Segunda-feira, Setembro 17, 2007
O MARINHEIRO DE ÁGUA DOCE:Título:
Steamboat Bill, Jr.Realizador: Charles Reisner
Ano: 1928

Confesso que, durante muito tempo, Buster Keaton foi para mim uma espécie de parente pobre de Charlie Chaplin. O motivo para tal opinião era simples: ignorância e desconhecimento de causa. Até que há uns tempos atrás, pus-me a ver algumas curtas de Keaton e foi como tivesse tido uma epifania: a minha vida mudou! Principalmente, após ver a obra-prima absoluta, digna de todos os superlativos de língua portuguesa,
One Week.
Afinal, Buster Keaton não era apenas o rival de feições de mármore do Charlot; o cinema de Keaton é uma fusão entre o melhor humor físico e burlesco de Chaplin, as acrobacias arriscadas dos bons velhos tempos de Jackie Chan e uma inovação técnica assombrosa e absolutamente inesperada.
O Marinheiro De Água Doce é uma variação do mito do regresso do filho pródigo, misturado com a clássica história de amor de Romeu e Julieta, mas, obviamente, segundo a versão de Keaton. E há aqui duas coisas que surpreendem: a primeira é que nunca há o recurso fácil aos gags de humor físico, que de tanto copiados ao longo das décadas se tornaram saturados e datados - tudo é fresco e original; e a segunda é a abordagem a temas que não estamos habituados a ver no conservador cinema dos anos 20/30 - o confronto de gerações, por exemplo.
O Marinheiro De Água Doce tem ainda o tal dedo inovador de Keaton, com alguns efeitos especiais de grande escala, planos-sequência e muitas acrobacias arriscadas, especialmente nos memoráveis 15 minutos finais do filme, quando este se trasnforma no primeiro filme-catástrofe da sétima arte.
Não é o filme mais genial de Buster Keaton, mas o McRoyal Deluxe mostra porque é um dos mais reconhecidos na filmografia do actor de cara inexpressiva. E porque é que influenciou a estreia em público do rato mais famoso do cinema, vulgo Rato Mickey.
Posted by: dermot @
12:29 AM
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