Segunda-feira, Novembro 05, 2007
MINHA MÃE:Título:
Ma MèreRealizador: Cristophe Honoré
Ano: 2004

Sou um tipo que gosta de desafios. E há dias, quando numa das caixas de comentários, me desafiaram a ver e opinar sobre
Minha Mãe, eu não me fiz rogado. Também é verdade que foi fácil aceitar tal demanda, uma vez que Cristophe Honoré, o realizador, é um dos meus mais recentes fascínios cinematográficos.
Minha Mãe é a estória de um relacionamento parental muito particular (para não dizer disfuncional): Pierre (Louis Garrel) vai mudar-se para as Canárias, para junto da mãe (Isabelle Huppert), após a morte do pai, depois de ter sido criado pela avó em França. A mãe Helene parece ser uma burguesa pedante, mas afinal vai revelar-se uma pessoa pouco respeitável, libertina e muito devassa.
Para quem viu primeiro
Em Paris ou
Canções De Amor,
Minha Mãe nem parece ter sido feito pelo mesmo realizador. Muito mais cru, contido e sóbrio,
Minha Mãe apesar de descendente da nouvelle vague, já nada tem a ver com a boa disposição de Jacques Deny ou a frescura de Godard.
Minha Mãe é uma espécie de fusão a frio entre
E A Tua Mãe Também,
A Mãe E A Puta e
Swimming Pool. Aliás, tal como este último, também a piscina (muito mais que a cama) é um elemento fulcral, que serve de âncora ao decurso dramático do filme.
O filme começa por ter um início tibuteante, em que
Minha Mãe parece não ter grandes noções do que é a evolução cronológica, mas depois endireita-se mais ou menos a custo e consegue arrancar em velocidade de cruzeiro. É aqui que o filme atinge a melhor fase, ao estabelecer-se a relação entre mãe e filho, mas também entre terceiros. Uma relação em que vão tentar exorcizar o desejo das suas pessoas, mas como a carne é fraca (e uma terceira pessoa desfaz sempre qualquer relação sólida) as coisas não vão correr propriamente bem.
Minha Mãe é um conjunto de jogos emo-sexuais perigosos e algo disturbadores, que volta a perder força quando é inserida uma quarta pessoa na trama (a sensual Emma de Caunes), onde Isabelle Huppert (a melhor actriz francesa da actualidade?) continua o seu périplo pelas personagens de problemáticas sexuais. Honoré, pouco esclarecido com a sua câmara (alguém que o avise que aqueles zooms repentinos deixaram-se de usar nos filmes de artes-marciais dos anos 70), não consegue salvar o filme formalmente, uma vez que o conteúdo é demasiado frágil para se aguentar por si só.
Prova da sua capacidade maior é, no entanto, a forma como consegue filmar os nus e o sexo mais explícito, sendo voyeur sem ser sensacionalista (algo paradoxal, eu sei).
Minha Mãe não é, claramente, o filme que eu mais queira recordar na carreira de Honoré ou Louis Garrel, pelo menos para já. Vou-lhe atribuir apenas um Double Cheeseburger para não me esquecer.
Posted by: dermot @
1:23 PM
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