Domingo, Julho 01, 2007
SHORTBUS:Título:
ShortbusRealizador: John Cameron Mitchell
Ano: 2006

Já aqui revelei anteriormente que tenho um problema com o sexo explícito no cinema. Não concordo com ele, não o compreendo e raramente o acho justificável. Então, que me levou a ir ver
Shortbus? Bem, por três euros, achei que valia a pena tentar... Quem sabe não estaria ali a excepção que confirma a regra?
Para quem não sabe,
Shortbus é um filme independente sobre os meandros do sexo na sociedade contemporânea, filme que fez furor na última edição do Indie Lisboa e filme que levantou celeuma no Canadá, uma vez que a actriz/cantora/apresentadora Sook-Yin Lee aparece envolvida no filme em cenas pouco aconselháveis aos mais púdicos.
Sook-Yin Lee é então Sofia, uma terapeuta sexual que (ironia) nunca teve um orgasmo. Numa das suas consultas, conhece um casal homossexual, Jamie (PJ DeBoy) e o depressivo James (Paul Dawson). São eles que lhe recomendam a discoteca Shortbus, um antro de fetiches, depravações e fantasias sexuais de todos os géneros (lembram-se de
Saló Ou Os 120 Dias De Sodoma?). E é lá que Linda vai conhecer Severin (Lindsay Beamish), uma dominatrix que não consegue criar uma relação estável com ninguém. Em suma, todos eles não conseguem sentir algo, seja amor ou, simplesmente, um orgasmo.
Shortbus é uma enorme metáfora à decadência da sociedade contemporânea, onde a impessoalidade, o alheamento e a
impermiabilidade (para usar uma palavra do próprio filme) são quase normas sociais. É como é dito em
Colisão:
Em Los Angeles as pessoas têm acidentes de viação por terem falta de contacto humano. Eu sei que me farto de citar isto, mas nada tão inteligente foi dito acerca da nossa sociedade actual nos últimos anos de cinema.
Shortbus é o mundo de gente depressiva, facilmente suicida e hiper-sensível que encontramos cada vez em maior número. Se é isto que o futuro nos reserva, então não vale a pena esforçarmo-nos demasiado com os nossos filhos...
Seguindo as linhas do novo cinema independente,
Shortbus quebra convenções ao abordar o sexo sem o mínimo de tabus: há sexo explícito de todas as maneiras e feitios. Há sexo heterossexual, sexo homossexual, ménage à trois, auto-sexo oral(!), sodomização, ingestão de fluídos e muitas outras coisas que não sei o nome. A linha que separa a pertinência do sensacionalismo é muito ténue e, por isso,
Shortbus resvala muitas vezes para o voyerismo gratuito. Não é por acaso que a última parte, em que a sugestão passa a ter maior protagonismo, é a melhor do filme.
É verdade que
Shortbus tem algumas chalaças engraçadas, uma réplica em cartão de Nova Iorque adorável e uma banda-sonora do caraças, mas tanto sexo explícito para tão pouca consistência não valem mais do que um Double Cheeseburger.
Posted by: dermot @
10:58 PM
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