Domingo, Dezembro 16, 2007
MURDERBALL - ESPÍRITO DE COMBATE:Título:
MurderbarllRealizador: Henry Alex Rubin & Dana Adam Shapiro
Ano: 2005

A grande maioria de nós tem a ideia de que os deficientes motores são pessoas infelizes, frágeis, passivos e totalmente dependentes de outros. Por isso é que quando os vêem na rua pensam de si para si
coitadinhos. Mas claro que não é bem assim; existem muitos deficientes motores activos, independetes e, completamente, autónomos. E depois existem ainda outros, que se degladiam sem tréguas em cadeiras de rodas blindadas.
Murderball - Espírito De Combate é um documentário que se fixa sobre este último grupo: o do universo do rugby para paraplégicos, uma mistura do rugby convencional com cadeiras-de-rodas artilhadas, que parecem saídas directamente de
Mad Max - As Motos Da Morte. A coisa é bem agressiva e até envolve muitas fracturas de pescoço e escoriações.
O filme centra-se na grande rivalidade que há entre as selecções dos Estados Unidos e a do Canadá, durante o período compreendido entre o Mundial da Suécia e os Jogos Olímpicos de Atenas. O documentário acompanha os jogadores de ambos os lados, mas dá preferência a dois deles: o norte-americano Mark Zupan, que é tipo o Petit do rugby para paraplégicos; e o treinador da selecção do Canadá, o também norte-americano e o maior jogador de
murderball de sempre, o descendente português Joe Soares, um tipo assustadoramente parecido ao Woody Harrelson e com igual mau feitio que a personagem deste em
Assassinos Natos.
Contudo,
Murderball - Espírito De Combate preocupa-se muito pouco com o mundo do desporto em si. Aliás, as regras do rugby para tetraplégicos são despachadas mal e procamente e as filmagens do jogo são apenas resumos manhosos, montados segundo a escola MTV. O verdadeiro de intuito de
Murderball - Espírito De Combate é a parte humana destes jogadores, pintando um quadro de grande vontade, querer e motivação, que pode servir de inspiração a muitos de nós.
Murderball - Espírito De Combate é um documentário certinho e bem estruturado, que sabe pegar no essencial e contextualiza-lo: apresenta os jogadores, documenta a forma como eles vivem no seu dia-a-dia, descreve os seus treinos, repesca os motivos das suas deficiências e entrevista os seus amigos e familiares, rematando tudo com o tal jogo decisivo - e que termina de forma bem irónica.
No entanto, há ali qualquer coisa no filme que soa a falso. Sem querer adiantar spoilers (não, ninguém morre no fim), surpreende um pouco a facilidade das imagens captadas no hospital durante uma emergência e tem um ar um pouco a fraude o boneco que faz de Joe Soares, do género
eu tinha mau feitio, mas agora com as adversidades, mudei de dia para a noite. Mas como eu sou um gajo de bom coração e que acredita nas pessoas, eu vou crer que tudo aquilo se passou assim e que não nenhuma manipulação e descontextualizaçãod as imagens, e vou rematar esta prosa com um McRoyalDeluxe e, claro, um ponto final.
Posted by: dermot @
7:20 PM
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