Quinta-feira, Novembro 22, 2007
TIRAR VIDAS:Título:
Taking LivesRealizador: D.J. Caruso
Ano: 2004

Eu sei que Hollywood é um mundo à parte e uma realidade muito complicada de entender, mas mesmo assim coisas como
Tirar Vidas fazem-me muita espécie. Ou seja, como é que continua a haver gente que nunca fez nada na vida (neste caso estou a falar do realizador DJ Caruso) que consegue arranjar dinheiro para fazer um filme como
Tirar Vidas? E o mais estranho até nem é ele conseguir reunir um elenco de estrelas (Angelina Jolie, Kiefer Sutherland, Ethan Hawke...), o estranho são elas aceitarem. Porque eu não acredito que o agente da Angelina Jolie tenha achado que esta era uma boa oportunidade para subir na carreira.
Tirar Vidas começa nos anos 80 e até entrar o genérico é um filmalhaço: dois adolescentes conhecem-se ao fugirem do lugarejo onde vivem para Seattle. Das duas uma: ou aqueles dois jovens são emo-depressivos com problemas existenciais ou então são rebeldes-punk revoltados com a vida. Aparentemente, a segunda hipóetese é a correcta, porque a banda-sonora do momento são os (vénia) Clash. Mas afinal existe uma terceira hipóteses: um desses miúdos (um muito jovem Paul Dano) é afinal um psicopata sanguinário, que gosta de assumir a vida das suas vítimas.
Nada de novo: após esta brutal cena inicial,
Tirar Vidas é o habitual thriller policial estiloso sobre um serial killer metódico e sem remorsos, parente afastado de outros filmes do género, como
O Silêncio Dos Inocentes e
Sete Pecados Mortais. Especialmente este último, do qual tenta copiar o ambiente e os créditos iniciais. Mas afinal aquele com que mais se asseemelha é
Insónia, mas em mau: muito pausado, sempre na velocidade devagar ou devagarinho.
O próprio flick não apresenta nada de novo: Angelina Jolie é a agente especial do FBI, Illeana, uma profiler acima da média e uma Sherlock Holmes de saias, que é tão credível quanto um saco de areia; existe um polícia local ressentido por vir uma mulher de fora tirar-lhe o trabalho; uma testemunha ocular de um dos crimes (Ethan Hawke) que se torna no principal próximo alvo do assassino; um twist tão previsível que o adivinhamos ainda antes do intervalo; e um contra-twist que aparece quando já estamos tão fartos do filme que já nem ligamos.
Sem rasgos de originalidade (e jump scenes não contam como cenas originais) ou quaisquer golpes de asa,
Tirar Vidas é um filme presunçoso que tenta ser o que não é, copiando outros filmes do género quando o seu próprio argumento não tem força nem vitalidade. Os próprios actores parecem não acreditar no filme e andam a arrastar-se, especialmente Kiefer Sutherland, que não aparece mais do que 10 minutos e que não tem uma única fala.
Quando os filmes com a Angelina Jolie são assim tão pobrezinhos, resta-nos esperar pela habitual cena de sexo que possa mostrar alguma pele da escultural senhora. No entanto, nem isso nos consola neste caso. Primeiro, porque é metida a martelo, do tipo
temos a Angelina Jolie, temos um filme de merda, por isso vamos mostrar-lhe as mamas ou então ninguém vai vê-lo ao cinema; e depois, porque a Angelina Jolie é tão boa actriz, que já está a gemer descontroladamente quando ainda ninguém lhe tocou sequer, como num mau filme porno.
Este filme é um Cheeseburger apenas recomendado a dois tipos de pessoas: os admiradores de Angelina Jolie; e aqueles que têm insónias e as combatem assistindo à TVI - porque este é um daqueles filmes que passa na televisão todos os meses.
Posted by: dermot @
11:27 AM
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