Quarta-feira, Janeiro 23, 2008
A MORTE DO SR. LAZARESCU:Título:
Moartea Domnului LazarescuRealizador: Cristi Puiu
Ano: 2005

E de repente, eis a Roménia no mapa cinematográfico. Bastaram apenas três filmes -
A Morte Do Sr. Lazarescu,
12:08 A Este De Bucareste e
Quatro Meses, Três Semanas E Dois Dias - para se começar a falar numa nova vaga de realizadores da Roménia pós-comunista. E para dar legitimidade a isso, os senhores de Cannes deram a Palma de Ouro a
Quatro Meses, Três Semanas E Dois Dias, oficializando de vez a coisa.
Ainda só vi
A Morte Do Sr. Lazarescu, mas para já a minha opinião acerca do assunto resume-se a uma palavra: hype. Ou trocando por miúdos, é mais olhos do que barriga. É certo que Cristi Puiu filma como se vê muito pouca gente a filmar actualmente - por instinto, longe de estar influenciado por qualquer convenção cinematográfica -, o que acaba por ser refrescante no panorama saturado da produção cinematográfica de plástico. Mas nada disto é novo - principalmente se estiverem habituados às cinematografias de países com menos expressão ou a festivais como o Festróia - nem tão-pouco
A Morte Do Sr. Lazarescu vem salvar o Mundo.
O senhor Lazarescu (soberbo Ion Fiscuteanu, a quem assitimos definhar ao longo do filme) é então um velhote sexagenário, viúvio, que vive sozinho com três gatos, não é muito dado à higiene, tem uma úlcera e uma especial aptidão para a pinga. O que também parece ter de forma recorrente são dores de estômago e de cabeça, algo que os vizinhos já nem ligam muito, devido aos seus hábitos alcoolicos. No entanto, o que aparentava ser mais uma bebedeira, vai assumir proporções mais preocupantes, à medida que nós embarcamos com o senhor Lazarescu e dois paramédicos numa cruzada quase interminável pelos vários hospitais de Bucareste.
A Morte Do Sr. Lazarescu é uma sátira social de humor negro, que assume moldes kafkianos à medida que nos vai atolando cada vez mais em burocracias e em profissionais de qualidades humanas duvidosas. Filmado com uma câmara ao ombro que treme mais que o cacilheiro que faz a travessia Barreiro-Terreiro do Paço e que acompanha nervosamente o mínimo movimento das personagens, o filme envolve-nos por completo naquele novelo de más decisões administrativas, burocracias e maus feitios, fazendo com que cheguemos a um certo ponto em que já só queremos que o velho seja tratado ou que, simplesmente, morra de uma vez por todas.
A Morte Do Sr. Lazarescu é uma espécie de
Brasil - O Outro Lado Do Sonho filmado segundo as normas do Dogma 95.
Poderiamos estar então perante um grande filme, se
A Morte Do Sr. Lazarescu não fosse tremendamente longo. Na sua tentativa de prolongar a angústia do espectador, Cristi Puiu começa a fazer chover no molhado e o filme começa a tornar-se aborrecido e repetitivo. E depois, quando estamos já tremendamente chateados com o que estamos a ver, há algo que nos aborrece à brava: são os finais completamente
pointless. É certo que tudo o que era para ser mostrado já o fora, mas naquela altura do campeonato pedia-se outro desfecho.
A Morte Do Sr. Lazarescu é o excelente exemplo de como um bom filme pode ser estragado por coisas tão simples como a falta de tacto. É um McChicken pequenino, pequenino, pequenino.
Posted by: dermot @
12:52 AM
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