Sexta-feira, Novembro 30, 2007
RATOS ASSASSINOS:Título:
Ratten - Sie Werden Dich Kriegen!Realizador: Jörg Lühdorff
Ano: 2001

Ia eu em passeio pela superfície comercial aqui da terreola, quando os meus olhos viram algo em que não podia acreditar: um caixote gigante cheio de DVDs, a 2€ cada - o sonho de qualquer cinéfilo xunga. Depois de conferir os trocos no bolso, vi que só poderia levar um. Por isso, após uma hora de muita ponderação, a minha escolha estava reduzida a três títulos:
Timor Debaixo De Fogo, um thriller político sobre a invasão da Indonésia a Timor, em 1999;
O Cemitério Dos Mortos-Vivos, que tinha na capa uma mão-cheia de monstros cheios de estilo, mas que a presença de demasiados adolescentes denunciava ser um slasher-teen-movie; e...
Ratos Assassinos. Escusado será dizer que a minha escolha recaiu sobre este último. Afinal, do que estávamos à espera: tem ratos. E são assassinos. Como é possível resistir?
Ratos Assassinos é um telefilme alemão que, afinal, não é tão mau quanto parece. Aliás, nem é bem aquilo que esperamos. Se previa um filme de terror sangrento e com muito gore, engane-se;
Ratos Assassinos é um filme de criatura/filme-catástrofe muito contido e ponderado, uma espécie de
Fora De Controlo dos pobrezinhos.
Frankfut vive então a maior onda de calor dos últimos 150 anos. Aliado a isto, dura já há várias semanas uma greve dos funcionários que recolhem o lixo (que nas legendas em português são, nostalgicamente, traduzidos como
os almeidas). Estão reunidas as condições para a cidade se transformar numa lixeira gigante e, automaticamente, no paraíso dos ratos. Por isso, não sei no que estavam a pensar os senhores dos
Filmes Unimundos quando puseram como tagline do filme
eles surgem de onde menos se espera. Mas deonde é que ele espera que surjam dos ratos?
Ah.. esqueci-me de dizer que os bicharocos transportam consigo um vírus mortal e desconhecido.
Já o disse e volto a repetir:
Ratos Assassinos não é tão mau quanto parece. Principalmente, porque oferece aquilo que promete: ratos, muitos ratos. Há ratos por todo o lado (lixo) e não são CGI - são bem reais. E não sei se disse, mas estão por todo o lado. E não andam a morder as pessoas como se não houvesse amanhã; só as atacam quando são ameaçados e por isso
Ratos Assassinos é muito realista e credível.
Infelizmente, o background dramático do filme é pobre e muito frágil, primeiro devido a muita ingenuidade e depois por muita falta de ambição. Existe então o personagem principal que vai salvar o dia, o mais valente funcionário público da Câmara(!), que segue as suas próprias regras e que pertence ao Serviço de Vigilância dos Fogos Florestais(!!) -
quando tudo falha, é a nós que eles chamam, diz ele de forma destemida no início do filme. O quê?!
E existe a personagem feminina, uma médica com falta de confiança que se vai superar a si própria e encontrar o antídoto para o vírus mortal. E claro, desenvolver uma atracção romântica inexplicável pelo herói do filme.
Depois, como era óbvio, acontece tudo o que é previsível: todas as personagens principais são contaminadas, mas salvam-se milgrosamente no fim; todas as personagens secundárias descartáveis morrem; e não sei se já disse, mas há ratos por todo o lado.
Ratos Assassinos é um filme que não se deve envergonhar. Não engana ninguém e cumpre aquilo que promete. Isto não quer dizer que seja melhor que um Cheeseburger; mas eu já me tornei fã incondicional dos caixotes de DVDs dos
Filmes Unimundos. Hoje vou lá comprar mais uns quantos.
Posted by: dermot @
11:12 AM
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