Royale With Cheese

 Royale With Cheese

 
 



quinta-feira, maio 31, 2007  

GOTHIKA:

Título: Gothika
Realizador: Mathieu Kassovitz
Ano: 2003


Desde que conseguiu a internacionalização coim Vanilla Sky, Penélope Cruz nunca mais fez fora de Espanha um filme que se aproveitasse, limitando-se a ir a Hollywood de vez em quando arrecadar uns trocos, enquanto mostra um bocadinho de pele e o seu sotaque charmoso em meia-dúzia de filmes-pipoca. Vendo bem as coisas, é mais ou menos o mesmo que Halle Berry tem feito desde que ganhou o Óscar.

Aproveitando o hype que os filmes de suspense-terror atravessavam, os estúdios de Hollywood juntaram as duas actrizes para mais uma xaropada feita a metro, encomendada ao desconhecido Mathieu Kassovitz: Gothika, um thriller sobrenatural, que repescava ainda um retornado Robert Downey Jr., disposto a compensar todo o tempo perdido na cadeia e no álcool.

Halle Berry é então a conceituada psiquiatra Miranda Grey, esposa do Dr. Douglas Grey, médico-chefe da uma prisão-psiquiatra feminina onde está internada Chloe Sava (Penélope Cruz), uma jovem que assassinou o padrasto após constantes abusos sexuais. Fiél ao pensamento racionalista, Miranda Grey toma as afirmações de Chloe de que costuma ser possuída pelo Diabo como uma forma de repressão instintiva, afogando-a em calmantes e anti-depressivos. No entanto, quando Miranda começa a ver o fantasma de uma menina que a leva a matar o próprio marido à machadada, vê-se colocada do outro lado do espelho. E todo o racinalismo deixa de fazer muito sentido.

Gothika é uma espécie de rip-off mal feito de O Sexto Sentido, uma história de fantasmas mal explicada, onde o espírito de uma moça assassinada vem pedir ajuda. No entanto, para quem pede ajuda, este fantasma é bastante violento, porque não perde uma oportunidade para assustar a pobre Halle Berry, esfaqueá-la ou espanca-la violentamente. Se alguém me pedisse ajuda e depois me cortásse no antebraço as palavras "not alone", eu mandava-o era ir pedir ajuda a outro!

Filme de suspense-terror com ênfase na primeira parcela da equação, Gothika orienta-se segundo várias jump-scenes: cenas onde a banda-sonora vai crescendo e que nós sabemos claramente o que vai acontecer, mas nem por isso deixamo-nos de assustar. Além disso, visita também o actual clichét do fantasma da menina com os cabelos escorridos para a frente dos olhos, visto pela primeira vez em O Aviso e repetido até à exaustão mil e uma vezes depois.

Previsível e pouco imaginativo, Gothika fica-se a uma premissa ligeiramente interesse, porque de resto limita-se ao entretenimento pipoqueiro. Mas nem nisto é bom, porque esta mania de se fazer filmes de terror para a toda a família é um paradoxo tramado. É que assim temos um filme de terror sem uma única pinga de hemoglobina derramada e uma sequência com 100 mulheres a tomar duche e onde não e vêm um único par de mamas. Maldita censura!

Filme inofensivo e para se ver com o cérebro desligado, Gothika é um Cheeseburger para se comer e nos esquecermos rapidamente.

Posted by: dermot @ 10:45 da manhã
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quarta-feira, maio 30, 2007  

HOMEM-ARANHA 3:

Título: Spider-Man 3
Realizador: Sam Raimi
Ano: 2007


Depois do colossal sucesso de O Senhor Dos Anéis, o executivo de Hollywood decidiu repetir a fórmula de sucesso para adaptar aquele que se adivinhava um exercício complicado: o super-herói Homem-Aranha. Assim, recorreu aos préstimos de um realizador com pouca credibilidade junto dos grandes estúdios, mas com enorme respeito no seio do cinema mais underground: Sam Raimi, o responsável pela triologia de culto, Evil Dead.

Depois da aposta ganha nos dois primeiros tomos, eis que nos chega a terceira (e última?) parte desta triologia, como que a anunciar o início da silly season. Depois da introdução de Homem-Aranha 1, Homem-Aranha 2 tinha terminado de forma feliz. Por isso, em Homem-Aranha 3 nada parecia poder correr mal: o aracnídeo era cada vez mais um herói querido junto da população; a relação entre Peter Parker (Tobey Maguire) e Mary Jane (Kirsten Dunst) corria sobre rodas e este já pensava no casamento; e até o vingativo Harry Osborn (James Franco) - aka New Goblin - acaba por sofrer uma pancada na cabeça e sofre de uma amnésia que não o deixa lembrar-se do filme anterior (ups, devia ter feito um spoilers alert).

No entanto, tudo se presta a mudar. E desta vez, há muito para contar. Começando por Flint Marko (grande Thomas Haden Church), um comum ladrão que afinal descobre-se que foi o verdadeiro assassino do Tio Ben. Como se não bastasse, o pobre homem ainda vai sofrer um acidente molecular, que o transforma no vilão Homem-Areia. No entanto, este é o menor dos problemas do Homem-Aranha, porque como o próprio refere, elenão é má pessoa; apenas tem muito azar. Ao mesmo tempo, um meteorito vai trazer à Terra um alienígena-parasita, que vai encontrar em Peter Parker o hospedeiro perfeito. E para além disso, as coisas com Mary Jane vão azedar, vai acontecer um flirt com a bela Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard) e vai ainda surgir Eddie Brock (Topher Grace), um fotógrafo que quer roubar-lhe o trabalho.

É uma sinopse enorme que antevê logo um problema para Sam Raimi: demasiada informação para um só filme. João Nunes, no seu blogue pessoal, escreveu neste excelente texto que o principal problema de Homem-Aranha 3 é a chamada unidade dos opostos, ou para leigos, demasiadas coincidências no argumento. Contudo, até nem é isso que me choca, uma vez que o universo da banda-desenhada sempre se fez de coincidências, ou não tivessem as histórias limitadas a poucas páginas por número. O principal problema são mesmo as várias personagens e histórias paralelas; isso ressente-se em partes quase tratadas em fast forward (o princípio do filme, por exemplo) e em personagens que não passam de meros adereços (Gwen Stacy) ou de esboços sem profundidade (Topher Grace).

Tal como os seus antecessores, Homem-Aranha 3 centra-se no triângulo composto por Peter Parker, Harry Osborn e Mary Jane e nisso volta a ser muito bom. Nisso e no facto de nunca tender para o facilitismo da masturbação digital (e isto apesar de o Homem-Areia ser um dos mais notáveis feitos do CGI).

Thomas Haden Church disse algures que Sam Raimi era uma espécie de Elia Kazan do cinema fantástico. De facto, não é apenas um elogio descabido entre empregado e empregador; Raimi mostra que tem um dedinho clássico na fantástica cena em que Mary Jane e Harry Osborn passam um serão a cozinhar, numa sequência com uma tensão erótica acumulada tão intensa que quase faz doer os olhos. Em contrapartida, Raimi também mosra o seu lado mais camp (mais Evil Dead), como na sequência pateta no bar de jazz, em que Peter Parker enceta uma graciosa (habilidosa?) coreografia.

Mas em Homem-Aranha 3 o que merece mesmo a pena destacar é o uniforme preto, um símbolo na história já longa do Homem-Aranha. Tal como nos quadradinhos, também aqui o herói fica melhor de negro. No entanto, essa parte acaba por cair no ridículo porque para ilustrar essa fase mais negra de Peter Parker, Sam Raimi transforma-o num puto emo: cabelo escorrido para a frente dos olhos e um ar de quem está chateado com a vida por não ter os ténis da moda. Bem melhor é o habitual cameo de Bruce Campbell (vénias incontáveis), aqui no papel de um empregado francês, na cena mais divertida de toda a triologia.

Homem-Aranha 3 acaba por falhar por culpa própria. A ganância é uma coisa feia... No entanto, ponho as minhas mãos no fogo como nesta silly season não vai aparecer nenhum filme-pipoca melhor que este. E que é apenas um McBacon...

Lembram-se de Homem-Aranha 2? E de Homem-Aranha 1? Então experimentem clicar nos títulos.

Posted by: dermot @ 4:45 da tarde
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segunda-feira, maio 28, 2007  

MORTE CEREBRAL:

Título: Braindead
Realizador: Peter Jackson
Ano: 1992


Antes de se ter tornado num dos multi-milionários mais apetecíveis de Hollywood, graças à super-triologia do maior clássico da literatura fantástica, O Senhor Dos Anéis, Peter Jackson era apenas um pouco credível realizador do outro lado do mundo, gordo, cabeludo e despenteado, que se divertia em fazer filmes gore.

Morte Cerebral é um desses clássicos de culto, um filme de baixo orçamento que é, provavelmente, o filme mais gory de sempre. Pelo menos, o mais sangrento de sempre é de certeza. E quando falo em sangrento, não estou a falar em muito sangue à mostra; estou a falar de litros e litros de sangue derramados, tantos litros que às tantas o personagem principal chega a não conseguir sair do mesmo lugar por escorregar em tanto sangue.

Normalmente, os filmes gore são filmes para se verem com os amigos, enquanto se bebem umas cervejas e se come uma pizza. Mas Morte Cerebral vai mais além e não se limita a ser um party-movie, porque apesar de todo o humor camp, consegue ser um filme a sério e entretido. Além disso, Morte Cerebral leva ainda o zombie-flick a novos patamares, inovando todo o conceito à volta do zombie enquanto criatura - pela primeira vez é possível verem-se zombies a copular, a parir, zombies-bebés (Chucky, O Boneco Diabólico rói-te de inveja) e até intestinos-zombies(!).

Lionel Cosgrove (Timothy Balme) é então um jovem tímido e bom-coração, com uma paixoneta pela empregada da mercearia, Paquita (Diana Peñalver). Além disso, Lionel é oprimido por uma mãe tirana (Elizabeth Moody), daquelas feitas na mesma fábrica da da mãe de Carrie. Mas certo dia, esta acaba por ser mordida pelo raro rato-macaco da Sumatra (também conhecido pelo mais estúpido boneco em stop-motion da história do cinema) e transforma-se automaticamente em zombie. E antes que Lionel possa dar por isso, a sua mãe anda pela rua a morder toda a gente: o padre, a enfermeira, um jovem delinquente... E como Lionel é incapaz de desmembrar quem quer que seja, vai acabar por ter uma família de zombies na cave para cuidar e tratar.

Parente não muito distante de Evil Dead II - A Morte Chega De Madrugada, mas em versão (ainda mais) demente, Morte Cerebral transforma-se numa comédia slapstick onde tudo é possível, inclusive cenas de humor físico a lembrar Benny Hill, e um padre-ninja, com uma das melhores one-liners de sempre: I kick ass for the Lord. E depois, nos últimos 40 minutos, Peter Jackson abre-nos as portas da sua mente distorcida e diz-nos bem-vindos ao maior festim gore de sempre. E é aí que entram os litros e litros de sangue, as tripas reviradas, os desmembramentos, as matanças, as mutilações, o tal intestino-zombies e uma matança do porco como nunca imaginou, tudo confinado às quatro paredes de uma casa: Rio Bravo meets A Casa Maldita.

Apesar de habitualmente conotado com o género de terror, Morte Cerebral não causa um único susto. No entanto, é bem possível que o deixe bem enojado. Não é por acaso que em alguns países nórdicos era distribuído um saco de vómito à entrada das salas de cinema. Eu recomendo vivamente o Le Big Mac; mas também aconselho a manter o saquinho por perto...

Posted by: dermot @ 10:49 da tarde
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A PROMESSA:

Título: The Pledge
Realizador: Sean Penn
Ano: 2001


Sean Penn é como o vinho do Porto: quanto mais velho, melhor fica. No entanto, no papel de realizador, Penn é ainda um aprendiz de feiticeiro.

Com A Promessa, o seu terceiro e mais recente filme até há data, Penn já mostra um dedo de grande sensibilidade, próximo da mística do cinema clássico, que daqui a alguns anos lhe pode valer o epíteto de sucessor directo de Clint Eastwood.

Um ano antes de As Confissões De Schmidt, Jack Nicholson ensaiava aqui a sua primeira crise de meia-idade, no papel do polícia Jerry Black, um detective divorciado, recém-reformado e amante da pesca, com muito medo da velhice e, sobretudo, de envelhecer sozinho. Por isso, quando no dia da sua reforma, uma menina é encontrada brutalmente assassinada, Jerry não vai conseguir alhear-se do caso.

No entanto, a coisa ganha contornos de obsessão quando Jerry Black promete à mãe da menina que vai encontrar o assassino. E mesmo que todos defendam que foi o índio atrasado mental Wadenah (Benicio Del Toro), Jerry tem um palpite diferente.

Ambientado no estado do Nevada, com as Montanhas Rochosas como pano de fundo e a neve como cenário, A Promessa é um drama gelado, mas com grande coração, filmado com muita calma, planos longos e uma fotografia de postal de férias, com passarinhos a voar e a neve a cair. Não se percebe bem é o fascínio de Penn por todos os truques cinematográficos, desde os zooms mais inesperados (a lembrar o cinema de Hong Kong dos anos 70) até à câmara-lenta desnecessária.

Com um Jack Nocholson num under-acting arrebatador, Penn rodeia-se ainda com um elenco de luxo, em prestações secundárias que quase parecem cameos, de tão curtas que são: Benicio Del Toro (que, apesar de estar habituado a personagens bizarras, não nasceu para ser um índio atrasado mental), Helen Mirren, Mickey Rourke (nunca, mas mesmo nunca metam Mickey Rourke a chorar!), Harry Dean Stanton ou Sam Shepard.

