Domingo, Novembro 18, 2007
LUCIFER RISING:Título:
Lucifer RisingRealizador: Kenneth Anger
Ano: 1972

Kenneth Anger sempre foi mais conhecido pelas piores razões: começou por se tornar famoso por ter escrito
Hollywood Babylon, um livro que contava os podres dos famosos, os caprichos das prima-donas, os exageros dos excêntricos e os segredos dos respeitáveis, sob o qual recairam várias acusões de fraude e sensacionalismo barato; voltou a aparecer nas parangonas pela sua amizade com Bobby Beausoleil, um dos assassinos da infame Família de Charles Manson; e teve uma celeuma inflamada com Jimmy Page, o qual acusou de ter demorado quatro anos a fazer a banda-sonora para este
Lucifer Rising, para no final ser apenas uns drones manhosos (e no final, foi o próprio Bobby Beausoleil quem fez a banda-sonora oficial para o filme, directamente da sua cela na prisão).
Aparte disto tudo, Kenneth Anger é um dos mais influentes cineastas avant-garde, um vanguardista na arte da montagem, considerado por muitos como o percursor dos telediscos actuais da MTV. Além disso, é tido como grande referência por gente como Andy Warhol ou Vincent Gallo. Só foi pena ter-se sempre dedicado a curtas/médias-metragens esotéricas e ocultas, surreais e bizarras.
Lucifer Rising, irmão afastado do bem mais esquisito
Invocation of My Demon Brother, é uma pequena trip-cinematográfica, na boa tradição dos anos 70 (lembram-se de
The Song Remains The Same, dos Led Zeppelin?), uma média-metragem esotérica com muitas mensagens subliminares e significados ocultos. E apesar do título, não esperem nada satânico, na onda de Anton LaVey ou de Marylin Manson; o culto de Anger prende-se mais numa figura de Lucifer como força-cósmica da luz e da paz, com raízes profundas nas civilizações antigas.
Demasiado lento para quem está habituado ao trabalho de Anger,
Lucifer Rising assemelha-se a um Mallick ensopado em LSD, que cruza cenas filmadas nas pirâmides do Egipto e em Stonehenge, com demoradas sequências de lava a sair de vulcões, estrelas no céu e insectos no seu dia-a-dia.
Lucifer Rising era ainda para contar com Mick Jagger (há quem diga que era Chris Jagger, o seu irmão) no próprio papel de Lucifer e com a sua namorada, Marianne Faithfull (que na altura faziam o par perfeito do rock), mas uma arrufo entre os dois fez com que o líder dos Rolling Stones desistisse. No entanto, Marianne Faithfull - que sempre foi conhecia por ir a todas desde que houvesse coca - anda por lá, distribuindo charme e saindo de tumbas ao pôr-do-sol com a Esfinge como cenário filme.
Como objecto cinematográfico,
Lucifer Rising é desinteressante e fraquinho, especialmente quando comparado com o trabalho do seu colega contemporâneo, Alejandro Jodorowsky. Vale então, apenas e só, pela curiosidade, o folclore popular e romântico que o rodeia e as faculdades vanguardistas de Anger para a altura. Porque tirando esta contextualização, datado é a única palavra que me ocorre. Thumbs down, claramente.
Posted by: dermot @
4:52 PM
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