Royale With Cheese

 Royale With Cheese

 
 



quarta-feira, junho 27, 2007  

MANHATTAN:

Título: Manhattan
Realizador: Woody Allen
Ano: 1979


Houve dois elementos que nos habituámos a ver na longa filmografia de Woody Allen: o jazz e Manhattan. Aliás, para ser mais exacto, vinte e oito dos trinta e poucos filmes de Allen passam-se em Manhattan. Por isso, não foi de estranhar que o realizador norte-americano tivesse dedicado um filme inteiro ao bairro nova-iorquino.

Manhattan é um enorme e assumido tributo à cidade, que se inicia com quatro minutos certinhos em formato de declaração de amor, assinada e tudo - Ele adorava Nova Iorque, idolatrava-a desmesuradamente. No entanto, não se pense que é uma homenagem convencional que Allen faz; é certo que estão lá alguns dos marcos turísticos mais importantes - o Central Park, o Museu de Arte Moderna ou a Broadway -, mas a Manhattan que Allen quer perpetuar é a sua, a dos pequenos factos mundadnos. O trânsito, as pessoas, as longas avenidas ortogonais...

Além disso, Woody Allen filma a preto e branco, porque a sua Nova Iorque é a mesma de George Gershwin (cuja música é omnipresente): a do patine da época de ouro norte-americana. E Allen aproveita o facto para explorar aquela ambivalência das personagens que o preto e branco confere sempre e para filmar alguns das melhores cenas em contra-luz do cinema contemporâneo: a da Ponte de Manhattan, documentada na foto que remata estas linhas, e a fabulosa sequência na penumbra dos corredores do Planetário.

Quanto ao filme em si, Manhattan é um romance simples e característico de Woody Allen: o habitual leque de personagens fellinianas, Allen a fazer de si próprio e um filme assente, sobretudo, nos diálogos de humor subtil e inteligente, impregandos de referências culturais (de Bergman a Lenny Bruce, passando por Kubrick ou Scott Fitzgerald).

Allen faz de Isaac Davis, um neurótico comediante que conhece Mary Wilkie (a sua musa, Diane Keaton), que é uma espécie do seu reflexo em feminino. Ambos estão em relações condenadas ao fracasso - Isaac namora com Tracy (uma penosa Mariel Hemingway), uma adolescente de 17 anos (de onde é que eu me lembro disto?), e Mary com Yale (Michael Murphy), que é casado - e, por isso, vão apaixonar-se naturalmente.

Manhattan é o romance típico de Woody Allen: agridoce e com final infeliz. E no final, a declaração de amor definitiva a Manhattan: posso não ter uma mulher, mas sempre te terei a ti. É como aquela coisa do teremos sempre Paris. Manhattan é um dos Allens maiores (apesar do realizador continuar a afirmar que é o seu filme que mais detesta), maior que o próprio McRoyal Deluxe.

Posted by: dermot @ 6:24 da tarde
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domingo, junho 24, 2007  

UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:

Uma das grandes novidades do Festroia deste ano foi a inclusão do Prémio Sapo Vídeos Curtas Digitais, competição aberta a todos os portugueses com filems em formato digital até 10 minutos de duração. O vídeo digital é, cada vez mais, o cinema do futuro: mais barato, mais fácil, mais directo e mais acessível a todos. Um olhar do Festroia sob o futuro...

O vencedor estava nas mãos do público, que durante os dias do certame pôde votar nas suas curtas favoritas que estavam (estão) disponíveis on-line. E no final, houve dois vencedores ex-aequo: Malus, filme de António Aleixo, e Crosswalk, curta de Telmo Martins. Confesso que no geral, as curta sinscritas surpreenderam-me pela positiva: houve muitos e bons filmes a concurso. mas também devo confessar que Malus e Crosswalk foram dois justos vencedores. Por isso, deixo-vos aqui com ambos.

António Aleixo, realizador setubalense inserido na (cada vez mais presente) cooperativa NeoCirka, que teve o documentário Setúbal, O Quê? inserido na programação do Festroia deste ano, traz-nos Malus, uma estória de ficção-científica inspirada numa teoria de Carl Sagan. Com um baixo orçamento (98 euros, segundo reza a crónica), Malus prova como a imaginação é capaz de compensar a falta de meios na maior parte das vezes.



Para quem comprou aquela série de DVDs dedicados às curtas nacionais que saiu com o selo da FNAC, o nome de Telmo Martins não deve ser muito estranho. É que o seu filme Rupofobia é dos poucos que se destaca da mediania dessa selecção. Telmo Martins, jovem realizador da Covilhã é uma presença assídua nos festivais nacionais. As suas curtas, normalmente destacam-se pela fotografia e pela sensibilidade clássica, uma vez que em termos de argumento limitam-se muitas vezes a estórias populares ou pequenas anedotas. É o que acontece também com Crosswalk: uma estória simples, mas filmada com grande tacto. Telmo Martins é um nome a manter debaixo de olho.

Posted by: dermot @ 11:30 da manhã
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sexta-feira, junho 22, 2007  

AMARCORD:

Título: Amarcord
Realizador: Federico Fellini
Ano: 1973


Sabemos que alguém é importante quando o seu nome se transforma num adjectivo. Foi isso que aconteceu com Maquiavel, Masoch, Sade, ou o mestre italiano Federico Fellini, do qual se aproveitou o apelido para, convencionalmente, se apelidar os filmes de ambiente caótico e circense de fellinianos. Agora, só falta a palavra ser incluída nos diccionários para a distinção ser oficial.

Amarcord, que arrecadou inclusive o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, é considerado por muitos como a sua obra-prima. Confesso que não é o meu favorito - acho que 8 1/2 é quem ocupa essa posição no meu consciente -, mas é indiscutível a sua genialidade.

Amarcord é o retrato perfeito desse tal universo felliniano, um mundo fantástico de magia, diversão, alegria e muito caos (caos como ferramente de criação). Temáticamente, Amarcord é o retrato de um ano na vida da pequena cidade italiana de Rimini, um lugarejo à beira-mar plantado, de gente divertida, brigona e efusiva. Rimini faz lembrar a aldeia do Astérix, mas sem a parte de estar sitiada. E como todas as cidades, também esta tem as suas personagens características. Assim como Setúbal tem o Zé dos Gatos ou o Tarzan da Baixa e Lisboa tem o Homem-Elefante ou o Senhor-Que-Faz-Adeus-Aos-Carros, Rimini tem Volpina (Josiane Tanzilli), uma prostitua com um grave problema com a promiscuidade, Gradisca (Magali Noël), uma diva glamourosa solitária, ou Biscein (Gennaro Ombra), um mentiroso compulsivo com vários tiros nos taipais.

O filme é um retrato de vários episódios, muitos deles auto-biográficos, que variam de registo. Apesar do embrulho final ser uma comédia genial, com um humor popular (atenção, não confundir com brejeiro; é a mesma diferença que separa o humor do cinema português da década de 50 do da revista), Amarcord varia entre a comédia agri-doce, a crítica política ao fascismo e ao regime de Mussolini, ou a sátira à religião, quando parodia a confissão. Amarcord é ainda um filme extremamente nostálgico e triste, tanto na figura do jovem gordo que é constantemente rejeitado pela rapariga dos seus sonhos, como pela cena em que toda a cidade acena a um cruzeiro que passa, desejando estar a bordo.

Verdadeira paleta de emoções, Amarcord ainda tem o excelente dedo de autor de Fellini, quer na figura omnipresente do narrador, que fala com o espectador a olhar directamente para a câmara (técnica que Woody Allen pilharia vezes sem conta), quer na fotografia iconográfica, como aquela cena que todos já devem ter visto do pavão sobre a neve.

Quanto a mim, Amarcord peca por ser desnecessariamente longo e por alguns episódios algo aleatórios. E agora que já expliquei o meu McRoyal Deluxe, agradecia que alguém me explicasse a cena-relâmpago das águas turvas, logo a seguir à cena do cruzeiro.

Posted by: dermot @ 12:05 da tarde
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quinta-feira, junho 21, 2007  

SETE ANOS NO TIBETE:

Título: Seven Years In Tibet
Realizador: Jean-Jacques Annaud
Ano: 1997


Agora que o Dalai Lama está quase a regressar a Portugal, faz todo o sentido recuperar Sete Anos No Tibete, o filme que fez com que Brad Pitt nunca mais pudesse pisar solo chinês.

Sete Anos No Tibete é a adaptação cinematográfica do romance homónimo de Heinrich Harrer, o livro que introduziu definitivamente a cultura tibetana no mundo Ocidental, que fez com que hoje em dia seja in dizer que se quer ir visitar o Tibete e que fez mais pela sua libertação do que quatro décadas de diplomacia internacional.

Heinrich Harrer (aqui encarnado por Brad Pitt) foi um famoso alpinista austríaco, cuja expedição para subir a um dos picos dos Himalaias acabou prisioneira das tropas aliadas aquando do início da Segunda Grande Guerra. De forma a escapar ao cativeiro e à guerra, Harrer e o amigo Peter Aufschnaiter (David Thewlis) fugiram em direcção ao Tibete, onde se tornaram nos primeiros estrangeiros a viver na cidade sagrada de Lassa. E Harrer tornou-se num amigo próximo do jovem Dalai Lama (aqui interpretado por um miúdo com um nome fantástico, Jamyang Jamtsho Wangchuk), a quem intorduziu a cultura ocidental e de quem se manteve amigo até à sua morte no ano passado.

O romance (leia-se docudrama) de Harrer é um livro informal e bastante light, que o fazem um produto ideal da chamada cultura de supermercado. No entanto, Jean-Jacques Annaud achou por bem que a sua adaptação cinematográfica ainda deveria ter menos calorias, sujeitando-o a uma dieta extrema. O resultado? Seven Years In Tibet é um filme anorético.

E como se isto não bastasse, sujeitou-se também a todos os compromissos da indústria: inseriu o habitual sub-enredo romântico, com uma ridícula tibetana alfaiate(!), que vai disputar o coração dos dois amigos; introduziu um ministro corrupto, que vai trair o Tibete quando este é invadido pelos chineses; e transformou Harrer num indivíduo arrogante e egocêntrico, cuja vida no Tibete o vai transformar num tipo decente. Além disso, usa o filho ausente de Harrer como âncora emocional, para explicar a relação entre Harrer e o Dalai Lama numa coisa do género pai/imagem do filho desaparecido. Ou seja, tudo coisas escusadas...

Além disso, como uma guerra vende sempre melhor do que agricultores a salvarem minhocas, Sete Anos No Tibete acaba por ser um filme sobre a invasão da China ao Tibete e a subjugação deste, com muitos massacres e coisas do género. Enquanto que o livro é um documento fantástico que descreve e explica a civilização fascinante do Tibete, o filme é um thriller político anti-chinês.

Deixei para o fim, mas nem por isso é menso importante. Sete Anos No Tibete também sofre daquele mal palerma da maioria dos filmes históricos norte-americanos. Ou seja, como os dois heróis da aventura são alemães a falarem inglês, decidiu-se dar-lhes um sotaque ridículo, fazendo com que Brad Pitt pareça estar a fazer uma má imitação do Schwarzenegger.

Sete Anos No Tibete é o típico filme de Hollywood: um embrulho bonito, colorido e bem arranjadinho, mas com muito pouco conteúdo. Apenas o suficiente para um Chesseburger.
E entretanto, não se esqueçam que o melhor filme sobre budismo continua a ser Samsara.

Posted by: dermot @ 2:37 da tarde
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quarta-feira, junho 20, 2007  

AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE:

Episódio 1: a pior luta


Inspirado por este hilariante post do Nothingman, tive uma belíssima ideia. Pensei eu de mim para mim, já que eu não actualizo a maioria das rubricas do meu blogue, porque não hei-de criar outra? E assim foi. Por isso, eis a abertura solene da rubrica As Melhores Piores Cenas De Sempre, onde sempre que possível, analisarei algumas das piores ofensas à sétima arte.

Claro que vou começar pelo óbvio: pela pior luta de sempre do cinema.
Todos sabem que esta distinção pertence (por mérito próprio, diga-se) a uma série de televisão: o famoso Star Trek. Os mais atentos sabem do que eu estou a falar: o mítico episódio da Arena, em que o William Shatner luta contra o malvado lagarto Gorn, que apesar de muito forte, move-se em câmara lenta(!). A coisa é, basicamente, surreal, mas para ajudar, Shatner ainda inventa a pólvora(!!) antes do episódio acabar. Deixo-vos aqui o momento para a posterioridade:



No entanto, esta é daquelas mentiras que por tanto se repetir se tornou verdade. Isto porque a pior luta de sempre do cinema pertence, indescutivelmente, ao lendário, mítico e venerado Undefeatable, um filme de artes-marciais rodado nos Estados Unidos tão mau, tão mau, tão mau, que a própria palavra do título não existe. O que me lembra que tenho que falar dele aqui num dia destes... Para agora, o que interessa é referir esse fantástico duelo que super-intenso, onde os lutadores estão super-concentrados e gritam até quando despem as camisolas, há overacting, gore gratuito, câmara lenta e diálogos clichés. Ah, e falei do overacting?

Posted by: dermot @ 10:53 da tarde
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AS AVENTURAS DO PRÍNCIPE ACHMED:

Título: Die Abenteuer Des Prinzen Achmed
Realizador: Lotte Reiniger
Ano: 1926


O título As Aventuras Do Príncipe Achmed, provavelmente, não vos diz muito. E se eu vos disser que este é o primeiro desenho-animado de longa-metragem da história do cinema? Provavelmente, continuarão na mesma. Mas pelo menos espero que aumente a vossa curiosidade pelas linhas que se seguem.

Apesar de não ter sido a primeira (historicamente, terá sido a segunda), As Aventuras Do Príncipe Achmed é a longa-metragem de animação mais antiga de que há registo físico, uma vez que de O Apóstolo, de Quirino Cristiani, apenas ficaram os relatos de quem o viu. As Aventuras Do Príncipe Achmed não é uma animação tradicional, pelo menos como hoje a conhecemos: é filmada segundo um processo de silhuetas, com bonecos recortados em cartão e manipulados como uma espécie de fantoches. Uma morosa técnica que a realizadora Lotte Reiniger repetiria mais vezes nos anos seguintes.

As Aventuras Do Príncipe Achmed é um parente próximo de As 1001 Noites e um parente afastado de Fantasia: do primeiro, herdou os destinos exóticos e mágicos da Pérsia e da China; e ao segundo, ofereceu a magia e o simbolismo visual. Como o título indica, esta é uma fábula à volta do príncipe Achmed, valente e jovem herdeiro do trono de Califa, que vai embarcar numa perigosa jornada na ilha dos espíritos Waq-Waq, depois de ter sido enganado com um cavalo voador pelo maléfico Feiticeiro Africano.

Filme mudo criado em pleno expressionismo alemão (a arquitectura dos palácios de Califa lembram a perspectiva disforme de O Gabinete Do Dr. Caligari e os dedos asqueroso e longiformes do Feiticeiro Africano são os mesmo de Nosferatu), As Aventuras Do Príncipe Achmed cria uma atmosfera verdadeiramente mágica e fabulosa (fabulosa como em fábula), de personagens que se movem de forma graciosa e se transformam de forma engenhosa.

Infelizmente, a história perde fluidez a partir de metade e transformam-no, narrativamente, num filme algo datado - a personagem de Aladino e lâmpada mágica é, claramente, enxertada a martelo. Mas visualmente, As Aventuras Do Príncipe Achmed é uma experiência maravilhosa que toda a gente devia ser obrigada a ver, pelo menos, uma vez na vida. Eu já cumpri a minha parte e o McRoyal Deluxe é a prova disso.

Posted by: dermot @ 6:27 da tarde
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terça-feira, junho 19, 2007  

THE FOUNTAIN - O ÚLTIMO CAPÍTULO:

Título: The Fountain
Realizador: Darren Aronofsky
Ano: 2006


Depois de um par de filme independentes que se tornaram verdadeiros objectos de culto, Darren Aronofsky teve a possibilidade de experimentar a sua primeira grande produção. No entanto, The Fountain - O Último Capítulo não correu muito. Primeiro, foram as divergências com Brad Pitt e Cate Blanchett, que abandonaram o projecto; e depois, o corte no orçamento da Warner. Felizmente para nós, espectadores, Hugh Jackman entregou-se de corpo e alma ao projecto e a produtora acedeu financiar uma versão mais barata do filme.

Aronofsky não é o mais tradicional dos realizadores, nem tão-pouco o mais ortodoxo. E em The Fountain - O Último Capítulo, ortodoxia é uma palavra completamente riscada do seu diccionário. O filme decorre em três realidade temporais distintas, onde uma delas não é objectivamente real, que se cruzam em simbolismos comuns e numa linha narrativa não-linear. Parece complicado. E é.

Comecemos então pelo presente: Tom Creo (Hugh Jackman) é um investigador científico, obsecado em encontrar a cura para o cancro, numa corrida contra o tempo, uma vez que a sua amada esposa, Izzi (Rachel Weisz), está na fase terminal de um. Ao mesmo tempo, esta está a escrever um romance ambientado na Espanha imperial, onde um cavaleiro procura na América Latina a árvore da vida. Curiosamente, tanto a rainha como o cavaleiro são-nos apresentados como Hugh Jackamn e Rachel Weisz. Por fim, uma terceira realidade bem distinta das anteriores, passada milhares de anos no futuro, onde Hugh Jackman tenta alcançar a vida eterna, para si e para a sua amada, mas de forma bem mais espiritual.

À primeira vista, The Fountain - O Último Capítulo parece uma bonita estória de amor, que se projecta ao longo de vários séculos, acerca de um homem, completamente obcecado em salvar a sua amada. Contudo, no final apercebemo-nos estar perante uma discussão entre o binómio vida e morte: de um lado, temos Rachel Weisz, que aceita a morte e encara-a como um acto de criação; do outro, temos Hugh Jackman, que a toma como uma doença e que tenta erradica-la do cimo da Terra, para no fim descobrir que ninguém pode viver para sempre.

Com uma cinematografia verdadeiramente assombrosa - que dispensou quase por completo o CGI, utilizando macros de tintas misturando-se em água -, Aronofsky filma The Fountain - O Último Capítulo de forma nada convencional, relembrando as trips alucinogéneas do cinema da década de 70. O filme tem um toque de 2001: Odisseia No Espaço (o último terço de um faz referência ao último terço do outro) e tem outro toque de David Lynch. Aliás, para quem acha que Lynch é esquisito, INLAND EMPIRE comparado com isto é um menino.

The Fountain - O Último Capítulo está aberto a várias interpretações e até pode ser visto sem nenhuma delas, apenas limitando-nos ao mais simples acto de ver e ouvir, uma vez que Aronofsky utiliza a poética imagética de forma contemplativa. E agora, depois de atribuir um muito nutritivo Big Mac ao filme, vou abrir um spoilers alert para dar a minha interpretação da coisa.

***Spoilers Alert***
Eis a minha interpretação do filme. Quem concordar comigo ponha o dedo ar.
Hugh Jackman é então um cientista que tenta salvar a sua amada, Rachel Weisz, que sofre de cancro. Como esta morre antes que ele consiga achar a cura para a doença, Jackman utiliza em si próprio o elixir da juventude que ele tinha descoberto, mantendo-se jovem para sempre até conseguir encontrar forma de ressuscita-la. Esta, no futuro, aparece-nos sob a forma de uma árvore, facto que é explicado pelo facto de Jackman plantar uma semente sobre a sua campa e com a tal estória sobre o pai falecido do tal guia maia. Quanto à estória espanhola, tal não é mais do que o livro escrito por Rachel Weisz, que é uma grande alegoria à vida do casal. Por isso, penso eu de que, The Fountain - O Último Capítulo é um grande filme de... ficção-científica.
***End of Spoilers Alert***


Posted by: dermot @ 10:47 da tarde
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OS CINCO VENENOS:

Título: Wu Du
Realizador: Cheh Chang
Ano: 1978


Já aqui falei, anteriormente, do mítico Cheh Chang, o padrinho do cinema de Hong Kong dos anos 70, que influenciou decisivamente o género e gente como John Woo e o próprio Bruce Lee. O que ainda não tinha falado (pelo menos aprofundadamente) era de Os Cinco Venenos, a sua obra-prima absoluta, referenciada vezes sem conta por Quentin Tarantino, pelos Wu-Tang Clan e por mais um sem número de individualidades da nossa cultura popular, e colocado em 11º na lista dos filmes de culto da Entertainment Weekly.

Intorudzimos então o Clã do Veneno, uma poderosa guilda do antigo Japão feudal. Quando está às portas da morte, o mestre do Clã incube o seu último aprendiz (Chiang Sheng) de uma missão decisiva: avisar um antigo colega que cinco dos seus mais mortíferos ex-alunos se preparam para roubar o seu tesouro. E quem são esses cinco ex-alunos? Exacto, os poderosos e invencíveis Cinco Venenos.

É um dos pontos mais cool de Os Cinco Venenos: cada um desses lutadores é especialista numa técnica especial, que lhes confere super-poderes. E todos eles são baseados em animais venenosos. Assim temos o Centopeia (Lu Feng), lutador tão veloz que parece ter vários braços e pernas; o Cobra (Wei Pei), um lutador cujos ataques precisos são mortais; o Escorpião (Sun Chien), dono de um pontapé tão poderoso, capaz de paralizar o oponente; o Lagarto (Kuo Chiu), que é o mais fixe deles todos, porque é tão ágil que consegue andar nas paredes; e o Sapo (Lo Mang), um lutador duríssimo, com uma pele de ferro.

Já devem ter achado algumas semelhanças entre estes cinco lutadores e as cinco cobras de Kill Bill. Agora, agarrem nessas lutadoras do Tarantino e dêem-lhes poderes especiais. O resultado? Kill Bill meets As Aventuras De Jack Burton Nas Garras Do Mandarim. How cool is that?

Mas ao contrário do que seria de esperar, Os Cinco Venenos não é o típico filme de artes-marciais. Nele encontramos mais a estrutura do thriller policial, da informação vs contra-informação e da investigação policial. É o que dá ter na cidade um tribunal e um posto da polícia... Encontramos então em Os Cinco Venenos a génese do cinema de Johnnie Too, por exemplo, ou o embrião de Infiltrados.

Claro que depois ainda há a parte engraçada: o humor físico e burlesco, tradicional do cinema oriental, os efeitos sonoros que fazem as lutas parecerem tiroteios e a má dobragem -Poison Clan rocks the world.

Apesar das coreografias algo murchas - nunca foi o forte de Cheh Chang -, Os Cinco Venenos tem wi-fu e habilidade suficiente para entreter e para encomendar o melhor Big Mac que o dinheiro podia comprar nos anos 70, em Hong Kong.

Posted by: dermot @ 6:17 da tarde
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domingo, junho 17, 2007  

VONTADE INDÓMITA:

Título: The Fountainhead
Realizador: King Vidor
Ano: 1949


Toda a gente sabe que o maior filme sobre arquitectura é A Torre Do Inferno - onde o vilão é um engenheiro civil, que contrói um arranha-céus cheio de defeitos e o herói é um arquitecto, que salva toda a gente de morrer esturricada. No entanto, quando temos que impressionar alguém (nomeadamente, os professores de Projecto), o filme que referimos é Verdade Indómita.

Vontade Indómita é a versão cinematográfica do romance homónimo de Ayn Rand, que é, quiçá, a maior defensora da corrente filosófica do individualismo/idealismo, que chega inclusive a tomar o egoísmo como uma virtude. De forma a exprimir as suas ideias em formato drama-realista, Rand recorreu à arquietctura como analogia simbólica.

De facto, Vontade Indómita situa-se num momento fundamental da história contemporânea da arquitectura: o período do início do século XX em que alguns arquitectos vanguardistas - Frank Lloyd Wright, Le Corbuiser... -, defendiam o chamado movimento vanguardista em detrimento do estilo neo-clássico que já enjoava, em tudo o que era edifício importante nos Estados Unidos (alguém mencionou a Casa Branca ou o Capitólio?). É certo que a reconstituição histórica é um pouco radicalizada, mas percebe-se a intenção.

Howard Roark (Gary Cooper) é, então, um arquitecto modernista e - mais importante que tudo - individualista. Defende que a arquitectura deve ser o resultado das ideias de um Homem e não um pastiche de opiniões que agradem à opinião pública. Por isso, como não cede aos compromissos dos seus clientes, vai ser ostracizado durante muito tempo, principalmente por ir contra as ideias do The Banner, jornal opinion-maker de Nova Iorque, controlado pelo poderoso magnata Gail Wynand (Raymond Massey). Entretanto, Roark conhece o amor da sua vida: Dominique Francon (Patricia Neal), uma mulher livre e rebelde, que não gosta de compromissos e que não acredita da Humanidade.

Mas Vontade Indómita não se esgota sobre esse tema e abre-se numa pluridade de visões, que se extendem até a uma intrincada história de amor e uma dissertação sobre o poder. Claro que no cerne da questão, o que está em causa é o seguinte: deverá um arquitecto manter-se fiél às suas ideias, ou deverá ceder aos intuitos do cliente? Ayn Rand subverte um pouco as coisas, devido à sua atitude radical perante as suas ideias, uma vez que leva a história um pouco longe de mais. Nos dias de hoje, qualquer um podeira identificar Vontade Indómita como um film pró-terrismo.

Numa espécie de cruzada ideológica, as personagens de Vontade Indómita pouco têm de seres humanos: parecem antes autómatos a declamar as suas falas, em prejuízo claro para os actores, nomeadamente Gary Gooper. Este tem o seu ponto alto na parte final do filme, quando este se transforma em filme de tribunal, lembrando o cinema moral da Warner Brothers da década de 20 (Eu Sou Evadido, anyone?), naquele que é, até há data, o discurso de tribunal mais longo do cinema.

Mas Vontade Indómita é, claramente, o filme sobre arquitectura. E assim como, se um dia tiver uma produtora de cinema, a irei chamar de Royale With Cheese, se tiver um atelier de arquitectura chama-lo-ei de Howard Roark Arquitectos.
E para finalizar, um McBacon em jeito de veredicto final.

Posted by: dermot @ 11:47 da manhã
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sábado, junho 16, 2007  

ORIGINAL VS. REMAKE
Em 1997, depois de ter ido ao cinema ver um desconhecido filme espanhol, Tom Cruise foi para casa a correr comprar os direitos do filme. Era De Olhos Abertos, que quatro anos depois deu origem ao remake Vanilla Sky. Para o efeito, James Cameron contou não só com Tom Cruise, mas com a própria Penélope Cruz, que interpreta o mesmo papel em ambos os filmes.
Existe uma aura de culto em redor dos dois filme. E assim como quem desdenha o original, há quem desdenhe o remake. Afinal quem tem razão? Porque teimam os americanos em refazer os filmes feitos do outro lado do Atlântico? Porque é que o público europeu prefere os originais aos remakes? O Royale With Cheese responde.


DE OLHOS ABERTOS:

Título: Abre Los Ojos
Realizador: Alejandro Amenábar
Ano: 1997


Quando ainda era um realizador praticamente desconhecido, o espanhol Alejandro Amenábar juntou dois promissores actores - Eduardo Noriega e Penélope Cruz - e realizou De Olhos Abertos, uma história inspirada nas alucinações que teve durante uma febre alta. O filme foi o pontapé de saída para a internacionalização dos três, cujo currículo actual fala por si.

César (Eduardo Noriega) é um jovem playboy mimado e rico, que nunca teve que suar para ganhar a vida. Além disso, é bonito e bem-parecido, o que o faz ter uma rapariga jeitosa diferente todas as semanas na sua cama. Em suma, é o oposto do seu melhor amigo, Pelayo (Fele Martínez). E é precisamente este último que lhe apresenta a bela Sofía (Penélope Cruz), por quem ambos se vão enamorar.

César rouba a namorada a Pelayo. Mas como Deus castiga estas coisas, uma ex-namorada vai desfigurá-lo ao ponto de fazer O Fantasma Da Ópera parecer um super-modelo. E como César é superficial e fútil, perder o seu bom aspecto vai arrasá-lo psicologicamente, everdando numa estória de alucinações, em que nem sempre sabemos o que é real e irreal.

De Olhos Abertos é um mind-blowing flick, que derrete o cérebro à medida que tentamos pôr as peças do puzzle no sítio correcto, para no fim colocar tudo em pratos limpos com o twist revelador. De Olhos Abertos é uma espécie de O Fantasma Da Ópera meets Os Olhos Sem Rosto, que desenvolve o tema do amor vs aspecto exterior/interior do primeiro e o tema da perca de identidade consequente à perca da própria face do segundo.

Thriller psicológico intenso e escuro, com uma desenvolvimento narrativo nem sempre linear, De Olhos Abertos ainda faz uso de diálogos escorreitos e naturais, que o tornam num peculiar filme de personagens, algo cada vez mais raro no actual cinema europeu. É um dos mais fascinantes títulos da filmografia de Alejandro Amenábar e, quiçá, o mais caro McRoyal Deluxe.




VANILLA SKY:

Título: Vanilla Sky
Realizador: Cameron Crowe
Ano: 2001


Consta que Tom Cruise ficou tão impressionado quando viu De Olhos Abertos que, no mesmo dia, comprou os direitos de autor do filme. Mas, aparentemente, não foi só o argumento que o fascinou. Também Penélope Cruz, a actriz principal, o tinha deixado impressionado (tanto, que anos depois, acabariam mesmo por se envolverem emocionalmente). Por isso, quando em 2001, Cruise pediu a Cameron para realizar um remake de De Olhos Abertos, a actriz espanhola foi convidada para repetir o papel.

Os americanos têm um misterioso fascínio em refazer filmes estrangeiros. Não sei se é a ideia de não suportarem a ideia de que há gente lá fora a fazer melhores filmes que eles, ou se é, simplesmente, pelo facto de o americano comum não ser capaz de acompanhar um filme legendado. O que é certo é que os remakes norte-americanos sempre foram uma realidade, desde Os Sete Magníficos até a O Aviso.

Gosto de Cameron Crowe. É, provavelmente, o maior realizador pop de sempre. E o que quer isto dizer? Que é uma espécie de Andy Warhol da sétima arte actual, que gosta de incorporar elemento da cultura popular contemporânea nos seus filmes. E Vanilla Sky não foge à regra, até porque a volta que dá à estória original torna isso propício.

É inevitável fazer a comparação entre De Olhos Abertos e Vanilla Sky. E esta começa logo na abordagem à estória. Enquanto que no original o protagonista era um playboy mimado e fútil, em Vanilla Sky, David Aames (Tom Cruise) é igualmente playboy, mas com uma atitude rebelde. Claro que se deve evitar sempre que Tom Cruise encarne uma personagem desagradável, não é?

Outro dos problemas de Vanilla Sky é a tendência dos norte-americanos simplificarem tudo. Se por um lado, torna-se mais fácil o acompanhamento da narrativa, por outro perde-se o poder da sugestão, em diálogos demasiado reveladores, e na intensidade do filme, muito mais light que De Olhos Abertos. Penélope Cruz parece ter ficado aborrecida com isto, porque passa metade do filme em piloto automático...

Mas quando começa a tornar-se no mind-blowing flick que na realidade é, Vanilla Sky consegue reinventar-se e trasnformar-se num filme novo, em vez da coleção de planos e diálogos pilhados a De Olhos Abertos. Para a posterioridade ficam dois momentos bem superiores ao filme original: o acidente de carro que desfigura Tom Cruise, numa sequência bem mais credível; e o final, visualmente mais interessante, no topo do Empire State Building.

Se tivermos em conta que é um filme novo e original, Vanilla Sky é, também, um McRoyal Deluxe. Contudo, enquanto remake, Vanilla Sky é apenas um fraquinho McChicken.

Posted by: dermot @ 10:09 da manhã
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quarta-feira, junho 13, 2007  

RENASCIMENTO:

Título: Renaissance
Realizador: Christian Volckman
Ano: 2006


A melhor descrição possível que se pode fazer a Renaissance, é que é um filho híbrido de uma relação entre O Homem Duplo e Sin City - Cidade Do Pecado: do primeiro herdou a rotoscopia, técnica de animação que consiste em desenhar o filme por cima da imagem real; e do segundo, herdou o grafismo neo-noir estilizado.

Contudo, deve-se fazer a devida ressalva: Renaissance nada tem de cópia destes dois filmes, porque começou a ser feito muito antes destes, mais propriamente em 1997. No entanto, os atrasos na pós-produção fizeram-no sair nove anos fora do tempo e, por isso, Renaissance tem sofrido as consequências de ser um aparente subproduto de mercado.

Renaissance é uma espécie de sucessor directo de Blade Runner - Perigo Eminente; numa Paris futurista, controlada pela empresa omnipresente Avalon (alguém mencionou o Big Brother?), o conceituado Capitão Karas (Patrick Floersheim) - um polícia cuja reputação o antecede e que não se furta a quebrar os protocolos para atingir os seus objectivos - é incubido de encontrar a promissora investigadora Ilona Tasuiev (Virginie Mery), entretando raptada.

A história não é nova e já foi contada um milhão de vezes, assim como a sua mensagem moral: apesar de ambientado num futurismo próximo da ficção-científica, Renaissance critica o progresso e a maquinização da sociedade, como perda de identidade. Aliás, como qualquer distopia que se preze... Mas a novidade está em faze-lo nos moldes do thriller-policial, numa investigação que vai envolver uma perigosa intriga escondida, informação, contra-informação e muitas soluções de argumento facilitadas por muletas demasiado confortáveis.

Renaissance ganha então na sua componente visual, verdadeiramente assombrosa. Começando pela atmosfera noir a preto e branco, que transmite sempre uma certa ambiguidade entre os personagens, e terminando pela Paris retro-futurista de 2054, sempre com a Torre Eiffel como âncora: uma ilha entre arranha-céus, linhas intermináveis de caminhos-de-ferro sobre-elevadas e edifícios pós-modernistas a lembrar a arquitectura utópica de gente como Boullet.

Se como filme, Renaissance não passa de um policial competente, visualmente é uma obra impressionante, de cortar o fôlego. Por isso, fazendo as contas, a média resulta em qualquer coisa como um McBacon.

Posted by: dermot @ 10:09 da tarde
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segunda-feira, junho 11, 2007  

23. FESTRÓIA:

Dia 10

Chegámos ao último dia de festival. No ar, sente-se já um cheiro a nostalgia e consegue-se ver, se olharmos com atenção, uma lágrima no canto do olho dos espectadores. O alívio é pensar que já só faltam 364 dias para o próximo Festróia...
Mas hoje ainda faltavam sessões. E ouro sobre azul é o que eu chamo a encerrar o festival com o clássico O Crepúsculo Dos Deuses.

Ante-Estreia - O SONHO COMANDA A VIDA:

Título: The Good Night
Realizador: Jake Paltrow
Ano: 2007


Quando se fala em mockumentários rock, fala-se obrigatoriamente nos Spinal Tap, ou até, de forma mais ficcionada, nos Stillwater de Quase Famosos. O Sonho Comanda A Vida arranca em formato mockumentário, com Jarvis Cocker, ex-vocalista dos Pulp, a introduzir a ex-banda de sucesso, All For One. No entanto, tudo não passa de uma ilusão de óptica - que o final confirma -, porque de música, O Sonho Comanda A Vida tem muito pouco ou quase nada.

Portanto, o filme centra-se sobre os dois ex-mebros dessa tal banda de sucesso, Gary (Martin Freeman) e Paul (Simon Pegg), mas 20 anos após o desmembramento da banda. Os dois permanecem amigos, casados e com um pouco mais de barriga: Gary é tímido, depressivo e muito pouco divertido. E Paul é mulherengo, esbanjador e impertinente.

Como a sua relação com Dora (Gwyneth Paltrow, irmã do realizador Jake Paltrow, que se estreia nestas andanças) está a queimar os últimos cartuchos, Gary começa a ter sonhos recorrentes, tão surreais que parecem ter saído da cabeça de Nicolas Provost, que envolvem uma relação de sonho com a escultural Penélope Cruz (suspiro). Gary vai começar a ficar obcecado com aqueles sonhos e vai recorrer a um guru dos sonhos (Danny De Vito) para conseguir controlá-los a seu bel-prazer.

Apesar de se debruçar sobre o mundo onírico dos sonhos, O Sonho Comanda A Vida tem muito mais a ver com Os Psico-Detectives do que com A Ciência Dos Sonhos, pela forma como aborda o tema. Quando era miúdo, lembro-me de ter lido um pequeno conto do António Torrado (salvo erro) que me deixou certas marcas, do qual já não me recordo do título, mas que contava a estória de um homem cujos sonhos se realizavam quando acordava. Certa noite, ao sonhar que ia morrer, o homem fez força para nunca mais acordar, preferindo permanecer a viver eternamente no seu sonho. Jake Paltrow parece que leu o mesmo livro que eu...

Comédia romântica britânica é, talvez, um rótulo demasiado redutor para O Sonho Comanda A Vida. Num registo de humor inglês, inteligente e pertinente, o filme dá ainda a oportunidade a Simon Pegg (vénia, vénia, vénia...) de criar mais uma personagem bem disfuncional, ao bom jeito de Spaced. Além disso, pode-se afirmar que o filme tem o final mais chocante da história do cinema, que o fará sentir um aperto no peito, mesmo se for um insensível com uma pedra no lugar do coração.

O Sonho Comanda A Vida não é um filme muito fácil, nem acessível a toda a gente. Se não gosta de humor britânico, Spaced ou Os Psico-Detectives, então ignore este McBacon.




Homenagem a Billy Wilder - O CREPÚSCULO DOS DEUSES:

Título: Sunset Blvd.
Realizador: Billy Wilder
Ano: 1950


Billy Wilder, um dos grandes homenageados desta edição do Festróia, foi um dos maiores nomes da época de ouro de Hollywood. Para além de realizador, Wilder foi também um argumentista notável, ao nível de Capote, Breckett ou Epstein. Quanto a O Crepúsculo Dos Deuses, parábola de 1950 à própria indústria cinematográfica e filme escolhido para encerrar o festival, é a mais reconhecida obra de Billy Wilder.

Ao contrário de outros mestres seus contemporâneos, como Elia Kazan, Wilder foi um realizador mais ligeiro, na medida em que se mexia mais à-vontade na área da comédia. Talvez por isso, apesar de estar estruturado segundo o cinema noir da altura, O Crepúsculo Dos Deuses pouco tem a ver com o género. Quer dizer, é certo que existe um crime (que nos é revelado logo de início, num golpe de génio, antes de o filme recuar num enorme flashback, numa estrutura elipsoidal) e um protagonista-narrador (daqueles que termina todas frases com uma analogia engenhosa e inicia as frases com coisas do género a noite estava fria e a chuva caía lá fora), mas de policial, O Crepúsculo Dos Deuses tem muito pouco.

Esta é então a estória de um argumentista menor de Hollywood, Joe Gillis (William Holden), um pelintra cuja carreira já teve melhores dias. Na tentativa de encontrar uma solução imediata para as suas dívidas, Gillis encontra a mansão gigante de Norma Desmond (Gloria Swanson), uma antiga diva do cinema mudo que continua a viver na ilusão do estrelato. Aquela mansão enorme e deserta está tão parada no tempo que se torna macabra ao ponto de relembrar a casa da Família Addams. Gillis vai então desenvolver uma estranha relação com Norma Desmond, trabalhando em conjunto num argumento que poderá significar o regresso da actriz à ribalta.

Crítica social ao mundo do cinema de Hollywood, que acusa de ser uma máquina que tritura os mais velhos e usa os mais novos até ao limite, O Crepúsculo Dos Deuses ambienta-se nos meandros do cinema, atirando deliciosas referências ao universo dos filmes, desde E Tudo O Vento Levou até divertidos cameos de Buster Keaton ou Cecil B. DeMille. O Crepúsculo Dos Deuses é ainda uma comédia agri-doce sobre a ilusão da fama e do declínio romântico das estrelas mediáticas.

Maravilhosamente estruturado, argumento perfeito e diálogos divertidíssimos - uma espécie de buddy movie, mas mais profundo e sem buddys -, O Crepúsculo Dos Deuses deixa para a posterioridade não só algumas frases famosas - Eu sou grande. Os filmes é que se tornaram demasiado pequenos. -, como um plano mítico do fundo da piscina, com um cadáver a boiar à superfície. E claro, uma interpretação memorável de Gloria Swanson, digna de três ou quatro prémios da Academia.

O Crepúsculo Dos Deus é a maior obra-prima de Billy Wilder e um dos mais contemporâneos exemplos do cinema clássico de Hollywood, que nunca pode significar menos que o Royale With Cheese.

Posted by: dermot @ 11:56 da manhã
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domingo, junho 10, 2007  

23. FESTRÓIA

Dia 9

Como disse certa vez o nosso actual Presidente da República, eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas. De facto, na cerimónia da entrega dos prémios, as previsões do Royale With Cheese confirmaram-se: Posto Fronteiriço foi o grande vencedor da noite, arrecadando não só o Golfinho de Ouro, como ainda o Prémio FIPRESCI e o Prémio para Melhor Realizador.

Posto Fronteiriço foi, sem dúvidas, o melhor filme na competição oficial. E agora merecia uma oportunidade no circuito comercial português. Dos restantes vencedores, destaque também para Boy Culture, que arrecadou o prémio para Melhor Independente Americano. Desta secção, curiosamente, só vi mesmo este filme, o que me leva a pensar que se foi este o vencedor, então não quero ver os outros... Para a posterioridade fica aqui a lista completa dos vencedores.


Clássicos Alemães - O IMPERADOR DA CALIFÓRNIA:

Título: Der Kaiser Von Kalifornien
Realizador: Luis Trenker
Ano: 1936


O Imperador Da Califórnia, realizado em pleno regime nazi, foi o primeiro blockbuster alemão e o primeiro western filmado nos próprios Estados Unidos. Anos depois deu azo a uma versão norte-americana, mas que não vingou e que já ninguém se recorda.

Esta é a história de Johann August Suter (protagonizado pelo próprio Luis Trenker), um alemão de ascendência suiça que, no século XIX, emigrou para os Estados Unidos e criou um verdadeiro império, fundando inclusive a cidade de São Francisco, graças ao seu trabalho na área da agricultura. Por isso ganhou a alcunha de imperador da Califórnia. Ou pensavam que isto era um filme sobre o Arnold Schwarzenneger?