Com uma estrutura anti-hollywoodesca, Sean Penn prefere sempre a sugestão à descrição, o que possibilita uma maior introspecção por parte do espectador. Até o final algo em aberto e o final triste de tragédia clássica, são sinais desse inconformismo. Contudo, o filme não consegue suportar o próprio argumento (a própria promessa que dá título ao filme é algo frouxa), que Jack Nicholson carrega às costas praticamente sozinho. No entanto, acho que é humanamente impossível dar algo inferior a um Double Cheeseburger a qualquer coisa que envolva, simultaneamente, Jack Nicholson e Sean Penn.

Posted by: dermot @ 11:07 da manhã
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sábado, maio 26, 2007  

TOP 10:

Top 10 dos Filmes Que Mudaram a Minha Vida, a corajosa resposta ao desafio lançado pelo Harry Madox.

Posted by: dermot @ 3:00 da tarde
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sexta-feira, maio 25, 2007  

O OFÍCIO DE MATAR:

Título: Le Samouraï
Realizador: Jean-Pierre Melville
Ano: 1967


O Ofício De Matar é um dos documentos fundamentais do cinema contemporâneo, não só por ter lançado muitas das cordas directrizes do cinema de acção de hoje, tanto ocidental como oriental (John Woo e Johnnie Too são dois fãs assumidos do filme), mas principalmente por ser um filme charneira, que marcou o final da nouvelle vague e do (neo)noir (apesar de no ano seguinte ainda ser feito Bullit, que é um dos seus descendentes directos).

O Ofício De Matar (mais uma charmosa tradução portuguesa) é a história de um assassino a soldo perfeccionista e solitário, chamado Jef Costello (magistral Alain Dellon), que é contratado para matar o dono de um bar. No entanto, a coisa complica-se quando a polícia o toma como principal suspeito: porque de um lado vai ter a vigilância apertada do Comissário da Polícia (François Périer) e do outro a tentativa de ser silenciado por aqueles que o contrataram, que temem que ele os denuncie.

Neste texto fantástico, o não menos genial André escreve que a inexpressividade e a cara de enjoado de Alain Delon nos iria acompanhar no cinema das décadas seguintes, de Taxi Driver a León - O Profissional (outro dos seus filhos legítimos). Eu iria mais longe e diria mesmo que o anti-herói de Delon foi o protótipo do action-hero dos anos 80: um homem sozinho contra o Mundo!

O samurai de que fala o título original é uma analogia a O Livro Dos Samurais, que fala do guerreiro samurai como o ser mais solitário de todos (mais ou menos o mesmo que acontece em Ronin, outro dos seus descendentes). O hitman de Alain Delon é um lobo solitário que faz a ponte com o alheamento e a alienação do cinema europeu de Antonioni, por exemplo (olá Blow Up - História De Um Fotógrafo).

Melville, na ressaca da nouvelle vague, faz um trabalho genial por trás da câmara, filmando lentamente e aumentando a tensão, num filme bastate físico e quase mudo (o primeiro diálogo só se faz mesmo aos dez minutos de filme). Melville filma Paris como o berço do cool (tentativa idiota de aportuguesar a expressão the birth of cool) e não como a Paris romântica de Casablanca e do cinema clássico. Melville redifine ainda as regras do policial noir, ao subverter a posição da femme fatale: aqui, Valérie (Cathy Rosier), é muito mais um bond-girl do que a personagem fatalista dos film-noirs.

O Ofício De Matar é um dos grandes McRoyal Deluxes muito à frente do seu tempo e, voltando a parafrasear o André, é uma pertença quase obrigatória em qualquer colecção.

Posted by: dermot @ 3:17 da tarde
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quinta-feira, maio 24, 2007  

23. FESTRÓIA:

Os mais distraídos devem andar a interrogarem-se porque é que eu este ano não tenho falado do Festróia, como habitualmente faço. A resposta é simples: porque o tenho feito no blogue oficial do festival.
O certame, que começa no próximo dia 1 de Junho e decorre até o dia 10 seguinte, será, provavelmente, o melhor de sempre; e terá a visita, entre outros, do incontornável Christopher Lee. Como de costume, o Royale With Cheese vai acompanhar por dentro tudo o que se passar no festival, numa cobertura conjunta com o blogue oficial.
Entretanto, se não sabem o que vos espera, dêm uma vista de olhos por esta antevisão.

Posted by: dermot @ 10:22 da manhã
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quarta-feira, maio 23, 2007  

BOBBY DARIN - O AMOR É ETERNO:

Título: Beyond The Sea
Realizador: Kevin Spacey
Ano: 2004


Bobby Darin foi uma das mais resplandecentes estrelas do show business norte-americano da década de 50. Artista multi-facetadoo, Darin começou por se distinguir no rock'n'roll, mas foi sobretudo no jazz que ganhou notoriedade, rivalizando de perto com Frank Sinatra. Aliás, todos nós conhecemos o seu grande êxito, Mack The Knife. Em dez anos, Bobby Darin conseguiu 2 Grammies, várias músicas nos topos da tabela e reconhecimento internacional, para além de uma carreira convincente no cinema, com direito a uma nomeação ao Oscar. Contudo, a partir daí, Bobby Darin entrou numa espiral descendente, até a uma total irrelevância: andou pelo mundo da política e pelas canções de intervenção, até falecer em 1973.

2005 foi o ano perfeito para trazer para o cinema a atribulada vida de Bobby Darin (que inclui uma doença vascular prolongada, uma irmã que afinal era a sua mãe e uma esposa mais nova que era estrela de cinema), num projecto que já se arrastava por quinze anos e que chegou a ter Bruce Willis conotado com o papel principal: vivia-se um revivalismo do bio-pic e Kevin Spacey, um fã assumido, assumia a responsabilidade de realizar e dar vida ao projecto.

Kevin Spacey não só escreveu, realizou e interpretou Bobby Darin - O Amor É Eterno, como ainda cantou os seus próprios números, numa prova cabal de todo o seu talento. Em formato bio-pic musical fantasista, Bobby Darin - O Amor É Eterno arraca como um spin-off de 8 1/2, mas aproxima-se depois do exemplo de De-Lovely, que reinventa a matriz musical dos clássicos dos anos 50, onde as canções integram o próprio argumento, como se a vida fosse um palco e todos nós irrompêssemos a dançar pela rua acima, em coreografias divertidas, sempre que um momento dramático acontecesse.

No entanto, se esta fórmula é divertida e resulta em De-Lovely ou mesmo de forma ligeiramente diferente em Moulin Rouge, Bobby Darin - O Amor É Eterno fica, claramente, aquém das expectativas. Num registo fantasista - as recordações são como raios de sol, fazemos delas o que quisermos, é explicado às tantas no filme -, Bobby Darin - O Amor É Eterno recria livremente a vida e obra de Bobby Darin, sem grandes preocupações cronológicas ou dramáticas, partindo do infeliz pressuposto de que o espectador já conhece e é fã de Bobby Darin.

Com a profundidade de um telefilme, as personagens não passam de meras caricaturas sem espessura dramática, que dão saltos cronológicos gigantes entre cenas: num momento temos um Bobby Darin a tentar vingar na música e no momento seguinte já ele é uma estrela no espectáculo norte-americano, para logo depois já estar na fossa e, a seguir, estar de volta às actuações. Como sempre, quando a contextualização começa a ficar complicada, recorre-se às duas bengalas mais fáceis de todas: ao narrador e às montages. Tudo sem uma contextualização histórica e com muitas poucas explicações pessoais: a doença de Bobby Darin praticamente não é explorada, tal como a atribulada relação com a sua esposa, Sandra Dee (Kate Bosworth).

Contudo, o pior de Bobby Darin - O Amor É Eterno tem a ver com a triste figura que o filme faz enquanto tributo ao artista norte-americano. Porque para quem não o conhece, não é dado a mostrar as suas qualidades enquanto compositor, intérprete ou músico. Por exemplo, aposto que quem não conheça a obra de Johnny Cash e veja Walk The Line, fique com curiosidade suficiente para ir escutar alguns dos seus discos. Com Bobby Darin - O Amor É Eterno isso nunca acontece - porque o entendimento das qualidades de Darin é tido como garantido.

Bobby Darin - O Amor É Eterno funciona como uma celebração da vida (e não tanto da obra) de Bobby Darin, feita por um fã sobretudo para os fãs. Para os outros, o Double Cheeseburger poderá não ser aborrecido (apesar de tudo, as suas canções são boas e o talento de Kevin Spacey é nato), mas saberá, certamente, a muito pouco.

Posted by: dermot @ 11:42 da manhã
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terça-feira, maio 22, 2007  

OS 300 ESPARTANOS:

Título: The 300 Spartans
Realizador: Rudolph Maté
Ano: 1962


Eis o filme ideal para todos aqueles que não gostaram de 300 e o acharam superficial e presunçuoso: Os 300 Espartanos é a versão histórica da lendária batalha de Termópilas, na Grécia Antiga, assinado pelo realizador de aventuras Rudolph Maté - um épico de época, no seguimento da tradição clássica de Quo Vadis e com remeniscências do neo-realismo italiano.

Para quem não está familiarizado com a Antiguidade Clássica, a batalha de Termópilas ocorreu no século V a.C., e opôs o exército espartano ao exército persa do Rei Xerxes, que sonhava em dominar o Mundo. Enquanto os persas eram milhares, os espartanos eram apenas 300, mas mesmo assim conseguiram garantir a vitória da Grécia, ao fixarem-se num desfiladeiro estreito que lhes deu vantagem táctica - até há data, continua a ser a batalha onde um exército em tamanha desvantagem numérica conseguiu o maior número de baixas.

Ao contrário do folclore violento que é 300, Os 300 Espartanos é um épico histórico que contextualiza a batalha no tempo e no espaço e dá profundidade dramática às personagens, nomeadamente o Rei Leónidas (Richard Egan) e o Rei Xerxes (David Farrar), mostrando os bastidores dos jogos de guerra, a situação interna fragmentada da Geécia e revelando todas as máscaras do discurso político da época. Em 300 havia ainda uma muleta romântica entre o rei de Esparta e a sua esposa, que fazia o filme mancar; aqui, também existe uma muleta romântica, mas esta tem a desculpa de acabar por se revelar determinante no desenrolar dos acontecimentos.

Apesar de revelar a mesma bravura, coragem e destreza guerreira, os espartanos de Os 300 Espartanos pouco têm a ver com o barroquismo de 300, onde tudo era perfeito e belo; aqui, a primazia é dada ao realismo histórico e ao desenvolvimento dramático do argumento e das personagens. Por exemplo, este rei Xerxes, ou seja David Farrar, apesar de cruél e sanguinário - que manda matar todas as mulheres dos seus soldados, para que estes avancem sobre os espartanos desejosos de possuir as suas mulheres -, nada tem a ver com o Xerxes metrossexual encarnado por Rodrigo Santoro.

Claro que em Os 300 Espartanos não podemos esperar a violência gráfica e estilizada a que estamos habituados no cinema contemporâneo. Aqui, tal como nos diálogos e nas interpretações, é prezada a teatralidade, limitando-se a opolência ao exagero dos números de extras envolvidos - soldados, cavalos, quadrigas, arqueiros e frota marítima. Só era escusado aquela cena em que Hydames (Donald Houston) é atingido por uma flecha e pesseia-se despreocupadamente com ela presa debaixo do braço.

Os 300 Espartanos prova ainda que qualquer espectador com uma imaginação fértil consegue encontrar mensagens subliminares no mais inocente filme. Enquanto que 300 foi encarado pelos radicais como um filme pró-Bush, apologista da invasão ao Irão, Os 300 Espartanos, estreado em plena Guerra Fria, foi acolhido como propaganda anti-comunista. Ou seja, a mesma história acaba por ser entendida de maneira bem distinta em duas épocas diferentes. A única conclusão é que a história repete-se...

Os 300 Espartanos é antes um documento histórico de bravura e patriotismo, e, quiçá, o mais digno testemunho da defesa da liberdade de um povo. Em termos de mensagem política, Os 300 Espartanos aproxima-se muito mais de Braveheart do que de qualquer propganda barata anti-comunista. Um McRoyal Deluxe dedicado aos guerreiros mais valentes da Grécia Antiga.

Posted by: dermot @ 2:28 da tarde
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segunda-feira, maio 21, 2007  

12 HOMENS EM FÚRIA:

Título: 12 Angry Men
Realizador: Sidney Lumet
Ano: 1957


Prova cabal de que não é preciso muito dinheiro para fazer um bom filme, mas apenas uma boa ideia, Sidney Lumet estreou-se em 1957 com o clássico 12 Homens Em Fúria, naquele que é, provavelmente, um dos mais baratos filmes de sempre: apenas doze actores e um só cenário, praticamente sem extras.

Os doze homens zangados do título são os membros de um júri, encarregue de decidir o veredicto de um jovem latino, acusado de assassinar o próprio pai. O resultado parece óbvio: todas as provas apontam para a sua culpa, incluindo uma testemunha ocular e duas circunstanciais. No entanto, quando os doze homens vão votar, um deles, o jurado número 8 (Henry Fonda), confessa-se ainda indeciso e decide-se pela inocência. A decisão final tem de ser unânime e por isso os doze homens não podem sair da sala até terem todos a mesma opinião.

O ambiente parece simples: doze homens fechados numa sala, têm que decidir o futuro de um jovem. E o que parece uma simples decisão, tem muito mais implicações, ou naõ estivessem eles a decidir se um jovem de 18 anos deve viver ou morrer. Para além disto, várias conjunções se juntam para formar um cenário difícil: aquele é o dia mais quente do ano e a única ventoinha da sala está escangalhada; um dos jurados, o número 3 (Lee J. Cobb), tem uma questão no seu passado mal resolvida que o fazem ser particularmente teimoso; e o jurado 7 (Jack Warden) tem bilhetes para um jogo de basebol que não quer perder. Por isso, o ambiente começa a tornar-se claustrofóbico e Lumet, inteligentemente, começa a mudar gradualmente de lentes, para ajudar ainda mais.

