Sábado, Dezembro 29, 2007
HAIRSPRAY:Título:
HairsprayRealizador: Adam Shankman
Ano: 2007

Sejamos sinceros: ter o John Travolta a fazer de dona-de-casa obesa não é o melhor chamariz para um filme. No entanto, era impossível não ficar com a pulga atrás da orelha, ou não fosse
Hairspray o regresso de Travolta ao musical, género no qual alcançou o Olimpo cinematográfico.
Hairspray é a segunda adaptação do homónimo musical de sucesso da Broadway, depois de uma pouco feliz adaptação nos anos 80: uma espécie de fábula adolescente musical, que repesca o cenário do american way of living dos melodramas de Hollywood dos anos 50 (alô alô, Douglas Sirk chamado à recepção) - as casas nos subúrbios com um pedaço de terreno e uma cerca branca -, para o reconstruir em forma de caricatura, aproveitando a música (o rock'n'roll mais especificamente, resgatando o espírito jovem e rebelde dos rock'n'roll-movies patetas dos anos 60) como metáfora para atacar a segregação racial e social.
Hairspray é a versão feminina de
Brilhantina - e daí o trocadilho com o título, a laca dos hair-dos femininos em oposição ao gel dos penteados masculinos.
Mais especificamente,
Hairspray é a estória de Tracy (a debutante Nikki Blonsky), uma adolescente com peso a mais e altura a menos, que sonha ser famosa. Contra todas as previsões, Tracy vai vencer os preconceitos sociais e vai tornar-se na estrela do espectáculo televisivo de variedades de Corny Collins (James Marsden), lutando contra os lobbies televisivos (com uma replandescente Michelle Pfeiffer à cabeça) e lutando pela integração dos negros na sociedade.
Hairspray é realizado por um praticamente desconhecido Adam Shankman, mas quem precisa de um realizador famoso quando temos uma parada de estrelas em vez de elenco - John Travolta, Michelle Pfeiffer, Cristophen Walken (num reprise da sua personagem de
Romance E Cigarros), Queen Latifah, Zac Efron e, at last but not least, Jerry Stiller (vénia encarpada com saída à rectaguarda) - e uma paleta de super-canções? A jukebox de
Hairspray é uma compilação do melhor countrygrass, das girlgroups e do rock'n'roll negro de Detroit dos anos 60, em versão familiar, coreografada em sequências cheias de cor e alegria.
Hairspray tem apenas a espessura dramática necessária para não quebrar o seu espírito feelgood, mas perde muita vitalidade da primeira meia-hora de filme quando começa a entrar em demasiados sub-argumentos românticos (e estou a esquecer, propositadamente, a cena metida a martelo em que Pfeiffer (quase que) canta). É certo que estes são indispensáveis num filme deste género, mas caso tivesse mantido a inteligência humorística e subliminar durante todo o filme,
Hairspray poderia ser um caso sério desta temporada cinematográfica.
Assim, é apenas um grande feelgood movie, um fantástico filme para toda a família, um tímido guilty pleasure, um saboroso Le Big Mac e, sobretudo, um soberbo filme-pastilha-elástica, que se cola facilmente ao cérebro, mas que também satura com igual facilidade se não tomado com moderação.
Posted by: dermot @
5:01 PM
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