Royale With Cheese

 Royale With Cheese

 
 



quarta-feira, janeiro 31, 2007  

TOP 5:

Tenho recebido centenas de mails de leitores indignados pelo facto de há já algum tempo não vos apresentar nenhuma das famosas listas do Royale With Cheese. Pronto, não têm sido centenas, foi só um... e foi do meu amigo imaginário. Mas não interessa. O que é verdade é que esse mail me fez voltar ao tema. E não sei como, surgiu-me na mente o TOP 5 DAS CENAS DE SEXO MAIS EXCITANTES DO CINEMA:

5º Lugar - Desperado (ex aquo Pecado Original): que têm em comum estes dois filmes? A resposta é: Antonio Banderas e uma cena de sexo com vários pontos em comum. Num há Salma Hayek e no outro há Angelina Jolie, o que poderia dar a Banderas alguma espécie de prémio. Mas isso fica para depois... Em ambos, as cenas até nem são muito credíveis, mas ganham em excitação. E Desperado leva ligeira vantagem sobre Pecado Original, porque Salma Hayek mostra mais pele do que Angelina Jolie.



4º Lugar - 9 Semanas E Meia (ex aquo Orquídea Selvagem): novamente dois filmes em igualdade pontual. E em ambos, um factor em comum: Mickey Rourke. E se Orquídea Selvagem ganha em credibilidade (ao fim ao cabo, Mickey Rourke e Carre Otis andavam mesmo envolvidos durante as filmagens), o segundo ganha em eroticidade, com a famosa cena do cubo de gelo ou a outra no beco escuro à chuva.



3º Lugar - Instinto Fatal: era à partida o vencedor antecipado. A seu favor tinha o mais famoso descruzar de pernas da sétima arte e o facto de ter trazido para o mainstream cenas de sexo a sério. Mas infelizmente a melhor cena foi cortada e, recentemente, surgiu uma sequela que consta que é má demais.



2º Lugar - Ata-me: Elia Kazan descreveu-a como a melhor cena de sexo do cinema. Quase que concordo a 100%. O que é certo é que volta a estar no top Antonio Banderas. E isto faz dele o oficial Rei da Cobrição do cinema.



1º Lugar - Monster's Ball - Depois Do Ódio: eis o grande vencedor. Primeiro porque tem Halle Berry. Depois, porque dura vários minutos. Depois, porque tem também Halle Berry. E, a razão principal, porque foi a única cena de sexo a sério que valeu um Óscar. How cool is that?



Menção Honrosa - Ligações Selvagens: foi uma lista difícil de fazer e complicado deixar muita coisa de fora. A cena lésbica de Mulholland Drive, a famosa cena da manteiga de O Último Tango Em Paris, ou a Jessica Lange sobre a mesa em O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes. No entanto, não iria sentir-me bem comigo mesmo se não desse uma menção honrosa ao thriller lésbico Ligações Selvagens, ou não tivesse na mesma cena Denise Richards e Neve Campbell. E Matt Dilon.

Posted by: dermot @ 12:16 da tarde
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7 BLOGUES, 6 ESTREIAS, 5 ESTRELAS:

Continuo eu a minha triste sina de apenas uma classificação por mês. O que vale é que há mais seis almas caridosas que vão compensando as minhas falhas. Como podem conferir aqui.

(viste Knoxville, desta vez não fiz elogios despropositados sobre esta grande iniciativa)

Posted by: dermot @ 12:11 da tarde
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sábado, janeiro 27, 2007  

TRON:

Título: Tron
Realizador: Steven Lisberger
Ano: 1982


Os mais velhos lembram-se certamente do happening cinematográfico que foi Tron, em 1982. Numa opção arrojada e vanguardista, a Disney apresentava ao Mundo o primeiro filme feito extensivamente em CGI. O que hoje em dia está completamente datado, na altura provocou um choque e, inclusive, houveram colaboradores da Disney que se recusaram a participar no filme, com medo que os computadores viessem a roubar os seus lugares. Mal sabiam eles que vinte anos depois a empresa iria mesmo encerrar as portas à animação tradicional em detrimento do CGI...

Em plena euforia dos jogos de computador dos anos 80, Tron aparecia como um filme em jogo de computador, visualmente arrebatador. Contudo, o que na altura era topo de gama, hoje em dia é quase obsoleto. Por isso, convém lembrar-nos que 1982 era o ano em que Out Run tinha os gráficos mais avançados do mercado e a grande inovação na indústria era Emilio Butragueño, uma arcada que dava para quatro jogadores e que se via de cima. Mesmo assim, Tron tem alguns elementos intemporais que ainda dá gosto ver: os fatos, por exemplo, têm muito estilo!

O filme divide-se então em duas dimensões espaciais distintas. A primeira é a do mundo real; e a segundo é a do interior dos vídeo-jogos.

Numa companhia informática controlada pelo corrupto Ed Dillinger (David Warner), um ex-trabalhador, Flynn (Jeff Bridges), tenta entrar no sistema de forma a provar que as suas ideias haviam sido roubadas. Mas o computador central da ENCOM (a dita empresa) está a um passo de adquirir inteligência própria e de forma a proteger-se vai digitalizar Flynn para dentro do seu sistema informático através dum laser especial.

Passa então a haver dois campos de batalha: o do mundo real, onde os usuários tentam "hackar" o sistema, através de softwares. E o do mundo informático, onde Flynn vai unir-se ao trojan Tron (Bruce Boxleitner) para combater os bugs, os bits e os anti-virus até sabotarem o sistema. E é precisamente este universo que tem mais interesse.

Feito totalmente em CGI, o mundo informático é uam espécie de arena de gladiadores feitas no suporte do Pacmania. E num plano mais metafísico, toda aquela realidade projecta-se numa enorme metáfora religiosa, onde uma força omnipresente controla a acção daqueles soldados, que mantêm a fé nos seus usuários. Tron é a versão mais primitiva de todas de Matrix, mas com uma premissa bem mais imaginativa.

Mas depois Tron tem um grave problema - o chamado síndrome Disney. Isso e o facto de terem entregue a direcção ao desconhecido Steven Lisberger. É que Tron começa a enverdar por todos os clichés da Disney: o politicamente correcto, os valores morais e até a história romântica desenvolvida não se percebe bem como. E o final é de uma previsibilidade tremenda; acabasse ele com um freeze da imagem e Lisberger seria, automaticamente, condenado a prisão perpétua.

Tron funciona então como documento histórico e sociológico. Como filme, é impossível contornar o cheiro a mofo do Double Cheeseburger.

Posted by: dermot @ 11:53 da manhã
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quinta-feira, janeiro 25, 2007  

CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL - FEVEREIRO:

Sinceramente, de todos os (cinco) visitantes deste humilde espaço cinéfilo, não faço a mais pequena ideia de quantos serão de Setúbal. No entanto, como estou fazendo querer que são muitos, vou deixar aqui mais novidades acerca do recém-criado Clube de Cinema de Setúbal.

Para os que não sabem ainda, o mês passado dei o meu contributo para o universo cinematográfico de Setúbal ao participar activamente na criação deste clube. (Quase) todas as sextas e sábadas, a partir das 21h30, no auditório do IPJ no Largo José Afonso, são projectados filmes de qualidade indescutível (quem é que se atreve a contrariar, hein?). E sempre a preços estupidamente baixos - 1€, com 50% de desconto para estudantes e/ou portadores de Cartão Jovem.

Assim, o mês de Fevereiro estará subordinado ao tema "Dos Livros Ao Grande Ecrã", que é como quem diz, as grandes adaptações literárias no cinema. Passando por vários universos, autores e estilos, queria destacar na programação a sessão de dia 3, onde o filme 1984 irá ser apresentado, em directo e a cores, pelo conhecido Manuel Medeiros, um especialista da obra de Orwell.

Apareçam por lá. E bom cinema.

Photobucket - Video and Image Hosting


Dia 2 - Batman: Dead End + Sin City - A Cidade do Pecado
Dia 3 - 1984apresentação de Manuel Medeiros
Dia 9 - Mundo Fantasma
Dia 10 - A Maravilhosa Aventura de Charlie
Dia 17 - O Coração Revelador + Laranja Mecânica
Dia 23 - Crónica dos Bons Malandros

Posted by: dermot @ 5:47 da tarde
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A CIÊNCIA DOS SONHOS:

Título: La Science Des Rêves
Realizador: Michael Gondry
Ano: 2006


Já há uns aninhos para cá que Michael Gondry era um dos tipos mais requisitados no Mundo dos telediscos, devido a uma imaginação fora-de-série que valeram trabalhos geniais para bandas como os White Stripes, Chemical Brothers ou a Bjork. Por isso, quando em 2004 assinou a sua primeira longa-metragem, o genial filme-romântico-indie O Despertar Da Mente, Michael Gondry tornou-se num nome a seguir de perto.

A Ciência Dos Sonhos chegou envolto em grandes expectativas. No entanto, um importante pormenor parece ter escapado a quase toda a gente. É que de O Despertar Da Mente para A Ciência Dos Sonhos houve uma mudança significativa: Charlie Kaufman, um dos mais geniais argumentistas da actualidade (essa espécie em vias de extinção), já não aparecia nos créditos. E em que é que isso se traduz?

De facto, Gondry é um indivíduo com uma imaginação acima da média que, mais importante ainda, as consegue pôr em prática de modo assustadoramente prático e eficaz. Em O Despertar Da Mente, a colaboração com Kaufman serviu para controlar e organizar essa "demência"; em A Ciência Dos Sonhos, sem a preciosa ajuda do argumentista, Gondry arriscava a perder o controlo e a disparar em todas as direcções...

