Considerada por quase toda a gente (pelo menos, a maioria das pessoas de bem) como a melhor série de animação de sempre, Os Simpsons é ainda a sitcom com mais temporadas da história da televisão norte-americana. No ar desde 1989, Os Simpsons entranharam-se fortemente na cultura popular ocidental, o que fazia adivinhar desde logo uma longa-metragem. A surpresa foi que essa opcção tenha demorado quase duas décadas até ser concluída.
Depois de muito esperar, eis então Os Simpsons - O Filme. E, visto à distância, as previsões não eram boas. Primeiro, porque dezoito anos de desenhos-animados leva-nos à eterna questão: o que falta ser feito? E segundo, porque ao fim de 400 episódios de humor, Os Simpsons já começam a acusar muito desgaste e algum esgotamento. No entanto, Os Simpsons são sempre Os Simpsons. E como nós, seres humanos, somos optimistas por natureza (not), nada como dar uma chance à família mais amarela de sempre.
Toda a gente conhece então os Simpsons: a família mais disfuncional dos Estados Unidos, que coloca a nu todas as defeciências do sistema social norte-americano, satirizando-o de forma irónica e crítica, como uma espécie de Uma Família Às Direitas mais ácido e mais screwball. E Homer Simpson é o expoente máximo deste micro-universo.
Para quem estava à espera de um argumento original, as expectativas saíram furadas: Os Simpsons - O Filme aproveita aquilo que já foi abordado mais do que uma vez na série: as crises familiares, nomeadamente entre marido e mulher (Homer e Marge com problemas no casamento) e entre pai e filho (Homer e Bart com problemas de respeito e amor-próprio). A diferença do filme para a série é que esta crise apresenta-se como a derradeira prova de fogo ao normal funcionamento daquela família.
Depois, à volta disto desenvolve-se um sub-enredo, que dá a Os Simpsons - O Filme uma dimensão de filme-catástrofe (a dimensão certa para um projecto desta envergadura), com um humor menos satírico do que nos habituámos e bem mais slapstick, e com pouca atenção dada às personagens secundárias. Aliás, é notória a ausência de alguns bonecos memoráveis: Selma e Patty, Sideshow Bob ou um Krusty com algumas falas. Mas claro que isto é compensado com alguns momentos memoráveis, feitos daquela matéria de que são feitos os mitos (alguém mencionou o spiderpig?).
Os Simpsons - O Filme não é hilariante nem genial (that's good... but not great, parafraseando Homer Simpson) mas é como um bom episódio de Os Simpsons de hora e meia. Contra este argumento tem o facto de que a série já nos habituou a bem melhor e por muito mais vezes; mas a favor, tem o facto de que, ultimamente, as últimas temporadas têm sido bem enfadonhas. Por isso, dando o benefício da dúvida (e como já foi prometido que o próximo filme não demorará tantos anos), não me importo de me despedir com um McRoyal Deluxe. Porque Os Simpsons - O Filme é, claramente, o momento de ruptura que vai dar uma nova vida a série. E para quem pensa que tudo se manteve igual, basta verem o genérico do primeiro episódio da nova temporada de Os Simpsons (cortesia o mundo fantátsico do youtube.
Posted by: dermot @
1:13 PM |
COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga