Terça-feira, Julho 17, 2007
OS CAVALEIROS DO ASFALTO:Título:
Mean StreetsRealizador: Martin Scorcese
Ano: 1973

Gosto do Harvey Keitel. Muito. Keitel foi um dos muitos actores que deu o passo decisivo na evolução do método Stanislavsky, mas foi aquele que melhor soube envelhecer. Enquanto De Niro tem-se preocupado demasiado com comédias muitas vezes inconsequentes e Al Pacino tem feito muita coisa inofensiva, Harvey Keitel soube amadurecer com estilo.
Os Cavaleiros Do Asfalto marcou o lançamento mediático de Harvey Keitel, mas não só. Destacou também Robert De Niro e foi o primeiro grande projecto pessoal do mestre Martin Scorcese. Além disso, marcou ainda a primeira colaboração entre eles e o realizador.
Scorcese viria a repisar o tema:
Os Cavaleiros Do Asfalto é um filme que cristaliza o submundo nova-iorquino, nomeadamente a Máfia e as famílias italo-americanas. Contudo,
Os Cavaleiros Do Asfalto tem muito pouco a ver com
O Padrinho. É certo que os valores sacramentais da família, do lar e da igreja se mantém, mas os Corleones de Coppola nada têm a ver com a gangue liderada por Charlie (Harvey Keitel). Estes são apenas jovens, filhos de peixeis maiores, que se divertem pelas ruelas de Nova Iorque, com muito sangue quente, um feitio mulherengo e muita rebeldia.
Deste grupo de mafiosos de algibeira, destacam-se dois. Charlie (Harvey Keitel), o mais maduro e repsonsável do grupo, que no entanto tem umas situações por resolver com Deus (uma espécie de protótipo de
Polícia Sem Lei), que o fazem ficar numa situação complicada: não gosta de pretos, mas tem uma fixação sexual por uma dançarina africana; está apaixonado pela epilética Teresa (Amy Robinson), mas não pode dizer a ninguém porque a família desaprova relações com miúdas
doentes da cabeça; e tenta edireitar o rebelde Johnny Boy (Robert De Niro) - ao fim ao cabo não se abandona a família -, apesar de já ninguém acreditar nele. De facto, Johnny Boy é o outro dínamo do filme. De Niro não tem aqui a sua melhor personagem, mas tem a mais irrequieta e irreverente. E é ele que vai desencadear todos os mecanismos do argumento.
Os Cavaleiros Do Asfalto faz um retrato social dos jovens gangsters de Nova Iorque, numa época que havia sido tomada de assalto pelos movie brats, pela violência, pela quebra de tabus e pela contra-cultura. E o filme é um dos seus documentos essenciais. Além disso, nota-se todos os tiques de primeira obra de Scorcese, especialmente na edição, que prima pela dinâmica nervosa e elétrica, com claras remeniscèncias da nouvelle vague europeia, e a banda-sonora de excepção, toda ela retirada da coleção pessoal de discos do realizador, dos Rolling Stones às Chantels.
Contudo, apesar de todas as suas virtudes,
Os Cavaleiros Do Asfalto assemelha-se mais a um diamante em bruto: tem várias boas ideias, mas precisava de umas polidelas no guião. Por exemplo, como já mencionei acima, Abel Ferrara pegou numa delas e trasnformou-a num filme espectacular.
Os Cavaleiros Do Asfalto não é o melhor filme de Scorcese, mas é a melhor introdução à obra do mestre. Por isso, não se intimidem com o McChicken.
Posted by: dermot @
6:06 PM
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