Johann Suter era um activista político de intervenção, perseguido pela polícia. Quando esta o encontrou, este não teve outro remédio do que emigrar para o Novo Mundo, os Estados Unidos, um país fundado por corruptos, bandidos e todo o tipo de vigaristas. Lá, fiél aos seus princípios, à humildade e ao lema de Octávio Machado - muito trabalho, muito trabalho -, Suter tornou-se num bem sucedido homem de negócios, condecorado pelo estado americano e eleito senador da Califórnia. Contudo, quando se encetou a corrida ao ouro no seu território, os seus trabalhadores desertaram e as suas terras foram vandalizadas. Suter colocou o estado norte-americano em tribunal e chegou, inclusive a ganhar a causa, antes de despoletar uma série de distúrbios populares.

O Imperador Da Califórnia é assim uma espécie de survivor no Velho Oeste, um western com muito pouco de cowboys vs índios, mas apoiado numa das principais premissas do género: a fundanção da nação. Literalmente! No entanto, fá-lo de forma diferente do western norte-americano, ou seja, de forma pouco orgulhosa e de forma muito nacionalista, num panfleto de propaganda anti-americano, onde os norte-americanos são representados como os patifes responsáveis pela queda daquele trabalhador alemão.

Filmado num estilo semelhante ao que estamos habituados da cinematografia clássica de Hollywood, mas sem grandes virtuosismos ou laivos de originalidade, O Imperador Da Califórnia desenrola-se por ordem cronólogica sem grandes golpes de asa, com grande ingenuidade e com um visível orçamento limitado. Para a posterioridade não fica muito que recordar. Por isso, justifica-se o Cheeseburger.

Posted by: dermot @ 10:59 da manhã
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sexta-feira, junho 08, 2007  

23. FESTRÓIA

Dia 8

Depois de me ter fustigado com uma chibatinha por ter perdido Transe, pela segunda vez, era altura de me começar a preparar, ou não fosse este o dia da homenagem a Christopher Lee. E que grande momento! Lá do topo da sua enorme altura, Christopher Lee distribuiu charme, acenou às enormes manifestações de carinho, encenou uns movimentos de sabre de luz, recriou o malvado Saruman e discursou de forma sábia e apaixonada. Das mãos de Fernanda Silva, a directora do festival, recebeu um prémio pela sua carreira ímpar e dos presentes uma longa salva de palmas.

Secção Oficial - AVIVA, MEU AMOR:

Título: Aviva Ahuvati
Realizador: Shemi Zarhin
Ano: 2006


De regresso ao Festróia, deonde levou o Golfinho de Ouro em 2004, com Bom-Dia Senhor Shlomi, o israelita Shemi Zarhin fechou a comptição oficial da edição deste ano com chave de ouro. Aliás, à medida que o festival tem-se aproximado do fim, a qualidade dos filmes exibidos tem aumentado proporcionalmente.

Aviva, Meu Amor é uma história de grande moral, acerca de Aviva (Assi Levy), uma cozinheira aspirante a escritora, que enfabula a sua vida em comoventes contos, mas que não os mostra a ninguém por manifesta insegrança nas suas capacidades. Aviva é o centro de uma família bastante disfuncional: um marido (Dror Keren) desempregado e desesperado; um filho complexado (Itay Turgeman) que passa a vida em casa, de cuecas; uma filha militar(Dana Ivgy) sem papas na língua; uma mãe lunática (Levana Finkelstein); um pai que coleciona receitas (Dekel Adin); e uma irmã (Rotem Abuhab) com sonhos a mais e planos a menos.

Todos querem ajudar Aviva a atingir o seu sonho de se tornar numa escritora a sério e é por isso que a irmã lhe arranja um tutor: Oded Zar (Sasson Gabai), um famoso e mediático escritor. No entanto, todo aquele apoio vai acabar por a asfixiar. E quando o dinheiro começa a escassear e o cerco a apertar-se, Aviva vai ter que tomar uma decisão: ser pragmática e hipotecar o seu sonho ou seguir as suas convições? Basicamente, é esta a premissa de Aviva, Meu Amor.

Shemi Zarhin já tinha provado ser um excelente contador de estórias e volta a prová-lo aqui. Aviva, Meu Amor é um excelente drama emocional, mas que se alarga a outros registos, entrando frequentemente no campo da comédia. Numa paleta de emoções e num ritmo dinâmico, Aviva, Meu Amor consegue ser equilibrado e profundo o suficiente para suportar o tearjerker final.

Não se percebe muito bem a necessidade de forçar o filme a terminar num final feliz. Talvez por este ser uma espécie de fábula, não sei... Uma espécie de Tim Burton, versão realista. Aviva, Meu Amor encerra a secção oficial deste Festróia com uma deliciosa pitta schwarma, leia-se McRoyal Deluxe.



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Secção Oficial - Depois Do Casamento

Posted by: dermot @ 11:54 da tarde
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23. FESTRÓIA

Dia 7

Dia 7 de Junho, dia do Corpo de Deus. Tinha que ser um dia santo para surgir o grande favorito à vitória final do Golfinho de Ouro. Ainda faltam ser exibidos dois filmes, mas eu não ignoraria este sinal divino...

Cinema Português do Ano - VIÚVA RICA SOLTEIRA NÃO FICA:

Título: Viúva Rica Solteira Não Fica
Realizador: José Fonseca e Costa
Ano: 2006


O cinema português não anda bem de saúde e nos últimos tempos as produções não têm sido as mais felizes. A culpa é, a maior parte das vezes, de um sistema castrador de atribuição de subsídios, que quase se limita às adaptações litarárias e aos filmes históricos - o que eles chamam de interesse cultural, seja isto o que for. N

Viúva Rica Solteira Não Fica parecia ser à partida mais um filho deste sistema. No entanto, não nos podíamos esquecer que por detrás das câmaras estava o autor do lendário Kilas, O Mau Da Fita: José Fonseca e Costa.

Um dístico na abertura do filme descreve-o como uma tragédia à portuguesa, quase uma comédia. De facto, Viúva Rica Solteira Não Fica obedece à estrutura da tragédia grega - prólogo, três actos e epílogo - e segue a tradição do bom humor português, aquele que atingiu o seu auge nos anos 50, quando António Ferro o descreveu como o cancro do cinema português.

Filme de época, Viúva Rica Solteira Não Fica é uma crónica de costumes próxima da obra de Eça de Queirós. Aliás, as influências são óbvias - o sentido crítico e irónico -, começando logo pelo contexto socio-político: D. Ana Catarina de Silgueiros (Bianca Byington) é a cobiçada filha de um rico homem do Norte, acabada de chegar do Brasil, em plena guerra com os ingleses. E à sua volta, vão gravitar um ambicioso número de personagens: o abade bonacheirão (José Raposo), um capitão inglês (Anton Skrzypiciel), a ama (Cucha Carvalheiro) e vários pretendentes à sua mão (Rogério Samora, Ricardo Pereira e Diogo Dória).

Viúva Rica Solteira Não Fica arranca com uma dupla tragédia: poucos meses depois do casamento, D. Ana Catarina fica viúva, no mesmo dia em que lhe morre também o pai. De um momento para o outro, fica tão jovem e tão solteira, para além de muito rica. E nos anos seguintes, por amor ou apenas por interesse, D. Ana Catarina vai casar várias vezes, indo a fatalidade bater-lhe constantemente à porta.

Num tom de comédia de humor negro, José Fonseca e Costa não se inibe em arriscar tudo, num argumento longo e com várias personagens. Também verdade seja dita, que tinha tudo a seu favor, começando logo por um elenco de alto gabarito: Rogério Samora, José Raposo e, especialmente, Diogo Dória. Viúva Rica Solteira Não Fica faz ainda uma reconsituição história assinalável, tem uma fotografia irrepreensível e até se socorre de uma banda-sonora eficaz e interessante. Contudo, o argumento não consegue ser sólido o suficiente para aguentar o peso do filme (duas horas e um quarto é, claramente, demasiado tempo), acabando por vacilar por várias vezes a partir do segundo acto.

Mas apesar de vacilar algumas vezes, Viúva Rica Solteira Não Fica nunca chega a partir. E contrariando a minha atitutde fatalista perante o cinema nacional, tenho bastante prazer em encomendar um McBacon para a ceia.




Secção Oficial - POSTO FRONTEIRIÇO:

Título: Karaula
Realizador: Rajko Grlic
Ano: 2006


E ao sétimo dia, eis que surge Posto Fronteiriço, aquele que é já o grande favorito a arrecadar o Golfinho de Ouro referente à edição do Festróia deste ano.

Apresentado com pompa e circunstância pelo embaixador croata em Lisboa e pelo próprio realizador Rajko Grlic (o maior ícone da cinematografia croata), Posto Fronteiriço é o primeiro filme co-produzido pelos países da ex-Jugoslávia, ou não se debruçasse ele sobre o conflito que viria a dividir o país.

Posto Fronteiriço aborda então os últimos anos da Jugoslásvia, a queimar os últimos cartuchos do sonho socialista de Tito, antes de Slobodan Milosevic subir ao poder. Era uma época em que a Jugoslávia se mantinha unida e que o exército era o seu símbolo de unidade, ou não agregasse ele várias etnias. O filme debruça-se particularmente sobre um posto fronteiriço específico, na fronteira com a Albânia, onde um regimento vigiava as movimentações dos albaneses com medo de uma hipotética invasão.

Contra todas as previsões, Posto Fronteiriço nada tem de filme de guerra, indo antes centrar-se na vida entediante daqueles homens, isolados no meio do nada com um objectivo pouco estimulante. Quando o comandante Pasic (Emir Hadzihafisbegovic) descobre que apanhou sifílis, decide, com a cumplicidade do médico Sinisa (Toni Gojanovic), declarar estado de emergência e durante 21 dias ninguém pode deixar o quartel - o comandante não podia ir para casa sem estar curado, ou a sua esposa descobriria.

A tensão naquele posto fronteiriço começa a subir: ninguém pode sair do quartel, mas ninguém vê sinais de perigo. Por isso, Paunovic (Sergej Trifunovic), um tipo com pouco respeito pelos oficiais e com aptidão para as brincadeiras de mau gosto (uma espécie de Paul Newman em O Presidiário), decide pregar a maior partida de todas. Uma partida que trará consequências trágicas.

Posto Fronteiriço funciona como uma interessante parábola com a história jugoslava, como quem diz quem brinca às guerras acaba por se queimar. No filme, uma aparente partida num quartel descambou numa tragédia de faca e alguidar; e na Jugoslávia, o sonho de uma revolução e uma forte cisão interna, levaram a que descambasse numa guerra sangrenta de vários anos. Contudo, apesar desta descrição algo dramática, Posto Fronteiriço consegue ser um filme bem divertido e, diria mesmo, bastante ligeiro.

Escusam de procurar mais: Posto Fronteiriço leva para casa o Golf... ups, o Le Big Mc.



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Secção Oficial - Momentos Agradáveis
Secção Oficial - Heartbreak Hotel

Posted by: dermot @ 1:47 da manhã
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quinta-feira, junho 07, 2007  

23. FESTRÓIA

Dia 6

Maldita semana para me aparecerem todas as doenças possíveis e imaginárias. Mais uma vez, não pude estar presente nas sessões que queria. Mas claro que não iria perder M - Matou! a não ser que estivesse todo engessado.


Clássicos Alemães - M - MATOU!

Título: M
Realizador: 1931
Ano: 1931


Poucos anos antes de terem fugido para os Estados Unidos, onde iriam alcançar cada um o seu lugar ao sol, Fritz Lang e Peter Lorre juntaram-se para assinar o fantástico M - Matou!, filme que iria ser censurado pouco tempo depois pelo Terceiro Reich, que entretanto viria a subir ao poder. Curiosamente, o último filme de Fritz Lang na sua Alemanha natal seria o grande percurssor dos film-noir, que durante as décadas seguintes iriam ser uma das jóias da coroa de Hollywood.

Com efeito, M - Matou! lançou as linhas mestras do cinema noir e do policial contemporâneo: o cruzamento de informações, as técnicas de investigação policial, o focar aprofundado do submundo do crime... Além disso, o vanguardismo de Fritz Lang faz com que M - Matou! seja um dos filmes mais referenciado (imitado?) dentro do género. Em que filme da acção não existe um plano em que o fugitivo/assassino/criminoso (riscar as opções erradas) desaparece por trás de um automóvel que passa nesse exacto momento?

Não sei se M - Matou! será o primeiro filme sobre um serial-killer, mas tenho a certeza que é o primeiro onde é dada uma condição humana a este, retradado não só como um monstro, mas também como um doente. Por isso, M - Matou! é ainda um fantástico exercício moral, que leva à discussão o eterno binómio da vida e morte: terá um ser humano poder e moral suficiente para executar outro ser humano? Se ainda hoje esta questão cria celeuma, imagino em 1931...

Só me falta então falar do essencial: do próprio filme. M - Matou! é a história do assassino de crianças, Hans Beckert (genial Peter Lorre, o segundo melhor pedófilo do cinema de sempre, só batido pelo de 8 MM), que está a deixar a Alemanha numa autêntica onda de paranóia. As pessoas desconfiam de toda a gente que vêm junto a crianças, a polícia é acusada de nada fazer, apesar de estar na rua 24 sobre 24 horas, e os testemunhos falsos e contraditórios sobrepõem-se a um ritmo alucinante. Mais ou menos o mesmo que aconteceu por cá aquando do escândalo da Casa Pia.

Assim, com a polícia a apertar o cerco cada vez mais, há um grupo de habitantes que se revolta: os criminosos. Cansados de não poderem actuar em paz, com tanta polícia nas ruas, os vários sindicatos do crime unem-se para capturar o assassino e fazer justiça pelas próprias mãos. E assim, Hans Beckert vai ter toda a Alemanha atrás de si.

M - Matou! é um filme intemporal, não só muito à frente do seu tempo, como ainda se mantém nos dias de hoje actual. Só sentimos falta, por vezes, de alguma banda-sonora, uma vez que é um filme de longos silêncios. Fora isso, o Le Big Mac vale cada centímetro do seu preço.



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Secção Oficial - A Viagem De Iszka

Posted by: dermot @ 12:14 da manhã
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terça-feira, junho 05, 2007  

23. FESTRÓIA

Dia 5

Ao quinto dia de festival, as expectativas eram elevadas: Christopher Lee já está na cidade e as probabilidades de o encontrar na sala de cinema eram grandes. No entanto, tal cenário não se confirmou. O que vale é que há sempre bons filmes para nos consolar...