A mestria de 12 Homens Em Fúria é soberba, começando pelo argumento. Filme de personagens, 12 Homens Em Fúria consegue desenrolar-se numa hora e meia sem interrupções e sem quebras de ritmo sem nunca sair do próprio local. Confinado a quatro paredes, Lumet manipula a personalidade daquelas doze pessoas, com pouco em comum entre si, que tentam chegar a uma conclusão unânime. E o que ao início parecia fácil de tão óbvio que era, começa a tornar-se dúbio à medida que as provas vão sendo reponderadas.

Filme claustrofóbico que redefine o conceito dos filmes de tribunal, 12 Homens Em Fúria tem ainda dois momentos inesquecíveis: o travelling de abertura, ainda fora da sala de decisão onde Lumet fecha o espectador durante todo o filme, fazendo lembrar um Brian de Palma vintage; e o tour de force de Lee J. Cobb, no culminar de toda a intriga.

Verdadeiro clássico e exemplo máximo de cinema, 12 Homens Em Fúria é um Le Big Mac que deve ser tomado em consideração por todos aqueles que insistem em ter Jerry Bruckheimer como ídolo.

Posted by: dermot @ 11:12 da tarde
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OS RENEGADOS DO DIABO:

Título: The Devil's Rejects
Realizador: Rob Zombie
Ano: 2005


Dizem que só que não conhecia o trabalho de Rob Zombie - a música e os telediscos -, é que poderia ficar surpreendido com os seus filmes. Pois eu conhecia o seu trabalho e, mesmo assim, fiquei positivamente surpreendido com A Casa Dos 1000 Cadáveres, devido a uma sólida demência e uma saudável paranóia.

Os Renegados Do Diabo é então a sequela oficial de A Casa Dos 1000 Cadáveres, sequela no sentido que utiliza as mesmas personagens e não no sentido de continuação da história. Aliás, de um filme para o outro existe um salto temporal, que acaba por cortar a relação de um com a de outro. Ou seja, para ver Os Renegados Do Diabo não é necessariamente preciso ver primeiro A Casa Dos 1000 Cadáveres.

Em A Casa Dos 1000 Cadáveres tínhamos então conhecido uma macabra família de psicopatas doentios, cujos nomes foram todos adoptados de personagens de Groucho Marx, que violavam, mutilavam, desmembravam e torturavam toda a gente que ia parar ao seu quintal. Com Os Renegados Do Diabo, a história começa com a polícia a assaltar a casa, com ordem para matar ou prender todos os assassinos, que seriam apelidados pelos media como os Renegados Do Diabo.

O polícia que comanda as operações é o vingativo xerife John Wydell (William Forsythe) e do assalto resulta a fuga de três membros da família: a bela Baby Firefly (Sheri Moon Zombie), o assustadoramente semelhante a Charles Manson, Bill Moseley (Bill Moseley), que chega inclusive a parafrasear o líder da Família - eu sou o Diabo e venho fazer o seu trabalho - e o palhaço Capitão Spaulding (Sid Haig), que se junta aos filhos à posteriori.

Apesar das semelhanças temáticas entre os dois filmes, Os Renegados Do Diabo pouco ou nada deve a A Casa Dos 1000 Cadáveres, formalmente falando. Rob Zombie passa o seu primeiro filme por um filtro, retirando todos os excessos desnecessários: as cores saturadas, os frames alternativos inseridos por cima, os filtros de cores... O resultado é um slasher em movimento, uma versão sulista de Assassinos Natos (com banda-sonora country a condizer), que recupera o espírito dos exploitations dos anos 70, com The Last House On The Left à cabeça.

Não há demência, mas há gore que ganha pontos no realismo. Rob Zombie volta a prestar tributo aos seus filmes favoritos, fazendo um pastiche de referências a filmes de série B e outros símbolos da contra-cultura norte-americana (o já citado Charles Manson, ou o mítico concerto de Altamont, dos Stones). Assim como um Tarantino, mas Rob Zombie faz lembrar muito mais Robert Rodriguez. Para além disso, são ainda recrutados para o elenco verdadeiros mitos do cinema xunga contemporâneo, nomeadamente o lendário Danny Trejo (uma vénia ensaguentada).

Os Renegados Do Diabo é um digno sucessor de A Casa Dos 1000 Cadáveres. Não tão interessante, mas igualmente apelativo. Rob Zombie escorrega apenas quando tenta dar uma maior profundidade ao argumento, ao querer dar o papel de anjo vingador ao xerife Wydell. Os Renegados Do Diabo é um excelente McBacon para estômagos fortes e mentes distorcidas.

E para relembrar A Casa Dos 1000 Cadáveres, nada melhor do que clicar aqui.

Posted by: dermot @ 10:52 da manhã
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domingo, maio 20, 2007  

OS BONS E OS MAUS:

Título: Smokey And The Bandit
Realizador: Hal Needham
Ano: 1977


Um dos valores iconográficos norte-americanos é o alcatrão. Os Estados Unidos são um país enorme (um continente inteiro) e, para eles, viajar é visitar outro estado. As estradas são então pontes que ligam todo o país e assim, as viagens e as vias rápidas que atravessam o deserto, são tudo elementos de um imaginário muito especial dos norte-americanos. Além disso, as estradas sempre foram um sinal de progresso na História dos Estados Unidos, assim como os caminhos-de-ferro o foram num primeiro instante. É por isso que existe um enorme fascínio pelo road-movie.

Este sentimento existe, sobretudo, no Sul dos Estados Unidos, zona onde os desertos são maiores e as metrópoles menores; zona de rednecks, cowboys e sulistas, que falam com sotaques esquisitos, orgulham-se das suas profissões de camionistas, usam camisas de flanela sem mangas e ouvem música country. É a terra de Os Três Duques, O Meu Nome É Earl e, especialmente, deste Os Bons E Os Maus (saudades dos anos 79/80, em que as traduções portuguesas eram igualmente patetas, mas tinham uma imaginação com outro charme).

Nunca ganhou nenhuma distinção, nunca é recordado nos anais do cinema, nem tão-pouco aparece em qualquer lista de melhores filmes. Contudo, Os Bons E Os Maus continua a ser um dos mais emblemáticos filmes da cultura popular norte-americana, com direito a feiras anuais e tudo. Aliás, não nos podemos esquecer que Os Bons E Os Maus foi o segundo filme mais visto nos Estados Unidos em 1977, só batido por Guerra Das Estrelas.

Os Bons E Os Maus consagrou Burt Reynolds como Bandit, um lendário camionista e ás do volante, que aceita uma arriscada aposta: ir buscar ao Arkansas um carregamente ilegal de cerveja em menos de 28 horas. Juntamente com o seu fiél companheiro Snowman (o cantor country Jerry Reed, que também assina a banda-sonora original), Bandit vai iludir a polícia no veloz Pontiac Trans Am, enquanto Snowman faz a viagem tranquilamente no seu camião.

A coisa parecia simples, mas complica-se quando Bandit dá boleia a uma noiva em fuga: Carie (a bela Sally Field) ia-se casar com o ingénuo filho do xerife Buford T. Justice (Jackie Gleason), mas deixou-o plantado no altar. Agora, o xerife vai persegui-los impiedosamente, colocando toda a polícia dos estados vizinhos no seu encalce.

Os Bons E Os Maus é então uma espécie de 60 Segundos versão-redneck: um filme-perseguição de longa duracção em ambiente familiar. Mais do que as personagens de Bandit e Snowman, o filme consagrou, especialmente, o Pontiac Trans Am alterado de Burt Reynolds, tornando-se numa personagem mais importante que o próprio Mustang de Steve McQueen, em Bullit.

Os Bons E Os Maus é então uma série de perseguições a alta velocidade, pelos sítios mais inimagináveis, complementado pelos iconoclastas diálogos em calão pelo rádio entre Bandit e Snowman e pelo comic-relief protagonizado pelas personagens de Jackie Gleason e Mike Henry.

Guilty pleasure assumido, Os Bons E Os Maus é um delicioso McBacon, especialmente para todos aqueles que gostam de carros, música country, camisas de flanela sem mangas e que têm como profissão camionista ou lenhador. Contudo, preferimos esquecer que existem mais duas sequelas...

Posted by: dermot @ 10:32 da manhã
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sábado, maio 19, 2007  

OS CLÃS DA INTRIGA:

Título: Chu Liu Ziang
Realizador: Yuen Chor
Ano: 1977


Durante a batalha final de Os Clãs Da Intriga (sim, porque estes filmes de artes-marciais terminam sempre com uma batalha decisiva entre o herói e o vilão da estória), a bela princesa Yin Chi (Betty Ting Pei), em desespero de causa, arranca literalmente a própria mão do braço(!) e arremessa-a, espetando-a nas costas do vilão, que cai no chão sem vida. É sem dúvida a mais imaginativa cena de sempre de um filme de acção e a melhor cena de sempre do cinema! Royale With Cheese!!

...

Mas pronto, como Os Clãs Da Intriga não se faz só desta cena final, eu vou escrever mais qualquer coisa sobre o filme. No entanto, espero que o primeiro parágrafo já vos tenha entusiasmado o suficiente para irem comprar o DVD à FNAC.

O herói desta história é então o habilidoso espadachim Chu Liu-Hsiang (Lung Ti), uma galã bon-vivant e habilidoso, que vive num luxuoso barco com três bonitas raparigas. Ele chama-as de "estudantes", mas as legendas em inglês do DVD chama-as, pertinentemente, de the babes. A vida corre-lhe bem, entre passeios e jantares ao luar com os amigos, entre eles um espirituoso monge, que costuma passear de barco a tocar música e a citar Confúcio.

Mas algo não está bem no mundo das artes-marciais. Os líderes das três principais guildas da cidade foram assassinados - envenenados pelo conhecido veneno, a Água Mágica, roubado do Palácio Feminino da... Água Mágica. E quem o roubou tentou incriminar Liu-Hsiang. Por isso, a princesa Yin Chi deu-lhe um mês para descobrir o ladrão/assassino, porque senão será ele o condenado.

Ao contrário do que estamos habituados no género, Os Clãs Da Intriga tem muito mais conversa e menos acção. Formalmente, obedece mais aos thrillers de detectives do que aos filmes de artes-marciais - Liu-Hsiang vai embarcar numa empresa à Sherlock Holmes, investigando as pistas deixadas em vários locais, confrontando várias pessoas e tentando revelar aquele intrincado mistério, enquanto um misterioso assassino mascarado tenta silenciar todas as testemunhas.

Em contra-partida, a infra-estrutura do filme já corresponde em absoluto ao que estamos habituados no cinema de Hong Kong dos anos 70. Todas as situações são um bom pretexto para uma luta (não estar satisfeito com o vinho de um restaurante, por exemplo) e todas as pessoas, sejam qual for a sua profissão, são exímios lutadores de artes-marciais. No entanto, é aqui que a porca começa a torcer o rabo: é que as coreografias são fraquinhas, as lutas pouco desenvoltas e os lutadores, apesar do wi-fu, são pouco habilidosos.

Para além da brutal cena final, Os Clãs Da Intriga tem dois pormenores deliciosos: o facto de aparecer sempre uma legenda muito estilosa com o nome das personagens, quando estas são introduzidas pela primeira vez - um apontamento muito pop e experimental -, e a personagem de Ching Lee, que mata automaticamente todos aqueles que lhe chamam de bastard, com um certeiro corte na garganta. Ah, é verdade: e ainda anda por lá a graciosa Nora Miao, que os mais atentos reconhecem dos blockbusters de Bruce Lee.

Os Clãs Da Intriga é um respeitável filme de artes-marciais e o McBacon final não reflete a excelência de uma pessoa arrancar a própria mão e espetá-la nas costas de um malfeitor.

Posted by: dermot @ 6:39 da tarde
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sexta-feira, maio 18, 2007  

UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:

A curta que vos trago aqui hoje tem duas coisas que eu gosto muito. A primeira é Quentin Tarantino, aquele senhor a quem muitos chamam Deus na Terra. Quer dizer, não directamente; mas o filme é sobre ele. A segunda é Seu Jorge, de quem nutro uma especial admiração pelas suas qualidades de músico, particularmente.

E que une Tarantino a Seu Jorge, estão vocês se interrogando. Pois bem, a resposta é O Código Tarantino. E o que é O Código Tarantino? Pois bem é uma curta-metragem brasileira, realizada pelo actor Selton Mello, que consiste num diálogo entre o próprio e Seu Jorge, onde discutem uma teoria sobre os filmes do mestre Quentin Tarantino.

A coisa não é muito sofisticada. É mais coisa de diversão entre amigos, do que de projecto profissional e, ao que consta, será usado no Brasil para passar nos intervalos das salas de cinema. A mim faz-me lembrar algo entre o Kevin Smith e o Jim Jarmusch.

Posted by: dermot @ 12:19 da manhã
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terça-feira, maio 15, 2007  

FUR - UM RETRATO IMAGINÁRIO DE DIANE ARBUS:

Título: Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus
Realizador: Steven Shainberg
Ano: 2006


Diane Arbus é um dos incontornáveis nomes da história da fotografia. Apesar de se ter distinguido pelo seu fascínio por modelos pouco convencionais - para não lhes chamar aberrações -, as suas fotos pouco tinham de sensacionalismo. Aliás, dizer que as fotos de Arbus são sensacionalistas é o mesmo que dizer que Parada De Monstros é um filme sensacionalista. Filmes de artes-marciais com shaolins amputados (Crippled Masters, lembram-se?) e filmes de cowboys com anões (The Terror Of Tiny Town, anyone?) é que são filmes sensacionalistas.

Como o próprio nome indica (e depois uma inscrição inicial sublinha), Fur - Um Retrato Imaginário De Diane Arbus pouco (nada?) deve à biografia da fotógrafa norte-americana, debruçando-se antes sobre o (hipotético) contexto socio-emocional da sua arte. Aliás, a Arbus vistosa encarnada por Nicole Kidman pouco tem a ver com a Arbus real, assim como o glamour do próprio filme pouco tem a ver com o realismo nada sentimental do seu trabalho.