A Ciência Dos Sonhos é a estória de Stéphane (Gael García Bernal), um jovem com a imaginação de uma criança, que tem uns estranhos ataques de sonhos que se confundem com a vida real. Esses mundos de fantasia são produzidos por uma espécie de estação televisiva artesanal, feita com tubos de cartão, papel celofane e a habilidade de Michael Gondry para o stop-motion, que por vezes funde-se com a própria realidade. Stéphane vai conhecer Stéphanie (Charlotte Gainsbourg), que é a mulher perfeita para si: imaginativa e romântica. Ambos estão apaixonados, mas encontram-se naquele terrível estágio em que não conseguem encontrar uma situação propícia a darem o primeiro passo. E se não o conseguirem dar até ao fim do filme, podem nunca mais vir a ter semelhante oportunidade.

Michael Gondry volta assim ao romantic-indie-flick, construindo uma história de amor atabalhoada e envergonhada, naquele romântismo alternativo que tem muito charme. Aliado a tudo há uma banda-sonora de eleição e a imaginação hiper-activa de Gondry, que desconstrói o filme em várias camadas, sobrepondo-se em analepses e prolepses que por vezes confundem a realidade com a fantasia. E quando entra no universo onírico, apesar de situações lindíssimas e belíssimas ideias (a máquina de viajar 1 segundo no tempo é genial), o realizador acaba por perder o controlo e entrar no puro domínio da masturbação.

Mas como nos telediscos, A Ciência Dos Sonhos também é assustadoramente simples e eficaz, capaz de nos absorver por completo. Isto se não desse por vezes passadas maiores que a perna. É aqui que se sente a falta de Kaufman, no argumento que não consegue ser equilibrado - as situações do mundo dos sonhos têm sempre maior proponderância e o desenvolvimento dos personagens não consegue ter um ritmo constante.

Se gostou de O Despertar Da Mente duvido que não vá gostar de A Ciência Dos Sonhos. Mas não vá à espera de uma obra-prima. Especialmente porque o filme necessitava de um final objectivo (para não lhe chamar outra coisa). Mas claro, Michael Gondry e uma banda-sonora com Velvet Underground e White Stripes nunca poderia ser algo abaixo de um McBacon, não é? Acho que até é crime algures por aí.

Posted by: dermot @ 12:12 da manhã
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quarta-feira, janeiro 24, 2007  

Tenho de confessar que estou extremamente desiludido com as nomeações para os Óscares deste ano. De facto, já devia estar habituado ao conservadorismo da Academia, mas este ano conseguiram aliar o extremamente óbivo com algumas surpresas desagradáveis (A Rainha é um bom filme, mas não me lixem!). A única excepção agradável é Uma Família À Beira De Um Ataque De Nervos, mas também é quem tem menos probabilidades de ganhar.

Se o Mundo fosse um sítio justo, era desta que o Scorcese ganhava. Até pode acontecer, mas as minhas apostas vão para o Babel. Quando o vir, fico com uma ideia melhor. No entanto, este é um campo para outros especularem. Porque aqui o que realmente interessa é a outra cerimónica... A dos piores de 2006! Que é como quem diz, os Razzies, que premeiam o que de pior se fez durante o ano transacto. Eis os nomeados:



PIOR FILME:
- Instinto Fatal 2
- BloodRayne
- A Senhora Da Água
- Minorca
- O Escolhido

PIOR ACTOR:
- Tim Allen (Santa Clause 3, Zoom e O Rafeiro)
- Nicolas Cage (O Escolhido)
- Larry, The Cable Guy (Larry, The Cable Guy: Health Inspector)
- Rob Schneider (Minorca e Falhados... Por Um Fio)
- Marlon Wayans & Shawn Wayans (Minorca)

PIOR ACTRIZ:
- Hilary Duff & Haylie Duff (Material Girls)
- Lindsay Lohan (Que Sorte A Minha!)
- Kristanna Loken (BloodRayne)
- Jessica Simpson (Funcionário Do Mês)
- Sharon Stone (Instinto Fatal 2)

PIOR ACTOR SECUNDÁRIO:
- Danny DeVito (Um Vizinho A Apagar)
- Ben Kingsley (BloodRayne)
- M. Night Shyamalan (A Senhora Da Água)
- Martin Short (Santa Clause 3)
- David Thewlis (Instinto Fatal 2 e O Génio Do Mal)

PIOR ACTRIZ SECUNDÁRIA:
- Kate Bosworth (Super-Homem: O Regresso)
- Kristin Chenoweth (Um Vizinho A Apagar, RV e A Pantera Cor-de-Rosa)
- Carmen Electra (Date Movie e Scary Movie 4 - Que Susto De Filme!)
- Jenny McCarthy (Morre Pinga Amor)
- Michelle Rodriguez (BloodRayne)

PIOR PAR:
- Tim Allen & Martin Short (Santa Clause 3)
- Nicolas Cage & o seu fato de urso (O Escolhido)
- Hilary & Haylie Duff (Material Girls)
- As mamas da Sharon Stone (Instinto Fatal 2)
- Shawn Wayans & Kerry Washington ou Marlon Wayans (Minorca)

PIOR REMAKE OU RIP-OFF:
- Minorca
- A Pantera Cor-de-Rosa
- Poseidon
- O Rafeiro
- O Escolhido

PIOR SEQUELA OU PREQUELA:
- Instinto Fatal 2
- Agente Disfarçado 2
- Garfield 2
- Santa Clause 3
- Massacre No Texas: O Início

PIOR REALIZADOR:
- Uwe Boll (BloodRayne)
- Michael Caton-Jones (Instinto Fatal 2)
- Ron Howard (O Código Da Vinci)
- M. Night Shyamalan (A Senhora Da Água)
- Keenan Ivory Wayans (Minorca)

PIOR ARGUMENTO:
- Instinto Fatal 2
- BloodRayne
- A Senhora Da Água
- Minorca
- O Escolhido

PIOR DESCULPA PARA ENTRETENIMENTO FAMILIAR:
- Um Vizinho A Apagar
- Garfield 2
- RV
- Santa Clause 3
- O Rafeiro

Posto isto, eis algumas considerações a tirar:
- Mesmo que não arrebate o principal galardão, Instinto Fatal 2 (ou como eles dizem em americano, basically it stinks too) é já o grande derrotado de 2006 - e curiosamente, o único que tenho pena de ainda não ter visto. Bem que a Helena tinha razão;
- Graças a Deus não vi (praticamente) nada desta lista, mas surpreende-me como tanta coisa desta teve estreia no nosso país;
- É curioso reparar que os piores filmes do ano são sempre aqueles que têm os piores títulos em português. Minorca, que merda é esta?;
- Custa ver M. Night Shyalaman neste lista;
- Mais um ou dois anos e já podem entregar o Razzie Honorário a Uwe Boll. Por mais que o homem tente, não consegue fazer nada acima do muito mau;
- Tal como nos Óscares, já existem nomeações cativas. Por exemplo, a de Lindsay Lohan, Carmen Electra ou Jessica Simpson. Mas ao contrário das da Academia, estas são sempre merecidas;
- Não sabia que havia um remake de Wicker Man (vénia) e preferia continuar a não saber;
- Por fim, algo que me faz espécie: depois de Santa Cláusula e de Santa Cláusula - Sarilhos No Natal, que raio fará aqueles produtores apostarem em mais uma sequela???

Posted by: dermot @ 11:04 da manhã
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terça-feira, janeiro 23, 2007  

A PRAIRIE HOME COMPANION - BASTIDORES DA RÁDIO:

Título: A Prairie Home Companion
Realizador: Robert Altman
Ano: 2006


Robert Altman, que nos deixou no final do ano passado, foi o último dos grandes génios do cinema americano. Esperemos que a sua morte ao menos tenha servido para que comece a ser creditado em vez de Paul Thomas Anderson, quando se fala nos famosos filmes-mosaico. Aliás, Anderson não é mais do que o seu mais directo discípulo, ou não tivesse ele acompanhado as filmagens deste A Praire Home Companion - Bastidores Da Rádio, não fosse Altman não o conseguir terminar a tempo.

A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio (mais uma vez o sub-título português a teimar em revelar mais do que é necessário) foi uma espécie de cartão de despedida de Robert Altman, que se rodeou de amigos e filmou uma última obra cheia de alegria, nostalgia e, também, de morte.

O filme inicia-se debaixo da patine do cinema clássico de Hollywood, com um Kevin Kline magistral a fazer de narrador ao balcão de um daqueles restaurantes imortalizados pelas pinturas de Edward Hopper, sob um solo jazzy de saxofone, qual detective num policial noir dos anos 40 (claro que o nome da sua personagem, Guy Noir, não é mera coincidência). Mas A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio nem precisava deste conjunto de elementos para nos encher de nostalgia: bastava começar na cena seguinte, onde nos mostra o Teatro Fitzegrald e o A Prairie Home Companion.

Este é um local parado no tempo, onde é emitido ao vivo há várias décadas um programa de rádio de variedades, coisa que já não se faz actualmente. E em minutos, estamos sentados na cadeira do cinema a recordar nostalgicamente os bons velhos tempos da rádio, dos Parodiantes, a Bola Branca e até o Jogo da Mala.

