Quarta-feira, Dezembro 26, 2007
A HISTÓRIA DE UMA ABELHA:Título:
Bee MovieRealizador: Steve Hickner & Simon J. Smith
Ano: 2007

Jerry Seinfeld criou uma verdadeira instituição humorística com a sua série de sucesso,
Seinfeld, apenas comparável ao dos
Monty Python's, originando verdadeiras legiões de fãs fiéis, onde todos conhecem um nazi das sopas ou festejam o Festivus em vez do Natal. Por isso, Jerry Seinfeld é um dos mais seguidos vultos do humor internacional. Mas, exceptuando os seus (geniais) espectáculos de stand-up comedy e alguns esporádicos anúncios, nunca mais fez nada de relevo.
É por isto que este
A História De Uma Abelha era aguardado com grande ansiedade. Mesmo que Seinfeld diga que este não é um
comeback, uma vez que sempre esteve presente. Nós sabemos que não é bem assim... Por isso,
A História De Uma Abelha traz consigo, automaticamente, prós e contras, que o vão fazer com que seja muito difícil analisar imparcialmente. Talvez com uma distância temporal maior resulte melhor. É que se por um lado toda a gente vai querer ver este filme -
é o regresso de Seinfeld, ora que porra -, por outro todos vão compará-lo com a série. E como sabemos, isso poderá ser fatal para o filme. Assim, das duas uma: ou as pessoas vão adorá-lo porque é do Seinfeld e, por este prisma, ele até poderia cuspir para o chão que iria ser aplaudido; ou então vai ser massacrado, porque mesmo que tenha algumas valências, as pessoas vão acusa-lo de já ter esgotado o seu stock de boas piadas.
Sendo um admirador ferrenho de
Seinfeld, era óbvio que a minha curiosidade por
A História De Uma Abelha era muita. No entanto, acho que consigo ser imparcial analisando um e outro. Porque ambos são objectos de entretenimento distintos. O primeiro era um formato com um impacto mais imediato, para um público mais velho e mais sofisticado. O segundo é um objecto de entretenimento familiar, mais ingénuo e descontraído. Melhor ou pior? Diferente, obviamente. Provavelmente, não estou a dizer nada de novo. Antes pelo contrário.
A História De Uma Abelha nasceu, supostamente, de uma piada de Jerry Seinfeld, que disse a Spielberg que era giro fazer um b-movie com abelhas (estão a ver o trocadilho?). Daí até fazer uma animação com abelhas falantes, na boa tradição familiar Disney, foi um pulo de quatro anos - quatro anos a aprimorar piadas e a tecnologia. E se a animação digital está cada vez mais fluída e perfeita, as piadas muitas vezes pecaram pelo óbvio e pela chalaça algo fácil. Nada de preocupante, porque também existem os momentos
Seinfeld: pedaços de diálogo sobre os momentos corriqueiros do nosso dia-a-dia, no qual Jerry Seinfeld é ás.
A História De Uma Abelha é um filme que tenta agradar aos mais novos e aos mais velhos, mas que não faz um grande esforço por isso, uma vez que o argumento não é muito inteligente e é demasiado básico para as histórias infantis - nada que nunca se tivesse visto. Há uma abelha que decide colocar em causa o seu destino trabalhador e trava contacto com os humanos, acabando por os processar por consumirem e lucrarem com o mel que as abelhas produzem. A premissa até é gira, mas o resultado é o normal: uma abelha, um relacionamento amoroso, bla bla bla e o final feliz.
Pelo meio há uma tentativa de fazer o primeiro filme de animação de tribunal, mas o flick esgota-se rapidamente. As intenções também ficam curtas na tentativa de criar um divertido mundo-de-abelhas, com poucos momentos de verdadeira imaginação, para lá dos primeiros 15 minutos. E, claramente, misturam-se demasiados tipos de humor, desde o mais fácil ao mais adulto.
A História De Uma Abelha é, então, um filme limpinho e asseado, sem grandes golpes de asa e que vale, sobretudo, pelo regresso de Jerry Seinfeld às grandes produções. Peca, sobretudo, pela falta de experiência do seu mentor. Se tivesse uma máquina oleada por trás que tivesse esprimido as ideias de forma correcta, o resultado teria sido outro. Mas viu-se que também não foi essa a intenção (nem sequer existe uma theme song interpretada por um famoso qualquer), o pessoal queria antes divertir-se. Por isso, vá ao cinema para se divertir também e esqueça Jerry Seinfeld. Lembrem-se antes de um McBacon e do Joe, de
Family Guy.
E já agora: fui ver a versão original, legendada em português, e fiquei espantado com aquela tradução tão livre e imaginativa. Uma coisa é traduzirem os trocadilhos que não resultam em português para qualquer coisa divertida, mas outra é inventarem piadas que não existem. Porque raio transformar um
oh my num
valha-me o favo? É mesquinhice minha ou nem por isso?
Posted by: dermot @
11:26 PM
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