Domingo, Agosto 12, 2007
SHREK, O TERCEIRO:Título:
Shrek The ThirdRealizador: Chris Miller e Raman Hui
Ano: 2007

Apesar de serem duas fantasticas comédias,
Shrek 2 é claramente inferior a
Shrek. Enquanto o primeiro é um filme que se fez a si próprio - nasceu de uma ideia original e, graças a um argumento imaginativo e despretensioso, conseguiu vingar e ter sucesso -, o segundo é um filme que vive sobretudo dos vários gags a parodiar outros filmes. Não é que isso seja mau, mas depois disto confesso que estava um pouco assustado para
Shrek, O Terceiro.
Comecemos então pelo início. Shrek (Mike Myers) e Fiona (Cameron Diaz) continuam casados, felizes e bem de saúde. Ao contrário do Rei Harold (John Cleese), que acaba por falecer. Mas Shrek, o herdeiro directo do trono do Reino Bué Bué Longe, não está muito interessado em ser rei e, por isso, decide ir buscar ao liceu o outro herdeiro: Artur (Justin Timberlake), um adolescente inadaptado e de bom coração (uma espécie de Shrek, mas sem ser em ogre). Entretanto, o Príncipe Charmoso (Rupert Everett) decide reunir toda a vilanagem dos contos de fada e tomar o trono do Reino Bué Bué Longe à força.
Mais uma vez voltam a ser inseridas novas personagens - Artur, Merlin (um genial Eric Idle, na melhor novidade deste tomo) e ou as várias princesas -, que, juntas às restantes, começam a ser demais. E se com tanta personagem a precisar de atenção, gente como o Burro (Eddie Murphy) ou o Gato das Botas (Antonio Banderas) já saem claramente prejudicados, com o seu tempo de antena a ser drasticamente reduzido, então nem quero imaginar o que vai acontecer nos próximos episódios da série.
Shrek, O Terceiro continua a sua escalada de ambição; o argumento tenta ser mais complexo, tenta inserir mais personagens e tenta criar sub-enredos que dêem maior riqueza à trama. Mas tudo o que é demais enjoa e, se a ideia principal é boa (juntar todos os vilões dos contos de fadas para tomar o poder), a ideia do liceu de Artur, por exemplo, é tão óbvia e vulgar que cheira a banalidade à distância.
Para quem estava habituado à energia e vitalidade de
Shrek e
Shrek 2,
Shrek O Terceiro pode causar sérios bocejos. Obviamente que também faz soltar valentes gargalhadas e tem sérios momentos de humor - apesar deste episódio ser ligeiramente mais cor-de-rosa e menos ácido que os antecessores -, mas não podemos deixar de nos sentir um pouco desiludidos por nos deixar, por vezes, tanto tempo sem esboçar um sorriso.
Onde
Shrek, O Terceiro acerta em cheio é na parte musical. Finalmente, são banidas as theme songs de bandas rock-fm e faz-se cinema a sério com música a sério. É muito boa a homenagem a Paul McCartney, com um belo momento sentido ao som de
Live And Let Die, onde se presta tributo ao ex-Beatle com um coro de sapos; há Wolfmother (vénia) na banda-sonora para nossa surpresa; e a Branca de Neve executa um ataque terrível ao som da
Immigrant Song, dos Led Zeppelin (vénias até à exaustão), naquele que é o melhor momento no cinema de 2007. Tenho dito!
São mais olhos que barriga, mas mesmo assim vou dar mais uma chance ao ogre verde, com este McChicken. Mas no próximo prometo que não vou ser tão condescendente.
Para relembrar o tomo antecessor, clique aqui.
Posted by: dermot @
10:55 PM
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