Terça-feira, Setembro 25, 2007
MISSÃO SOLAR:Título:
SunshineRealizador: Danny Boyle
Ano: 2007

Desde que realizou
Trainspotting, no já longínquo ano de 1996, que Danny Boyle se tornou num dos realizadores mais seguidos do Mundo. No entanto, até à data, o realizador inglês nunca mais tinha atingido o mesmo nível de genialidade, apesar de vários bons filmes.
Uma coisa que Danny Boyle tem feito nesta sua carreira é divertir-se. Boyle é como Tarantino, um dos grandes mestres da sua geração: um cineasta com grande amor pelo cinema, que apenas procura entreter-se, homenageando os seus géneros favoritos. Só assim se pode perceber um filme como
Milhões. E assim se justifica a aposta neste
Missão Solar, um filme de ficção-científica que faz a devida homenagem.
Missão Solar é então uma colagem de alguns títulos marcantes da ficção-científica: de
Armageddon a
O Enigma Do Horizonte, passando por
Alien - O Oitavo Passageiro até
2001: Odisseia No Espaço.
Missão Solar pode-se chamar de xunga moderno. E isto é um elogio.
De
Armageddon temos então o conceito: a Terra vive um inverno solar e a solução é enviar uma nave, a Icarus II, com os melhores cientistas e astronautas a bordo, com uma bomba gigante que fará "reiniciar" o sol, numa empresa quase-suicida. Mas se há uma Icarus II, isto significa que já houve uma Icarus I - uma primeira expedição que se perdeu misteriosamente e que eles vão encontrar à deriva no espaço. Bem-vindos a
O Enigma Do Horizonte. Depois encontramos ainda a influência-slasher de
Alien - O Oitavo Passageiro, na fórmula
uma nave, oito astronautas, um assassino letal. E, por fim, de
2001: Odisseia No Espaço é importada a grande mensagem moral do filme, a um nível metafísico de fatalidade, epifanias, Deus, vida e morte.
Missão Solar é então um filme de ficção-científica que recupera a faceta psicológica do tema, naquela altura que a descoberta do espaço ainda levantava muita discussão acerca da mortalidade e da divindade, não se furtando um pouco às trips do cinema dos anos 70, que vimos já o ano passado em
The Fountain - O Último Capítulo. No entanto, a embrulhar tudo isto está uma embalagem de slasher, com sangue a escorrer pelas paredes e cabeças cortadas.
No espaço ninguém te consgeue ouvir gritar. Danny Boyle segue esta punhcline à risca e filma
Missão Solar com grande bonomia, alternando os silêncios com uma banda-sonora magistral (vénia aos Underworld), criando uma tensão de se cortar à faca e um thriller de nos deixar com o coração nas mãos. O herói colectivo, heterógeno o bastante para criarmos relações de ódio e amor com cada um deles, consegue estabelecer entre si uma rede de relacionamentos realista e credível, suficiente para nos sentirmos um deles.
Missão Solar poderá ser visto com desconfiança por quem o olha de fora, mas para quem não se amedrontar pelas aparências, será sem dúvida um dos filmes do ano. Um excelente tributo à ficção-científica, um conjunto de momentos memoráveis (astronautas dourados à deriva no espaço resulta muito bem) e uma cinematografia acima da média (quase toda ela artesanal), faz de
Missão Solar um dos mais deliciosos Le Big Macs de 2007.
Posted by: dermot @
10:53 AM
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