Fiél a si próprio, Altman desconstrói o argumento em várias histórias (ou não fosse ele o pai dos filmes-mosaico), cada uma ligada a determinados personagens: às Johnsons (Meryl Streep, Lily Tomlin e Lindsay Lohan), uma família ligada à tradição musical, semelhante à família Carter, por exemplo (lembram-se de June Carter, a esposa de Johnny Cash?); a Lefty (John C. Reilly) e Dusty (Woody Harrelson), os Quim Barreiros do countrygrass; ao apresentador GK (Garrison Keillor); ou ao próprio Kevin Kline, por exemplo, o director do programa.

A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio relata o último destes programas, uma vez que o teatro onde se realiza semanalmente vai ser demolido, após ter sido comprado por um texano rico (Tommy Lee Jones). Irremediavelmente, este é um filme sobre o fim: o fim de um ciclo com mais de trinta anos e o fim de um edifício com várias histórias para contar. Mas Altman fá-lo de forma ainda mais simbólica, quase em forma de requiem, ao introduzir uma personagem lindíssima: a Mulher Perigosa (Virginia Madsen), um anjo misterioso que passeia pelos bastidores, envergando uma gabardine alva. Que pena Michelle Pfeiffer ter recusado este papel...

Altman mantém o seu humor inteligente, o seu tacto apurado e a sua sensibilidade tocante. Altman até faz Lindsay Lohan parecer uma actriz a sério. E depois ainda há os momentos musicais, Meryl Streep (que canta quase tão bem quanto representa), Lily Tomlin, Woody Harrelson, Kevin Kline, Tommy Lee Jones... e L.Q. Jones, aquele que foi o mestre de Walker, O Ranger Do Texas, no filme que introduziu a personagem mítica de Chuck Norris - McQuade, O Lobo Solitário.

A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio é o verdadeiro cinema total, que ao longo do filme nos faz rir, chorar e recordar. No final, enquanto os créditos passam, só nos apetece levantar e aplaudir Robert Altman por tudo o que nos deu ao longo dos anos. Ainda bem que Altamn se pôde despedir de todos com um filme como este. O Royale With Cheese é a minha homenagem para com ele. Só tenho pena de não o ter visto mais cedo, para o ter inserido na minha lista dos melhores do ano.

Posted by: dermot @ 12:17 da manhã
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domingo, janeiro 21, 2007  

SAMSARA:

Título: Samsara
Realizador: Pan Nalin
Ano: 2001


Vamos fazer um exercício.
Enumere, rapidamente, alguns filmes sobre budismo. Se apenas conseguiu lembrar-se de um e esse foi Sete Anos No Tibete, então você é babaca. Porque "o" filme sobre budismo é Samsara, o equivalente budista de A Última Tentação De Cristo, ao representar o budismo de forma livre e pondo em causa alguns dogmas, transformando-se numa espécie de filme maldito para aqueles lados, tal foi a controvérsia aquando da sua estreia.

Assisti a este filme inserido numa actividade promovida pela Associação Budista, o que me permitiu no final ter uma outra visão das coisas, devido a algumas explicações que ouvi. Contudo, não é necessário ser budista ou estar por dentro do assunto a fundo para captar toda a beleza deste filme. Basta apenas entender que samsara é um termo hindu, relacionado com esta religião, que tem a ver com a natureza cíclica da vida, que à medida que os anos passam vai conhecendo altos e baixos.

Samsara é um filme sobre o samsara de Tashi (Shawn Ku), um tibetano decidido a abraçar a vida de monge. No entanto, depois de voltar de três anos de isolamento numa caverna para purificar a alma, Tashi descobre que ainda não conseguiu livrar-se das tentações da carne, ao ter sonhos eróticos ou erecções incovenientes enquanto reza.

Deverá um homem satisfazer todos os seus desejos, ou procurar apenas saciar um? Samsara coloca esta pergunta de uma forma pouco dogmática, uma vez que não estamos habituados a ver os monges buditas a terem dúvidas existenciais, nem tão-pouco ejaculações. Mas um tibetano é também um homem como nós, que está sujeito a estas coisas. E por isso, Tashi vai optar por desistir da vida de celibato e abraçar a vida de civil, numa espécie de antítese com o próprio Buda: enquanto este apenas alcançou a perfeição aos 29 anos, depois de uma vida "normal", Tashi procurou a perfeirção logo desde os 6 anos, acabando por desistir duas décadas mais tarde.

O filme, contudo, ainda dá muitas voltas, fiél à noção de samsara, de altos e baixos, e termina num final em aberto que dá azo a muitas teorias e questões, que podem dar pano para mangas em posteriores debates. Aliado a tudo isto, está uma cinematografia muito espiritual, com uma beleza situada entre Kim Ki Duk e Satyajit Ray, aproveitando-se das paisagens majestosas e, simultaneamente, áridas do Tibete (quer dizer, do Ladakh, que é o Tibete indiano).

Outra surpresa total de Samsara são as cenas de sexo, sequências verdadeiramente muito à frente, libidinosas e extremamente sensuais, especialmente quando aparece a Angelina Jolie vietnamita, Christy Chung, sem roupa - nada do que esperássemos num filme como este.

Samsara é um filme fantástico, que ao ser anti-dogmático, consegue surpreender-nos por ser tudo aquilo que menos esperavamos. E se a parte "civil" da história é menos envolvente do que a parte "religiosa", esta compensa com o aprofundar das personagens e do enredo, fazendo do filme uma espécie de dois em um. Importe-o, baixe-o da internet, roube-o, peça-me emprestado... Faça qualquer coisa, mas tente ver Samsara. Porque estes McRoyal Deluxes não se vêm todos os dias.

Posted by: dermot @ 7:00 da tarde
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quarta-feira, janeiro 17, 2007  

MILLION DOLLAR BABY - SONHOS VENCIDOS:

Título: Million Dollar Baby
Realizador: Clint Eastwood
Ano: 2004


Agora que estamos quase a entrar naquela fase em que os Óscares vão começar a preencher na totalidade a actualidade cinematográfica, decidi recordar o grande vencedor da cerimónia há dois anos atrás (até porque Clint Eastwood volta a ser um dos nomes mais falados para arrecadar a estatueta): Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos.

Clint Eastwood teve um curioso percurso na indústria do cinema. Começou por ser o pai dos anti-heróis, com o Homem Sem Nome, a quem Sergio Leone imortalizou o olhar; passou para um dos primeiros action heroes, o durão Dirty Harry; e por fim, tornou-se num dos mais respeitados filhos de Hollywood, graças a uma sensibilidade dos seus filmes que lembra muito a mística do cinema clássico. Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos, filme que dirige e interpreta, encaixa neste último campo, obviamente.

Frankie Dunn (Clint Eastwood) é um treinador de boxe duro, mas justo, que esconde um bom coração debaixo de uma carapaça de ferro. Quando o seu último grande lutador o abandona, cansado de ser sobreprotegido, Dunn fica sozinho num vazio emocional, deixado pela sua filha que o abandonara há longos anos. Mas Scrap (Morgan Freeman), o capataz do seu ginásio, já o conhece há demasiado tempo para o deixar ir abaixo assim sem mais nem menos. E por isso, arranja-lhe um diamante em bruto para ele lapidar: Maggie Fitzgerald (Hillary Swank). Dunn não treina mulheres, mas claro que se vai deixar amolecer por aquela cara bonita e determinada.

Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos é um filme muito americano, sobre a família, a dedicação e a esperança, filmado na americana life-style - o perseguir do american dream, num cenário tradicionalmente americano, das bombas de gasolina à beira das auto-estradas intermináveis pelo deserto, aos restaurantes imortalizados por Edward Hopper. Até Hillary Swank, resgatada de novo para o cinema (ela que já não fazia nada que se aproveitasse desde Os Rapazes Não Choram) é uma espécie de underdog ao género de Rocky Balboa - mais uma num ginásio cheio de patine e indivíduos à procura da sua chance, em busca de um sonho que só eles é que conseguem ver.

Mas como esse filme já tinha sido feito e Clint Eastwood não lhe apetecia fazer um remake de Rocky, Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos muda abruptamente a meio, dando-nos um murro em cheio no estômago, atirando-nos ao chão e espezinhando-nos continuamente. São os tais sonhos vencidos, que o subtítulo em português fala (malditas traduções que teimam sempre em serem demasiado reveladoras). Para quem ainda não viu o filme (que nesta altura deve ser quase ninguém), não me vou alongar nos spoilers; mas posso apenas dizer que cai Rocky e levanta-se Mar Adentro.

Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos foi, sem dúvida, o filme do ano em 2005. Nele, é quase tudo perfeito. As interpretações - Hillary Swank está perfeita e com um sotaque delicioso, Clint Eastwood está na sua melhor forma e Morgan Freeman faz, simultaneamente, os dois papéis que sabe fazer melhor: o de narrador e o de Morgan Freeman -, a banda-sonora e o argumento, com diálogos curtos e subtis, mas inteligentes e eficazes. A única coisa imperfeita são mesmo as cenas dos combates, onde lhes falta um pingo de credibilidade, e a cena fulcral do filme. Nada que sirva para manchar o Royale With Cheese.

Posted by: dermot @ 6:52 da tarde
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BODY RICE:

Título: Body Rice
Realizador: Hugo Vieira da Silva
Ano: 2006


Body Rice estreou em Portugal depois do brilharete no Festival de Locarno, mas logo a maioria da imprensa nacional tratou de serenar euforias; um pouco por toda a imprensa, o filme não recebeu lá muito boas críticas. O que me fez logo pensar em algum novo fenómeno nacional, uma vez que Borat também foi arrasado pela crítica portuguesa, depois de ter causado sensação um pouco por todo o lado.

