Domingo, Julho 22, 2007
NOSFERATU, O VAMPIRO:Título:
Nosferatu, Eine Symphonie Des GrauensRealizador: F. W. Murnau
Ano: 1922

Certa vez, em conversa com André Joaquim, o excelso guitarrista dos não menos excelsos Dr. Frankenstein e Capitão Fantasma (conversa essa que pode ser recuperada
aqui), ele disse-me que por vezes ia ao cinema apenas para ouvir a música. Sempre achei isso extremamente interessante, mas só entendi realmente o que queria dizer quando vi com olhos de ver o clássico
Nosferatu, O Vampiro.
De facto, vale a pena refastelarmo-nos no sofá a ver
Nosferatu, O Vampiro apenas para saborear a banda-sonora. E qualquer uma delas, porque todas são boas. Até mesmo a dos Clã.
Para quem não sabe,
Nosferatu, O Vampiro foi a primeira adaptação do Drácula à sétima arte. No entanto, como a viúva do Bram Stoker não quis vender os direitos da obra, o realizador F.W. Murnau contornou a coisa trocando o nome Drácula pelo de Nosferatu e fazendo do filme uma versão não oficial do clássico. O resultado é o primeiro filme de terror a sério e um dos vértices do triângulo de obras-primas do expressionismo alemão.
Como escrevi aqui em
O Gabinete Do Dr. Caligari, o expressionismo alemão foi uma fascinante corrente artística que reflectiu uma época de desilusão, medo, dúvida e sentimentos sombrios numa Alemanha envolta em reformas profundas, vítima recente de uma guerra mundial e berço de alguns teóricos que acabavam de abalar alguns dogmas, como Freud e Nietzsche. Era a época perfeita para a proliferação do terror e do fantástico e o cinema era o veículo ideal para tal.
Nosferatu, O Vampiro espreme todas as potencialidades do preto e branco e coloca-as a favor do suspense e terror deste mito supremo dos vampiros. Nosferatu é um sugador de sangue horripilante, que desliza pela noite, em sugestivas sombras projectadas nas paredes e sobre as vítimas, técnica explorada mais tarde pelo mestre do suspense, Alfred Hitchcock.
Mas quem tem grande quota parte de responsabilidade na aura assustadora de
Nosferatu, O Vampiro é Max Schreck, o próprio Drácula. Actor do método, feio que nem um bicho (facto que Murnau aproveitou, poupando em maquiagem, ao acrescentar apenas uns dedos sinuosos e umas orelhas bicudas) e sem piscar os olhos uma única vez em todo o filme), Schreck criou uma lenda à sua volta de que era ele próprio um vampiro (mito urbano que deu por si só azo a um filme,
A Sombra Do Vampiro). Normalmente, Bela Lugosi é tomado como o derradeiro Drácula, mas porque as pessoas não costumam considerar Max Schreck nessa votação.
Por fim, Murnau tem ainda uma palavra a dizer no sucesso de
Nosferatu, O Vampiro, com uma realização vanguardista para a época, não se limitando às regras de cartilha dos planos fixos e dos enquadramentos bonitos ou centrais. Murnau faz contra-picados, inova com uma espécie de stop motion e uma montagem bem mais dinâmica que o costume.
Nosferatu, O Vampiro é um belo de um Le Big Mac. E com este fica completo o triângulo de obras-primas do expressionismo alemão. Lembram-se dos outros dois?
Posted by: dermot @
11:01 PM
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