Quarta-feira, Novembro 21, 2007
A ESTRANHA EM MIM:Título:
The Brave OneRealizador: Neil Jordan
Ano: 2007

Jodie Foster está de volta! E regressou como nunca a viu antes.
Desde que foi uma teen-star em ascenção que Jodie Foster nos tem habituado a papéis de coitadinha: ingénua, insonsa ou ingénua e insonsa ao mesmo tempo. Mas agora ela está mudada. E está uma badass muthafuka tramada. Treme Sigourney Weaver, o teu reinado está ameaçado!
Mas no início de
A Estranha Em Mim, Jodie Foster está igual a si mesmo: uma jovem prestes a casar-se com o homem da sua vida (David Kirmani), apaixonada pela vida e pelo mundo. No entanto, um simples e agradável passeio no parque com o namorado e o cão acaba em tragédia: um bando de malfeitores agridem-nos, matam o jovem, roubam-lhe o canídeo e deixam-na em coma. E quando ela acorda passado três semanas, a Jodie Foster insonsa que conhecíamos já não existe.
É-nos então servido um prato de vingança acabadinha de sair do forno. Mas não, não pensem em
Kill Bill, pensem antes em
O Vigilante Da Noite. Porque Foster não se vai tornar numa vingadora, mas sim numa vigilante (uma vigilante com algumas dúvidas naquilo que faz). E é por isto que
A Estranha Em Mim é um rip-off declarado do clássico de Charles Bronson, mesmo que alguns críticos tentem disfarçar ao dizer que não.
Curiosamente,
O Justiceiro Da Noite é o pior que pôde acontecer a
A Estranha Em Mim. Porque apesar das diferenças antre ambos, a comparação é inevitável. E a forma como o primeiro faz a transformação da personagem principal de uma pessoa normal para um vigilante armado bate por knockout técnico a do segundo. A metamorfose de Charles Bronson em
O Vigilante Da Noite é crua e seca, enquanto que a de Jodie Foster em
A Estranha Em Mim é melodramática e algo forçada. Porque não basta abanar a câmara para parecer que a personagem está desorientada; e porque é pouco credível que uma pessoa que está com fobia a exteriores, acompanhe sem mais nem menos um chinês que não conhece de lado nenhum aos confins de Chinatown, ainda por cima depois de lhe prometer mil dólares. E como este é o keypoint de todo o filme, temos aqui um pequeno problema...
A Estranha Em Mim não é um mau filme. Mas tem este percalço. Este e o facto de Neil Jordan ter mais jeito, preferencialmente, para contar histórias e não para transfigurações existenciais. Mas não deixa de ser uma boa variação de
O Justiceiro Da Noite adaptado à nossa década e com uma mulher a fazer um papel pouco habitual numa mulher.
Aliás,
A Estranha Em Mim é totalmente levado às costas por Jodie Foster, uma das grandes actrizes de sempre. É ela que dá credibilidade e força ao filme, com grandes performances e verdadeiros tour de force, numa prestação andrógena que alterna momentos de grande fragilidade, com outros de verdadeira masculinidade e confiança.
Confesso que estava à espera de um bocadinho mais e por isso não consigo deixar de estar um pouco desiludido. E como a desilusão costuma tirar-me a fome, vou apenas pedir um McChicken. E mesmo assim acho que já é muito...
Mas desconfio que o remake de
O Justiceiro Da Noite que aí vem com Sylvester Stallone vai dar-me uma indigestão bem maior.
Posted by: dermot @
12:42 AM
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