Já por aqui mencionei anteriormente o mítico filme Undefeatable, por alturas da discussão sobre a pior luta de sempre no cinema. Pois bem, chegou a altura de colmatar uma flagrante lacuna deste antro cinéfilo e falar-vos um pouco mais a sério desta lenda da sétima arte. Maldita silly season e desta tarde com demasiado tempo livre...
Undefeatable tornou-se num fenómeno quando, em 2005, uma alma com ainda mais tempo livre do que eu colocou no fantástico mundo do youtube, a mítica cena de luta. A partir daí o culto foi instantâneo: Undefeatable era o novo mau filme que todos queriam ver e venerar. No entanto, por mais que pensássemos que estivessemos prontos, nada nos podia preparar para algo assim.
Não é tão mau como pensamos. É pior ainda. E acreditem, eu já vi muita coisa má. Undefeatable é tão mau, tão mau, que a própria palavra do título não existe. A tradução de undefeatable dá qualquer coisa como inderrotável. Ou então talvez seja o contrário: Undefeatable é bom demais até para o vocabulário... Para compreender o quão mau é o filme, basta atentarmos à sua origem: Undefeatable é uma produção chinesa, realizada nos Estados Unidos, pela lenda do cinema de série Z de Hong Kong, Godfrey Ho, realizador que ficou sobejamente conhecido pela sua técnica de copy-paste - Ho fazia uma semana de filmagens aleatórias e depois montava-as em dez ou quinze filmes dobrados, de baixo orçamento e de baixa qualidade. Não admira que tivesse feito mais de cem filmes...
O grande trunfo de Undefeatable são os seus actores. A estrela é, claramente, Cynthia Rothrock, a campeã feminina norte-americana de artes-marciais, que os mais atentos conhecem dos filmes straight-to-video da década de 80, que enchiam as prateleiras do clube-de-vídeo dos nossos bairros. Depois há John Miller, com atributos igualmente proporcionais na arte de lutar e de representar, cujo segredo da sua força está escondido no mesmo local que o de Chuck Norris: numa pelugem farta no peito. E por fim, Don Niam; se Don Niam tivesse feito mais filmes, de certeza que teria criado um mito mais forte que o de Chuck Norris. Niam destaca-se pela intensidade com que encara cada cena, de olhos esbugalhados, gritos pujantes e uma capacidade de não conseguir dizer nada sem nos provocar uma gargalhada. E depois tem a melhor mullet de sempre: uma mistura entre o Marco Paulo e o Paulo Futre dos velhos tempos, mas num bad hair day. E o mais assustador, é que já nem estávamos nos anos 80.
Fora isto, Undefeatable até tem um argumento razoável e sem buracos de maior, o suficiente para um filme desta categoria. Kristi Jones (Cynthia Rothrock) luta em rixas de rua por dinheiro, de forma a pagar a universidade da irmã, mas quando esta é assassinada pelo serial killer Stingray (Don Niam), Kristi vai jurar vingança. E vai contar com o apoio do polícia Nick DiMarco (John Miller) para o apanhar.
Podia aqui fazer uma lista das coisas más do filme, mas não o vou fazer para não me tornar irritante. Resumo tudo numa linha: esteriótipos, gore gratuito, intensidade dramática levada ao extremo do razoável e muitas outras coisas que não consigo precisar. Só há algo que não consigo contornar. Eu sei que a sensibilidade oriental é diferente da ocidental, mas em nenhuma parte do mundo filmar um bife a grelhar e colocá-lo numa cena de violação funciona como muleta dramática! Em nenhuma parte do mundo!!
De bom, só me consigo mesmo lembrar de uma sequência de acção sobre vários bidons. Isso foi giro. Fora isso, se apanharem alguma vez uma edição do dvd do filme, passem imediatamente para o confronto final; tudo o que justifica a Hamburga de Choco está aí. E mais uma vez, despeço-me com amizade e com essa famosa cena.
Posted by: dermot @
6:35 PM |
COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga