Quarta-feira, Dezembro 05, 2007
CHOCOLATE:Título:
ChocolatRealizador: Lasse Hallström
Ano: 2000

Existem dois tipos de filmes de gaja: as comédias românticas, normalmente com o Hugh Grant no principal papel a sacar a tipa mais improvável da estória; e os chick flicks, dramas românticos agridoces, com final feliz e nenhum sangue derramado. Ambos servem para uma coisa: para levarmos a namorada ao cinema.
Chocolate é o filme de gaja ideal: uma fábula romântica, com doses iguais de tristezas e alegrias, que termina no final feliz previsível - todos são felizes, os velhos morrem e os protagonistas casam-se. Pelo meio, há ainda habitual cena drmática - aqui é um incêncio -, a morte do ancião da história, o caso romântico e o
viveram felizes para sempre. Se já sabemos como o filme vai terminar, o que podemos pedir então a um filme como este? Que seja sincero e que esprema ao máximo os seus trunfos - e é por isto que
Titanic é o tearjerker perfeito.
Chocolate é a adaptação cinematográfica do romance homónio pela mão do sueco Lasse Hallström, com um elenco recheado de estrelas - uma bela Juliette Binoche, uma magistral Judi Dench, Alfred Molina, Carrie Ann-Moss e um fugaz Johnny Depp, a fazer de si próprio. Ambientada numa aldeia francesa no final da década de 50,
Chocolate é a estória de uma mulher (Juliette Binoche, obviamente) de ideias um pouco invulgares para a época e, ainda para mais - pasme-se -, ateia, que vai abrir uma chocolataria na mais rígida e conservadora aldeia de França - conservadorismo este, encarnado na personagem de Alfred Molina.
Com o seu dom especial para os doces de chocolate, Binoche (ou melhor, Vianne Rocher) vai despertar aquela aldeia da letargia cristã em que se encontrava mergulhada, fazendo com que os seus habitantes aprendam a viver a vida em vez de se preocuparem em demasia com a vida dos vizinhos.
Chocolate tem uma fotografia castiça e apaixonante da sociedade rural e rústica, uma divertida aura de fábula (que o faz parecer, por vezes, num parente distante de
Eduardo Mãos-De-Tesoura), com piratas e cangurus imaginários, e uma mensagem bonita e cor-de-rosa. No entanto, o argumento alimenta-se de forma automática, o que o faz parecer o pinóquio: um corpo de madeira bem bonito por fora, mas muito pouca alma por dentro. Falta-lhe uma entrega total por parte do realizador ao filme e não o limitar-se a adaptar uma boa estória.
Chocolate é, então, o habitual chick flick, que não vem reinventar o estilo, nem tão-pouco elevá-lo a um patamar acima. Serve apenas para ver com companhia feminina ou em tardes familiares, de espírito natalício. Imaginem um McBacon na ceia de Natal.
Posted by: dermot @
5:50 PM
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