Quarta-feira, Novembro 28, 2007
EASY RIDER:Título:
Easy RiderRealizador: Dennis Hopper
Ano: 1969

Há dias atrás, quando falava aqui de
Lucifer Rising, um dos (quatro) leitores deste humilde tasco recordou-me um desafio que me tinha lançado há algum tempo:
então e o Easy Rider, pá? De facto, não poderia ter sido mais pertinente; porque haveria eu de estar a falar de trips cinematográficas, quando ainda não tinha falado da Trip cinematográfica por excelência (assim mesmo, com letra maiúscula).
Easy Rider, o filme de culto de Dennis Hopper e Peter Fonda, é uma daquelas obras cujo folclore que o envolve ultrapassa o próprio filme em si. Foi com
Easy Rider que apareceu a primeira chopper artilhada de forma radical e que veio a lançar o culto da máquina; foi também em
Easy Rider que
Born To Be Wild, dos Steppenwolf, se tornou no hino oficial dos motards; mas foi sobretudo com
Easy Rider que o Mundo viu verdadeiramente o que eram os anos 60, a era da paz e amor - era a contra-cultura no seu auge e que Hollywood não queria que nós víssemos.
Em
Easy Rider, Peter Fonda e Dennis Hopper são Captain America e Billy, os dois primos mais velhos de
Harley Davidson E O Cowboy Do Asfalto, que vão empreender numa viagem de mota até ao Mardi Gras, em Nova Orleães. Durante essa longa viagem, os dois motoqueiros vão deparar-se com várias situações e episódios, numa estrutura argumentativa semelhante à de
Apocalipse Now (que no fundo é a estrutura dos survivor movies, mas sem acção). Temos assim um road movie meets
Delírio Em Las Vegas, em que segundo rezam as crónicas, os próprios actores passaram todas as filmagens ensopados em drogas - ou não fosse este um filme de dois drogados a terem conversas de drogados (lembram-se dos diálogos vagos de
Gerry?).
O filme é um manifesto hippie, que faz apologia às ideias dos anos 60: dois espíritos livres, que recusam as primeiras ideias de capitalismo (aqui encarnado na personagem de Jack Nicholson, o irascível e divertido advogado George Hanson) e que prezam ao máximo a sua liberdade - gesto simbólico protagonizado pro Peter Fonda, quando nas primeiras etapas da sua viagem deita o relógio fora. Depois, durante o caminho, a empresa de ambos vai revelar vários episódios pertinentes: o agricultor que vive da terra; a comunidade hippie que vive numa anarquia de amor livre; o sexo livre no mítico bordel The House Of Blue Lights; e os sonhos utópicos de uma sociedade sem sistema monetário nem classes sociais, presente no diálogo sobre extraterrestres de Jack Nicholson e Dennis Hopper.
Tudo isto é rematado com uma trip alucinogénica, num cemitério em Nova Orleães, que envolve prostitutas despidas, motoqueiros alucinados, confrontos com Deus e muita confusão, numa sequência deonde os telediscos têm ido tirar ideias nos últimos 30 anos. No entanto, para não ser tomado como um filme presunçoso e não dar azo a múltiplas discussões e fórum intermináveis na internet, Hopper e Fonda terminam o filme com um final
vai-te foder: de forma seca e crua, a viagem de ambos termina de forma a não deixar dúvidas existenciais a ninguém, nem possíveis suposições.
Easy Rider é um dos mais fascinantes filmes de sempre (e tem um efeito de transição entre cenas que nunca vi em mais lado nenhum), que tem o dom de conseguir ser pragmático e igualmente simbólico - e é o documento perfeito para todos aqueles que viveram os anos 60, mas não se lembram deles. Claro que depois tem uma aura de misticismo a envolve-lo que lhe dá um sabor muito especial, assim tipo um McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
12:50 PM
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