Secção Oficial - CIDADE FRIA

Título: Valkoinen Kaupunki
Realizador: Aku Louhimies
Ano: 2006


Para além de Carlos Sorín e Fernando Peréz, Aku Louhimies era a outra cara repetente nesta edição do Festróia, depois de no ano passado ter estado em competição o seu filme Terra Fria. Eu não tive possibilidade de o ver, mas diz quem viu que eu não o devia ter perdido. Por isso, procurei redimir-me este ano e não faltei a Cidade Fria.

Cidade Fria recupera uma das personagens desse filme anterior: o taxista Veli-Matti (Janne Virtanen). Quando falamos de taxistas no cinema é obrigatório falarmos de Taxi Driver. E aqui, a referência não é inocente. Cidade Fria presta, inclusive, tributo ao filme de Scorcese: há um poster de Taxi Driver na cela de prisão; é discutido o famoso monólogo numa mesa de uma cafetaria; e Veli-Matti até tem um casaco semelhante ao de De Niro. No entanto, Aku Louhimies opta por um final mais realista, em detrimento de um mais... americano, chamemos-lhe assim.

Veli-Matti é então taxista, já o disse, e a sua vida não corre bem. Tem que fazer turnos a mais para conseguir pagar as contas que teimam em acomular-se e a relação com a sua mulher (Susanna Anteroinen) está a queimar os últimos cartuchos. E agora, ela até quer ficar com a custódia dos filhos! Além disso, o mundo lá fora parece estar a enlouquecer.

Todos sabemos como Cidade Fria vai acabar. Sentamo-nos e ficamos a observar o acumular de problemas na vida de Veli-Matti, esperando para ver quando é que a tampa vai saltar, refugiados no alívio das nossas vidas sem sobressaltos de maior. E a gota de água vai ser o vizinho do lado, por causa da sua t-shirt espampanante dos Cypress Hill. Pronto, não é bem por causa disso. Mas têm que confessar que seria uma excelente razão...

Um McBacon é a conta certa para saldar esta viagem de taxi.



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Secção Oficial - Juventude Tardia

Posted by: dermot @ 11:20 da tarde
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23. FESTRÓIA

Dia 4

Eis o primeiro dia da semana e o público do Festróia diminui consideravelmente nas sessões em horário de expediente. É assim que eu gosto das salas de cinema: meio vazias e em silêncio absoluto.


Primeiras Obras - MENINA:

Título: Das Frauleïn
Realizador: Andrea Staka
Ano: 2006


Ruza (Mirjana Karanovic) é uma quarentona bósnia exilada na Grécia, onde construiu uma carreira profissional de sucesso como gerente de um restaurante. Da guerra do seu país trouxe um coração de pedra e uma mão de ferro.

Mas Ruza não tem nada a ver com a menina do título. Este refere-se antes à jovem e bela (suspiro...) Ana (Marija Skaricic), uma exilada bósnia sem poiso fixo nem dinheiro certo. Nada que a preocupe, uma vez que o carpe diem é o seu lema de vida e a promiscuidade sempre lhe vai valendo um tecto para passar a noite. E o que trouxe Ana do seu país em guerra? O trauma de um irmão morto pelo confronto e cancro no sangue.

Ana vai acabar por arranjar um trabalho temporário no restaurante de Ruza. E, lentamente, vai começando a trazer algum calor à vida desta, abrindo-lhe as portas do coração e amolecendo-o. Ruza vai começar a entregar-se à vida, inspirada pelo desapego material de Ana, enquanto a vida vai abandonando lentamente o corpo desta.

Menina começa por ser um drama gelado, um filme hermético e fechado sob si próprio, que ao longo dos minutos vai desabrochando. De forma sóbria e com planos desfocados a mais, Menina sabe ainda tratar os traumas jugoslavos pós-guerra de forma subversiva e subtil, longe de se refugiar no estigma da estória da coitadinha a que todos estamos acostumados.

Se eu um dia fosse cear ao restaurante de Ruza, pediria certamente um McChicken (que conclusão de prosa mais pateta, eu sei).




Secção Oficial - O PORTADOR DA ESPADA:

Título: Mechenosets
Realizador: Filipp Yankovsky
Ano: 2006


O cinema russo sempre exerceu um estranho fascínio sobre a minha humilde pessoa. Talvez seja o alfabeto cirílico, que o faz parecer um cinema alienígena, talvez seja a influência de Tarkovsky... Por isso, as expectativas para O Portador Da Espada, conotado como um vistoso filme de acção, eram as melhores.

Sasha (Artyom Tkachenko) é então um tipo vingativo como a breca, que tem uma espada gigante que lhe sai da palma da mão, qual anjo Azrael e a sua espada de fogo (tipo o Wolverine, mas com uma lâmina em vez de garras). E durante a primeira meia-hora de filme, Sasha vai fatiar às postas todos os indivíduos que o chateiem minimamente.

Não nos são dadas grandes justificações, nem podemos garantir que estas são sugeridas. Mas apesar de não estarmos a perceber nada, sentimos que aquilo é algo importante que não devemos perder, tal é a forma opolenta e poética como é filmado.

É então que Sasha se apaixona da forma mais idiota possível por Katya (Chulpan Khamatova), uma bela rapariga de olhos de azeviche e pestanas teimosamente arranjadas, quer esteja a acordar de manhã, quer tenha tido o pior acidente de viação da sua vida. E a partir daqui todas as ocasiões passam a ser uma boa oportunidade para uma cena de sexo. É aqui que a coisa começa a ganhar contornos ridículos, ainda para mais porque o filme teima em continuar a levar-se a sério, com toda aquela atitude poseur.

Estamos neste dilema, quando Sasha volta a matar um tipo com as próprias mãos, de forma muito cool, e voltamos a interessar-nos pelo filme. Maldita violência gratuita, resulta sempre comigo. Embarcamos então numa terrível perseguição do rato (Sasha) e do gato (a polícia) e numa história de amor de proporções épicas, que tem o seu clímax no plano final, verdadeiramente avalassador e digno de um Tarkovsky, ou não fosse o realizador Filipp Yankovsky, o jovem actor de O Espelho.

O Portador Da Espada é, provavelmente, o filme mais inconsequente de sempre. Nunca percebemos quem é Sasha, porque é que ele mata o próprio pai, quem é o padre sidekick, ou quem é o perseguidor vingativo que o persegue. Demasiadas perguntas sem respostas é o que eu chamo carinhosamente de buracos de argumento. O Portador Da Espada é uma espécie de Guardiões Da Noite filmado por um Tarkovsky wannabe. Ou então talvez seja demasiado inteligente para mim. Seja como for, não vou além do Happy Meal.



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Secção Oficial - Armin
Secção Oficial - Falso Alarme

Posted by: dermot @ 11:20 da manhã
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segunda-feira, junho 04, 2007  

23. FESTRÓIA

Dia 3

Não costumo falar muito de curtas-metragens, mas hoje irei abrir uma excepção. O motivo? A projecção da curta portuguesa Setúbal, O Quê?, neste terceiro dia de Festróia. Confesso que não me impressionou por aí além enquanto objecto cinematográfico, mas é bom ver que Setúbal não é só um deserto de ideias e que há muito boa gente da terra a fazer e a criar.


Independentes Americanos - BOY CULTURE:

Título: Boy Culture
Realizador: Q. Allan Brocka
Ano: 2006


Confesso que não conheço cinema gay para além de O Segredo De Brokeback Mountain e O Cowboy Da Meia-Noite, mas pela apresentação que Q. Allan Brocka fez do seu filme, eu quase que punha as mãos no fogo em como Culture Boy seria algo equivalente à versão homossexual de Kids - Miúdos, com sensacionalismo explícito e mais ou menos gratuito.

Afinal, Culture Boy trouxe-me à memória algo completamente diferente: Psicopata Americano. E nem foi por ambos terem metrossexuais no papél principal. É que Culture Boy é um retarto antro-sociológico de uma tribo urbana e uma sub-cultura da sociedade contemporânea. Homossexuais em vez de yuppies, música disco manhosa em vez de música electrónica manhosa.

X (Derek Magyar) é o anónimo protagonista e, simultaneamente, narrador deste retrato urbano do mundo gay em geral e de um complexo triângulo amoroso em particular: X, um prostituto masculino, e os seus dois companheiros de casa, Andrew (Darryl Stephens) e Joey (Jonathon Trent). Depois, vai ainda ser envolvido na história um misterioso cliente, o idoso Gregory (Patrick Bauchau), que como X refere às tantas, vai ser uma espécie de Hannibal Lecter maricas, tal é a forma como manipula psicologicamente todo aquele jogo a três.

Com um argumnto sólido e um narrador equilibrado, que faz lembrar o estilo de Chuck Palinhuck (e de Alta Fidelidade), Boy Culture tem ainda todas aquelas coisas que pensamos quando nos falam em cinema gay: sexo homossexual, gente cor-de-rosa e muitos homens em tronco nu.
Um McBacon e uma cerveja sem álcool.




Secção Oficial - O CAMINHO DE SÃO DIEGO

Título: El Camino De San Diego
Realizador: Carlos Sorin
Ano: 2006


Carlos Sorin é um clinte habitual do Festróia: O Caminho De San Diego é já o terceiro filme do realizador argentino em competição no Festival de Cinema de Setúbal, depois de Histórias Mínimas (que arrecadou, inclusive, o Golfinho de Ouro) e de Bombom (que também venceu um prémio, o FIPRESCI).

Em O Caminho De São Diego, Carlos Sorin debruçou-se sobre a mais iconográfica figura da cultura argentina. Não, não é Evita Peron, mas sim Diego Armando Maradona. O futebolista argentino continua a ser uma espécie de deus e a sua hospitalização, em 2005, tornou-se motivo para que milhares de pessoas fossem em perigrinação até à casa do ex-jogador. Tati Benítez (Ignacio Benítez) poderia muito bem ser uma dessas pessoas: um madeireiro (obrigado Tarzan Taborda por introduzires esta palavra no meu vocabulário) da Argentina rural, completamente fanático por Maradona (que o levou a tatuar um 10 gigante nas costas e a querer baptizar a primeira filha de Diega), que vai embarcar numa viagem até Buenos Aires para entregar ao seu ídolo um estranho presente: uma raíz de uma árvore que se parece com El Pibe.

Com estes três filmes que Sorin já apresentou no Festroia já é possível estabelecer uma linha mestra na sua obra. Sorin é um realizador de descobertas e crescimento pessoal e, por isso, os seus filmes são sempre road-movies. No entanto, pouco ou nada têm a ver com o espírito do road-movie norte-americano, muito ligado ao alcatrão e às octanas. Carlos Sorin é uma espécie de Jack Kerouac ileterado, mais ligeiro e mais bem-disposto.

O Caminho De São Diego é então um feelgood movie estruturado segundo o road-movie, acerca de um zé-ninguém que vai empreender uma jornada aparentemente condenada ao fracasso. No entanto, à medida que este vai avançando e se vai aproximando do seu objectivo, nós começamos a acreditar aos poucos e poucos de que poderá ser bem possível. E até parece que começamos a ver na tal raiz da árvore a figura de Maradona...

Desconfio que O Caminho De São Diego sairá do Festróia com mais algum prémio para a colecção de Carlos Sorin. Daqui, sai com um McRoyalDeluxe no estômago.



+ info:
- Secção Oficial - Madrigal

Posted by: dermot @ 10:32 da manhã
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domingo, junho 03, 2007  

23. FESTRÓIA

Dia 2:

Motivos pessoais impediram-me de estar presente no dia 2 do Festróia mais cedo do que gostaria. Mas depois de ter perdido Anjo Azul no dia anterior, nada abaixo de uma catástrofe natural me faria faltar nas Costas Do Diabo.

Homagem a Espanha - NAS COSTAS DO DIABO:

Título: El Espinazo Del Diablo
Realizador: Guillermo Del Toro
Ano: 2001


Antes de se ter tornado no realizador super-cobiçado de Hollywood, devido ao excelente O Labirinto Do Fauno, Guillermo Del Toro já se tinha tornado num realizador de culto do cinema fantástico, graças a Nas Costas Do Diabo (rebaptizado, entretanto, no Festróia por O Espinhaço Do Diabo).

Nas Costas Do Diabo é a estória do pequeno Carlos (Fernando Tielve), um gaiato acabado de ficar órfão que é levado para um orfanato na Espanha Rural, em plena Guerra Civil. Mas aquele orfanato releva desde início alguns sinais de que algo de misterioso se passa, começando logo pelo facto de ser, secretamente, um dos bastiões da resistência espanhola. Além disso, desde que uma bomba caiu no meio do pátio e não explodiu, que o ganancioso Jacinto (Eduardo Noriega) tornou-se num homem difícil de suportar. Para não falar do estranho desaparecimento do menino Santi (Junio Valverde).

As semelhanças entre Nas Costas Do Diabo e O Labirinto Do Fauno são evidentes. Primeiro, o cenário de ambos é o mesmo: a Guerra Civil espanhola. Depois, Del Toro mantém o mesmo fascínio pelos disformes e inadaptados (como a amputada Carmen (Marisa Paredes)), para além de retratar os homens como os verdadeiros monstros da estória. E isto para não falar do facto do protagonista ser outra vez uma criança. E apesar de não ter o mesmo orçamento do seu sucessor, Nas Costas Do Diabo mantém a mesma fotografia a tons ocres da Espanha Rural e a cinematografia muito contemporânea.

Apesar de mudar de registo algumas vezes, Nas Costas Do Diabo pode-se descrever como uma história de fantasmas ambientada na Guerra Civil espanhola. No entanto, numa primeira instância, as provas que o jovem Carlos terá que ultrapassar para ganhar o respeito dos restantes órfãos, faz lembrar os filmes de prisão (alguém mencionou O Presidiário?). E depois, quando o orfanato explode e Guillermo Del Toro espalha cadáveres de crianças por todo o lado, faz com que Sam Peckinpah e a sua violência gráfica pareçam coisas de meninos. E para terminar, crianças a contas com uma vendeta pessoal faz com que tudo o que aprendemos com gangues de órfãos em Oliver Twist deixe de fazer sentido.

Nas Costas Do Diabo é um filme mais completo que O Labirinto Do Fauno. E se este já era uma obra-prima, então Nas Costas Do Diabo é uma obra-prima e meia. Royale With Cheese e meio.



