquecido das qualidades representativas que mostrava em
Que Vida Esta) e que vai ser disputada por várias pessoas e por variados motivos: por dois irmãos príncipes que necessitam dela para sucederem ao falecido pai, por três bruxas (entre elas, uma resplandecente Michelle Pfeiffer, provando que é como o vinho do Porto) que precisam do seu coração para serem eternamente jovens) e por um inocente rapaz mortal (Charlie Cox) que precisa dela para conquistar o amor da sua vida.
Um ligeiro aparte apenas para referir o filme cruza dois universos: o da Inglaterra vitoriana do século XIX e uma espécie de reino encantado alternativo chamado Stormhold, divertidamente separados apenas por um muro, guardado por um velhote de ar frágil mas que imporia bastante respeito a Yoda.
Um dos trunfos de
Stardust - O Mistério Da Estrela Cadente é que consegue ser original no já muito saturado mundo da fantasia. Quer dizer, continuam a haver lugares comuns - as estrelas-cadentes que concedem desejos, as bruxas que querem ser as mais bonitas... -, mas
Stardust - O Mistério Da Estrela Cadente subverte muito deste conteúdo. Porque mesmo com a mensagem moral intrínseca e o final feliz da praxe, não estamos acostumados a ver histórias destas com piratas panascas ou príncipes assasinos. Claramente,
Stardust - O Mistério Da Estrela Cadente é um filme orientado a públicos mais velhos, uma vez que normalmente os filmes fantásticos são conotados com o público infanto-juvenil (e os geeks, obviamente).
Um argumento com boas ideias, um elenco superior (e nem falei sequer do pirata-sensível-demais de Robert De Niro), personagens económicas mas suficientemente estruturadas para não serem simples bonecos, poucas pretensões em ter um ar sério e epopeico (apesar de um par de cenas filmadas com pompa e circunstância) e um ritmo seguro, são os ingredientes certos para um entretenimento superior dentro deste género que está cada vez mais a repetir-se e a ser mais do mesmo.
Stardust - O Mistério Da Estrela Cadente não vem salvar o cinema fantástico nem tão-pouco impedir o seu esgotamento. Mas faz algo que os seus primos recentes raramente têm conseguido: recuperar o espírito mágico das fantasias dos anos 80, as matinés deliciosas de
Willow, por exemplo. E só isso valeria o McBacon por inteiro.
Posted by: dermot @
3:24 PM
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