Terça-feira, Outubro 02, 2007
TAXIDERMIA:Título:
TaxidermiaRealizador: György Pálfi
Ano: 2006

Nestes tempos recentes, a minha vida profissional não me tem deixado ir tanto ao cinema como eu gostaria. E dos filmes desta silly season que recentemente terminou, um dos que mais me custou perder foi
Taxidermia, o grande vencedor do Prémio do Público do Fantasporto deste ano. Mas como agora tenho algum tempinho livre, tratei logo de remediar isso.
Confesso que a ideia que a minha mente pré-definiu para o filme era algo completamente errado; devido ao título e ao prémio no Fantasporto, imaginava que
Taxidermia era uma espécie qualquer de slasher, sobre um assassino que empalhava as suas vítimas. Nada mais errado:
Taxidermia é um filme visceralmente pornográfico, que acompanha três gerações de uma família com um distorcido fascínio pelo culto do corpo.
Na primeira parte, temos então a Hungria em plena Segunda Guerra Mundial, onde no meio do nada, um soldado raso (Csaba Czene) que mais parece um criado, usa a imaginação para satisfazer a sua frustração sexual. O seu filho (Gergo Trócsányi), um
pequeno leitãozinho (literalmente) transforma-se no grande campeão nacional das maratonas de comer da Europa comunista; e por fim, o filho deste, é apenas um simples taxidermista (Marc Bischoff), com problemas românticos e de amor-próprio.
A sinopse é redutora e não faz juz ao poder simbólico do filme. Se tivesse sido filmado nos Estados Unidos,
Taxidermia teria sido rotulado como uma crítica social à tradição culinária disfuncional dos obesos norte-americanos, qual
Super Size Me: 30 Dias Da Fast Food qual quê. Assim, como foi um produto da Europa profunda,
Taxidermia é um documento surreal, de fina ironia (como o poster de Michael Jackson na loja do taxidermista), com uma mise-en-scene cuidada e apelativa, à qual é impossível passar indiferente, que mistura o surrealismo de Jeunet em
Delicatessen (Buñuel também não seria uma má opção de comparação), o gore explícito de Pasolini em
Saló Ou Os 120 Dias De Sodoma, as composições caóticas do cinema dos balcãs de Kusturica e a propaganda soviética de Eisenstein. Aliás, formalmente,
Taxidermia é uma versão pós-moderna do cinema do realizador soviético.
Se em termos de argumento e conceito,
Taxidermia pode ser confuso e pouco profundo (apesar dessa doentia forma de cultivar o corpo), visual e formalmente é um filme ímpar, que vale por cada segundo. Além disso,
Taxidermia tem concursos de comer, vómitos à barda, sodomizações de porcos esventrados, obesidade mórbida, pénis que ejaculam fogo e auto-empalhamento.
Taxidermia é obrigatório e completamente viciante. O mais inesperado Royale With Cheese de sempre, desde o inesperado
As Lágrimas Do Tigre Negro.
Posted by: dermot @
12:05 PM
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