Terça-feira, Novembro 27, 2007
ROCK, ROCK, ROCK:Título:
Rock, Rock, RockRealizador: Will Price
Ano: 1956

Quando o sistema não consegue combater uma ameaça que possa abalar o status quo vigente, a sua única solução é absorvê-la. Foi isso que aconteceu com Hollywood na década de 50: ao tomar conta de que o rock'n'roll não era apenas uma contra-cultura juvenil passageira, tomou-a para os seus filmes, criando assim os party-movies de rock'n'roll. O rock deixava então de ser marginal e tornava-se mainstream. Foi mais ao menos o mesmo que aconteceu mais tarde com a cultura punk, quando as batatas fritas começaram a oferecer tatuagens e até a Pull & Bear já vende t-shirts dos Ramones.
Nesta década proliferaram este tipo de filmes, que combatiam entre si por ver qual o mais pateta - filmes feitos a metro, em que o que interessava eram os números musicais das maiores estrelas do momento. Obviamente, houveram algumas excepções à regra:
Uma Rapariga Com Sorte ou
O Prisioneiro Do Rock'n'Roll, por exemplo.
Rock, Rock, Rock pertence, indescutivelmente, à categoria dos filmes patetas, um simples filme de adolescentes, acerca de uma jovem, Dori Graham (uma belíssima Tuesday Weld, a debutar com apenas treze anos), que magica um esquema para arranjar dinheiro para o vestido do baile de finalistas, sob o risco de perder para a sua rival, Gloria (Jacqueline Kerr), o rapaz dos seus sonhos, Tommy (o vocalista dos Three Chuckles, Teddy Randazzo, habituado a estas andanças, mas mais uma vez sem uma pinga de sucesso).
O filme parece adaptar a estrutura clássica do musical de Hollywood, uma vez que qualquer diálogo parece ser ideal para um momento musical. Se alguém pergunta a outro se quer ir à casa-de-banho, este irrompe numa cantoria desenfreada, com todos os figurantes a acompanhar. No entanto, isto é parra de pouca uva e ao fim de 15 minutos já não há mais cantoria para ninguém; apenas um argumento pobrezinho e muitos pretextos secundários para desfilar um sem número de estrelas do rock'n'roll.
Qualquer motivo é bom para inserir um número de rock'n'roll. E quase todos eles são exaustivos. Por exemplo, quando as duas adolescentes decidem ir ver na televisão o espectáculo de variedades de Alan Freed (um dos maiores produtores rock da década de 50 e principal promotor dos artistas negros junto do grande público), nós temos que gramar com o programa integral. O que até nem era mau, se todas as actuações fossem como a de Chuck Berry (vénia, vénia, vénia) ou a de Johnny Brunette; o pior é que o resto são grupos vocais manhosos e coisas surreais como a estrela infantil Baby, ou os percursores dos Jackson 5, Frankie Lymon and the Teenagers.
Contudo, o mais agressivo de
Rock Rock Rock é a sua pobreza de imaginação cinematográfica. Isso e a prestação da secundária Fran Manfred, uma tipa (recuso-me a chama-la actriz) tão má, tão má, tão má, cujo castigo foi não ter uma única informação na internet.
Rock, Rock, Rock é filmado apenas com uma câmara fixa, com planos todos iguais da cintura para cima e que se atrapalha toda quando os actores ameaçam sair do enquadramento. É como se todos os planos tivessem escritos no papel e tivessem que os seguir escrupulosamente.
Para um filme que até costuma ser citado quando se fala de rock'n'roll-movies,
Rock, Rock, Rock é um Happy Meal de uma pobreza franciscana. O único brinde é mesmo
a actuação do imitável Chuck Berry.
Posted by: dermot @
12:31 PM
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