Body Rice debruça-se sobre dois universos muito específicos: o Alentejo, região portuguesa bastante particular, devido à sua aridez e à sua vasta extensão quase deserta; e as comunidades alemãs que lá vivem, fixados em comunidades hippies, ou nos tais projectos de reinserção social que surgiram nos anos 80. Assim, o que temos é um cenário bastante atípico: uma espécie de deserto parado no tempo, pulvilhado por alguns elementos da cultura alemã: os mercedes, a música industrial ou os pastores alemães.

Body Rice dá-nos um olhar sobre esta realidade, nomeadamente sobre algumas jovens inseridas nesse projecto, uma família alemã de acolhimento e um rapaz alentejano. Todos eles são criaturas inadaptadas, que se movimentam por aquele local como extraterrestres.

O Alentejo é uma regiáo propícia ao tema do "desenraizamento" e por isso, Antonioni é um nome que vem à baila na análise a Body Rice. Mas existe muito mais do cinema-verdade de Pedro Costa no filme de Hugo Vieira da Silva do que do alheamento de Antonioni. No entanto, se compararmos Body Rice com a última obra deste, as diferenças são abismais: enquanto que em Juventude Em Marcha as personagens são figuras humanas tridimensionais, em Body Rice os protagonistas limitam-se a existir, alheados da realidade, vagueando aleatoriamente por entre as raves e o fumo do tabaco.

Neste aspecto encontramos um certo paralelismo com Os Últimos Dias, mas sem a profundidade deste. Enquanto que no filme de Gus Van Sant existia um contexto que apoiava o alheamento do personagem principal, aqui tudo é oco. Existe um esqueleto, mas não existe matéria para o cobrir. Também é esta a intenção do realizador e, sobretudo para quem está familiarizado com o Alentejo, as coisas até fazem sentido, mas como filme é tudo basante vago.

Têm apelidado Body Rice de poema punk. É uma imbecilidade, porque de punk não tem nada. Só de poema - a sua componente contemplativa, graças a uma fotografia fantástica, que descansa bastante a vista. Quanto à comparação a Juventude Em Marcha, Body Rice apenas ganha num aspecto, que é o facto de não nos massacrar por tempo desnecessário.

Afinal, Body Rice não é assim tão mau como por aí o pintam, apesar de o início fazer temer o pior (aquele genérico inicial é das piores coisas que se tem feito por aí; deveriam proibir por 20 anos as imagens de paisagens filmadas de carro em andamento, de tão batidas que estão). Mas também ainda não é desta que se vai fazer parar as rotativas. É uma daquelas coisas intermédias, um Double Cheeseburger que não mata a fome, mas também não embaça.

Posted by: dermot @ 12:50 da manhã
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segunda-feira, janeiro 15, 2007  

PARIS JE T'AIME:

Título: Paris Je T'Aime
Realizador: Olivier Assayas, Frédéric Auburtin, Gurinder Chadha, Sylvain Chomet, Ethan & Joel Coen, Isabel Coixet, Wes Craven, Alfonso Cuarón, Gérard Depardieu, Christopher Doyle, Richard LaGravenese, Vincenzo Natali, Alexander Payne, Bruno Podalydès, Walter Salles, Oliver Schmitz, Nobuhiro Suwa, Daniela Thomas, Tom Tykwer e Gus Van Sant
Ano: 2006


Sao nestes pormenores que se vêm as diferenças entre os países (neste caso, as cidades): enquanto que Lisboa encomendou a Marco Martins e Tonino Guerra um filme sobre a cidade, de forma a promove-la ao Mundo, Paris encomendou o mesmo a vinte(!) nomes internacionais do cinema. Assim, enquanto Um Ano Mais Longo pode ser visto apenas em alguns festivais (eu, por exemplo, não faço ideia como o poderei ver), Paris Je T'Aime foi exportado comercialmente para todo o Mundo.

Paris Je T'Aime é então um filme colectivo de vinte realiadores diferentes, provenientes dos quatro cantos do globo, que juntaram um rol de estrelas para mostrarem em poucos minutos um pouco da sua visão sobre Paris. Nestes projectos, a coerência é sempre complicada, especialmente com tantas cabeças envolvidas. Por isso, mais vale deixar ver o que dá a coisa, do que tentar malabarismos inúteis que só vêm piorar. Felizmente, ninguém tentou nenhuma solução recambulesca e deixou-se a imaginação correr. O resultado é que, característico de Paris, só mesmo algumas excepções: a divertida curta de Sylvain Chomet, sobre uma tradicional figura francesa: o mimo; o olhar forasteiro de Alexander Payne; ou a história de fantasmas de Wes Craven, no cemitério dos famosos em Paris. Todas as outras bem poderiam passar-se em qualquer outra cidade que não perderiam a sua essência. Pormenores...

O amor é o tema fulcral da maioria das estórias, ou não fosse Paris a cidade mais romântica do Mundo. No entanto, na maior parte do tempo, Paris Je T'Aime é de uma falta de imaginação atroz. Chegamos a questionar-nos se, como em Café E Cigarros, estamos perante um deserto de ideias, ou se pelo contrário, estamos perante tantas ideias concentradas num curto espaço de tempo que não conseguimos capta-las a todas. Felizmente, a coisa compõem-se e, no final, o balanço é claramente positivo.

Assim, vale a pena fazer alguns destaques: aos irmãos Coen, que se juntam ao seu actor-fetiche, Steve Buscemi, num dos momentos mais divertidos do filme; a Tom Tykwer, que com a bela Natalie Portman (suspiro), resume o porquê de ser o melhor realizador alemão vivo; e, sobretudo, Alfonso Cuarón, que tem o melhor momento de Paris Je T'Aime, num segmento filmado numa só sequência e com direito a uma espécie de twist final. Por fim, menção a Vicenzo Natali, que arrecada o prémio Fantástico, com uma história de vampiros visualmente bastante interessante.

Para terminar, já mesmo depois da hora e do McBacon, queria deixar apenas algumas considerações: Steve Bucemi e Bob Hoskins estão velhos; Gerard Depardieu está gordo que nem uma pipa; e é imperdoável que num filme sobre Paris, não apareça vez nenhuma o túmulo de Jim Morrison, quando é o segundo ponto turístico mais visitado da cidade.

Posted by: dermot @ 11:20 da tarde
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domingo, janeiro 14, 2007  

A MOSCA:

Título: The Fly
Realizador: David Cronenberg
Ano: 1986


Existem actores que ficam irremediavelmente marcados a certos papéis que fazem. Para mim, por mais filmes que entre, Jeff Goldblum será sempre o tipo de A Mosca.

A Mosca é o mais característico filme e David Cronenberg, aquele em que explora melhor a temática comum das suas obras: a projecção do eu noutro corpo sob situações adversas e/ou bizarras.

Remake do clássico da ficção-científica da década de 50, este A Mosca é a história do brilhante e excêntrico cientista Seth Brundle (Jeff Goldblum), que inventa algo que irá mudar o mundo: o teletransporte! Contudo, quando Brundle experimenta em si próprio o engenho, uma mosca entra fortuitamente na máquina e o adn de ambos vai fundir-se. Brundle começa então a transformar-se gradualmente (e literalmente) numa mosca. A brundlefly...

Para além de ser uma versão mais "feinha" (feinha como na tradução de "nasty") e gore desta história de ficção-científica, que abordava primordialmente a questão da eutanásia, A Mosca é um filme que mergulha e escava mais fundo na condição do homem, ou não fosse Kafka citado às tantas. Filme de binómios, A Mosca é não só uma estória sobre o tradicional conflito Bem vs Mal, como uma questão etnológica, que chega a tocar num assunto que volta a estar na ordem do dia: o aborto.

Jeff Goldblum está irrepreensível na sua trasnformação em mosca; e Cronenberg mantém neste filme a sua imagem de "tipo esquisito", com fracturas expostas, membros derretidos e uma mosca humana bem repulsiva, apesar de no final não ser mais do que um bug-eye-monster (mas um bug-eye-monster com classe). Agora, só nos resta aguardar ansiosamente pelo director's cut, que inclua a tão falada cena do babuíno fundido com um cão que Brundle espanca até à morte com um cano .

Exemplo maior da ficção-científica e um daqueles raros casos em que o remake é melhor que original. Estou indecido entre o McRoyal Deluxe e o Le Big Mac. Vou deixar à vossa consideração. Mas sem querer ser faccioso, eu estou mais inclinado para a segunda.

Posted by: dermot @ 2:15 da manhã
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sexta-feira, janeiro 12, 2007  

DONNIE BRASCO:

Título: Donnie Brasco
Realizador: Mike Newell
Ano: 1997


Desde a bem-aventurada incursão de Francis Ford Coppola pelo mundo da mafia, com a triologia de O Padrinho, que o universo da mafia italo-americana tem sido uma presença mais ou menos regular e feliz em Hollywood. E Al Pacino tem sido um dos actores-fetiche dessa vaga.