Fur - Um Retrato Imaginário De Diane Arbus cria uma estória sobre as origens do trabalho da fotógrafa. Arbus (Nicole Kidman, claro) é então uma mulher que pouco tem a ver com a vida de dona de casa que leva e com aquele estilo de vida certinho e clássico, as roupas aprumadas e as decorações bonitinhas, que nós agora recuperamos e chamamos de estilo retro. Além do mais, Arbus tem uma espécie de fascínio voyer e exibicionista, principalmente por pessoas diferentes e inadaptadas. Não é então de estranhar que desenvolvesse uma promíscua cumplicidade com o novo vizinho de cima, Lionel (Robert Downey Jr.), um homem com uma doença que lhe faz crescer cabelos em todo o corpo, ficando parecido com o Monstro de A Bela E O Monstro.

Existem homens capazes de mudar uma mulher. Nicole Kidman encontrou um desses: chamava-se Stanley Kubrick. Com a filmagem de De Olhos Bem Fechados, Kidman libertou-se de vez das amarras e transformou-se numa actriz a sério, atingindo a maturidade e deixando de vez o epíteto de actriz promissora. O passo decisivo foi, no entanto, o divórcio com Tom Cruise - notou-se não só na Kidman actriz, mas também na Kidman da vida real. Por isso, podemos começar a encarar a actriz como um caso sério do cinema feminino da actualidade.

Quanto a Fur - Um Retrato Imaginário De Diane Arbus, não sei muito bem o que dizer, uma vez que é um filme... estranho. Estranho na medida em que consegue alternar momentos de extrema falta de interesse com outros de arrebatamento absoluto. Com um argumento muito desiquilibrado - a relação de Arbus com o marido é sempre um esquisso comparada com a relação com Lionel; isto para não falar das suas filhas, que são autênticos objectos estranhos no filme -, Fur - Um Retrato Imaginário De Diane Arbus caminha frequentemente numa linha de picos muito altos e baixos muito fundos.

Picos muito altos são, por exemplo, situações como a que Diane rapa o cabelo a Lionel, fazendo lembrar a força da cena de Maria Falconetti a ter o seu cabelo cortado, em A Paixão De Joana D'Arc, mas multiplicada por dez; e baixos muito fundos é, por exemplo, o final patétitco. Sim, falo da cena na praia, um clichet gigante de tão óbvio que é. Pior só mesmo se acabasse com um freeze...

É verdade que Fur - Um Retrato Imaginário De Diane Arbus se vê bem, mas porque é, sobretudo, um regalo aos olhos - com uma realização depurada e sóbria, Steven Shainberg faz lembrar um Kubrick quando era novo. Mas de resto, mesmo pedindo um Double Cheeseburger, não sei se não deixarei ficar um bocado no prato.

Posted by: dermot @ 11:22 da tarde
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segunda-feira, maio 14, 2007  

INLAND EMPIRE:

Título: INLAND EMPIRE
Realizador: David Lynch
Ano: 2006


Desde que enverdou na sua fase surrealista (esquesita?) que David Lynch se tornou numa espécie de mestre divino, especialmente junto da comunidade cinematográfica dita alternativa (seja isto o que for). Quanto a mim, confesso que no que diz respeito a realizadores surrealistas, apesar de gostar muito do Lynch, quem me tira o Jodorowsky tira-me tudo.

INLAND EMPIRE (assim mesmo, com letra maiúscula, como o realizador gosta de frisar), é uma espécie de filme de uma vida, uma vez que demorou dois anos a fazer. Além do mais, Lynch filmou-o durante muito tempo sem um argumento; ou seja, sabia qual seria a premissa do filme, mas não sabia muito bem o que iria fazer. Filmava por instinto, sempre que encontrava um local que lhe agradasse - é a vantagem de ter como vizinha do lado Laura Dern - Lulaaaaaa - e poder chamá-la sempre que lhe apeteça. Seja como for, este processo de realização adivinha INLAND EMPIRE como o trabalho mais esquisito (surreal?) de Lynch.

Em INLAND EMPIRE (cujo título, pelo menos aparentemente, nada tem a ver com o filme; o realizador disse que apenas gostou da forma como soavam as palavras), David Lynch descobriu ainda o cinema digital. No entanto, descobriu-o através de uma mini-dv de baixa qualidade, o que dá ao filme uma imagem com muito grão e as cores queimadas quando há muita luz. Apesar de Lynch dizer que já não quer mais outra coisa, por favor alguém que lhe meta juízo na cabeça - aquela qualidade de imagem faz-me lembrar as curtas-metragens portuguesas!

Dentro dos admiradores de Lynch, existem três subgrupos - existem os primeiros, que vão para os filmes resignados, de quem não vai entender nada e que se deixam levar pelos estímulos visuais e sonoros; existem os segundos, que vão à procura de um sentido, forjando teorias obscuras com piratas e duendes verdes; e existem os terceiros, mais pragmáticos, que acreditam que Lynch não pode ser assim tão esquisito quanto aparenta e ter uma vida social, pelo que conseguem encontrar um sentido nas suas histórias que depois são distorcidas e adulteradas.

Eu pertenço ao terceiro grupo e, não sei se estou certo ou errado, o que é certo é que achei um fio condutor em INLAND EMPIRE mais ou menos razoável. O filme é então a história de uma actriz, Nikki Grace (Laura Dern a actuar a solo, num tour de force admirável), que consegue o papel principal num remake de um filme polaco amaldiçoado, ao lado do galã Devon Berk (Justin Theroux). Mas durante a rodagem do filme, Nikki vai transformar-se na própria personagem e viver uma vida paralela, com um pé no mundo real e outro na própria maldição.

INLAND EMPIRE é feito em várias camadas, cada uma resultante de uma diferente realidade, que depois são sobrepostas, sem qualquer ordem temporal ou espacial - tanto pode ser ontem como amanhã, o que nos obriga a estar concentrados ao máximo, tentando descortinar onde já ouvimos aquelas palavras antes; a única coisa em comum que as liga são pequenos objectos simbólicos, como uma chave-de-fendas, a palavra "axxion" ("action" escrito em linguagem de pita), ou ao quarto 47.

Lynch faz aqui uma mescla de elementos que já usara nos seus filmes anteriores, nomeadamente Estrada Perdida e Mulholland Drive, a saber: a temática da duplicidade (Laura Dern e Karolina Gruszka acabam por ser a mesma pessoa, como em Estrada Perdida); os coelhos de Rabbits; ou a personificação da consciência da personagem, aqui através de um quarto cheio de belas raparigas, quando em Mulholland Drive era um casal de velhotes a passar por debaixo da porta. Referência apenas para a forma única como Lynch aborda o tema da duplicidade - única pessoa que temos a certeza que nunca iremos encontrar somos nós próprios. Por isso, podemos imaginar o choque que seria se nos víssemos. É por isso que esta temática tanta curiosidade tem levantado ao longo dos anos no cinema, mas nunca ninguém a tratou como trata Lynch - de forma sensorial.

INLAND EMPIRE é desnecessariamente longo e a primeira parte é extremamente aborrecida, o que é logo um ponto a menos no filme - apesar das situações perturbadoras, o filme não encontra o ponto de fusão ideal como em Estrada Perdida, por exemplo. E a má qualidade de imagem também não fascina visualmente como Mulholland Drive. Além disso, apesar de perceber que Lynch esteja fascinado com o digital e as texturas deste (e, consequentemente, com os zooms estupidamente recorrentes), existem cenas bastante amadoras, que não têm piada nenhuma. Contudo, INLAND EMPIRE consegue ser ainda bastante interessante, bem mais do que me parecia que iria ser no início do filme.

Se você é um dos admiradores incondicionais de David Lynch, então certamente que não passará fome com um McBacon. No entanto, se o for ver apenas por militância, lembre-se que Lynch apenas é Deus no seu mundo muito particular. E agora, antes de ir, deixo-vos com a minha interpretação do filme, para o caso de a alguém a querer discutir comigo. Deixem-me só ligar o spoilers alert:

****SPOILERS ALERT****
Laura Dern é então Nikki, a actriz que vai fazer um remake de um filme polaco amaldiçoado, onde os protagonistas foram assassinados. A velha que a visita no início vem avisa-la dessa maldição, conta-lhe o assassinato (às 9.45, como vemos reconstruído mais tarde) e diz-lhe que vai envolver-se numa coisa estranha. Tudo por metáforas, obviamente. Depois, Laura Dern começa a envolver-se com o galã do filme e a história da sua vida real começa a confundir-se com a própria história do filme. E por isso, Laura Dern vai tornar-se Susan Blue, a personagem do filme. E é nesta condição que Laura Dern terá que quebrar a maldição, soltando assim a jovem polaca que não é mais do que a projecção dela própria. É por isso que esta também tem a ferida da chave-de-fendas e é por isso que quando se beijam, ela desaparece. Quanto à cena em que Laura Dern relata uns assassinatos macabros a um detetcive ou aquela em que ela morre junto aos sem-abrigo, é apenas cenas do filme - tal como em todas as cenas em que ela tem a cara escalavrada. Depois no fim, a canção dos créditos, é apenas eles a divertirem-se.
Não sei se consegui fazer-me entender em algum ponto, mas pronto, foi a minha intepretação.
****END OF SPOILERS ALERT****




Alguém descreveu certo dia Mulholland Drive como uma experiência de David Lynch em que ele partiu o tubo de ensaio. Em INLAND EMPIRE, Lynch atirou o material do laboratório todo pela janela!

Posted by: dermot @ 10:31 da manhã
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sábado, maio 12, 2007  

DIE YOU ZOMBIE BASTARDS!

Título: Die You Zombie Bastards!
Realizador: Caleb Emerson
Ano: 2001


Não sei muito bem o que escrever sobre Die You Zombie Bastards!. Vou tentar, talvez, começar pelo óbvio: Die You Zombie Bastards! é o regresso ao espírito do cinema de série B (ou Z?) no seu estado mais puro de entretenimento, relembrando os bons velhos tempos da mítica Troma (não é por acaso que o próprio Lloyd Kaufman tem direito a um pequeno cameo).

Segundo o próprio autor, Caleb Emerson, Die You Zombie Bastards! é o primeiro filme de serial-killers-super-heróis-rock-and-roll-zombies-road-movie-romance(!) de sempre, seja isto o que for. Se esta descrição já é apetecível, o que dizer então quando descobrimos que o filme conta ainda com a participação da mítica lenda do rockabilly Hasil Adkins, o primeiro one-man band do mundo, no papel de si mesmo (vénias intermináveis com saída encarpada à rectaguarda), e com Jamie Gillis, a ex-estrela porno masculina dos anos 80 (eu não sabia esta, foi um amigo que me contou...).

Die You Zombie Bastards! mantém-se então fiél à descrição: sob a aura de filme de série B de baixo orçamento, é uma mistura de todos os géneros cinematográficos, sempre num ambiente de grande descontração, como quem não se leva a sério. Die You Zombie Bastards! é uma mistura de Ninja Das Caldas com Festival Rocky De Horror - mas mais sofisticado que o primeiro e (muito) mais demente que o segundo.

Tentando explicar a estória num parágrafo, dá mais ou menos assim: Red (Tim Gerstmar) é um serial-killer(!) apaixonado perdidamente pela bela Violet (Pippi Zornoza). Contudo, quando esta é raptada pelo maquiavélico Barão Nefarious (Geoff Mosher), um vilão que quer zombificar todo o Mundo com a sua engenhosa invenção, o Enormo Zombatron, Red vai transformar-se num super-herói, com uma capa feita de carne humana e um pénis artifical(!), e vai empreender uma jornada épica até salvar a sua amada. Pelo meio existem monstros marinhos - o terrível Tipo-Anfíbio -, serial-killers com cara de coco, zombies, ninjas, robots, ferozes mulheres-cão, Vlad, O Empalador, Hasil Adkins, fantasmas e muita pele à mostra. Só faltaram mesmo os piratas, mas nós compreendemos a situação.

Com alto teor sexual, Die You Zombie Bastards! segue a máxima xunga de que qualquer altura é uma boa altura para mostrar umas mamas. Por isso, sempre que o filme ameaça ter algum período de menor exaltação, surgem algumas senhoras bem-parecidas e bem-dotadas que se despem por qualquer pretexto mínimo. Por exemplo, imaginem duas arqueólogas a trabalhar; diz a primeira Está tanto calor aqui ao que responde a segunda Pois é, vamos tirar as nossas roupas. Porque não pode a vida real ser assim?

No entanto, o grande trunfo de Die You Zombie Bastards! é o seu estilo de humor com que envolve toda esta caldeirada, muito próximo do ZAZ style, com piadas tão nonsense que fazem lembrar o melhor de Aeroplano ou Onde Pára A Polícia. Além disso, há o pormenor de Portugal ser muito bem tratada pelo filme, uma vez que é mostrada como se ocupasse toda a Península Ibérica. Assim é que é Caleb Emerson!

O seu único problema é mesmo a pouca atenção que dá ao rock'n'roll, ainda por cima quando o próprio filme tanto se gaba disso (e basta ouvir a fantástica banda-sonora, com 19(!) theme songs do melhor garage-rock obscuro que se conhece). No entanto, no próprio filme, o rock'n'roll são apenas pequenos apontamentos.

Die You Zombie Bastards! é o filme perfeito para se ver com os amigos num sábado à noite, com uma grade de cerveja e uns McRoyal Deluxes à descrição. Mas se não está habituado a este tipo de junk-food, então cuidado para não vos provocar uma forte indigestão.

Posted by: dermot @ 1:31 da tarde
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quinta-feira, maio 10, 2007  

CLUBE DE COMBATE:

Título: Fight Club
Realizador: David Fincher
Ano: 1999


Ter três obras-primas absolutas numa filmografia de apenas cinco filmes não é para todos; apenas para almas iluminadas como a de David Fincher. Assim, e visto que se aproxima a data de estreia do seu novo trabalho, Zodíaco, nada melhor do que recordar uma delas: Clube de Combate.

