Quinta-feira, Dezembro 13, 2007
ACROSS THE UNIVERSE:Título:
Across The UniverseRealizador: Julie Taymor
Ano: 2007

Com a prestação discreta que tem tido nas salas de cinema de todo o Mundo,
Across The Universe prestava-se a passar despercebido pelo meu entendimento, quando alguém me disse as palavras mágicas:
isto é tipo o Moulin Rouge, mas com as músicas dos Beatles. Num ápice,
Across The Universe passou de dispensável a must see, ou não fossem os Beatles quase a melhor banda de sempre e
Moulin Rouge o melher que aconteceu ao musical desde... sempre (ou pelo menos, desde
Brilhantina).
De facto,
Across The Universe é um musical baseado no cancioneiro dos Beatles - Jude (Jim Sturgess) é a personagem principal, um jovem de Liverpool (deonde mais poderia ser?) que se muda para os Estados Unidos de Kerouac e Bukowski. Aí conhece Max (Joe Anderson) e o amor da sua vida, Lucy (a senhora Marylin Manson, Evan Rachel Wood), para além de Sadie, uma Janis Joplin look-alike (Dana Fuchs), e Jojo (Martin Luther), um Jimi Hendrix wannabe.
Across The Universe não tem grande história: tudo se passa ao sabor das músicas e o argumento voa à velocidade da luz até se deter em algum momentos em que haja uma letra de uma canção adequada. Aliás, existem personagens que só lá estão para poderem meter algumas músicas a martelo, como a de Prudence (T.V. Carpio). O que é estranho é que este filme já foi feito nos anos 70, só que em mais pateta e com menos músicas - o mítico
Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band. Só que enquanto toda a gente quer esquecer que isto existe,
Across The Universe tem sido muito bem recebido.
Atenção para o facto deste ser um filme sobre as músicas dos Beatles e não sobre os Beatles (mesmo que haja lá uma espécie de Yoko Ono em versão masculina, activista político e destruidor de famílias). Tudo começa com a fase pop solarenga dos fab four, em que o rock tinha tudo a ver com ser rebelde, festivo e feliz, lembrando aqueles vídeos patetas e inconsequentes do
Help! e do
Os Quatro Cabeleiras Do Após-Calipso (esta tradução provoca-me um ataque de risos incontrolável); depois há um pulo para os anos 60 psicadélicos, a era da paz e amor e a fase do
Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band e da
Magical Mistery Tour (com direito a magical mistery bus e tudo), onde o filme é filtrado por um caleidoscópio e LSD; e por fim, aterra na contra-cultura norte-americana, no Vietname e na fase da depressão dos anos 70.
Existe algo de irrepreensível e digno de nota em
Across The Universe e não, não é o facto de Bono ter um cameo divertido; é antes a banda-sonora. Esqueçam o
Love - esta banda-sonora traz os melhores arranjos que se poderiam dar às músicas dos Beatles. Exstem excepções, obviamente, mas versões como a de
Come Together, soam tão bem quanto as originais.
Uma primeira parte maçadora que sobrevive à custa das canções dos Beatles e uma recta final verdadeiramente inequecível,
Across The Universe arrisca-se a ser extremamente chato e algo insignificante para quem não gosta/conhece os Beatles. Para quem é fã da banda de Liverpool então o filme é uma autêntica pastilha elástica que se cola ao cérebro (os McRoyal Deluxes não se colam ao cérebro). Mas atenção, porque este tem a mesma facilidade de saturação do que de vicío.
Posted by: dermot @
12:38 AM
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