Donnie Brasco, filme baseado na história verídica do agente especial Joe Pistone, foi o último capítulo de uma série de filmes de gangsters bem-sucedidos de Al Pacino, onde se contam títulos como Perseguido Pelo Passado, Scarface ou, claro, O Padrinho II. Pistone (aqui interpretado por Johnny Depp, ainda distante do reconhecimento planteário de hoje) foi um agente do FBI que, nos anos 70, se infiltrou no submundo da mafia durante 7 anos, sob o nome de (adivinhem) Donnie Brasco, arranjando provas que serviram para condenar mais de 200 tipos.

Lefty Ruggiero (Al Pacino) era um gangster importante, respeitado por todos, com um palmarés de mortes invejável. Pelo menos era assim na sua cabeça. Com efeito, Lefty era um agiota menor, que usava fato-de-treino de ir ao Fórum Montijo ao domingo, tinha problemas de dinheiro e a quem poucos confiavam importantes trabalhos. Em suma, era o elo mais fraco da cadeia. E logo, o mais fácil para Brasco se infiltrar.

Assim, Lefty acolheu Donnie por sete anos, ensinando-lhe todos os truques daquele mundo de crime. Rapidamente, Donnie Brasco ultrapassou o mestre, ganhando a confiança do importante Sonny Black (Michael Madsen), mas nunca esqueceu o seu (verdadeiro) amigo, com quem desenvolveu uma forte ligação.

Assim, Donnie Brasco conta como o agente Pistone trabalhou durante 7 anos, subindo a pulso no mundo da mafia como agente infiltrado, numa espécie de fusão entre Infiltrados (com a mesma problemática da vida dupla, em que a identidade falsa começa a ser difícil de distinguir da verdadeira) e O Padrinho. Durante esses sete anos, Pistone prescindiu da vida pessoal, composta por uma esposa e três filhos. E que ganhou com isso? Um casamento quase desfeito, um amigo assassinado, um resto de vida a viver escondido sob uma nova identidade e 500 mil dólares do estado, que o IRS pilhou avidamente.

Tudo isto era matéria mais do que suficiente para três horas de um épico familiar à escala de um Era Uma Vez Na América. Mas claro que Mike Newell não é Sergio Leone e Donnie Brasco é uma versão light dos filmes de gangsters, que chega quase a parodiar este estilo. Exemplo disto é o diálogo sobre a expressão forge'about'it, com um então desconhecido (e com ainda muito cabelo) Paul Giamatti, ou a imposição sobre a ausência de bigodes, acessório capilar que a máfia actual dispensa por recordar os de má memória moustache petes.

Muitas vezes, Newell pega nas situações a meio, como se entrássemos no comboio em andamento - demoramos a recuperar o fôlego, mas quando nos damos conta aonde estamos, o filme desenvolve de forma escorreita, até entrar em velocidade de cruzeiro. E depois, claro, existe a representação de Al Pacino, num gangster que é completamente o oposto do temível Tony Montana, de Scarface.

Não fosse a presença da tríade Pacino, Depp e Madsen e Donnie Brasco seria apenas um dispensável filme realizado por mais um tarefeiro de Hollywood. Assim, consegue ganhar qualidade suficiente a figurar no princípio da segunda metade do top 10 dos melhores filmes de sempre sobre a máfia. O que dá, mais coisa menos coisa, direito a um McBacon.

Posted by: dermot @ 1:36 da tarde
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quinta-feira, janeiro 11, 2007  

APOCALYPTO:

Título: Apocalypto
Realizador: Mel Gibson
Ano: 2006


Simpatizo bastante com o Mel Gibson actor. Gosto dele e gosto dos filmes dele. Aliás, como era possível não gostar do mítico Mad Max? Também não desgosto do Mel Gibson realizador. Não entro em euforias com Braveheart - O Desafio Do Guerreiro, mas é um bom filme, enquanto que A Paixão De Cristo também é um trabalho bem respeitável. Quanto ao Mel Gibson cidadão não me aquece nem arrefece. Quero lá saber que ele não goste de judeus. Isto tudo só para dizer que neste antro não existem preconceitos para com Mel Gibson, antes pelo contrário.

Depois de A Paixão De Cristo, em que Gibson teve o condão de criar um novo género - o gore familiar -, Apocalypto parecia reunir as condições necessárias para terminar esta triologia dos mártires: o declínio do império Maia. Mas Apocalypto tem muito pouco de filme histórico. Se estava à espera de um épico, então não sairá defraudado. Agora de filme histórico há muito pouco.

Não quero dizer com isto que o filme é historicamente incorrecto. Aliás, aquelas pessoas que andam para aí a dizer, ah e tal o Mel Gibson faz os Maias parecerem primitivos, quando na verdade eram uma das civilizações mais avançadas, são imbecis. Primeiro, porque isto é um filme! Os indígenas até podiam ter antenas e serem verdes que não me importava. E segundo porque Apocalypto é, claramente, um filme sobre um local e um tempo indeterminado.

Assim se justifica a junção entre aspectos culturais maias e aztecas, ou a chegada dos espanhóis (que, seguindo o rigor histórico, só deveriam chegar uns bons anos depois, não é Helena?). Apocalypto é uma enorme metáfora sobre a civilização contemporânea e as suas vicitudes, servindo-se da Bíblia para certas analogias (como a cena do eclipse, em que o "novo sol" traz uma "nova ordem"). É por isso que a violência é novamente gráfica e exagerada - volta-se a ter gore familiar e não violência gratuita.

Apocalypto é então uma espécie de spin-off de A Paixão De Cristo, mas sem a cruz e com outra língua esquisita (o yucatan, cuja fonética pausada faz com que os indígenas parecam doentes com trissomia 21). Pata Jaguar (Rudy Youngblood) é a figura central da história, um caçador de uma tribo que é dizimada pelos guerreiros de uma metrópole e tornados sacrifícios para os seus deuses. Mas Pata Jaguar tem a sua mulher e filho à sua espera, escondidos num poço, e por isso não pode morrer já...

Até ao intervalo, Apocalypto é um filme fantástico, um épico tenso e bem forte, com uma fotografia de postal de férias e ma grandiloquência ingénua, tipo versão naif de Terence Mallick, mas aceitável. Depois, a situação inverte-se: Pata Jaguar liberta-se e escapa. Entra o intervalo e saímos para respirar um pouco, daquele sufoco no coração. E depois? Depois, das duas uma: ou volta para casa a dizer para si que o Mel Gibson é um realizador porreiro; ou volta para a sala de cinema para assistir ao remake de Rambo - A Fúria Do Herói.

Já não via um survivor assim desde os anos 80. Talvez pensando nos seus tempos de Mad Max, Mel Gibson manda Apocalypto às urtigas e transforma Pata Jaguar em action-hero, onde só lhe falta a fita vermelha na cabeça. De resto está lá tudo, incluindo as câmaras-lentas dramáticas. A segunda parte de Apocalypto é extremamente pateta e a cereja no topo do bolo é o parto mais idiota de sempre do cinema. Lembram-se daquele em O Sentido Da Vida, dos Monthy Phytons? É igualzinho!

Se você é daqueles que, como eu, decidiu ficar na sala de cinema até ao fim, então acredito que o Double Cheeseburger será mais do que suficiente.

Posted by: dermot @ 7:58 da tarde
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quarta-feira, janeiro 10, 2007  

ATÉ AO LIMITE DO TERROR:

Título: A Deadly Encounter
Realizador: Richard Roy
Ano: 2004


Sou capaz de apostar o dedo indicador da mão direita como nunca ouviu falar de Até Ao Limite Do Terror, nem tão-pouco do seu realizador, Richard Roy. É que este é um daqueles telefilmes de segunda categoria, que a TVI compra em saldos no LIDL para encher chouriços. Então qual é a razão de eu estar a escrever sobre ele? A resposta é simples: tempo livre a mais.

Estou a brincar. Quer dizer, mais ou menos. É que Até Ao Limite Do Terror é um filme bem mais interessante que os demais da sua família. Por isso, se algum dia o apanhar na televisão a horários indecentes, atacado por uma crise de insónias, aconselho-o a dar-lhe uma chance.

Até Ao Limite Do Terror apresenta uma premissa bastante promissora e muito à Stephen King. Joanne (Laura Leighton) é uma mulher divorciada, a quem o marido deixou várias complicações económicas. Por isso, para além de ter de enfrentar os problemas do divórcio e as complicadas relações entre o seu filho e o pai, Joanne tem ainda que trabalhar até às tantas num bar, para poder pagar as contas.

Claro que o que Joanne estava a precisar era de mais problemas. Por isso, um dia enquanto vai para casa, quase que abalroa acidentalmente um jipe. O condutor leva esse incidente a peito e passa a persegui-la e a amaeaça-la, com doentios jogos psicológicos.

Até Ao Limite Do Terror é então um jogo psicológico de nervos e paranóia que, ao contrário do que seria de esperar, prima pela subtileza e pelo suspense. Normalmente, os filmes deste género ou colocam logo toda a carne no assadouro, com milhentas jump scenes, ou então começam a inventar mil e um mcguffins e a encherem aquela perseguição de razões absurdas. Até Ao Limite Do Terror não faz isso: o perseguidor é um tipo que foi abalroado e que levou aquilo a peito. Mais nada. Ponto final.

Assim, tudo funciona de forma bastante competente. O suspense é eficaz, a identidade do perseguidor fica sempre escondida até à última e a paranóia da protagonista tem profundidade suficiente para não parecer um filme de segunda categoria. Tudo parecia bem encaminhado para o McChicken, até porque não havia sombras de nenhum twist final ridículo que pudesse cair do céu por ordem do Espírito Santo.