+ info:
Secção Oficial - Os Optimistas

Posted by: dermot @ 12:42 da tarde
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23. FESTRÓIA

Dia 1:

Em 23 anos de Festróia, esta é a primeira vez em que o seu pai, Mário Ventura, não está presente, depois de nos ter deixado no ano passado. Assim, esta edição do festival não poderia arrancar sem a devida homenagem.
Foram momentos comoventes que se viveram com a exibição de um pequeno filme de tributo, enquanto uma banda de covers(?) interpretava ao vivo uma selecção de temas, cujo gosto fica ao critério de cada um. Depois, seguiram-se testemunhos emocionados de Renzo Fegatelli e Baptista Bastos. Mas como dissera o vocalista da tal banda durante a sua personificação de Freddie Mercury, o espectáculo tem que continuar.

Este ano abriu-s eo Festróia com a homenagem ao cinema de nuestros hermanos: Os Invisíveis primeiro e a ante-estreia nacional de Capitão Alatriste depois. Ao mesmo tempo, no cinema Charlot, era exibido o clássico Anjo Azul, mas como eu ainda não consigo estar em dois lados ao mesmo tempo (mas estou a tentar), tive que o deixar passar.

Ante-estreia Nacional - CAPITÃO ALATRISTE:

Título: Alatriste
Realizador: Agustín Díaz Yanes
Ano: 2006


O Capitão Alatriste é um dos mais famosos heróis do folclore literário espanhol, um soldado da fortuna da Espanha Imperialista do século XVII - um parente afastado do D'Artagnan de Dumas, mas envolto numa aura mais negra.

A sua adaptação ao cinema, com Viggo Mortensen no principal papél e a falar espanhol de forma irrepreensível (isto de ser o Rei dos Homens é como ser Papa - sabe-se milhentas línguas), é até há data o filme mais caro de sempre do cinema espanhol. Mas, infelizmente, podemos já adiantar que não é o melhor.

Como já referi atrás, o Capitão Alatriste (onde capitão é so alcunha) é um bravo soldado a soldo - pode não ser o mais piedoso e correcto, mas é o mais valente e honrado. Alatriste é o equivalente de Blueberry do Império Espanhol. Aliás, Capitão Alatriste é o que devia ter sido a adaptação cinematográfica de Blueberry: um filme de aventuras de época, cujo protagonista é um carismático anti-herói, que vai sempre para a cama com a mulher mais desejada.

Visualmente estrondoso, com claras influências barrocas da pintura de Velazquez (a referência ao pintor não é inocente), Capitão Alatriste é, no entanto, algo desiquilibrado; talvez devesse ter-se preocupado em ser simples e directo, em vez de abordar de uma só vez várias décadas de aventuras do espadachim espanhol. Capitão Alatriste é assim uma sequência de aventuras mais ou menos secundárias de Alatriste, enquanto que por trás decorre paralelamente, uma trama mais complexa, nos bastidores políticos do Império, da Inquisição e do Clero.

O próprio crescimento da personagem de Alatriste é desiquilibrado, nomeadamente os seus ideais políticos ou o desenvolvimento dos seus sentimentos para com a bela Maria de Castro (Ariadna Gil).

Capitão Alatriste é um filme de aventuras que dá um passo maior que a própria perna; por enquanto, este McBacon continua a não fazer esquecer as heróicas matinés de Errol Flynn.



+ info:
Homenagem a Espanha - Os Invisíveis

Posted by: dermot @ 12:34 da tarde
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COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga

TAKE:
Take - cinema magazine | take.com.pt


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CRÍTICAS:
- A Armadilha
- A Arte De Pensar Negativamente
- A Árvore Da Vida
- A Balada de Jack And Rose
- A Bela E O Paparazzo
- A Boda
- À Boleia Pela Galáxia
- A Cabana Do Medo
- A Cela
- A Canção De Lisboa
- A Cara Que Mereces
- A Casa Dos 1000 Cadáveres
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- A Cidade Dos Malditos
- A Ciência Dos Sonhos
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- A Descida
- A Duquesa
- À Dúzia É Mais Barato
- A Encruzilhada
- A Estrada
- A Estranha Em Mim
- A Frieza Da Luz
- A Fúria Do Dragão
- A História De Uma Abelha
- A Honra Da Família
- A Janela (Maryalva Mix)
- A Lagoa Azul
- A Lenda Da Floresta
- A Liga Dos Cavalheiros Extraordinários
- A Lista De Schindler
- A Lojinha Dos Horrores
- A Mais Louca Odisseia No Espaço
- A Maldição Da Flor Dourada
- A Mansão
- A Maravilhosa Aventura De Charlie
- A Marcha Dos Pinguins
- A Máscara
- A Máscara De Cristal
- A Menina Jagoda No Supermercado
- A Minha Bela Lavandaria
- A Minha Vida Sem Mim
- A Morte Do Senhor Lazarescu
- A Mosca
- A Mulher Do Astronauta
- A Mulher Que Viveu Duas Vezes
- A Múmia
- A Noiva Cadáver
- A Noiva Estava De Luto
- A Origem
- A Outra Margem
- A Paixão De Cristo
- A Pele Onde Eu Vivo
- A Pequena Loja Dos Horrores
- A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio
- A Presa
- À Procura Da Terra Do Nunca
- A Promessa
- À Prova De Morte
- A Rainha
- A Rai­nha Africana
- A Raiz Do Medo
- A Rapariga Santa
- A Rede Social
- A Religiosa Portuguesa
- A Ressaca
- A Residencial Espanhola
- A Sangue Frio
- A Secretária
- A Semente Do Diabo
- A Senhora Da Água
- A Severa
- A Sombra Do Caçador
- A Sombra Do Samurai
- A Tempestade No Meu Coração
- A Tempo E Horas
- A Torre Do Inferno
- A Turma
- A Última Famel
- A Última Tentação De Cristo
- A Valsa Com Bashir
- A Verdadeira História De Jack, O Estripador
- A Viagem De Chihiro
- A Viagem De Iszka
- A Vida De Brian
- A Vida É Um Jogo
- A Vida É Um Milagre
- A Vida Em Directo
- A Vida Secreta Das Palavras
- A Vila
- A Vítima Do Medo
- A Vizinha Do Lado
- A Volta Ao Mundo Em 80 Dias
- Aberto Até De Madrugada
- Abraços Desfeitos
- Acção Total
- Aconteceu No Oeste
- Across The Universe
- Actividade Paranormal
- Acusado
- Adam Renascido
- Admitido
- Adriana
- Aelita
- Ágora
- Água Aos Elefantes
- Air Guitar Nation
- Albert, O Gordo
- Aldeia Da Roupa Branca
- Alice
- Alice In Acidland
- Alice No País Das Maravilhas
- Alien - O Oitavo Passageiro
- Aliens - O Reencontro Final
- Alien - A Desforra
- Alien - O Regresso
- Alien Vs. Predador
- Alien Autopsy
- Alma Em Paz
- Almoço De 15 De Agosto
- Alphaville
- Alta Fidelidade
- Alta Golpada
- Alta Tensão
- Alucinação
- Amália
- Amarcord
- American Movie
- American Splendor
- Amor À Queima-Roupa
- Amor De Verão
- Amor E Corridas
- Amor E Vacas
- Amor Em Las Vegas
- Amor Ou Consequência
- And Soon The Darkness
- Angel-A
- Animal
- Annie Hall
- Anónimo
- Antes Do Anoitecer
- Antes Que O Diabo Saiba Que Morreste
- Anticristo
- Anvil! The True Story of Anvil
- Anytinhig Else - A Vida E Tudo Mais
- Appaloosa
- Apocalypto
- Aquele Querido Mês De Agosto
- Aracnofobia
- Aragami
- Arizona Dream
- Armin
- Arséne Lupin - O Ladrão Sedutor
- As Asas Do Desejo
- As Aventuras De Jack Burton Nas Garras Do Mandarim
- As Aventuras De Tintim - O Segredo Do Licorne
- As Aventuras Do Príncipe Achmed
- As Bandeiras Dos Nossos Pais
- As Bonecas Russas
- As Canções De Amor
- As Crónicas De Narnia - O Leão, A Feiticeira E O Guarda-Roupa
- As Diabólicas
- As Ervas Daninhas
- As Invasões Bárbaras
- As Lágrimas Do Tigre Negro
- As Leis Da Atracção
- As Noites Loucas Do Dr. Jerryll
- As Penas Do Desejo
- As Tartarugas Também Voam
- As Vidas Dos Outros
- Aberto Até De Madrugada
- Assalto À Esquadra 13 (1976)
- Assalto À Esquadra 13 (2005)
- Assalto Ao Santa Maria
- Assassinos Natos
- Ata-me
- Até Ao Inferno
- Até Ao Limite Do Terror
- Atraídos Pelo Crime
- Através Da Noite
- Attack Of The 50 Foot Woman
- Aurora
- Austrália
- Autocarro 174
- Avatar
- Aviva, Meu Amor
- Aztec Rex
- Azul Metálico

- Babel
- Backbeat, Geração Inquieta
- Balas E Bolinhos - O Regresso
- Balbúrdia No Oeste
- Bando À Parte
- Baraka
- Barbarella
- Barreira Invisí­vel
- Batman
- Batman Regressa
- Batman - O Início
- Be Cool
- Beijing Bastards
- Belleville Rendez-Vouz
- Bem-vindo À Zombieland
- Bem-vindo Ao Norte
- Berlin 36
- Birth - O Mistério
- Biutiful
- Black Sheep
- Black Snake Moan - A Redenção
- Blade Runner - Perigo Iminente
- Blueberry
- Boa Noite E Boa Sorte
- Bobby Darin - O Amor É Eterno
- Body Rice
- Bombom
- Bom Dia Noite
- Bom Dia Vietnam
- Bonnie E Clyde
- Boogie Nights
- Borat
- Brasil - O Outro Lado Do Sonho
- Breakfast On Pluto
- Brincadeiras Perigosas (2007)
- Brisa De Mudança
- Bronson
- Bruce, O Todo-poderoso
- Bruiser - O Rosto Da Vingança
- Bruno
- Buffalo 66
- Bubba Ho-Tep
- Bullit
- Bunker Palace Hotel
- Buried
- Busca Implacável
- Bz, Viagem Alucinante

- Cadillac Records
- Cães Danados
- Cães De Palha
- Café E Cigarros
- Call Girl
- Camino
- Capitão Alatriste
- Capitão América - O Primeiro Vingador
- Capote
- Carrie
- Cartas Ao Padre Jacob
- Cartas De Iwo Jima
- Casa De Loucos
- Casablanca
- Casino Royale
- Catwoman
- Cavalo De Guerra
- Cemitério Vivo
- Censurado
- Centurion
- Charlie E A Fábrica De Chocolate
- Che - Guerrilha
- Che - O Argentino
- Chemical Wedding
- Chéri
- Chinatown
- Chocolate
- Choke - Asfixia
- Chovem Almôndegas
- Christine - O Carro Assassino
- Cidade Fria
- Cinco Dias, Cinco Noites
- Cinema Paraíso
- Cinerama
- Cisne Negro
- Clube De Combate
- Coco Avant Chanel
- Coisa Ruim
- Cold Mountain
- Cold Weather
- Colete De Forças
- Colisão
- Com Outra? Nem Morta!
- Comboios Rigorosamente Vigiados
- Comer Orar Amar
- Complexo - Universo Paralelo
- Conan, O Bárbaro
- Contrato
- Control
- Controle
- Coração De Cavaleiro
- Coração De Gelo
- Coração Selvagem
- Corações De Aço
- Coragem De Mãe: Confrontando O Autismo
- Corre Lola Corre
- Correio De Risco
- Correio De Risco 3
- Corrida Contra O Futuro
- Corrupção
- Cozinhando A História
- Crank - Veneno No Sangue
- Crank - Alta Voltagem
- Cremaster
- Crime Ferpeito
- Crippled Masters
- Cristóvão Colombo - O Enigma
- Crónica Dos Bons Malandros
- Crueldade Intolerável
- Cubo
- Culture Boy
- Cypher
- Cyrano de Bergerac (1950)

- Daisy Town
- Dallas
- Danny The Dog - Força Destruidora
- Daqui P'ra Frente
- Dark City - Cidade Misteriosa
- De Cabeça Para Baixo
- De Homem Para Homem
- De Olhos Abertos
- De Olhos Bem Fechados
- De Sepultura Em Sepultura
- De Tanto Bater O Meu Coração Parou
- De-Lovely
- Delhi Belly
- Dead Snow
- Death Race 2000
- Deixa-me Entrar
- Delicatessen
- Demolidor - O Homem Sem Medo
- Dentro Da Garganta Funda
- Depois Do Casamento
- Destruir Depois De Ler
- Diamante De Sangue
- Diário Dos Mortos
- Diários De Che Guevara
- Dias De Futebol
- Dick E Jane - Ladrões Sem Jeito
- Dictado
- Die Hard 4.0 - Viver Ou Morrer
- Die You Zombie Bastards!
- Dogma
- Domino
- Don Juan DeMarco
- Donnie Brasco
- Doom - Sobrevivência
- Doomsday - Juízo Final
- Dorian Gray
- Dot.Com
- Dr. Estranhoamor
- Drácula 2001
- Drácula De Bram Stoker
- Drive - Risco Duplo
- Dreamgirls
- Duas Mulheres

- É Na Terra Não É Na Lua
- Easy A
- Easy Rider
- Eduardo Mãos De Tesoura
- Efeito Borboleta
- El Mariachi
- El Topo
- Ela Odeia-me
- Eles
- Eles Vivem
- Elvis
- Em Bruges
- Em Busca Da Felicidade
- Em Carne Viva
- Em Liberdade
- Em Nome De Caim
- Em Nome De Deus
- Em Paris
- Em Privado
- Embargo
- Encarnação Do Demónio
- Encontros Em Nova Iorque
- Encrenca Dupla
- Encurralada
- Ensaio Sobre A Cegueira
- Enterrado Na Areia
- Entre Os Dedos
- Entrevista
- Equilibrium
- Era Uma Vez No México
- Eraserhead - No Céu Tudo É Perfeito
- Escola De Criminosos
- Escolha Mortal
- Esporas De Aço
- Estado De Guerra
- Estamos Vivos
- Este É O Meu Lugar
- Este País Não É Para Velhos
- Estômago
- Estrada Perdida
- Estranhos
- Estrellita
- Eu Amo-te Phillip Morris
- Eu, Peter Sellers
- Eu Sou A Lenda
- Eu Sou Evadido
- Eu, Tu E Todos Os Que Conhecemos
- Everything Must Go
- Evil Dead - A Noite Dos Mortos-Vivos
- Evil Dead 2 - A Morte Chega De Madrugada
- Evil Dead 3 - O Exército Das Trevas
- Ex-Drummer
- Exterminador Implacável 1
- Exterminador Implacável 2 - O Dia Do Julgamento Final
- Exterminador Implacável 3 - Ascensão Das Máquinas
- Exterminador Implacável 4 - A Salvação

