Segunda-feira, Setembro 03, 2007
UM DIA A CASA VEM ABAIXO:Título:
The Money PitRealizador: Richard Benjamin
Ano: 1986

Antes de se ter tornado numa das máquinas de fazer dinheiro mais rentável de Hollywood, Tom Hanks começou a sua carreira como qualquer pessoa respeitável: por baixo. E por baixo entenda-se começar pelas comédias românticas e, às vezes, sem muita graça.
Se há coisa que me continua a deixar intrigado é como é que houve tanta comédia ligeira interessante nos anos 80. Talvez por ter sido uma década onde a percepção do ridículo esteve adormecida e os realizadores tenham feito tantos filmes lamechas e patetas numa ausência total de pretensões artísticas, que continuam a funcionar em nós com sentida nostalgia, da mesma forma que as tiradas espirituosas de Confúcio funcionam com os chineses. Os anos 80 foi a década dos feelgood movies, das comédias juvenis e das comédias românticas (olá
O Rei Dos Gazeteiros,
Olá Namorada Aluga-se) e Tom Hanks foi um dos seus principais rostos.
Enganem-se aqueles que pensam que vou falar de
Splash, A Sereia; o que me traz aqui hoje é
Um Dia A Casa Vem Abaixo, comédia romântica habitualmente esquecida que juntou Tom Hanks à terrivelmente inexpressiva e com voz de macho Shelley Long numa grande prova de amor.
Walter Fielding (Tom Hanks) e Anna Fielding (Shelley Long) são então o casal apaixonado desta comédia, que ao ficarem sem apartamento e sem dinheiro devido a uma sobreposição de factores, encontram o negócio das suas vidas: uma mansão senhorial nos subúrbios a preço da chuva. No entanto, quando a esmola é grande o pobre desconfia; e aquela aparente casa de sonho vai-se tornar num poço sem fundo de despesas, uma vez que toda ela precisa de reparações.
Desde que Buster Keaton estrelou em
One Week, que a casa em obras se tornou num dos flicks preferidos dos humoristas do cinema mudo. Richard Benjamin reabilitou o género mas, apesar das gags, das personagens bizarras (uma banda de homens vestidos de mulheres, um maestro italiano com um ego do tamanho de Itália, ou uma estrela da música adolescente com os pais como mordomos) e do humor físico,
Um Dia A Casa Vai Abaixo não deixa de ser uma comédia romântica e a casa desfeita é uma gigantesca metáfora ao amor daquele casal: não é por acaso que tudo se inicia com um degrau partido, quando a escada é o símbolo por excelência do
próximo passo, assim como não é inocente a constatação final do encarregado de obras, ao dizer
quando as fundações são firmes, tudo se conserta.
Um Dia A Casa Vai Abaixo é a típica comédia romântica e o habitual feelgood movie dos anos 80 (onde tem falta a theme song cheesy,
The Heart Is So Willing). Os amantes do género não ficarão desiludidos com o McBacon. Para quem não sabe do que estou a falar,
Um Dia A Casa Vai Abaixo sofre do típico síndrome Disney (ou melhor, do Síndrome Capra, ou não fosse Steven Spielberg o produtor executivo).
Posted by: dermot @
10:01 PM
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