É então que Richard Roy conseguiu estragar tudo. Nos últimos dez minutos, armou-se no Michael Bay dos telefilmes da TVI e terminou tudo com uma borrada de todo o tamanho, rematando o filme com um rapto e uma explosão em tempo recorde. Desde O Último Grande Herói que os carros deixaram de explodir quando são atingidos por tiros no motor, hein. Toma lá um Cheeseburger e não digas que nao levas nada daqui.

Posted by: dermot @ 12:20 da tarde
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terça-feira, janeiro 09, 2007  

ENCURRALADA:

Título: Trapped
Realizador: Luis Mandoki
Ano: 2002


Praticamente, Kevin Bacon é um selo de filme dispensável; Bacon faz tantos filmes, que a cada um bom que faz, correspondem dez maus. Não é por acaso que existe uma coisa chamada Oráculo Bacon... Por isto, o mais certo era que Encurralada fosse uma banhada, mas como eu gosto de correr riscos, decidi experimentar. Tal como experimento todas as sextas-feiras jogar no Euromilhões e nunca acerto.

Encurralada é a história de três bandidos que desenvolvem uma técnica infalível de raptos por resgate, mas que ao fim ao cabo não são muito originais dos restantes: Joe (Kevin Bacon), Marvin (Pruitt Taylor Vince) e Cheryl (Courtney Love) separam as suas vítimas durante 24 horas e preparam todas as operações após estudarem-nas ao milímetro. Depois de quatro raptos com sucesso, as vítimas vão ser uma família de betinhos bem sucedidos: o médico-prodígio William Jennings (Stuart Townsend), a sua escultural mulher Karen (Charlize Theron) e a filha Abigail (Dakota Fanning).

Esta estratégia serve para o realizador Luis Mandoki pôr em prática uma piada cruél. Uma vez que as personagens se vão separar em três "equipas", Mandoki fá-lo consoante as suas habilidades representativas: assim, na casa da família Jannings está o líder dos bandidos, Kevin Bacon, e a chantageada Charlize Theron - os dois nomes mais conceituados do elenco e já com provas dadas na indústria; numa cabana no meio do nada está o desengonçado Pruitt Taylor Vince e a vítima Dakota Fanning - as duas melhores interpretações do filme; e num hotel a quilómetros de distância está a pega drog.. perdão, Courtney Love, e o outro chantageado, Stuart Towsend - lutando para ver qual deles não é o pior do filme (e que no final saiem com um epate técnico)!

Encurralada até poderia ser algo interessante, ou minimamente entretido, como até chega a prometer de início. Mas depois a história começa a querer ser mais esperta do que é e a inserir sub-argumentos e uma espécie de twist, que só serve para terminar o filme em modo action-hero, com perseguições que envolvem carros e aviões numa auto-estrada apinhada. Se ainda comemos o facto de três ladrões conseguirem investigar a fundo o passado das vítimas e não saberem que a filha era uma asmática crónica, a existência de recalcamentos passados, vendetas e outras coisas que tais só servem para inflar o filme de pretensiosismo.

Este é um daqueles filmes que se fosse directamente para o clube de vídeo não fazia mal a ninguém. E como já toda a gente viu a Courtney Love nua e como a Charlize Theron de trajes reduzidos é manifestamente pouco, não há muito que se safe neste Cheeseburger.

Posted by: dermot @ 7:20 da tarde
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segunda-feira, janeiro 08, 2007  

VIVER A SUA VIDA:

Título: Vivre Sa Vie
Realizador: Jean-Luc Godard
Ano: 1962


Se a definição "cinema de autor" alguma vez faz sentido é quando colocada ao lado do nome de Jean-Luc Godard. Com efeito, ver um filme do mestre francês dá-nos uma vontade indiscritível de fazer cinema e observar cada cena até ao mais infímo pormenor. É que Godard filma contra qualquer previsão, ao sabor dos impulsos, de forma imprevista e bem longe das cartilhas cinematográficas. E o que irrita é que resulta extremamente bem.

Viver A Sua Vida é um dos filmes fundamentais da sua obra e um dos seus mais característicos. Registo experimental em doze cenas, não no formato da tragédia grega, mas antes na sequência de episódios mais-ou-menos não-lineares, Viver A Sua Vida é um filme delicado e observador, acerca de Nana (fabulosa Anna Karina, a provar todo o seu multi-facetismo), uma jovem adolescente à procura de respostas para a própria vida.

Tal como a Nana de Renoir, esta é uma actriz falhada, com poucas perspectivas de futuro pela frente, que a fazem mergulhar no Mundo da prostituição. O momento-charneira - e também momento-chave do filme -, é a fantástica cena em que assiste a A Paixão De Joana D'Arc no cinema, onde Godard cria um paralelismo entre Anna Karina e Maria Falconetti.

Humanizando o mundo da prostituição e dando dimensão humana suficiente a Anna Karina, Godard cria um filme simples, mas extremamente eficaz. Viver A Sua Vida faz-se de dois ingredientes: da actriz principal, Anna Karina, uma actriz completa e eclética; e dos diálogos (e monólogos), conversas inteligentes e interessantes, como a discussão com o filósofo francês Brice Parain numa mesa de café.

Curiosidade ainda o facto de encontrarmos em Viver A Sua Vida claras marcas do Pulp Fiction de Tarantino - uma cena musical ao som de surf-music, apesar de não ser tão apelativa quanto a de Bande À Part; um diálogo sobre o silêncio; ou as semelhanças iconoclastas entre o aspecto de Anna Karina e Uma Thurman.

Contudo, apesar de fundamental, Viver A Sua Vida não é o melhor filme de Godard. Como gosto mais de outros, fico-me pelo McRoyal Deluxe.

Posted by: dermot @ 12:38 da manhã
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domingo, janeiro 07, 2007  

GUERRA DOS MUNDOS:

Título: The War Of The Worlds
Realizador: Byron Haskin
Ano: 1953


Durante os anos 50, a ficção-científica era vista como um género menor, que apenas agradava aos nerds de óculos de massa e aos maluquinhos da banda-desenhada. Por isso, até surgir a primeira grande produção do género - o incontornável Planeta Proibido - e o primeiro filme de ficção-científica com um argumento - O Sentenciado -, apenas raras excepções sobressaiam (alguém mencionou O Dia Em Que A Terra Parou?). Tudo o resto era usado como propaganda descarada em plena Guerra Fria, ou pensam que a ameaça vermelha de Marte não era a mesma coisa que a ameaça vermelha do comunismo?

De entre este panorama, há um título que sobressai. E nem é por ser a melhor adaptação de um dos mais intemporais contos de ficção-científica. Falo de A Guerra Dos Mundos, de Byron Haskin, um documento que não divide o Mundo em ameaças e ameaçados, mas antes o une, contra uns invasores alienígenas. Tal como diz o prefácio, depois da I Guerra Mundial, em que o Mundo lutou ferozmente entre si, chegou a vez de todas as nações se juntarem para ajudarem a salvar o Mundo.

Em suma, acaba por ser o filme que mais reproduz os objectivos principais da ficção-científica - porem em causa um mundo presente e/ou um futuro a curto prazo, retratando um futuro possível como espelho. E o outro objectivo é a linguagem técnica e científica acessível a todos. Em A Guerra Dos Mundos tudo é explicado ao pormenor - como é que as naves voam, como é que os escudos protectores funcionam... -, provando que toda aquela invasão poderia ser bem possível.

Contudo, o que mais me fascina em A Guerra Dos Mundos é a natureza dos invasores. Normalmente, estamos habituados a alienígenas que vêm à Terra em paz (alguém falou nos Encontros Imediatos De Terceiro Grau?) ou, simplesmente, para nos alertar (podia referir aqui O Dia Que A Terra Parou, mas vou antes apontar Plano 9 Dos Vampiros Zombies). Mas em A Guerra Dos Mundos, os extraterrestres vêm à Terra com um único propósito: o extermínio da raça humana. Pura e simplesmente, sem justificações baratas ou falatório desnecessário.

A Guerra Dos Mundos é um genocídio. E anos antes do Holocausto, assusta ver as cenas em que filas intermináveis de pessoas abandonam as cidades, à ameaça da aproximação das máquinas do outro planeta. Não é por acaso que Spielberg, na sua versão de 2005, transformou essas cenas em réplicas das de A Lista De Schindler. A Guerra Dos Mundos é um extermínio sem tréguas. E por isso, quando o padre Collins (Lewis Martin) decide ir tentar comunicar com os invasores, com a Biblia numa mão e muito boa vontade na outra, a única resposta que recebe é um raio desintegrador. Arrepiante.

Além disto, A Guerra Dos Mundos é um filme extremamente contemporâneo, muito à frente do seu tempo. Claro que existem algumas situações muito cheesy, dignas do cinema daquela década, mas são várias as cenas que poderiam ter sido filmadas hoje: a mão do alienígena a cair da máquina, inanimada, com um suspense brutal, ou o olho mecânico a perscutar a casa em busca de sinais de vida, que Spielberg pilhou para a sua versão.

A única falha de A Guerra Dos Mundos são as máquinas invasoras que são meras naves voadoras, longe dos esbeltos tripés que HG Weels descreve no seu livro. Fora isso, um McRoyal Deluxe para um dos grandes filmes de ficção-científica de sempre.