- Factory Girl - Quando Edie Conheceu Warhol
- Factotum
- Fados
- Fahrenheit 9/11
- Falso Alarme
- Fando E Lis
- Fantasmas De Marte
- Fargo
- Faster, Pussycat! Kill! Kill!
- Fausto 5.0
- Favores Em Cadeia
- Felicidade
- Feliz Natal
- Férias No Harém
- Festival Rocky De Terror
- Ficheiros Secretos: Quero Acreditar
- Fim De Ano Em Split
- Fim-De-Semana Alucinante
- Final Cut - A Última Memória
- Fish Tank
- Florbela
- Flores Partidas
- Fome
- Footloose - A Música Está Do Teu Lado
- Força Delta
- Forrest Gump
- Freddy Vs. Jason
- Frenético
- Frida
- Frost/Nixon
- Fruto Proibido
- Fuga De Los Angeles
- Fuga Para A Vitória
- Fur - Um Retrato Imaginário De Diane Arbus
- Fúria Cega
- Fúria De Viver
- Fúria Silenciosa

- Gabrielle
- Gainsbourg - Vida Heróica
- Gang Dos Tubarões
- Gangs de Nova Iorque
- Garden State
- Génova
- GI Joe - O Ataque Dos Cobra
- Godzilla
- Goodbye Lenine!
- Gosford Park
- Gothika
- Gran Torino
- Grande Mundo Do Som
- Gremlins
- Grizzly Man
- Gru - O Maldisposto
- Guerra Dos Mundos (2005)
- Guerra Dos Mundos (1953)

- Há Lodo No Cais
- Hairspray
- Half Nelson - Encurralados
- Hard Candy
- Harley Davidson E O Cowboy Do Asfalto
- Harold E Maude
- Harry Brown
- Haverá Sangue
- Hawai Azul
- He-Man - Mestres Do Universo
- Head On - A Esposa Turca
- Heartbreak Hotel
- Hell Ride
- Hellboy
- Hellboy 2: O Exército Dourado
- Helter Skelter - O Caso De Sharon Tate
- Henry E June
- Hereafter - Outra Vida
- Hiena
- História De Duas Irmãs
- História De Um Fotógrafo
- Hobo With A Shotgunbr> - Hollywood Ending
- Homem Aranha
- Homem Aranha 2
- Homem Aranha 3
- Homem De Ferro
- Homem Demolidor
- Homem Em Fúria
- Homens De Negro
- Homens De Negro 2
- Homens Que Matam Cabras Só Com O Olhar
- Hostel
- Hostel 2
- Hot Fuzz - Esquadrão De Província
- Howl - Grito
- Hugo

- I Am Sam - A Força Do Amor
- I Spit On Your Grave
- I'll See You In My Dreams
- Iluminados Pelo Fogo
- I'm Still Here
- I Wanna Hold Your Hand
- Imitação Da Vida
- Imortal
- In Search Of A Midnight Kiss
- Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal
- Indomável
- Infiltrado
- Inimigos Públicos
- INLAND EMPIRE
- Inquietos
- Insidioso
- Insónia
- Intervenção Divina
- Intriga Internacional
- Invictus
- Irmão, Onde Estás?
- It
- It Might Get Loud
- Italian Spiderman

- Jack Ketchum's The Girl Next Door
- Jackass 2
- Jackass 3D
- Jackie Brown
- Jacuzzi - O Desastre Do Tempo
- James Bond - Agente Secreto
- James Bond - Casino Royale
- James Bond - Quantum Of Solace
- Janela Indiscreta (1954)
- Janela Indiscreta (1998)
- Janela Secreta
- JCVD
- Joga Como Beckham
- John Rambo
- Jonestown - The Life And Death Of Peoples Temple
- Jovens Rebeldes - A Verdadeira História
- Julgamento
- Julie E Julia
- Juno
- Juventude Em Marcha
- Juventude Tardia

- Kalifórnia
- Kandahar
- Karate Kid
- Katyn
- Kenny
- Kick Ass - O Novo Super-herói
- Kids - Miúdos
- Kill Bill vol.2
- King Kong (2005)
- Kiss Kiss Bang Bang
- Kiss Me
- Klimt
- Kopps
- Kung-Fu-Zão
- Kung Pow - Punhos Loucos

- La Jetée
- La Vie En Rose
- Ladrões
- Lady Snowblood
- Laranja Mecânica
- Last Days - Os Últimos Dias
- Lavado Em Lágrimas
- Lemmy
- Léon, O Profissional
- Lichter
- Lindas Encrencas As Garotas
- Lobos
- Longe Da Terra Queimada
- Lost In Translation - O Amor É Um Lugar Estranho
- Lua De Mel, Lua De Fel
- Lucifer Rising
- Lucky Luke
- Lucky Number Slevin - Há Dias De Azar

- M - Matou!
- Má Educação
- Machete
- Madrigal
- Maldito United
- Mamma Mia
- Manhattan
- Manô
- Mamonas Pra Sempre
- Mar Adentro
- Maria E As Outras
- Marie Antoinette
- Marjoe
- Marte Ataca!
- Matança De Natal
- Match Point
- Matou A Família E Foi Ao Cinem
- McQuade, O Lobo Solitário
- Meia-Noite Em Paris
- Meio Metro De Pedra
- Melancolia
- Melinda E Melinda
- Menina
- Mephisto
- Metrópolis
- Meu Nome É Bruce
- Miami Vice
- Milhões
- Milk
- Millenium 1. Os Homens Que Odeiam As Mulheres
- Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos
- Minha Mãe
- Minha Terra
- Misery - Capí­tulo Final
- Missão A Marte
- Missão Impossí­vel 3
- Missão Impossível - Missão Fantasma
- Missão Solar
- Mistérios De Lisboa
- Momentos Agradáveis
- Moneyball - Jogada De Risco
- Monsters - Zona Interdita
- Monstro
- Monty Phyton E O Cálice Sagradi
- Morte Cerebral
- Morte De Um Presidente
- Movimentos Perpétuos
- Mr. E Mrs. Smith
- Mrs. Henderson Presents
- Muito Bem, Obrigado
- Mulholland Drive
- Mundo Fantasma
- Mundos Separados
- Munique
- Murderball - Espírito De Combate
- Murish
- Mutilados
- Mysterious Skin

- Na Cama
- Nacho Libre
- Não Estou Aí
- Napoleon Dynamite
- Nas Costas Do Diabo
- Nas Nuvens
- Needle
- Nico: À Margem Da Lei
- Ninguém Sabe
- Nixon
- No Limite Do Amor
- No Vale De Elah
- Noite De Agosto
- Noite Escura
- Noivos Sangrentos
- Nome De Código: Cloverfield
- Northfork
- Nosferatu, O Vampiro
- Nothing
- Nova Iorque 1997
- Nove Raínhas
- Nunca Digas Sim

- O Acontecimento
- O Agente Da Broadway
- O Lugar Do Morto
- O Americano
- O Amor Acontece
- O Anjo Exterminador
- O Anti-Pai Natal
- O Artista
- O Assassínio De Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford
- O Assassí­nio De Richard Nixon
- O Batedor
- O Bom Alemão
- O Bom, O Mau E O Vilão
- O Cabo Do Medo
- O Caminho De São Diego
- O Cão, O General E Os Pássaros
- O Capacete Dourado
- O Castelo Andante
- O Castor
- O Cavaleiro Das Trevas
- O China
- O Cobrador
- O Código Da Vinci
- O Comboio Dos Mortos
- O Comboio Mistério
- O Condenado
- O Couraçado Potemkin
- O Cowboy Da Meia-Noite
- O Crepúsculo Dos Deuses
- O Dedo De Deus
- O Delator!
- O Demónio
- O Despertar Da Besta
- O Despertar Da Mente
- O Deus Da Carnificina
- O Deus Elefante
- O Dia Em Que A Terra Parou (1951)
- O Dia Em Que A Terra Parou (2008)
- O Dia Da Besta
- O Discurso Do Rei
- O Enigma Do Espaço
- O Estranho Caso De Benjamin Button
- O Estranho Mundo De Jack
- O Evangelho Segundo São Mateus
- O Exorcista
- O Fatalista
- O Feiticeiro De Oz
- O Feitiço Do Tempo
- O Fiél Jardineiro
- O Gabinete Das Figuras De Cera
- O Gabinete Do Dr. Caligari
- O Gato Das Botas
- O Génio Do Mal (1976)
- O Grande Peixe
- O Grande Ditador
- O Guerreiro
- O Homem Duplo
- O Homem Que Copiava
- O Homem Que Sabia Demasiado
- O Homem Que Veio Do Futuro
- O Idealista
- O Jogo
- O Júri
- O Imperador Da Califórnia
- O Inquilino
- O Justiceiro Da Noite
- O Labirinto Do Fauno
- O Laço Branco
- O Lado Selvagem
- O Lago Perfeito
- O Leopardo
- O Livro Negro
- O Lobo Do Mar
- O Macaco De Ferro
- O Maquinista
- O Marinheiro De Água Doce
- O Menino De Ouro
- O Meu Tio
- O Milagre De Berna
- O Milagre Segundo Salomé
- O Mistério Galindez
- O Monstro Da Lagoa Negra
- O Mundo A Seus Pés
- O Nevoeiro (1980)
- O Ofício De Matar
- O Olho
- O Orfanato
- O Paciente Inglês
- O Padrinho - Parte I
- O Padrinho - Parte II
- O Padrinho - Parte III
- O Panda Do Kung Fu
- O Panda Do Kung Fu 2
- O Pesadelo De Darwin
- O Pistoleiro Do Diabo
- O Planeta Selvagem
- O Pó Dos Tempos
- O Portador Da Espada
- O Presidiário
- O Prisioneiro Do Rock
- O Protegido
- O Próximo A Abater
- O Quinto Elemento
- O Quinto Império
- O Regresso
- O Rei Dos Gazeteiros
- O Reino Proibido
- O Ritual
- O Ritual Dos Sádicos
- O Sabor Do Amor
- O Sargento Da Força Um
- O Segredo A Brokeback Mountain
- O Segredo De Um Cuscuz
- O Segredo Dos Punhais Voadores
- O Selvagem
- O Sentido Da Vida
- O Sétimo Selo
- O Sítio Das Coisas Selvagens
- O Sonho Comanda A Vida
- O Sonho De Cassandra
- O Sorriso De Mona Lisa
- O Tempo Do Lobo
- O Tesouro Da Sierra Madre
- O Tigre E A Neve
- O Tio Boonmee Que Se Lembra Das Suas Vidas Anteriores
- O Triunfo Da Vontade
- O Turista
- O Último Airbender
- O Último Grande Herói
- O Último Rei Da Escócia
- O Último Tango Em Paris
- O Último Voo Do Flamingo
- O Vingador Tóxico
- O Wrestler
- Ocean's Eleven - Façam As Vossas Apostas
- Odete
- Oldboy - Velho Amigo
- Olho Mágico
- Oliver Twist
- Ônibus 174
- Orca
- Órfã
- Os Amantes Regulares
- Os Amigos De Alex
- Os Bons E Os Maus
- Os Caça-Fantasmas
- Os Cavaleiros Do Asfalto
- Os Chapéus De Chuva De Cherburgo
- Os Cinco Venenos
- Os Clãs Da Intriga
- Os Condenados De Shawshank
- Os Descendentes
- Os Edukadores
- Os Famosos E Os Duendes Da Morte
- Os Filhos Do Homem
- Os Friedmans
- Os Guardiões Da Noite
- Os Homens Preferem As Loiras
- Os Imortais
- Os Inadaptados
- Os Índios Apache
- Os Invisíveis
- Os Irmãos Grimm
- Os Limites Do Controlo
- Os Marginais
- Os Mercenários
- Os Miúdos Estão Bem
- Os Novos Dez Mandamentos
- Os Olhos Da Serpente
- Os Olhos Sem Rosto
- Os Onze De Oceano
- Os Optimistas
- Os Pássaros
- Os Produtores (2005)
- Os Psico-Detectives
- Os Rapazes Da Noite
- Os Rapazes Não Choram
- Os Renegados Do Diabo
- Os Rutles - All You Need Is Cash
- Os Selvagens Da Noite
- Os Simpsons - O Filme
- Os Sonhadores
- Os Sorrisos Do Destino
- Os Super-Heróis
- Os Supeitos Do Costume
- Os Três Enterros De Um Homem
-Os Visistantes Da Idade Média
- Os 300 Espartanos

- Pagafantas
- Palpitações
- Papillon
- Para Onde O Vento Sopra
- Parada De Monstros
- Paraíso, Inferno... Terra
- Paranoid Park
- Paris Je T'Aime
- Party Monster
- Pecados Íntimos
- Pele
- Pequenas Mentiras Entre Amigos
- Performance
- Perigo Na Noite
- Perto Demais
- Pesadelo Em Elm Street
- Pink Floyd The Wall
- Piranha 3D
- Piratas Das Caraíbas - O Mistério do Pérola Negra
- Piratas Das Caraí­bas - O Cofre Do Homem Morto
- Piratas Das Caraíbas - Nos Confins Do Mundo
- Planeta Dos Macacos
- Planeta Dos Macacos: A Origem
- Planeta Terror
- Plano 9 Dos Vampiros Zombies
- Polaróides Urbanas
- Polí­cia Sem Lei (1992)
- Polícia Sem Lei (2009)
- Poltergeist, O Fenómeno
- Ponto De Mira
- Por Favor Rebobine
- Por Favor Não Me Morda O Pescoço
- Porcos & Selvagens
- Posto Fronteiriço
- Precious
- Predadores
- Presente De Morte
- Preto E Branco
- Primer
- Príncipe Da Pérsia - As Areias Do Tempo
- Procurado
- Profissão: Repórter
- Promessas Proibidas
- Proposta Indecente
- Proteger
- Psico
- Psicopata Americano
- Pulp Fiction
- Pulsação Zero
- Punch-Drunk Love - Embriagado De Amor
- Purana Mandir
- Purple Rain