Primeira regra do Clube de Combate é não falar do Clube de Combate.
Podia ter acabado esta prosa no ponto final anterior e fechava este texto de forma espirituosa. No entanto, como também não gosto de ser condescendente em demasia para com as regras impostas pela sociedade, vou quebrar esta norma e falar do Clube De Combate.

Chuck Palahniuk, o autor do romance homónimo onde o livro se baseia, é também um tipo habituado a royales with cheeses (que é como quem diz, habituado a escrever livros do caraças!). Clube De Combate projecta em imagens, de forma perfeita, todo o ambiente, o espírito e a essência da obra de Palahniuk: um thriller urbano, que condena a superficialidade e futilidade do estilo de vida moderno.

Em Clube De Combate esse espírito é encarnado e personificado por Jack, ou simplesmente, o Narrador (Edward Norton): um executivo consumista, capitalista e, consequentemente, fútil e condescendente para com a vida. Cansado com a rotina e o quotidiano insignificante, Jack vai encontrar um escape perfeito: os clubes anónimos, dos alcóolicos aos cancerígenos. Em Colisão, é dito que em Los Angeles as pessoas têm acidentes de viação para compensarem a falta de contacto humano no seu dia-a-dia; aqui, em Clube De Combate, Jack encontra esse apoio e essa indivudalidade nesses tais grupos anónimos.

Mas há outro penetra nessas reuniões anónimas: chama-se Marla Singer (genial Helena Bonham Carter, numa decadência romântica) e vai atrapalhar o escape de Jack, porque não consegue exprimir-se junto a outro impostor. Marla é então o pior que lhe podia acontecer - se eu tivesse um tumor chamar-lhe-ia Marla - e vai despoletar na sua vida um turbilhão de acontecimentos, até à catarse e ao twist final: vai conhecer Tyler Durden (Brad Pitt), que é tudo aquilo que sempre quis ser e não consegue, e, juntos, vão formar o seu próprio clube anónimo, o Clube de Combate - um sítio que serve para descarregar frustrações, mas que também serve de base da maior revolução que jamais se imaginou.

Ao contrário da sua outra obra-prima, O Jogo, cujo impacto da primeira visualização é ímpar e nunca mais conseguímos repeti-lo, o impacto do twist final de Clube De Combate, apesar do efeito tão ou mais forte, não se desvanece pela primeira vez. Antes pelo contrário, porque tal como em O Sexto Sentido, também aqui uma segunda visualização possibilita descobrir deliciosos pormenores visuais ou de argumento que explicam muita coisa.

Clube De Combate é um filme completo e total: excelente argumento, com uma crítica social cáustica - Clube De Combate está para os anos 90 )and so on) como 1984 estava para a Guerra Fria -, fantásticas interpretações, história entretida e, depois, o compromisso do realizador nos pequenos pormenores, que fazem toda a diferença num filme, levando-o para um outro patamar de galvanização. Em Clube De Combate, David Fincher dá-se ao trabalho de inserir frames escondidos, que passam subliminarmente a mensagem do filme, e termina com uma cena inesquecível, ao som de Where Is My Mind dos Pixeis, num final que o próprio Chuck Palahniuk considerou melhor que o do seu livro.

Claro que Clube De Combate é um Royale With Cheese, do melhor que já se viu: hamburga bem passado, alface fresca, tomate saboroso e batata-frita sem muito sal, porque faz mal ao colestrol.

Posted by: dermot @ 6:38 da tarde
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terça-feira, maio 08, 2007  

CHINATOWN:

Título: Chinatown
Realizador: Roman Polanski
Ano: 1974


Capricho do destino ou simples coincidência, o que é certo é que Chinatown, o último filme realizado por Roman Polanski (realizador muito venerado pelo vosso humilde escriba) em solo americano, foi uma homenagem a um dos géneros que mais escola fez em Hollywood: o film-noir.

De facto, Chinatown é o melhor exemplo do que foi e deve ser o neo-noir: filmes que apesar da cor conseguem manter a atmosfera pretp-e-branco do cinema noir, mantendo o estilo sem ser necessário recorrer à linguagem obscena ou ao sexo mais gráfico. Além disso, Polanski ainda inova em algumas particularidades, como o facto de dispensar o narrador, o que dá a nós, espectadores, a possibilidade de irmos avançando no filme ao mesmo tempo que o seu protagonista.

E o protagonista é Jake Gittes (Jack Nicholson), um ex-polícia de Chinatown e actual detective privado, que ganha a vida a desmascarar casos de infidelidade conjugal. No entanto, quando uma falsa esposa o contrata para desmascarar um alegado caso do poderoso Hollis Mulwray (Darrell Zwerling), o milionário presidente da Companhia Hidráulica de Los Angeles, Jake vai envolver-se numa complexa conspiração que envolve especulação imobiliária e tráfico de água numa Los Angeles em seca.

Chinatown é, provavelmente, o filme mais bem escrito de sempre a seguir a O Padrinho. E curiosamente, também era para ter sido a primeira parte de uma triologia (da qual, só o segundo tomo chegou a ser realizado, pelo próprio Jack Nicholson, em 1990 - o dispensável O Caso Da Mulher Infiél). Apesar da intriga complexa e intrincada, que se emaranha mais sempre que a estamos quase a conseguir desatar, Chinatown é um filme relativamente fácil de seguir e acompanhar. No entanto, a segunda visualização ganha sempre pontos.

Outra das características marcantes de Chinatown é a sua atmosfera depressiva e trágica - as personagens, apesar de atravessarem vários estados emocionais, são sempre figuras infelizes. Resultado de terem todos um passado censurável e escondido, outra das marcas do film-noir.

Jack Nicholson tinha aqui a sua melhor fase e, por isso, não teve dificuldade em carregar nos próprios ombos todo o filme, mesmo passando grande parte do tempo com um enorme penso que lhe cobria o nariz e parte da cara - uma opção arrojada de Polanski em desfigurar o seu protagonista, o próprio galã do filme. Também o próprio realizador, apesar da fase pessoal desanimadora que vivia (o célebre assassinato da sua esposa às mãos da perigosa seita de Charles Manson), atravessava a fase mais fértil da sua filmografia, preparando-se para fechar com chave de ouro a sua triologia dos apartamentos. E a bela Faye Dunaway, um dos principais rostos femininos do novo cinema americano da década de 70, depois de ter sido a perigosa Bonnie Parker em Bonnie & Clyde, era a melhor femme fatale possível para o filme.

Não é por acaso que dizem que os anos 70 foram a melhor década da história do cinema. Foram filmes como Chinatown que deram o bom nome aos McRoyal Deluxes.

Posted by: dermot @ 3:03 da tarde
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segunda-feira, maio 07, 2007  

A MALDIÇÃO DA FLOR DOURADA:

Título: Man Cheng Jin Dai Huang Jin Jia
Realizador: Yimou Zhang
Ano: 2006


Depois de Ang Lee ter aberto em definitivo as portas do Ocidente para o cinema oriental, com o célebre O Tigre E O Dragão, Yimou Zhang avançou de rompante por ali adentro, conquistando tudo e todos, ao redefinir todas as concepções de wi-fu, artes-marciais e opulência visual.

Depois da obra-prima O Herói e de O Segredo Dos Punhais Voadores, A Maldição Da Flor Dourada é o terceiro filme do realizador chinês a ter distribuição internacional maciça. E como os anteriores, as características autorais de Yimou Zhang voltam a estar presentes.

Esqueçam toda a opulência barroca dos filmes anteriores - A Maldição Da Flor Dourada, adaptado de um dos mais conceituados romances da literatura chinesa do século XX, The Thunder Storm, é uma tragédia embrulhada num enorme exagero rocócó, que faz todas as hipérboles serem insuficientes para descrever todo o colorido e o glamour do filme. Todos os cenários são gigantes, todos os movimentos são coreografados com uma enorme teatralidade, todo o guarda-roupa é prendado com lantejoulas e berlicoques e a música clássica da banda-sonora impõe-se com grande autoridade - A Maldição Da Flor Dourada é um rebuçado para os olhos.

Mais do que uma tragédia grega, A Maldição Da Flor Dourada é uma tragédia shakespereana que faz lembrar uma outra adaptação - a obra-prima de Kurosawa, Ran - Os Senhores Da Guerra. Curiosamente, o esquema formal do filme faz, no entanto, lembrar a clássica tradição teatral inglesa do "whodunnit": no palácio do imperador Ping (Yun-Fat Chow), onde todos têm segredos escondidos, preparam-se terríveis conspirações, praticam-se censuráveis incestos e planeiam-se macabros envenenamentos. O pior é que todas as paredes têm ouvidos. E por isso, o final da estória não é mais do que uma tragédia há muito anunciada.

Não existe então um crime como nos "whodunnit", mas sabemos que vai acontecer um. E a há medida que o tempo passa, o suspense aumenta e a asfixia começa a apertar-nos o coração, até ao clímax final: uma assombrosa batalha com milhares de guerreiros. Estão a ver 300? Agora imaginem que se chamava 30000. Ou 300000! E esqueçam todas aquelas coreografias - A Maldição Da Flor Dourada está muito mais à frente, num outro nível.

A Maldição Da Flor Dourada volta a estar muito perto da perfeição, apesar das muitas críticas negativas que o têm assolado. Acusam-no de ser um filme fútil e superficial; pois as pessoas que teimam em vê-lo como um épico histórico em vez de uma ópera trágica, devem ser as mesmas que vêm 300 como um manifesto pró-Bush em vez de entretenimento gráfico explícito. Claro que o Royale With Cheese não é para essas pessoas.

Posted by: dermot @ 11:22 da tarde
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domingo, maio 06, 2007  

O GRANDE ATAQUE AO COMBOIO DO OURO:

Título: The First Great Train Robbery
Realizador: Michael Crichton
Ano: 1979


Em 1963, foi roubado de um comboio-correio em pleno andamento, a incrível quantia de 2,3 milhões de libras, em Buckinghamshire, Inglaterra. O caso correu mundo e o facto de o dinheiro nunca ter sido recuperado contribuiu ainda mais para que se tornasse uma lenda. A imprensa chamou-lhe the great train robbery, que em português é mais ou menos qualquer coisa como o grande assalto a um comboio. No entanto, este é mais um daqueles erros históricos que por força de tanto ser dito acaba por se tornar verdade. É que há mais de um século atrás já tinha havido um outro grande assalto a um comboio. Fora em 1855 e foi esse episódio que o reputado autor Michael Crichton decidiu perpetuar, primeiro em romance e depois em filme, com o pertinentemente entitulado O Grande Ataque Ao Comboio Do Ouro.

O Grande Ataque Ao Comboio Do Ouro é então um heist movie ambientado na Inglaterra victoriana, mas longe da rigidez e do protocolo dos semelhantes filmes de época. O Grande Ataque Ao Comboio Do Ouro deve muito mais aos heist movies clássicos, assemelhando-se até a um rip-off de Os Onze De Oceano, pelo estilo e descontração que aparenta.

O filme narra então a história de uma tríade de bandidos que planeia o maior roubo da história - o assalto a um comboio, em pleno andamento, que carrega uma soma considerável de ouro para a Crimeia, na Rússia. Algo que nunca fora feito e que era, à primeira vista, impossível. Mas claro que para patifes sofisticados como Edward Pierce (irrepreensível Sean Connery, que na altura tentava desesperadamente soltar-se da personagem de James Bond; tão desesperadamente, que até fez uma coisa como Zardoz), Robert Agar (magistral Donald Sutherland, com um delicioso sotaque rural) e Miriam (a bela e talentosa Lesley-Anne Down) não existe tal coisa como impossível.

No entanto, o assalto ao comboio implica primeiro um grande trabalho de bastidores. É necessário roubar quatro chaves e, por isso, durante a primeira metade do filme, vai ser necessário seduzir a filha solteirona do dono do banco (onde surge um dos mais brilhantes diálogos do filme, numa analogia erótica dissimulada e divertida), escalar edifícios altíssimos apenas com as próprias mãos, ou forjar encontros incógnitos com meretrizes francesas.

O Grande Ataque Ao Comboio Do Ouro deve, na verdade, muito mais a Ocean's Eleven - Façam As Vossas Apostas do que ao original Os Onze Do Oceano, pela sua natureza mais "malandra". O Grande Ataque Ao Comboio Do Ouro pode não ter a música de Elvis Presley para dar estilo, mas em compensação tem o Elvis das bandas-sonoras, Jerry Goldsmith, a assinar a partitura sonora; pode não ter a sofisticada Julia Roberts a dar glamour à estória, mas em contrapartida tem a bela Lesley-Anne Down a derramar sensualidade; e pode não ter o charme de George Clooney, mas tem o original - Sean Connery.

Para além de divertido e um excelente entretenimento, O Grande Ataque Ao Comboio Do Ouro conta ainda com uma magnífica fotografia e uma irrepreensível reconstituição da Inglaterra victoriana, ou não fosse Michael Crichton um autor meticuloso e perfeccionista. E depois, tem um dos melhores assaltos da história dos heist movies, com o próprio Sean Connery a executar os seus próprios números arriscados, deslizando radicalmente pelo cimo das carruagens de um comboio em alta velocidade, escapando por um triz (e por mais do que uma vez) a ser decapitado pelas pontes e túneis.

O Grande Ataque Ao Comboio Do Ouro é, injustamente, um dos grandes filmes esquecidos de Sean Connery e chega mesmo a ser um excelente Le Big Mac, com estilo e conteúdo. É certo que tem um final de aventura um pouco murcho, mas se pensarem bem, na época em que a estória se passa, até faz sentido.

