Segunda-feira, Janeiro 14, 2008
CHRISTINE - O CARRO ASSASSINO:Título:
ChristineRealizador: John Carpenter
Ano: 1983

Agora que a peça de Terry Jones,
Evil Machines, está em cena em Portugal, nada melhor do que recordar
Christine - O Carro Assassino, uma das obras máximas do mestre do fantástico John Carpenter, adaptado dum livro do outro mestre do fantástico, Stephen King, autor que levou este conceito das máquinas possuídas em
A Máquina Mortífera, onde havia uma máquina de lavar roupa(!) possuída que matava pessoas.
Como o próprio título indica,
Christine - O Carro Assassino é sobre um automóvel - um Plymouth Fury vermelho de 1958, lindo lindo - com vida própria. Apesar da premissa parecer ser um pouco rídicula (e no fundo no fundo, é), esta temática dos carros assassinos já foi várias vezes visitada:
À Prova De Morte,
Um Assassino pelas Costas... Contudo,
Christine - O Carro Assassino é o exemplo com mais encanto. Primeiro, porque nunca dá uma explicação para o facto do carro ter vontade própria e ser tão ruim; e segundo, porque este apenas age por amor. E no fim, numa cena inesperadamente comovente, Christine (o carro) despede-se do seu dono com uma serenata - a grande
Pledging My Love, de Johnny Ace.
O filme centra-se então em duas personagens: o geek Arnie Cunningham (Keith Gordon), que não consegue arranjar namorada e com quem todos implicam, e o popular Dennis Guilder (John Stockwell), distinto jogador da equipa da escola e rapaz de sucesso junto às raparigas. Ambos são os melhores amigos e fazem uma equipa curiosa. Mas esta vai sofrer um revés quando uma rapariga entra na equação; uma rapariga de quatro rodas, chamada Christine. Um carro com vida própria, um instinto protector apurado, um irrepreensível gosto por rock'n'roll e muito ciumento, que vai seduzir Arnie. Este vai transformar-se num rebelde (obviamente que não é coincidência o blusão vermelho parecido com o de Dean em
Fúria De Viver) e juntos vão perseguir e matar com requintes de malvadez todos os que lhe fizeram mal.
Christine - O Carro Assassino é um filme extremamente machista. Ou seja, Arnie é um tipo de quem ninguém gosta, mas que vai encontrar num carro uma extensão da sua virilidade. Com ele, as pessoas não vão passar a gostar dele, antes pelo contrário (os bullys ainda implicam mais consigo, os pais passam a estar contra ele e até o dono da garagem não vai muito à bola com o miúdo), mas Arnie sente-se mais seguro e confiante. É mais ou menos o mesmo que
Querida Wendy, só que com carros em vez de armas.
Filme de suspense e mais sugestionável do que gráfico,
Christine - O Carro Assassino é filmado com uma precisão assustadora, com Carpenter a limitar-se ao uso irrepreensível da steady-cam, certamente influenciado por
Shining, de Stanley Kubrick. E pelo meio, apesar da excelente paleta de clássicos do rock, ainda há a banda-sonora minimal de John Carpenter, imagem de marca do seu autor.
Contra todas as previsões - afinal de contas não deixa de ser um filme sobre um carro que mata pessoas -
Christine - O Carro Assassino é um filme quase perfeito e uma das obras-primas do saudoso Carpenter. Que o seu regresso volte a pautar por esta qualidade, a do Le Big Mac.
Posted by: dermot @
7:09 PM
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