Quinta-feira, Agosto 16, 2007
CUBO:Título:
CubeRealizador: Vincenzo Natali
Ano: 1997

O flick da casa assombrada é um dos mais antigos e eficazes truques do cinema de suspense e terror. Desde para aí o
Haunted Hause de Walt Disney que assistimos a mil e um rip-offs do género, sendo o mais sublime
A Casa Maldita. Em 1997, um desconhecido chamado Vincenzo Natali apresentou ao mundo uma surpresa chamada
Cubo, onde com uma variação desse flick, assinou um dos mais impressionantes filmes dos últimos anos.
Não temos uma casa assombrada (e sitiada), mas temos antes um cubo. Sim, leu bem, um cubo, um cubo gigante, com cento e trinta e dois metros de aresta, dividido no interior por milhares de outros cubos. É uma espécie de Cubo de Rubik, mas com uma particularidade: algumas desses cubos estão armadilhados. Ninguém sabe quem o mandou construir, qual é o seu objectivo ou qual deixa de ser. A única coisa que sabemos é que sete pessoas inocentes (e, aparentemente, escolhidas aleatoriamente) foram atiradas lá para dentro. E agora têm que se desenrascar sozinhas.
Desde o início que
Cubo provoca logo uma enorme desorientação. Os cubos são todos iguais e aquela repetição de salas começam desde logo a fazer-nos entrar em paranóia. Mas apesar de ser um filme fantástico, com um travo de ficção-científica high-tech,
Cubo é um filme de actores (afinal, só existe um cenário...) e o argumento de excepção faz com que este seja um excelente ensaio de psicologia humana, imprevisível, desconfortável e asfixiante. Contra todas as previsões, o fiilme que faz lembrar é
12 Homens Em Fúria.
O filme é, claramente, uma primeira obra. Existe uma coleção infindável de planos arriscados e experimentais, uns que funcionam outros nem por isso, habituais em realizadores em início de carreira, que querem pôr na prática de uma só vez anos e anos de ideias acumuladas.
Cubo não tem um equilíbrio formal, mas não é isso que lhe retira o mínimo de interesse.
Para além de todas estas virtudes,
Cubo tem ainda outras duas. O facto de não ceder à tentação de uma explicação final que estragasse tudo, deixando o final em aberto, à mercê da interpretação de cada um; e o impacto que causa a sua primeira visualização, comparável áqueles filmes com twists finais reveladores e inesperados.
Cubo coleccionou os principais prémios de vários festivais internacionais, incluindo o nosso Fantasporto e o tão desejado de todos, o Royale With Cheese.
Posted by: dermot @
11:23 PM
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