Posted by: dermot @ 10:30 da tarde
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terça-feira, maio 01, 2007  

NICO: À MARGEM DA LEI:

Título: Above The Law
Realizador: Andrew Davis
Ano: 1988


De todos os action heroes que fizeram as delícias da nossa adolescência, Steven Seagal foi, sem dúvida, o mais particular deles todos. Seagal tem um estilo muito próprio: pode não ser muito vistoso e bem parecido como Van Damme, mas é mestre em aikido e luta como o caraças, despachando bandidos atrás de bandidos sem nunca, repito, nunca, desmanchar o seu bem penteado rabo-de-cavalo; e pode não ter a potência de Bruce Lee, mas é tão eficaz quanto este.

Tal como os seus companheiros de chunguice, Van Damme e Chuck Norris, Steven Seagal só fez um filme em toda a sua vida. Depois, no resto da carreira, limitou-se a reciclar essa fórmula vezes sem conta e de todas as maneiras possíveis, construindo um culto de action hero invencível à sua volta. Nico: À Margem Da Lei foi esse filme, na altura em que ainda não tinha rabo-de-cavalo e, pasme-se, estava magro. Aliás, existe mesmo uma cena em que Steven Seagal corre.

Steven Seagal é então Nico Toscani, o tipo de herói que os americanos tanto gostam - filho de emigrantes italianos, Nico chegou aos Estados Unidos ainda a tempo de se tornar num patriota ferrenho. Tão ferrenho que trocou um futuro brilhante no Oriente como mestre de artes marciais por um trabalho na CIA. No entanto, aquela coisa da honra que as famílias italianas tanto apregoam nos filmes sobre a mafia vão faze-lo desistir, depois de descobrir alguns negócios sujos da CIA.

Nico é então, actualmente, agente da polícia. Uma então desconhecida Sharon Stone é a sua esposa e Delores Jacks (uma pobre Pam Grier, que andava perdida em papéis menores) é a sua parceira. No entanto, o buddy movie só funciona quando Steven Seagal tem para mandar umas piadas giras. De resto, Pam Grier está sempre ausente. E a única vez que se envolve numa sequência de acção, leva um tiro no peito. Poderia chamar Andrew Davis de machista, mas não nos podemos esquecer que isto é chunguice de alta qualidade.

Nico: À Margem Da Lei é então o reencontro entre Nico e os negócios obscuros dos seus antigos companheiros da CIA. Só que desta vez, este vai fazer tudo para pará-los, mesmo que para isso tenha que quebrar todas as regras e faze-lo à sua maneira.

O problema de Nico: À Margem Da Lei é o argumento muito pouco imaginativo. Ou então é demasiado imaginativo, conforme o ponto de vista. É que Nico sai à rua e vai à Igreja: rebenta uma bomba e matam o padre. Vai investigar o caso. Depois, vai baptizar a filha e descobre que a sua sobrinha fugiu com um italiano cocaínomano. Vai busca-la e investiga o caso. No final, são todos o mesmo caso. Qual é a probabilidade de isto acontecer, mesmo que seja num filme chunga?

O outro problema do filme são as cenas de acção pouco excitantes, que se limitam a seguir a cartilha do agora disparas tu, agora disparo eu. Filmes em que nunca acabam as munições têm a obrigação de esgalhar muito melhor as suas sequências de acção. Felizmente que depois há Steven Seagal a despachar bandidos com as próprias mãos como se não houvesse amanhã. E a sua personagem é mesmo o melhor do filme: Nico é um filho-da-mãe duro e obstinado, que não se importa de matar os malfeitores com as próprias mãos e a sangue-frio. E deviam vê-lo a partir ossos perto do final...

Nico: À Margem Da Lei é o melhor filme de Seagal (leia-se o menos mau), mas, infelizmente, não chega a ser um bom mau filme. Anda ali pelas margens do Double Cheeseburger, que, como sabem, num filme do Steven Seagal ganha um outro sabor.

Posted by: dermot @ 6:16 da tarde
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8 BLOGUES, 5 FILMES, 1 REALIZADOR:

Como o título indica, este mês existem novidades na excelente iniciativa que junta o Royale With Cheese a mais outros sete cineblogues nacionais. Agora, depois da sugestão do grande Knoxville, para além das classificações às estreias do mês, há também a eleição do melhor filme de um realizador em destaque. Para começar, o escolhido foi (argh) Joel Schumacher.
Para conferir no excelso antro cinéfilo do não menos excelso senhor Knoxville.

Posted by: dermot @ 12:26 da tarde
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COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga

TAKE:
Take - cinema magazine | take.com.pt


ARE YOU TALKING TO ME:
DUELO AO SOL
CLARENCE HAD A LITTLE LAMB
GONN1000
BITAITES
ANTESTREIA
CINEBLOG
CINEMA NOTEBOOK
CONTRA CAMPO
ZONA NEGRA
O MELHOR BLOG DO UNIVERSO
A CAUSA DAS COISAS
O MEU PIU PIU
AMARCORD
LAURO ANTÓNIO APRESENTA
SARICES ARTÍSTICAS
A RAZÃO TEM SEMPRE CLIENTE
MIL E UM FILMES
AS IMAGENS PRIMEIRO
A DUPLA PERSONALIDADE
TRASH CINEMA TRASH
SUNSET BOULEVARD
CINEMA XUNGA


ARE YOU TALKIN' TO ME?
cinephilus@mail.pt


CRÍTICAS:
- A Armadilha
- A Arte De Pensar Negativamente
- A Árvore Da Vida
- A Balada de Jack And Rose
- A Bela E O Paparazzo
- A Boda
- À Boleia Pela Galáxia
- A Cabana Do Medo
- A Cela
- A Canção De Lisboa
- A Cara Que Mereces
- A Casa Dos 1000 Cadáveres
- A Casa Maldita
- A Cidade Dos Malditos
- A Ciência Dos Sonhos
- A Comunidade
- A Cor Do Dinheiro
- A Costa Dos Murmúrios
- A Criança
- A Dália Negra
- A Dama De Honor
- A Descida
- A Duquesa
- À Dúzia É Mais Barato
- A Encruzilhada
- A Estrada
- A Estranha Em Mim
- A Frieza Da Luz
- A Fúria Do Dragão
- A História De Uma Abelha
- A Honra Da Família
- A Janela (Maryalva Mix)
- A Lagoa Azul
- A Lenda Da Floresta
- A Liga Dos Cavalheiros Extraordinários
- A Lista De Schindler
- A Lojinha Dos Horrores
- A Mais Louca Odisseia No Espaço
- A Maldição Da Flor Dourada
- A Mansão
- A Maravilhosa Aventura De Charlie
- A Marcha Dos Pinguins
- A Máscara
- A Máscara De Cristal
- A Menina Jagoda No Supermercado
- A Minha Bela Lavandaria
- A Minha Vida Sem Mim
- A Morte Do Senhor Lazarescu
- A Mosca
- A Mulher Do Astronauta
- A Mulher Que Viveu Duas Vezes
- A Múmia
- A Noiva Cadáver
- A Noiva Estava De Luto
- A Origem
- A Outra Margem
- A Paixão De Cristo
- A Pele Onde Eu Vivo
- A Pequena Loja Dos Horrores
- A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio
- A Presa
- À Procura Da Terra Do Nunca
- A Promessa
- À Prova De Morte
- A Rainha
- A Rai­nha Africana
- A Raiz Do Medo
- A Rapariga Santa
- A Rede Social
- A Religiosa Portuguesa
- A Ressaca
- A Residencial Espanhola
- A Sangue Frio
- A Secretária
- A Semente Do Diabo
- A Senhora Da Água
- A Severa
- A Sombra Do Caçador
- A Sombra Do Samurai
- A Tempestade No Meu Coração
- A Tempo E Horas
- A Torre Do Inferno
- A Turma
- A Última Famel
- A Última Tentação De Cristo
- A Valsa Com Bashir
- A Verdadeira História De Jack, O Estripador
- A Viagem De Chihiro
- A Viagem De Iszka
- A Vida De Brian
- A Vida É Um Jogo
- A Vida É Um Milagre
- A Vida Em Directo
- A Vida Secreta Das Palavras
- A Vila
- A Vítima Do Medo
- A Vizinha Do Lado
- A Volta Ao Mundo Em 80 Dias
- Aberto Até De Madrugada
- Abraços Desfeitos
- Acção Total
- Aconteceu No Oeste
- Across The Universe
- Actividade Paranormal
- Acusado
- Adam Renascido
- Admitido
- Adriana
- Aelita
- Ágora
- Água Aos Elefantes
- Air Guitar Nation
- Albert, O Gordo
- Aldeia Da Roupa Branca
- Alice
- Alice In Acidland
- Alice No País Das Maravilhas
- Alien - O Oitavo Passageiro
- Aliens - O Reencontro Final
- Alien - A Desforra
- Alien - O Regresso
- Alien Vs. Predador
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- Alma Em Paz
- Almoço De 15 De Agosto
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- Antes Do Anoitecer
- Antes Que O Diabo Saiba Que Morreste
- Anticristo
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- Anytinhig Else - A Vida E Tudo Mais
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- Arséne Lupin - O Ladrão Sedutor
- As Asas Do Desejo
- As Aventuras De Jack Burton Nas Garras Do Mandarim
- As Aventuras De Tintim - O Segredo Do Licorne
- As Aventuras Do Príncipe Achmed
- As Bandeiras Dos Nossos Pais
- As Bonecas Russas
- As Canções De Amor
- As Crónicas De Narnia - O Leão, A Feiticeira E O Guarda-Roupa
- As Diabólicas
- As Ervas Daninhas
- As Invasões Bárbaras
- As Lágrimas Do Tigre Negro
- As Leis Da Atracção
- As Noites Loucas Do Dr. Jerryll
- As Penas Do Desejo
- As Tartarugas Também Voam
- As Vidas Dos Outros
- Aberto Até De Madrugada
- Assalto À Esquadra 13 (1976)
- Assalto À Esquadra 13 (2005)
- Assalto Ao Santa Maria
- Assassinos Natos
- Ata-me
- Até Ao Inferno
- Até Ao Limite Do Terror
- Atraídos Pelo Crime
- Através Da Noite
- Attack Of The 50 Foot Woman
- Aurora
- Austrália
- Autocarro 174
- Avatar
- Aviva, Meu Amor
- Aztec Rex
- Azul Metálico

- Babel
- Backbeat, Geração Inquieta
- Balas E Bolinhos - O Regresso
- Balbúrdia No Oeste
- Bando À Parte
- Baraka
- Barbarella
- Barreira Invisí­vel
- Batman
- Batman Regressa
- Batman - O Início
- Be Cool
- Beijing Bastards
- Belleville Rendez-Vouz
- Bem-vindo À Zombieland
- Bem-vindo Ao Norte
- Berlin 36
- Birth - O Mistério
- Biutiful
- Black Sheep
- Black Snake Moan - A Redenção
- Blade Runner - Perigo Iminente
- Blueberry
- Boa Noite E Boa Sorte
- Bobby Darin - O Amor É Eterno
- Body Rice
- Bombom
- Bom Dia Noite
- Bom Dia Vietnam
- Bonnie E Clyde
- Boogie Nights
- Borat
- Brasil - O Outro Lado Do Sonho
- Breakfast On Pluto
- Brincadeiras Perigosas (2007)
- Brisa De Mudança
- Bronson
- Bruce, O Todo-poderoso
- Bruiser - O Rosto Da Vingança
- Bruno
- Buffalo 66
- Bubba Ho-Tep
- Bullit
- Bunker Palace Hotel
- Buried
- Busca Implacável
- Bz, Viagem Alucinante

- Cadillac Records
- Cães Danados
- Cães De Palha
- Café E Cigarros
- Call Girl
- Camino
- Capitão Alatriste
- Capitão América - O Primeiro Vingador
- Capote
- Carrie
- Cartas Ao Padre Jacob
- Cartas De Iwo Jima
- Casa De Loucos
- Casablanca
- Casino Royale
- Catwoman
- Cavalo De Guerra
- Cemitério Vivo
- Censurado
- Centurion
- Charlie E A Fábrica De Chocolate
- Che - Guerrilha
- Che - O Argentino
- Chemical Wedding
- Chéri
- Chinatown
- Chocolate
- Choke - Asfixia
- Chovem Almôndegas
- Christine - O Carro Assassino
- Cidade Fria
- Cinco Dias, Cinco Noites
- Cinema Paraíso
- Cinerama
- Cisne Negro
- Clube De Combate
- Coco Avant Chanel
- Coisa Ruim
- Cold Mountain
- Cold Weather
- Colete De Forças
- Colisão
- Com Outra? Nem Morta!
- Comboios Rigorosamente Vigiados
- Comer Orar Amar
- Complexo - Universo Paralelo
- Conan, O Bárbaro
- Contrato
- Control
- Controle
- Coração De Cavaleiro
- Coração De Gelo
- Coração Selvagem
- Corações De Aço
- Coragem De Mãe: Confrontando O Autismo
- Corre Lola Corre
- Correio De Risco
- Correio De Risco 3
- Corrida Contra O Futuro
- Corrupção
- Cozinhando A História
- Crank - Veneno No Sangue
- Crank - Alta Voltagem
- Cremaster
- Crime Ferpeito
- Crippled Masters
- Cristóvão Colombo - O Enigma
- Crónica Dos Bons Malandros
- Crueldade Intolerável
- Cubo
- Culture Boy
- Cypher
- Cyrano de Bergerac (1950)

- Daisy Town
- Dallas
- Danny The Dog - Força Destruidora
- Daqui P'ra Frente
- Dark City - Cidade Misteriosa
- De Cabeça Para Baixo
- De Homem Para Homem
- De Olhos Abertos
- De Olhos Bem Fechados
- De Sepultura Em Sepultura
- De Tanto Bater O Meu Coração Parou
- De-Lovely
- Delhi Belly
- Dead Snow
- Death Race 2000
- Deixa-me Entrar
- Delicatessen
- Demolidor - O Homem Sem Medo
- Dentro Da Garganta Funda
- Depois Do Casamento
- Destruir Depois De Ler
- Diamante De Sangue
- Diário Dos Mortos
- Diários De Che Guevara
- Dias De Futebol
- Dick E Jane - Ladrões Sem Jeito
- Dictado
- Die Hard 4.0 - Viver Ou Morrer
- Die You Zombie Bastards!
- Dogma
- Domino
- Don Juan DeMarco
- Donnie Brasco
- Doom - Sobrevivência
- Doomsday - Juízo Final
- Dorian Gray
- Dot.Com
- Dr. Estranhoamor
- Drácula 2001
- Drácula De Bram Stoker
- Drive - Risco Duplo
- Dreamgirls
- Duas Mulheres

