Quarta-feira, Outubro 31, 2007
A OUTRA MARGEM:Título:
A Outra MargemRealizador: Luís Filipe Rocha
Ano: 2007

Quando falamos de homossexualidade no cinema português, falamos normalmente de João Pedro Rodrigues (alguém mencionou
O Fantasma ou
Odete?). Mas a partir de agora, Luís Filipe Rocha vai começar a intrometer-se na conversa, devido a
A Outra Margem. Não é que este seja um filme gay, mas o seu protagonista faz shows de transformismo, num travesti assustadoramente semelhante ao de Mick Jagger no habitualmente esquecido
Bent.
A Outra Margem é a história de dois inadaptados que, juntos, vão encontrar o seu lugar no Mundo, preenchendo as lacunas um do outro: Ricardo (Filipe Duarte) é homossexual e travesti, afectado pelo recente suicídio do seu namorado; e Vasco (Tomás Almeida) é o seu sobrinho que sofre de Síndrome de Down, que almeja por uma carreira no teatro e sente a falta de uma figura paterna na sua vida.
A sinopse não agoira nada de muito original nem nada que nunca tenhamos visto lá fora (alguém mencionou
O Oitavo Dia?); apenas uma variação da habitual história do coitadinho que o nosso cinema tanto gosta, ou não fôssemos nós a terra do Fado. E o início de
A Outra Margem também não é nada auspicioso, com uma cena de onfrontação de forte carga teatral, uma sequência pseudo-intelectualóide com os Corvos (meu Deus, porquê os Corvos?) e uma clara falta de dinamismo de Luís Filipe Rocha, como se este não tivesse sensibilidade nem noções de ritmo.
Mas a pouco e pouco,
A Outra Margem vai conseguindo endireitar-se, com mais ou menos dificuldade. As razões para tal são simples: pouco pretensiosismo, uma abordagem superficial pelos temas para o qual o filme verdadeiramente corre no final e uma fotografia cuidada do interior português.
Filme sem grandes rasgos nem golpes de asa de maior, mas com uma realização competente e algumas interpretações acima da mediania (especialmente a do protagonista Filipe Duarte, já premiada lá fora),
A Outra Margem é um filme que acaba por sobressair numa altura em que o cinema português parece estar numa certa falência de ideias. Por isso, o McBacon até ganha um sabor especial.
Posted by: dermot @
12:02 AM
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