Posted by: dermot @ 11:45 da manhã
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quarta-feira, janeiro 03, 2007  

TOP 10:

Ano novo, vida nova. Confesso que já vou no terceiro dia deste ano de 2007 e ainda não noto nada de diferente, para além do preço do passe mais caro. Por isso, vou manter a tradição e fazer o que já (quase) toda a gente fez. Apresentar o TOP 10 DOS MELHORES FILMES DE 2006:

Menção Honrosa
Breakfast On Pluto

Não, O Segredo De Brokeback Mountain não é o filme gay do ano. Essa distinção vai para Breakfast On Pluto, uma espécie de Entrevista Com O Vampiro, mas com travestis em vez de vampiros, com glam-rock, lantejoulas e o Brian Ferry.

10º Lugar
Walk The Line

Temos que ser sinceros e admitir que este não é uma obra-prima daquelas de ver e chorar por mais. No entanto, é um bio-pic mais do que interessante sobre um dos últimos deuses da música, Johnny Cash. E só a recriação do concerto em San Quentin serve para fazer uma certa impressão no estômago.

9º Lugar
Os Três Enterros De Um Homem

Tommy Lee Jones estreou-se por trás das câmaras com um trash-western com tanto de Peckinpah como de Alejandro Iñarritu, ou não fosse o filme escrito por Guillermo Arriaga. Além disso, o título original faz-me lembrar, de alguma forma, o mítico Bring Me The Head Of Alfredo Garcia. Parecem-me razões mais do que suficientes para figurar nesta lista.

8º Lugar
Ninguém Sabe

Os japoneses são doidos; inventam coisas tão execráveis quanto o karaoke, dão-se ao trabalho de fazer coisas tão úteis quanto as melancias sem pevides e abandonam os filhos em casa ao deus-dará. Desde O Regresso que não chegava às salas de cinema portuguesas um filme tão belo.

7º Lugar
Munique

É tão certo quanto um relógio suíço - Steven Spielberg depois de fazer um mau filme, faz sempre um bom filme. Por isso, depois de Guerra Dos Mundos só podíamos esperar algo bom. Só não sabíamos era que ia ser tão bom. Se o mundo fosse um sítio justo, Munique tinha vencido os Óscares o ano passado.

6º Lugar
Borat

É uma comédia screwball que ultrapassa todos os limites aceitáveis. É imoral, escatológico e goza com tudo e todos, incluindo os próprios autores do filme. É um filme com pouco de cinema e muito de Gente Gira. É para ver uma vez e pouco mais. E depois? Irá rir que nem um perdido, até ter dores de barriga e as lágrimas a cairem-lhe dos olhos.

5º Lugar
Em Paris

Feelgood movie em moldes de nouvelle vague, longe da rigidez cruél de Os Amantes Regulares. Além disso, tem a Kim Wilde a cantar o Cambodja. Os anos 80 foram do caraças.

4º Lugar
Uma Família À Beira De Um Ataque De Nervos

Quem me conhece sabe que não gosto particularmente do que agora se chama de filmes indie. O que dantes servia para classficar filmes descomprometidos perante qualquer convenção ou gosto particular, é actualmente uma "escola" e um estilo muito próprio. Por isso, quando um indie movie não se preocupa em demasia em ser original até tem resultados bem catitas. Além disso, tem a tradução para português mais imaginativa do ano e o momento musical de 2006, ao som de Rick James. She's a very nasty girl...

3º Lugar
Escolha Mortal

Imaginem Terence Mallick a realizar um western e Sam Peckinpah a enche-lo de pó e sebo às escondidas. Esse filme é Escolha Mortal, realizado por John Hillcoat e escrito por (aplauso de pé) Nick Cave, que também assina a banda-sonora.

2º Lugar
The Departed: Entre Inimigos

Como é que remake pode ocupar um lugar neste pódio? Pode se for realizado por sua excelência, Martin Scorcese. Nesta adaptação de Infiltrados há tudo o que é preciso para um homem ser feliz: um elenco de estrelas, os Rolling Stones na banda-sonora, Jack Nicholson a fazer de mau e Vera Farmiga despida.

1º Lugar
Vai E Vive

Já não se fazem épicos de três horas e tal como antigamente. As excepções são realizadores como Abbas Kiarostami ou Radu Mihaileanu, que teimam em fazer cinema a sério. Vai E Vive é, claramente, o meu filme do ano.

Posted by: dermot @ 7:09 da tarde
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segunda-feira, janeiro 01, 2007  

OS INADAPTADOS:

Título: The Misfits
Realizador: John Huston
Ano: 1961


A leviandade com que se emprega actualmente a definição de filme de culto, tem-na vulgarizado atrozmente. É que esta é uma expressão feita a pensar em filmes como Os Inadaptados, cuja mística inerente transformam-nos em importantes documentos apenas por existirem. Os Inadaptados poderia muito bem ter três horas de duração e nenhum argumento e seria na mesma um dos mais fundamentais filmes de culto de sempre. Primeiro porque junta os génios de Marylin Monroe, Clark Gable, Montgomery Cliff, Eli Wallach, John Huston e Arthur Miller. E segundo porque foi o útlimo filme dos dois primeiros, que viriam a encontrar a fatalidade pouco depois. Tudo isto embrulhado numa panóplia de peripécias que envolveram as filmagens...

Todos estes factores empolaram Os Inadaptados e deram-lhe um alcance muito maior. Mas o filme não se fica pela aparência e tudo o que promete cumpre: um excelente filme, daqueles intemporais que se prolongam pelo tempo, tão actuais hoje como há cinquanta anos atrás.

Os Inadaptados é uma balada sobre o final de um tempo. Visto agora à distância, parece um prenúncio de John Huston acerca do destino dos protagonistas, que não viriam a viver muito mais (Wli Wallach foi a excepção). Roslyn (Marilyn Monroe), Gay (Clark Gable)e Guido (Eli Wallach) conhecem-se no Nevada, a cidade onde as pessoas vão para se divorciar e abandonarem a vida passada. Era isso que Roslyn lá fazia, uma mulher fatal de tirar o fôlego aos homens, extremamente sensível e à procura do seu lugar certo no Mundo. Por sua vez, Gay é um cowboy a tentar manter desesperadamente o romantismo da sua vida livre, à medida que o progresso e a evolução vão tolhendo a sua vida como ela é. E Guido é um homem despedaçado, pela Guerra que enfrentou e pela mulher que perdeu. Em suma, são três inadaptados à procura do seu lugar na sociedade.

Pelo meio vão ainda juntar-se a Perce (Montgomery Clift), um falhado dos rodeos com problemas paternais. Juntos vão formar um quadrado amoroso, que apenas se consuma entre Roslyn e Gay, mas que vai ter repercursões mais graves junto dos restantes. Deslocados para o campo, que melhor os compreende que a cidade, os quatro vão-se descobrir e conhecer a si próprios, terminando o filme numa enorme metáfora, numa caçada aos cavalos mustang no deserto do Nevada. Se tivesse sido feito dez anos mais tarde, Os Inadaptados seria certamente um road movie.

Arthur Miller, um dos melhores dramaturgos de sempre, escreveu aqui uma das suas peças mais poderosas, que John Huston aliou com mestria ao entretenimento, especialmente na última meia-hora de filme, a tal caçada aos cavalos, que inclui um Clark Gable a ser arrastado por trinta metros por um desses animais. Depois, há Gable numa representação de uma vida e Marylin Monroe no seu único papel a sério, mas que não chega para me convencer de que era uma actriz acima da média.

Os Inadaptados é um dos melhores exemplares do cinema clássico da época de ouro de Hollywood, uma história tragicamente bela e um canto de cisne que os acontecimentos posteriores lhe deram novo eco. Para a posterioridade fica também a excitante cena da raquete e a imaginação do plano de Marylin em topless que ficou no chão da sala de edição. Falta-me apenas associar todas estas palavras a um McRoyal-Deluxe-Hollywood-vintage.

Posted by: dermot @ 4:21 da tarde
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COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga

TAKE:
Take - cinema magazine | take.com.pt


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CRÍTICAS:
- A Armadilha
- A Arte De Pensar Negativamente
- A Árvore Da Vida
- A Balada de Jack And Rose
- A Bela E O Paparazzo
- A Boda
- À Boleia Pela Galáxia
- A Cabana Do Medo
- A Cela
- A Canção De Lisboa
- A Cara Que Mereces
- A Casa Dos 1000 Cadáveres
- A Casa Maldita
- A Cidade Dos Malditos
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- A Comunidade
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- Exterminador Implacável 2 - O Dia Do Julgamento Final
- Exterminador Implacável 3 - Ascensão Das Máquinas
- Exterminador Implacável 4 - A Salvação

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- Fantasmas De Marte
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- The Brown Bunny
- The Darjeeling Limited
- The Departed: Entre Inimigos
- The Devil And Daniel Johnston - Loucuras De Um Génio
- The Devil's Double
- The First Great Train Robbery
- The Fountain - O Último Capítulo
- The Grudge - A Maldição
- The Host - A Criatura
- The Impossible Kid
- The King Of Kong
- The Langoliers - Meia-Noite E Um
- The Last House On The Left
- The Machine Girl
- The Man From Earth
- The Marine
- The Million Dollar Hotel - O Hotel
- The Mindscape Of Alan Moore
- The Mist - Nevoeiro Misterioso
- The Others - Os Outros
- The Prestige - O Terceiro Passo
- The 50 Worst Movies Ever Made
- The Way
- The Woman
- Thirst - Este É O Meu Sangue
- This Is It
- This Is Spinal Tap
- Thor
- Thriller - A Cruel Picture
- THX 1138
- Tirar Vidas
- Titanic 2
- Tony
- Tournée - Em Digressão
- Toy Story 3
- Tragam-me A Cabeça De Alfredo Garcia
- Transamerica
- Tron
- Tron: O Legado
- Tropa De Elite
- Tropa De Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro
- Tsotsi
- Tubarão
- Tubarão 2
- Tubarão 3
- Tubarão IV - A Vingança
- Tucker E Dale Contra O Mal
- Tudo Ficará Bem
- Tudo Pode Dar Certo
- Twisted - Homicídios Ocultos

