Segunda-feira, Novembro 19, 2007
TROPA DE ELITE:Título:
Tropa De EliteRealizador: José Padilha
Ano: 2007

Por esta altura, até o leitor mais desatento já deve ter ouvido falar de
Tropa De Elite, o maior fenómeno cinematográfico brasileiro desde
A Cidade De Deus. O filme fez furor junto do público e criou celeuma dentro da polícia militar brasileira, pela sua violência gráfica e o retrato duro que faz do BOPE, a tropa de elite da polícia brasileira. E um mês antes da sua estreia nas salas de cinema, estimava-se já que três milhões de pessoas já o tinham visto (o que é impressionante se tivermos em conta que o campeão de bilheteiras brasileiro do ano passad teve... dois milhões de espectadores), graças à pirataria. Em suma:
Força De Elite é uma espécie de
O Crime Do Padre Amaro dos brasileiros, mas na sua devida proporção.
Como já referi em cima, o BOPE são as forças especiais da polícia brasileira. Na teoria, são um braço especializado da polícia convencional; na prática, são uma polícia militar altamente especializada, que faz a SWAT parecer uma brincadeira de crianças. E
Tropa De Elite tira uma radiografia do organismo interno do BOPE, um comando duro e agressivo, e verdadeiras máquinas de matar sem remorsos.
A peça central da trama é o Capitão Nascimento (Wagner Moura). Através do seu papel enquanto narrador (lembram-se de Morgan Freeman em Os Condenados De Shawshank?), ficamos a conhecer o sistema brasileiro, a corrupção (que está já enraizada no ADN do brasileiro), o baile-funk e os três tipos de polícia que existem: os corruptos, os honestos e os omissos. O Capitão Nascimento tem ainda dois problemas, dois grandes problemas: o primeiro é a visita do Papa ao Rio de Janeiro, que vai envolver uma mega-operação de segurança, que também rima com a palavra suicida; e o segundo é o nascimento do seu filho, que o vai ter que fazer desistir da polícia se quiser manter agregada a sua família. Mas para isso precisa de encontrar um substituto à altura.
É aqui que entram as peças secundárias da trama: Neto (Caio Junqueira) e Matias (André Ramiro). E são eles que vão permitir assistirmos ao funcionamento interno das forças policias brasileiras, incluindo o intenso treino do BOPE.
Tropa De Elite é então uma espécie de
SWAT - Força De Intervenção meets
Nascido Para Matar meets
Dia De Treino.
O resultado é um emocionante thriller policial, com alguns tiques de blockbuster americano a la Tony Scott e muita pipoca e violência gráfica.
Tropa De Elite pode ser facilmente confundida com sensacionalismo barato, mas eu prefiro tomá-la como realismo extremo. É certo que a primeira meia-hora de filme é algo esquematizada, em que as peripécias vão surgindo consoante as necessidades do argumento, o que fazem as personagens secundárias parecerem simples caricaturas de papel (o relacionamento amoroso do filme - sim, porque todos os filmes deste género têm que ter uma parte romântica - é completamente metido a martelo). Mas a partir daqui, tudo começa a funcionar de forma mais fluída e natural, dando uma hora final de entretenimento a valer, com boas doses de adrenalina e testosterona.
Tropa De Elite não faz um retrato tão fiél das favelas quanto o fazia
A Cidade De Deus, uma vez que o BOPE é um pouco endeusado - aquilo faz lembrar um batalhão de Rambos, em que são apenas 100 contra uma favela inteira e apenas têm uma baixa durante todo o filme. No entanto, o esteriótipo que fazem acaba por ser extremamente estiloso: uma força especial altamente especializada, capaz de dizimar um exército inteiro sem sofrer um único arranhão.
Tropa De Elite é um excelente exemplo de como se fazer bom cinema de entretenimento sem grandes alaridos e efeitos-especiais. Como objecto cinematográfico é apenas um McBacon, mas como diversão pipoqueira é dos melhores McRoyal Deluxes que por aí andam.
Posted by: dermot @
12:21 PM
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