- Quando Viste O Teu Pai Pela Última Vez
- Quarentena
- Quarteto Fantástico (1994)
- Quarteto Fantástico (2005)
- Quase Famosos
- Quatro Noites Com Anna
- Que Lugar Maravilhoso
- Que Se Mueran Los Feos
- Queijo E Marmelada
- Quem Quer Ser Bilionário
- Querida Famí­lia
- Querida Wendy

- R
- Rapariga Com Brinco De Pérola
- Rare Exports
- Ratatui
- Ratos Assassinos
- Ray
- [Rec]
- [REC]2
- Red Eye
- Relatório Kinsey
- Relatório Minoritário
- Religulous - Que O Céu Nos Ajude
- Relíquia Macabra
- Renascimento
- Resident Evil: Apocalypse
- Rio
- Rio Bravo
- Rock De Fogo
- Rock, Rock, Rock
- Rocknrolla - A Quadrilha
- Rocky Balboa
- Roger E Eu
- Roma
- Romance E Cigarros
- Roxanne
- RRRrrrr!!!
- Rubber - Pneu
- Ruídos Do Além
- Ruivas, Loiras E Morenas
- Rumo À Liberdade
- Ruptura Explosiva

- Sacanas Sem Lei
- Sala De Pânico
- Salazar - A Vida Privada
- Salto Mortal
- Samsara
- Sangue Do Meu Sangue
- Sangue Por Sangue
- Santa Sangre
- Sapatos Pretos
- Save The Green Planet!
- Saw - Enigma Mortal
- Saw II - A Experiência Do Medo
- Saw 3D - O Capítulo Final
- Scoop
- Scott Pilgrim Contra O Mundo
- Seconds Apart
- Seis Indomáveis Patifes
- Sem Ela
- Sem Limites
- Sem Rumo
- Sem Tempo
- Semi-Pro
- Ser E Ter
- Sereia
- Serpentes A Bordo
- Sete Anos No Tibete
- Sete Vidas
- Sexo E A Cidade
- Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band
- Shaolin Daredevils
- Shaolin Soccer - O Ás Da Bola
- Shaolin Vs. Evil Dead
- Shattered Glass - Verdade Ou Mentira
- Sherlock Holmes
- Sherlock Holmes - Jogo De Sombras
- Shining
- Shoot 'Em Up - Atirar A Matar
- Shortbus
- Shrek 2
- Shrek O Terceiro
- Shrek Para Sempre
- Sicko
- Sid And Nancy
- Sideways
- Simpatyhy For Mr. Vengeance
- Sin City - Cidade Do Pecado
- Sinais
- Sinais De Fogo
- Sinais Do Futuro
- Sinais Vermelhos
- Singularidades De Uma Rapariga Loira
- Sky Captain E O Mundo De Amanhã
- Slither - Os Invasores
- Soldados Da Fortuna
- Soldados Do Universo
- Sombras Da Escuridão
- Somewhere - Algures
- Sonho De Uma Noite De Inverno
- Sonny
- Sophie Scholl - Os Últimos Dias
- Soro Maléfico
- Sorte Nula
- Soul Kitchen
- Spartacus
- Spartan - O Rapto
- Splice
- Stacy - Attack Of The Schoolgirl Zombies
- Star Wars - A Ameaça Fantasma
- Star Wars - A Vingança Dos Sith
- Star Wars - O Ataque Dos Clones
- Stardust - O Mistério Da Estrela Cadente
- Stone - Ninguém É Inocente
- Stoned, Anos Loucos
- Submarino
- Super
- Super Baldas
- Super-Homem
- Super-Homem: O Regresso
- Super 8
- Superstar
- Suspeita
- Suspiria
- Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro De Fleet Street
- Swimming Pool
- Sword Of Vengeance
- Sympathy For The Devil

- Taking Woodstock
- Tarnation
- Tarzan, O Homem Macaco (1981)
- Taxidermia
- Team America - Polí­cia Mundial
- Tebas
- Tecumseh
- Teeth
- Tempestade Tropical
- Tennessee
- Terra De Cegos
- Terminal De Aeroporto
- Terra Dos Mortos
- Terror Em Setembro
- Terror Na Auto-estrada
- Terror Nas Montanhas
- Tetro
- The Bloodstained Butterfly
- The Brown Bunny
- The Darjeeling Limited
- The Departed: Entre Inimigos
- The Devil And Daniel Johnston - Loucuras De Um Génio
- The Devil's Double
- The First Great Train Robbery
- The Fountain - O Último Capítulo
- The Grudge - A Maldição
- The Host - A Criatura
- The Impossible Kid
- The King Of Kong
- The Langoliers - Meia-Noite E Um
- The Last House On The Left
- The Machine Girl
- The Man From Earth
- The Marine
- The Million Dollar Hotel - O Hotel
- The Mindscape Of Alan Moore
- The Mist - Nevoeiro Misterioso
- The Others - Os Outros
- The Prestige - O Terceiro Passo
- The 50 Worst Movies Ever Made
- The Way
- The Woman
- Thirst - Este É O Meu Sangue
- This Is It
- This Is Spinal Tap
- Thor
- Thriller - A Cruel Picture
- THX 1138
- Tirar Vidas
- Titanic 2
- Tony
- Tournée - Em Digressão
- Toy Story 3
- Tragam-me A Cabeça De Alfredo Garcia
- Transamerica
- Tron
- Tron: O Legado
- Tropa De Elite
- Tropa De Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro
- Tsotsi
- Tubarão
- Tubarão 2
- Tubarão 3
- Tubarão IV - A Vingança
- Tucker E Dale Contra O Mal
- Tudo Ficará Bem
- Tudo Pode Dar Certo
- Twisted - Homicídios Ocultos

- Ultra Secreto
- Um Amor De Perdição
- Um Azar Do Caraças
- Um Bater De Corações
- Um Belo Par... De Patins
- Um Cão Andaluz
- Um Dia A Casa Vai Abaixo
- Um Dia De Raiva
- Um Homem Singular
- Um Longo Domingo De Noivado
- Um Lugar Para Viver
- Um Padrasto Para Esquecer
- Um Profeta
- Um Tiro No Escuro
- Um Trabalho Em Itália
- Uma Aventura Na Casa Assombrada
- Uma Boa Mulher
- Uma Canção De Amor
- Uma Espécie De Cavalheiro
- Uma Famí­lia À Beira De Um Ataque De Nervos
- Uma História De Violência
- Uma Pequena Vingança
- Uma Rapariga Com Sorte
- Uma Segunda Juventude
- Uma Segunda Vida
- Undefeatable
- Unseen Evil 2 - Alien 3000
- Up - Altamente

- V De Vingança
- Vai E Vive
- Vais Conhecer O Homem Dos Teus Sonhos
- Valhalla Rising - Destino De Sangue
- Valquíria
- Vampiros de John Carpenter
- Van Helsing
- Vanilla Sky
- Vanitas
- Vasilhame
- Veio Do Outro Mundo
- Veludo Azul
- Velvet Goldmine
- Vencidos Pela Lei
- Vendendo A Pele
- Veneno Cura
- Vera Drake
- Versus - A Ressurreição
- Vestida Para Matar
- Vice
- Vício - Quando Nada É Suficiente
- Vicky Cristina Barcelona
- Vidas Sombrias
- Vigilância
- Vingança Redentora
- Virgem Aos 40 Anos
- Vitus
- Viúva Rica Solteira Não Fica
- Viver A Sua Vida
- Voando Sobre Um Ninho De Cucos
- Voltando Para Casa
- Voltar
- Vontade Indómita
- Voo 93

- Walk Hard - A História De Dewey Cox
- Walk The Line
- WALL-E
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Wassup Rockers - Desafios De Rua
- Watchmen - Os Guardiões
- Welcome To The Rileys
- White Irish Drunkers
- Wild Zero
- Win Win
- Wolf Creek
- Wristcutters: A Love Story

- X-Men
- X-Men 2
- X-Men 3 - O Confronto Final
- X-Men: O Início
- X-Men Origens: Wolverine

- Zack E Miri Fazem Um Porno
- Zardoz
- Zatoichi
- Zombies Party - Uma Noite... De Morte
- Zombies Strippers
- Zozo

- 007 - Agente Secreto
- 007 - Casino Royale
- 007 - Quantum Of Solace
- 10 Coisas Que Odeio Em Ti
- 100 Volta
- 10.000 AC
- 12 Homens Em Fúria
- 12 Macacos
- 12:08 A Este De Bucareste
- 1984
- 2LDK
- 24 Hour Party People
- 28 Dias Depois
- 20,13 - Purgatório
- 2012
- 300
- 4 Copas
- 48
- 50/50
- 6=0 Homeostética
- 8 1/2
- 9 Canções
- 98 Octanas


ENTREVISTAS:
- Fernando Fragata
- Festróia - Mário Ventura
- Filipe Melo
- Good N Evil
- IMAGO - Sérgio Felizardo
- José Barahona
- Nuno Markl
- Paulo Furtado
- Rodrigo Areias
- Sara David Lopes
- Solveig Nordlund
- Fernando Alle


TOPES:
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2011
- Top 5 dos Piores Filmes de 2011
- Top 10 dos Melhores Filmes de 2010
- Top 5 dos Piores Filmes de 2010
- Top 5 dos filmes de Leslie Nielsen
- Top 10 Dos Filmes Low Cost
- Top 5 das Melhores Cenas de Dança
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2009
- Top 5 dos Piores Filmes de 2009
- Top 5 dos Filmes Que Tenho Vergonha De Dizer Que Gosto
- Top 5 das Melhores Músicas de Ennio Morricone
- Top 5 dos filmes com Patrick Swayze
- Top 5 dos Telediscos do Michael Jackson
- Top 5 dos Filmes com David Carradine
- Top 5 dos Filmes com Lutadores de Luta-Livre
- Top 10 Os Melhores Filmes de 2008
- Top 5 Os Piores Filmes de 2008
- Top 5 dos Piores Filmes de Natal
- Top 5 das Coisas que não Esperávamos Ver no Cinema
- Top 5 dos Melhores Filmes de Paul Newman
- Top 5 Personagens Com Palas Nos Olhos
- Top 10 Melhores Cartazes De Cinema
- Top 5 dos Filmes de Chuck Norris
- Top 5 dos Filmes de Patrick Swayze
- Top 10 Os Melhores/Piores Vestidos dos Oscares
- Top 5 As Mortes de Crianças Mais Gratuitas
- Top 10 Os Melhores de 2007
- Top 5 Os Piores de 2007
- Top 7 Adaptações ao Cinema de Livros de Stephen King
- Top 5 Filmes Pela Paz
- Top 5 Os Melhores Beijos
- Top 5 Grandes Arquitectos
- Top 10 Filmes Que Mudaram A Minha Vida
- Top 5 Mulheres de Cabeça Rapada
- Top 5 As Cenas Mais Excitantes
- Top 10 Os Melhores de 2006
- Top 5 Os Piores de 2006
- Top 3 Filmes de Robert Altman
- Top 5 Os Vilões do Cinema
- Top 5 Filmes Com Mick Jagger
- Top 5 Filmes Com Steve Buscemi
- Top 5 Dos Cães no Cinema
- Top 5 Dos Filmes do Indie06
- Top 5 Dos Filmes do Fantas06
- Top 5 dos Presidentes
- Top 10 Os Melhores de 2005
- Top 5 Os Piores de 2005
- Top 5 Filmes com Pat Morita
- Top 10 Os Melhores Filmes Independentes
- Top 5 Os Piores Filmes da Saga Bond
- Top 5 Filmes com Dolph Lundgren
- Top 5 Adaptações de BD Para Cinema
- Top 10 Cenas Mais Assustadoras de Sempre
- Top 5 Vencedores do Óscar
- Top 5 Bond Girls
- Top 5 Filmes Sobre Doenças
- Top 5 Filmes de Natal
- Top 5 Melhores Batalhas Corpo-A-Corpo
- Top 10 Melhores Canções do Cinema
- Top 10 Melhores Filmes de Sempre
- Top 5 Melhores Momentos Musicais
- Top 5 Grandes Duelos do Cinema
- Top 10 Maiores Personagens do Cinema
- Top 5 Piores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 10 Melhores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 5 Filmes Religiosos


BAÚ DO TRASH:
- Needle
- Que Se Mueran Los Feos
- Easy A
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Saw 3D - O Capítulo Final
- And Soon The Darkness
- Os Imortais
- Purana Mandir
- Pagafantas
- The Bloodstained Butterfly
- Cisne Negro


ROYALE WITH CHEESE APRESENTA:
- A Tasca Da Cultura
- A Causa Das Coisas - parte I
- A Causa Das Coisas - parte II
- A Momentary Lapse Of Reason


FILMES A VER ANTES DE MORRER:
- #1 As Lágrimas Do Tigre Negro
- #2 Alucarda
- #3 Time Enough At Last
- #4 Armageddon
- #5 The Favour, The Watch And The Very Big Fish
- #6 Italian Spiderman
- #7 The Soldier And Death


UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:
- 1# Rabbit, de Run Wrake
- 2# Aligato, de Maka Sidibé
- 3# The Cat Concerto, de Joseph Barbera & William Hanna
- 4# A Curva, de David Rebordão
- 5# Batman: Dead End, de Sandy Callora
- 6# O Código Tarantino, de Selton Mello
- 7# Malus, de António Aleixo & Crosswalk, de Telmo Martins
- 8# Three Blind Mice, de George Dunning
- 9# Bedhead, de Robert Rodriguez
- 10# Key To Reserva, de Martin Scorcese
- 11# Bambi Meets Godzilla, de Marv Newland
- 12# The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon, de Richard Gale
- 13# Stolz Der Nation, de Eli Roth
- 14# Papá Wrestling, de Fernando Alle
- 15# Glas, de Bert Haanstra
- 16# Fotoromanza, de Michelangelo Antonioni
- 17# Quem É Ricardo?, de José Barahona
- 17# Terra Incognita, de Peter Volkart


AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE:
- A Pior Luta
- A Cena Mais Metida A Martelo
- O Ataque Animal Mais Brutal
- A Perseguição Mais Alucinante
- O Duelo Mais Improvável


CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL:
- Janeiro
- Fevereiro
- Março
- Abril
- Maio
- Setembro
- Novembro


FESTIVAIS:
- 20º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9
- 21º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 22º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 23º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 24º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 26º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 12º Caminhos Do Cinema Português
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- Imago 2006
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8

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Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket



BLOCKBUSTERS:

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