- Ultra Secreto
- Um Amor De Perdição
- Um Azar Do Caraças
- Um Bater De Corações
- Um Belo Par... De Patins
- Um Cão Andaluz
- Um Dia A Casa Vai Abaixo
- Um Dia De Raiva
- Um Homem Singular
- Um Longo Domingo De Noivado
- Um Lugar Para Viver
- Um Padrasto Para Esquecer
- Um Profeta
- Um Tiro No Escuro
- Um Trabalho Em Itália
- Uma Aventura Na Casa Assombrada
- Uma Boa Mulher
- Uma Canção De Amor
- Uma Espécie De Cavalheiro
- Uma Famí­lia À Beira De Um Ataque De Nervos
- Uma História De Violência
- Uma Pequena Vingança
- Uma Rapariga Com Sorte
- Uma Segunda Juventude
- Uma Segunda Vida
- Undefeatable
- Unseen Evil 2 - Alien 3000
- Up - Altamente

- V De Vingança
- Vai E Vive
- Vais Conhecer O Homem Dos Teus Sonhos
- Valhalla Rising - Destino De Sangue
- Valquíria
- Vampiros de John Carpenter
- Van Helsing
- Vanilla Sky
- Vanitas
- Vasilhame
- Veio Do Outro Mundo
- Veludo Azul
- Velvet Goldmine
- Vencidos Pela Lei
- Vendendo A Pele
- Veneno Cura
- Vera Drake
- Versus - A Ressurreição
- Vestida Para Matar
- Vice
- Vício - Quando Nada É Suficiente
- Vicky Cristina Barcelona
- Vidas Sombrias
- Vigilância
- Vingança Redentora
- Virgem Aos 40 Anos
- Vitus
- Viúva Rica Solteira Não Fica
- Viver A Sua Vida
- Voando Sobre Um Ninho De Cucos
- Voltando Para Casa
- Voltar
- Vontade Indómita
- Voo 93

- Walk Hard - A História De Dewey Cox
- Walk The Line
- WALL-E
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Wassup Rockers - Desafios De Rua
- Watchmen - Os Guardiões
- Welcome To The Rileys
- White Irish Drunkers
- Wild Zero
- Win Win
- Wolf Creek
- Wristcutters: A Love Story

- X-Men
- X-Men 2
- X-Men 3 - O Confronto Final
- X-Men: O Início
- X-Men Origens: Wolverine

- Zack E Miri Fazem Um Porno
- Zardoz
- Zatoichi
- Zombies Party - Uma Noite... De Morte
- Zombies Strippers
- Zozo

- 007 - Agente Secreto
- 007 - Casino Royale
- 007 - Quantum Of Solace
- 10 Coisas Que Odeio Em Ti
- 100 Volta
- 10.000 AC
- 12 Homens Em Fúria
- 12 Macacos
- 12:08 A Este De Bucareste
- 1984
- 2LDK
- 24 Hour Party People
- 28 Dias Depois
- 20,13 - Purgatório
- 2012
- 300
- 4 Copas
- 48
- 50/50
- 6=0 Homeostética
- 8 1/2
- 9 Canções
- 98 Octanas


ENTREVISTAS:
- Fernando Fragata
- Festróia - Mário Ventura
- Filipe Melo
- Good N Evil
- IMAGO - Sérgio Felizardo
- José Barahona
- Nuno Markl
- Paulo Furtado
- Rodrigo Areias
- Sara David Lopes
- Solveig Nordlund
- Fernando Alle


TOPES:
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2011
- Top 5 dos Piores Filmes de 2011
- Top 10 dos Melhores Filmes de 2010
- Top 5 dos Piores Filmes de 2010
- Top 5 dos filmes de Leslie Nielsen
- Top 10 Dos Filmes Low Cost
- Top 5 das Melhores Cenas de Dança
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2009
- Top 5 dos Piores Filmes de 2009
- Top 5 dos Filmes Que Tenho Vergonha De Dizer Que Gosto
- Top 5 das Melhores Músicas de Ennio Morricone
- Top 5 dos filmes com Patrick Swayze
- Top 5 dos Telediscos do Michael Jackson
- Top 5 dos Filmes com David Carradine
- Top 5 dos Filmes com Lutadores de Luta-Livre
- Top 10 Os Melhores Filmes de 2008
- Top 5 Os Piores Filmes de 2008
- Top 5 dos Piores Filmes de Natal
- Top 5 das Coisas que não Esperávamos Ver no Cinema
- Top 5 dos Melhores Filmes de Paul Newman
- Top 5 Personagens Com Palas Nos Olhos
- Top 10 Melhores Cartazes De Cinema
- Top 5 dos Filmes de Chuck Norris
- Top 5 dos Filmes de Patrick Swayze
- Top 10 Os Melhores/Piores Vestidos dos Oscares
- Top 5 As Mortes de Crianças Mais Gratuitas
- Top 10 Os Melhores de 2007
- Top 5 Os Piores de 2007
- Top 7 Adaptações ao Cinema de Livros de Stephen King
- Top 5 Filmes Pela Paz
- Top 5 Os Melhores Beijos
- Top 5 Grandes Arquitectos
- Top 10 Filmes Que Mudaram A Minha Vida
- Top 5 Mulheres de Cabeça Rapada
- Top 5 As Cenas Mais Excitantes
- Top 10 Os Melhores de 2006
- Top 5 Os Piores de 2006
- Top 3 Filmes de Robert Altman
- Top 5 Os Vilões do Cinema
- Top 5 Filmes Com Mick Jagger
- Top 5 Filmes Com Steve Buscemi
- Top 5 Dos Cães no Cinema
- Top 5 Dos Filmes do Indie06
- Top 5 Dos Filmes do Fantas06
- Top 5 dos Presidentes
- Top 10 Os Melhores de 2005
- Top 5 Os Piores de 2005
- Top 5 Filmes com Pat Morita
- Top 10 Os Melhores Filmes Independentes
- Top 5 Os Piores Filmes da Saga Bond
- Top 5 Filmes com Dolph Lundgren
- Top 5 Adaptações de BD Para Cinema
- Top 10 Cenas Mais Assustadoras de Sempre
- Top 5 Vencedores do Óscar
- Top 5 Bond Girls
- Top 5 Filmes Sobre Doenças
- Top 5 Filmes de Natal
- Top 5 Melhores Batalhas Corpo-A-Corpo
- Top 10 Melhores Canções do Cinema
- Top 10 Melhores Filmes de Sempre
- Top 5 Melhores Momentos Musicais
- Top 5 Grandes Duelos do Cinema
- Top 10 Maiores Personagens do Cinema
- Top 5 Piores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 10 Melhores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 5 Filmes Religiosos


BAÚ DO TRASH:
- Needle
- Que Se Mueran Los Feos
- Easy A
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Saw 3D - O Capítulo Final
- And Soon The Darkness
- Os Imortais
- Purana Mandir
- Pagafantas
- The Bloodstained Butterfly
- Cisne Negro


ROYALE WITH CHEESE APRESENTA:
- A Tasca Da Cultura
- A Causa Das Coisas - parte I
- A Causa Das Coisas - parte II
- A Momentary Lapse Of Reason


FILMES A VER ANTES DE MORRER:
- #1 As Lágrimas Do Tigre Negro
- #2 Alucarda
- #3 Time Enough At Last
- #4 Armageddon
- #5 The Favour, The Watch And The Very Big Fish
- #6 Italian Spiderman
- #7 The Soldier And Death


UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:
- 1# Rabbit, de Run Wrake
- 2# Aligato, de Maka Sidibé
- 3# The Cat Concerto, de Joseph Barbera & William Hanna
- 4# A Curva, de David Rebordão
- 5# Batman: Dead End, de Sandy Callora
- 6# O Código Tarantino, de Selton Mello
- 7# Malus, de António Aleixo & Crosswalk, de Telmo Martins
- 8# Three Blind Mice, de George Dunning
- 9# Bedhead, de Robert Rodriguez
- 10# Key To Reserva, de Martin Scorcese
- 11# Bambi Meets Godzilla, de Marv Newland
- 12# The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon, de Richard Gale
- 13# Stolz Der Nation, de Eli Roth
- 14# Papá Wrestling, de Fernando Alle
- 15# Glas, de Bert Haanstra
- 16# Fotoromanza, de Michelangelo Antonioni
- 17# Quem É Ricardo?, de José Barahona
- 17# Terra Incognita, de Peter Volkart


AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE:
- A Pior Luta
- A Cena Mais Metida A Martelo
- O Ataque Animal Mais Brutal
- A Perseguição Mais Alucinante
- O Duelo Mais Improvável


CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL:
- Janeiro
- Fevereiro
- Março
- Abril
- Maio
- Setembro
- Novembro


FESTIVAIS:
- 20º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9
- 21º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 22º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 23º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 24º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 26º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 12º Caminhos Do Cinema Português
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- Imago 2006
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8

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