Quinta-feira, Setembro 06, 2007
MUITO BEM, OBRIGADO:Título:
Très Bien, MerciRealizador: Emmanuelle Cuau
Ano: 2007

Já não me lembro da última vez que vi um filme sem uma mínima pista do que iria ver. Com a proliferação dos meios de comunicação, cada vez temos mais informação para absorver e cada vez é mais difícil escapar ao que quer que seja. No entanto, devido a uma conjugação de factores - a silly season, um mês ocupado em termos profissionais e obrigações académicas -, proporcionaram-me este belo momento: ir ao cinema ver um filme, sem qualquer vestígio de expectativas.
Alex (Gilbert Melki) é então a figura central do filme: um contabilista cansado da vida mesquinha e controlada que a sociedade contemporânea obriga; um homem farto de um sistema que não dá margem de manobra ao ser humano, espécie consagrada naturalmente ao erro; um indivíduo que já não suporta mais coisas como o despedimento do seu amigo por gastar uns euros a mais do orçamento da empresa - a margem de erro de um Homem devia ser muito mais condescendente.
Alex não vai aguentar mais; e quando entra em confronto com a polícia por uma coisinha de nada, esta envolve-o num enorme processo kafkiano em forma de espiral descendente, onde os porquês são constantemente adiados por cima de papéis e processos, fazendo a burocracia de
Brasil - O Outro Lado Do Sonho parecer coisa de meninos.
Se há coisa que
Muito Bem, Obrigado não é, é inovador; filmado segundo todas as regras académicas, com planos preferencialmente fixos e de tripé, o processo acaba por ajudar no tom monótono e pausado da história, levando o espectador a um mesmo nível de irritamento do que as personagens, envoltas numa engrenagem burocrática tão ridícula que chega a dar vontade de rir. Com um humor seco e sarcástico,
Muito Bem, Obrigado pode parecer aos mais distraídos um aborrecimento de morte.
Infelizmente,
Muito Bem, Obrigado termina meia-hora antes do final; Emmanuelle Cuau decide terminar com aquele processo kafkiano e assume a crítica social definitiva ao sistema, como quem diz
se seguires as regras neste mundo cão, não te safas. Quem perde é o filme e o espectador; fartos de coisas honestas estamos nós. Tal como Alex, a realizadora poderia muito bem ter quebrado umas quantas regras também.
Muito Bem, Obrigado é então uma pequen(in)a supresa francesa, ideal para rematar esta silly season porbrezinha e lembrar-nos que está na hora de voltarmos a ver coisas sérias. Um McChicken para celebrar o fim do Verão.
Posted by: dermot @
11:30 AM
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