Segunda-feira, Outubro 15, 2007
THE HOST - A CRIATURA:Título:
GwoemulRealizador: Joon-ho Bong
Ano: 2006

Nos anos 50, a Universal teve uma grande tradição nos filmes de monstros (alguém mencionou
O Monstro Da Lagoa Negra ou
A Múmia?), mas os que realmente impressionavam vinham do outro lado do Mundo: os kaiju eiga, os monstros japoneses (
Godzilla, anyone?). Desde essa altura, nunca surgiu mais nada de grande interesse, salvo raras excepções (tubarões, aliens e dinossauros, especialmente), mas nenhum tão monstruoso quanto
The Host - A Criatura, que agora nos chega.
Podíamos pensar que Joon-ho Bong estava a tentar fazer o que Peter Jackson não conseguiu com o seu
King Kong - reabilitar o saudoso cinema de monstros -, se não fosse o facto de
The Host - A Criatura não ser um convencional filme do género. De facto,
The Host - A Criatura é mais uma subversão do género, sendo no fundo um filme familiar, sobre os Park, uma família disfuncional deteriorada. No entanto, como esta criatura mutante com peixes em vez de barbatanas é o mais assustador monstro das últimas décadas, penso que seria uma óptima ideia apostarem num spin-off.
Temos então uma espécie de
Uma Família À Beira De Um Ataque De Nervos, versão filme de acção: Gang-Du (Kang-ho Song) é pai solteiro, despistado e extremamente preguiçoso, devido a uma infância parca em proteínas; Hie-Bong (Hie-bong Byeon) é o tio desempregado, alcóolico e desiludido com o seu país; Nam-Joo (Du-na Bae) é a tia desportista que falha sempre nos momentos decisivos; e Hie Bong (Hie-bong Byeon) é o avô, a peça central que tenta manter a família unida. No fundo, são todos uma cambada de perdedores, que podiam muito bem ser primos afastados de
Os Tenenbaums; e o rapto da pequena Hyun-seo (Ah-sung Ko) pela tal criatura sub-aquática mutante vai pôr em marcha um processo de reabilitação daquela família.
The Host - A Criatura caminha por váiros territórios estilísticos e o realizador Joon-ho Bong movimenta-se, claramente, melhor nuns do que noutros: exímio nas sequências de suspense em que entra o terrível monstro canibal e algo atabalhoado nas cenas melodramáticas, de maior tensão familiar. Completamente típicas são, entretanto, os gags cómicos, típicas chinesices que se tornam rídiculas de tanto os vermos a estrabucharem e a dizerem baboseiras.
Menos subtil é a faceta política de
The Host - A Criatura, claramente de pendor anti-americano (afinal de conta, são sempre eles os responsáveis pelas más decisões da história), mas que critica o próprio sistema coreano. Isso e a paranóia colectiva de epidemias como a SARS...
The Host - A Criatura tem feito furor pelos festivais internacionais, mas não é assim tão bom quanto seria de prever; é apenas giro. Mas uma coisa é certa: podemos sentar-nos calmamente a comer o nosso McBacon, que agora é apenas uma questão de tempo até uma alma iluminada do outro lado do Atlântico experimentar um remake.
Posted by: dermot @
11:24 PM
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