Domingo, Novembro 25, 2007
SICKO:Título:
SickoRealizador: Michael Moore
Ano: 2007

Todos sabemos como são os documentários de Michael Moore: parciais, descontextualizados e manipulados. No entanto, ninguém pode negar que eles, uns mais que outros (ou seja,
Bowling For Columbine mais do que
Fahrenheit 9/11), cumprem o objectivo a que são propostos: alertar o grande público para determinada matéria.
Depois das grandes empresas, das armas e do 11 de Setembro, Michael Moore volta à carga com
Sicko, documentário-propaganda acerca do sistema de saúde dos Estados Unidos. Para quem não sabe, a saúde nos Estados Unidos foi privatizada, o que a faz ser um autêntico negócio: as companhias de seguro são empresas e, como tal, procuram todas as maneiras de maximizar os seus lucros, mesmo que isso implique medidas pouco éticas ou morais. É por isso que depois assistimos a cenas tão ridículas como a do senhor que cortou dois dedos e teve que escolher qual queria implantar, por não ter dinheiro para os dois, ou a da senhora inconsciente que teve que pagar o transporte de ambulância por não o ter autorizado.
Tal como os seus antecessores,
Sicko não é um documentário imparcial. Michael Moore não se limita a apresentar os factos e deixar a opinião a cargo do espectador; ele manipula as imagens e os factos a favor das suas ideias e obriga-nos a ter a mesma opinião que ele. Durante duas horas de filme ouvimos todo o tipo de relatos acerca do que corre mal no sistema de saúde norte-americano, mas nunca ouvimos nada acerca do que corre bem. Apesar de acreditar piamente que estes são claramente em número inferior.
Outra das características dos trabalhos de Michael Moore é a sua faceta-pastilha elástica: documentários descartáveis, com recurso constante a elementos da cultura pop e contados como se fossem para ser explicados a crianças de 5 anos.
Sicko não foge a esta regra, mas tendo em conta os seus dois antecessores, este é claramente o mais técnico e exaustivo: muita explicação dos processos burocráticos, algum detalhe dos elementos apresentados e uma análise aprofundada dos factos. Isto resulta em alguns momentos mais aborrecidos, que quebram claramente o ritmo deste filme, feito notoriamente para nunca perder o ritmo (ou não fosse ele dirigido, preferencialmente, aos norte-americanos, um povo com claras dificuldades de manter a concentração por mais de 10 minutos em algo que não tenha sexo/violência/coscuvelhice - escolher o que lhe parecer mais acertado).
Michael Moore tem ainda, em
Sicko, o seu habitual momento de provocação (a sua melhor faceta), quando junta uma mão cheia de doentes crónicos sem dinheiro para pagar os seus tratamentos, e os embarca em direcção à prisão de Guantanamo, onde os presos têm acesso gratuito ao sistema de saúde.
Sicko pode não ser o mais correcto documentário, mas tal como Moore já nos habituou, cumpre na perfeição os seus objectivos: entretém, revela os podres do sistema de saúde dos Estados Unidos e faz-nos sentir orgulhosos com o estado da nossa Segurança Social (irónico, não é?). Atenção, que com isto não estou a tentar fazer de advogado do diabo nem a querer proteger Moore, até porque fica-lhe muito mal mostrar no filme como tirou da falência o seu maior inimigo social (publicidade gratuita completamente dispensável). Mas não são estas coisas que me condicionam na atribuição de McBcons e afins aos seus filmes.
Posted by: dermot @
8:27 PM
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