- É Na Terra Não É Na Lua
- Easy A
- Easy Rider
- Eduardo Mãos De Tesoura
- Efeito Borboleta
- El Mariachi
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- Ela Odeia-me
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- Eles Vivem
- Elvis
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- Em Busca Da Felicidade
- Em Carne Viva
- Em Liberdade
- Em Nome De Caim
- Em Nome De Deus
- Em Paris
- Em Privado
- Embargo
- Encarnação Do Demónio
- Encontros Em Nova Iorque
- Encrenca Dupla
- Encurralada
- Ensaio Sobre A Cegueira
- Enterrado Na Areia
- Entre Os Dedos
- Entrevista
- Equilibrium
- Era Uma Vez No México
- Eraserhead - No Céu Tudo É Perfeito
- Escola De Criminosos
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- Estamos Vivos
- Este É O Meu Lugar
- Este País Não É Para Velhos
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- Estrada Perdida
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- Eu, Peter Sellers
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- Eu Sou Evadido
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- Evil Dead - A Noite Dos Mortos-Vivos
- Evil Dead 2 - A Morte Chega De Madrugada
- Evil Dead 3 - O Exército Das Trevas
- Ex-Drummer
- Exterminador Implacável 1
- Exterminador Implacável 2 - O Dia Do Julgamento Final
- Exterminador Implacável 3 - Ascensão Das Máquinas
- Exterminador Implacável 4 - A Salvação

- Factory Girl - Quando Edie Conheceu Warhol
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- Falso Alarme
- Fando E Lis
- Fantasmas De Marte
- Fargo
- Faster, Pussycat! Kill! Kill!
- Fausto 5.0
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- Fim De Ano Em Split
- Fim-De-Semana Alucinante
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- Henry E June
- Hereafter - Outra Vida
- Hiena
- História De Duas Irmãs
- História De Um Fotógrafo
- Hobo With A Shotgunbr> - Hollywood Ending
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- Homem Aranha 3
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- Homens De Negro
- Homens De Negro 2
- Homens Que Matam Cabras Só Com O Olhar
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- Howl - Grito
- Hugo

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- Iluminados Pelo Fogo
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- In Search Of A Midnight Kiss
- Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal
- Indomável
- Infiltrado
- Inimigos Públicos
- INLAND EMPIRE
- Inquietos
- Insidioso
- Insónia
- Intervenção Divina
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- Invictus
- Irmão, Onde Estás?
- It
- It Might Get Loud
- Italian Spiderman

- Jack Ketchum's The Girl Next Door
- Jackass 2
- Jackass 3D
- Jackie Brown
- Jacuzzi - O Desastre Do Tempo
- James Bond - Agente Secreto
- James Bond - Casino Royale
- James Bond - Quantum Of Solace
- Janela Indiscreta (1954)
- Janela Indiscreta (1998)
- Janela Secreta
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- Jovens Rebeldes - A Verdadeira História
- Julgamento
- Julie E Julia
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- Juventude Tardia

- Kalifórnia
- Kandahar
- Karate Kid
- Katyn
- Kenny
- Kick Ass - O Novo Super-herói
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- Kill Bill vol.2
- King Kong (2005)
- Kiss Kiss Bang Bang
- Kiss Me
- Klimt
- Kopps
- Kung-Fu-Zão
- Kung Pow - Punhos Loucos

- La Jetée
- La Vie En Rose
- Ladrões
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- Laranja Mecânica
- Last Days - Os Últimos Dias
- Lavado Em Lágrimas
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- Léon, O Profissional
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- Longe Da Terra Queimada
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- Lua De Mel, Lua De Fel
- Lucifer Rising
- Lucky Luke
- Lucky Number Slevin - Há Dias De Azar

- M - Matou!
- Má Educação
- Machete
- Madrigal
- Maldito United
- Mamma Mia
- Manhattan
- Manô
- Mamonas Pra Sempre
- Mar Adentro
- Maria E As Outras
- Marie Antoinette
- Marjoe
- Marte Ataca!
- Matança De Natal
- Match Point
- Matou A Família E Foi Ao Cinem
- McQuade, O Lobo Solitário
- Meia-Noite Em Paris
- Meio Metro De Pedra
- Melancolia
- Melinda E Melinda
- Menina
- Mephisto
- Metrópolis
- Meu Nome É Bruce
- Miami Vice
- Milhões
- Milk
- Millenium 1. Os Homens Que Odeiam As Mulheres
- Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos
- Minha Mãe
- Minha Terra
- Misery - Capí­tulo Final
- Missão A Marte
- Missão Impossí­vel 3
- Missão Impossível - Missão Fantasma
- Missão Solar
- Mistérios De Lisboa
- Momentos Agradáveis
- Moneyball - Jogada De Risco
- Monsters - Zona Interdita
- Monstro
- Monty Phyton E O Cálice Sagradi
- Morte Cerebral
- Morte De Um Presidente
- Movimentos Perpétuos
- Mr. E Mrs. Smith
- Mrs. Henderson Presents
- Muito Bem, Obrigado
- Mulholland Drive
- Mundo Fantasma
- Mundos Separados
- Munique
- Murderball - Espírito De Combate
- Murish
- Mutilados
- Mysterious Skin

- Na Cama
- Nacho Libre
- Não Estou Aí
- Napoleon Dynamite
- Nas Costas Do Diabo
- Nas Nuvens
- Needle
- Nico: À Margem Da Lei
- Ninguém Sabe
- Nixon
- No Limite Do Amor
- No Vale De Elah
- Noite De Agosto
- Noite Escura
- Noivos Sangrentos
- Nome De Código: Cloverfield
- Northfork
- Nosferatu, O Vampiro
- Nothing
- Nova Iorque 1997
- Nove Raínhas
- Nunca Digas Sim

- O Acontecimento
- O Agente Da Broadway
- O Lugar Do Morto
- O Americano
- O Amor Acontece
- O Anjo Exterminador
- O Anti-Pai Natal
- O Artista
- O Assassínio De Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford
- O Assassí­nio De Richard Nixon
- O Batedor
- O Bom Alemão
- O Bom, O Mau E O Vilão
- O Cabo Do Medo
- O Caminho De São Diego
- O Cão, O General E Os Pássaros
- O Capacete Dourado
- O Castelo Andante
- O Castor
- O Cavaleiro Das Trevas
- O China
- O Cobrador
- O Código Da Vinci
- O Comboio Dos Mortos
- O Comboio Mistério
- O Condenado
- O Couraçado Potemkin
- O Cowboy Da Meia-Noite
- O Crepúsculo Dos Deuses
- O Dedo De Deus
- O Delator!
- O Demónio
- O Despertar Da Besta
- O Despertar Da Mente
- O Deus Da Carnificina
- O Deus Elefante
- O Dia Em Que A Terra Parou (1951)
- O Dia Em Que A Terra Parou (2008)
- O Dia Da Besta
- O Discurso Do Rei
- O Enigma Do Espaço
- O Estranho Caso De Benjamin Button
- O Estranho Mundo De Jack
- O Evangelho Segundo São Mateus
- O Exorcista
- O Fatalista
- O Feiticeiro De Oz
- O Feitiço Do Tempo
- O Fiél Jardineiro
- O Gabinete Das Figuras De Cera
- O Gabinete Do Dr. Caligari
- O Gato Das Botas
- O Génio Do Mal (1976)
- O Grande Peixe
- O Grande Ditador
- O Guerreiro
- O Homem Duplo
- O Homem Que Copiava
- O Homem Que Sabia Demasiado
- O Homem Que Veio Do Futuro
- O Idealista
- O Jogo
- O Júri
- O Imperador Da Califórnia
- O Inquilino
- O Justiceiro Da Noite
- O Labirinto Do Fauno
- O Laço Branco
- O Lado Selvagem
- O Lago Perfeito
- O Leopardo
- O Livro Negro
- O Lobo Do Mar
- O Macaco De Ferro
- O Maquinista
- O Marinheiro De Água Doce
- O Menino De Ouro
- O Meu Tio
- O Milagre De Berna
- O Milagre Segundo Salomé
- O Mistério Galindez
- O Monstro Da Lagoa Negra
- O Mundo A Seus Pés
- O Nevoeiro (1980)
- O Ofício De Matar
- O Olho
- O Orfanato
- O Paciente Inglês
- O Padrinho - Parte I
- O Padrinho - Parte II
- O Padrinho - Parte III
- O Panda Do Kung Fu
- O Panda Do Kung Fu 2
- O Pesadelo De Darwin
- O Pistoleiro Do Diabo
- O Planeta Selvagem
- O Pó Dos Tempos
- O Portador Da Espada
- O Presidiário
- O Prisioneiro Do Rock
- O Protegido
- O Próximo A Abater
- O Quinto Elemento
- O Quinto Império
- O Regresso
- O Rei Dos Gazeteiros
- O Reino Proibido
- O Ritual
- O Ritual Dos Sádicos
- O Sabor Do Amor
- O Sargento Da Força Um
- O Segredo A Brokeback Mountain
- O Segredo De Um Cuscuz
- O Segredo Dos Punhais Voadores
- O Selvagem
- O Sentido Da Vida
- O Sétimo Selo
- O Sítio Das Coisas Selvagens
- O Sonho Comanda A Vida
- O Sonho De Cassandra
- O Sorriso De Mona Lisa
- O Tempo Do Lobo
- O Tesouro Da Sierra Madre
- O Tigre E A Neve
- O Tio Boonmee Que Se Lembra Das Suas Vidas Anteriores
- O Triunfo Da Vontade
- O Turista
- O Último Airbender
- O Último Grande Herói
- O Último Rei Da Escócia
- O Último Tango Em Paris
- O Último Voo Do Flamingo
- O Vingador Tóxico
- O Wrestler
- Ocean's Eleven - Façam As Vossas Apostas
- Odete
- Oldboy - Velho Amigo
- Olho Mágico
- Oliver Twist
- Ônibus 174
- Orca
- Órfã
- Os Amantes Regulares
- Os Amigos De Alex
- Os Bons E Os Maus
- Os Caça-Fantasmas
- Os Cavaleiros Do Asfalto
- Os Chapéus De Chuva De Cherburgo
- Os Cinco Venenos
- Os Clãs Da Intriga
- Os Condenados De Shawshank
- Os Descendentes
- Os Edukadores
- Os Famosos E Os Duendes Da Morte
- Os Filhos Do Homem
- Os Friedmans
- Os Guardiões Da Noite
- Os Homens Preferem As Loiras
- Os Imortais
- Os Inadaptados
- Os Índios Apache
- Os Invisíveis
- Os Irmãos Grimm
- Os Limites Do Controlo
- Os Marginais
- Os Mercenários
- Os Miúdos Estão Bem
- Os Novos Dez Mandamentos
- Os Olhos Da Serpente
- Os Olhos Sem Rosto
- Os Onze De Oceano
- Os Optimistas
- Os Pássaros
- Os Produtores (2005)
- Os Psico-Detectives
- Os Rapazes Da Noite
- Os Rapazes Não Choram
- Os Renegados Do Diabo
- Os Rutles - All You Need Is Cash
- Os Selvagens Da Noite
- Os Simpsons - O Filme
- Os Sonhadores
- Os Sorrisos Do Destino
- Os Super-Heróis
- Os Supeitos Do Costume
- Os Três Enterros De Um Homem
-Os Visistantes Da Idade Média
- Os 300 Espartanos

- Pagafantas
- Palpitações
- Papillon
- Para Onde O Vento Sopra
- Parada De Monstros
- Paraíso, Inferno... Terra
- Paranoid Park
- Paris Je T'Aime
- Party Monster
- Pecados Íntimos
- Pele
- Pequenas Mentiras Entre Amigos
- Performance
- Perigo Na Noite
- Perto Demais
- Pesadelo Em Elm Street
- Pink Floyd The Wall
- Piranha 3D
- Piratas Das Caraíbas - O Mistério do Pérola Negra
- Piratas Das Caraí­bas - O Cofre Do Homem Morto
- Piratas Das Caraíbas - Nos Confins Do Mundo
- Planeta Dos Macacos
- Planeta Dos Macacos: A Origem
- Planeta Terror
- Plano 9 Dos Vampiros Zombies
- Polaróides Urbanas
- Polí­cia Sem Lei (1992)
- Polícia Sem Lei (2009)
- Poltergeist, O Fenómeno
- Ponto De Mira
- Por Favor Rebobine
- Por Favor Não Me Morda O Pescoço
- Porcos & Selvagens
- Posto Fronteiriço
- Precious
- Predadores
- Presente De Morte
- Preto E Branco
- Primer
- Príncipe Da Pérsia - As Areias Do Tempo
- Procurado
- Profissão: Repórter
- Promessas Proibidas
- Proposta Indecente
- Proteger
- Psico
- Psicopata Americano
- Pulp Fiction
- Pulsação Zero
- Punch-Drunk Love - Embriagado De Amor
- Purana Mandir
- Purple Rain

- Quando Viste O Teu Pai Pela Última Vez
- Quarentena
- Quarteto Fantástico (1994)
- Quarteto Fantástico (2005)
- Quase Famosos
- Quatro Noites Com Anna
- Que Lugar Maravilhoso
- Que Se Mueran Los Feos
- Queijo E Marmelada
- Quem Quer Ser Bilionário
- Querida Famí­lia
- Querida Wendy

- R
- Rapariga Com Brinco De Pérola
- Rare Exports
- Ratatui
- Ratos Assassinos
- Ray
- [Rec]
- [REC]2
- Red Eye
- Relatório Kinsey
- Relatório Minoritário
- Religulous - Que O Céu Nos Ajude
- Relíquia Macabra
- Renascimento
- Resident Evil: Apocalypse
- Rio
- Rio Bravo
- Rock De Fogo
- Rock, Rock, Rock
- Rocknrolla - A Quadrilha
- Rocky Balboa
- Roger E Eu
- Roma
- Romance E Cigarros
- Roxanne
- RRRrrrr!!!
- Rubber - Pneu
- Ruídos Do Além
- Ruivas, Loiras E Morenas
- Rumo À Liberdade
- Ruptura Explosiva

- Sacanas Sem Lei
- Sala De Pânico
- Salazar - A Vida Privada
- Salto Mortal
- Samsara
- Sangue Do Meu Sangue
- Sangue Por Sangue
- Santa Sangre
- Sapatos Pretos
- Save The Green Planet!
- Saw - Enigma Mortal
- Saw II - A Experiência Do Medo
- Saw 3D - O Capítulo Final
- Scoop
- Scott Pilgrim Contra O Mundo
- Seconds Apart
- Seis Indomáveis Patifes
- Sem Ela
- Sem Limites
- Sem Rumo
- Sem Tempo
- Semi-Pro
- Ser E Ter
- Sereia
- Serpentes A Bordo
- Sete Anos No Tibete
- Sete Vidas
- Sexo E A Cidade
- Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band
- Shaolin Daredevils
- Shaolin Soccer - O Ás Da Bola
- Shaolin Vs. Evil Dead
- Shattered Glass - Verdade Ou Mentira
- Sherlock Holmes
- Sherlock Holmes - Jogo De Sombras
- Shining
- Shoot 'Em Up - Atirar A Matar
- Shortbus
- Shrek 2
- Shrek O Terceiro
- Shrek Para Sempre
- Sicko
- Sid And Nancy
- Sideways
- Simpatyhy For Mr. Vengeance
- Sin City - Cidade Do Pecado
- Sinais
- Sinais De Fogo
- Sinais Do Futuro
- Sinais Vermelhos
- Singularidades De Uma Rapariga Loira
- Sky Captain E O Mundo De Amanhã
- Slither - Os Invasores
- Soldados Da Fortuna
- Soldados Do Universo
- Sombras Da Escuridão
- Somewhere - Algures
- Sonho De Uma Noite De Inverno
- Sonny
- Sophie Scholl - Os Últimos Dias
- Soro Maléfico
- Sorte Nula
- Soul Kitchen
- Spartacus
- Spartan - O Rapto
- Splice
- Stacy - Attack Of The Schoolgirl Zombies
- Star Wars - A Ameaça Fantasma
- Star Wars - A Vingança Dos Sith
- Star Wars - O Ataque Dos Clones
- Stardust - O Mistério Da Estrela Cadente
- Stone - Ninguém É Inocente
- Stoned, Anos Loucos
- Submarino
- Super
- Super Baldas
- Super-Homem
- Super-Homem: O Regresso
- Super 8
- Superstar
- Suspeita
- Suspiria
- Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro De Fleet Street
- Swimming Pool
- Sword Of Vengeance
- Sympathy For The Devil

- Taking Woodstock
- Tarnation
- Tarzan, O Homem Macaco (1981)
- Taxidermia
- Team America - Polí­cia Mundial
- Tebas
- Tecumseh
- Teeth
- Tempestade Tropical
- Tennessee
- Terra De Cegos
- Terminal De Aeroporto
- Terra Dos Mortos
- Terror Em Setembro
- Terror Na Auto-estrada
- Terror Nas Montanhas
- Tetro
- The Bloodstained Butterfly
- The Brown Bunny
- The Darjeeling Limited
- The Departed: Entre Inimigos
- The Devil And Daniel Johnston - Loucuras De Um Génio
- The Devil's Double
- The First Great Train Robbery
- The Fountain - O Último Capítulo
- The Grudge - A Maldição
- The Host - A Criatura
- The Impossible Kid
- The King Of Kong
- The Langoliers - Meia-Noite E Um
- The Last House On The Left
- The Machine Girl
- The Man From Earth
- The Marine
- The Million Dollar Hotel - O Hotel
- The Mindscape Of Alan Moore
- The Mist - Nevoeiro Misterioso
- The Others - Os Outros
- The Prestige - O Terceiro Passo
- The 50 Worst Movies Ever Made
- The Way
- The Woman
- Thirst - Este É O Meu Sangue
- This Is It
- This Is Spinal Tap
- Thor
- Thriller - A Cruel Picture
- THX 1138
- Tirar Vidas
- Titanic 2
- Tony
- Tournée - Em Digressão
- Toy Story 3
- Tragam-me A Cabeça De Alfredo Garcia
- Transamerica
- Tron
- Tron: O Legado
- Tropa De Elite
- Tropa De Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro
- Tsotsi
- Tubarão
- Tubarão 2
- Tubarão 3
- Tubarão IV - A Vingança
- Tucker E Dale Contra O Mal
- Tudo Ficará Bem
- Tudo Pode Dar Certo
- Twisted - Homicídios Ocultos

- Ultra Secreto
- Um Amor De Perdição
- Um Azar Do Caraças
- Um Bater De Corações
- Um Belo Par... De Patins
- Um Cão Andaluz
- Um Dia A Casa Vai Abaixo
- Um Dia De Raiva
- Um Homem Singular
- Um Longo Domingo De Noivado
- Um Lugar Para Viver
- Um Padrasto Para Esquecer
- Um Profeta
- Um Tiro No Escuro
- Um Trabalho Em Itália
- Uma Aventura Na Casa Assombrada
- Uma Boa Mulher
- Uma Canção De Amor
- Uma Espécie De Cavalheiro
- Uma Famí­lia À Beira De Um Ataque De Nervos
- Uma História De Violência
- Uma Pequena Vingança
- Uma Rapariga Com Sorte
- Uma Segunda Juventude
- Uma Segunda Vida
- Undefeatable
- Unseen Evil 2 - Alien 3000
- Up - Altamente

- V De Vingança
- Vai E Vive
- Vais Conhecer O Homem Dos Teus Sonhos
- Valhalla Rising - Destino De Sangue
- Valquíria
- Vampiros de John Carpenter
- Van Helsing
- Vanilla Sky
- Vanitas
- Vasilhame
- Veio Do Outro Mundo
- Veludo Azul
- Velvet Goldmine
- Vencidos Pela Lei
- Vendendo A Pele
- Veneno Cura
- Vera Drake
- Versus - A Ressurreição
- Vestida Para Matar
- Vice
- Vício - Quando Nada É Suficiente
- Vicky Cristina Barcelona
- Vidas Sombrias
- Vigilância
- Vingança Redentora
- Virgem Aos 40 Anos
- Vitus
- Viúva Rica Solteira Não Fica
- Viver A Sua Vida
- Voando Sobre Um Ninho De Cucos
- Voltando Para Casa
- Voltar
- Vontade Indómita
- Voo 93

- Walk Hard - A História De Dewey Cox
- Walk The Line
- WALL-E
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Wassup Rockers - Desafios De Rua
- Watchmen - Os Guardiões
- Welcome To The Rileys
- White Irish Drunkers
- Wild Zero
- Win Win
- Wolf Creek
- Wristcutters: A Love Story

- X-Men
- X-Men 2
- X-Men 3 - O Confronto Final
- X-Men: O Início
- X-Men Origens: Wolverine

- Zack E Miri Fazem Um Porno
- Zardoz
- Zatoichi
- Zombies Party - Uma Noite... De Morte
- Zombies Strippers
- Zozo

- 007 - Agente Secreto
- 007 - Casino Royale
- 007 - Quantum Of Solace
- 10 Coisas Que Odeio Em Ti
- 100 Volta
- 10.000 AC
- 12 Homens Em Fúria
- 12 Macacos
- 12:08 A Este De Bucareste
- 1984
- 2LDK
- 24 Hour Party People
- 28 Dias Depois
- 20,13 - Purgatório
- 2012
- 300
- 4 Copas
- 48
- 50/50
- 6=0 Homeostética
- 8 1/2
- 9 Canções
- 98 Octanas


ENTREVISTAS:
- Fernando Fragata
- Festróia - Mário Ventura
- Filipe Melo
- Good N Evil
- IMAGO - Sérgio Felizardo
- José Barahona
- Nuno Markl
- Paulo Furtado
- Rodrigo Areias
- Sara David Lopes
- Solveig Nordlund
- Fernando Alle


TOPES:
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2011
- Top 5 dos Piores Filmes de 2011
- Top 10 dos Melhores Filmes de 2010
- Top 5 dos Piores Filmes de 2010
- Top 5 dos filmes de Leslie Nielsen
- Top 10 Dos Filmes Low Cost
- Top 5 das Melhores Cenas de Dança
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2009
- Top 5 dos Piores Filmes de 2009
- Top 5 dos Filmes Que Tenho Vergonha De Dizer Que Gosto
- Top 5 das Melhores Músicas de Ennio Morricone
- Top 5 dos filmes com Patrick Swayze
- Top 5 dos Telediscos do Michael Jackson
- Top 5 dos Filmes com David Carradine
- Top 5 dos Filmes com Lutadores de Luta-Livre
- Top 10 Os Melhores Filmes de 2008
- Top 5 Os Piores Filmes de 2008
- Top 5 dos Piores Filmes de Natal
- Top 5 das Coisas que não Esperávamos Ver no Cinema
- Top 5 dos Melhores Filmes de Paul Newman
- Top 5 Personagens Com Palas Nos Olhos
- Top 10 Melhores Cartazes De Cinema
- Top 5 dos Filmes de Chuck Norris
- Top 5 dos Filmes de Patrick Swayze
- Top 10 Os Melhores/Piores Vestidos dos Oscares
- Top 5 As Mortes de Crianças Mais Gratuitas
- Top 10 Os Melhores de 2007
- Top 5 Os Piores de 2007
- Top 7 Adaptações ao Cinema de Livros de Stephen King
- Top 5 Filmes Pela Paz
- Top 5 Os Melhores Beijos
- Top 5 Grandes Arquitectos
- Top 10 Filmes Que Mudaram A Minha Vida
- Top 5 Mulheres de Cabeça Rapada
- Top 5 As Cenas Mais Excitantes
- Top 10 Os Melhores de 2006
- Top 5 Os Piores de 2006
- Top 3 Filmes de Robert Altman
- Top 5 Os Vilões do Cinema
- Top 5 Filmes Com Mick Jagger
- Top 5 Filmes Com Steve Buscemi
- Top 5 Dos Cães no Cinema
- Top 5 Dos Filmes do Indie06
- Top 5 Dos Filmes do Fantas06
- Top 5 dos Presidentes
- Top 10 Os Melhores de 2005
- Top 5 Os Piores de 2005
- Top 5 Filmes com Pat Morita
- Top 10 Os Melhores Filmes Independentes
- Top 5 Os Piores Filmes da Saga Bond
- Top 5 Filmes com Dolph Lundgren
- Top 5 Adaptações de BD Para Cinema
- Top 10 Cenas Mais Assustadoras de Sempre
- Top 5 Vencedores do Óscar
- Top 5 Bond Girls
- Top 5 Filmes Sobre Doenças
- Top 5 Filmes de Natal
- Top 5 Melhores Batalhas Corpo-A-Corpo
- Top 10 Melhores Canções do Cinema
- Top 10 Melhores Filmes de Sempre
- Top 5 Melhores Momentos Musicais
- Top 5 Grandes Duelos do Cinema
- Top 10 Maiores Personagens do Cinema
- Top 5 Piores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 10 Melhores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 5 Filmes Religiosos


BAÚ DO TRASH:
- Needle
- Que Se Mueran Los Feos
- Easy A
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Saw 3D - O Capítulo Final
- And Soon The Darkness
- Os Imortais
- Purana Mandir
- Pagafantas
- The Bloodstained Butterfly
- Cisne Negro


ROYALE WITH CHEESE APRESENTA:
- A Tasca Da Cultura
- A Causa Das Coisas - parte I
- A Causa Das Coisas - parte II
- A Momentary Lapse Of Reason


FILMES A VER ANTES DE MORRER:
- #1 As Lágrimas Do Tigre Negro
- #2 Alucarda
- #3 Time Enough At Last
- #4 Armageddon
- #5 The Favour, The Watch And The Very Big Fish
- #6 Italian Spiderman
- #7 The Soldier And Death


UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:
- 1# Rabbit, de Run Wrake
- 2# Aligato, de Maka Sidibé
- 3# The Cat Concerto, de Joseph Barbera & William Hanna
- 4# A Curva, de David Rebordão
- 5# Batman: Dead End, de Sandy Callora
- 6# O Código Tarantino, de Selton Mello
- 7# Malus, de António Aleixo & Crosswalk, de Telmo Martins
- 8# Three Blind Mice, de George Dunning
- 9# Bedhead, de Robert Rodriguez
- 10# Key To Reserva, de Martin Scorcese
- 11# Bambi Meets Godzilla, de Marv Newland
- 12# The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon, de Richard Gale
- 13# Stolz Der Nation, de Eli Roth
- 14# Papá Wrestling, de Fernando Alle
- 15# Glas, de Bert Haanstra
- 16# Fotoromanza, de Michelangelo Antonioni
- 17# Quem É Ricardo?, de José Barahona
- 17# Terra Incognita, de Peter Volkart


AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE:
- A Pior Luta
- A Cena Mais Metida A Martelo
- O Ataque Animal Mais Brutal
- A Perseguição Mais Alucinante
- O Duelo Mais Improvável


CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL:
- Janeiro
- Fevereiro
- Março
- Abril
- Maio
- Setembro
- Novembro


FESTIVAIS:
- 20º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9
- 21º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 22º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 23º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 24º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 26º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 12º Caminhos Do Cinema Português
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- Imago 2006
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8

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Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket



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