Terça-feira, Julho 03, 2007
INSÓNIA:Título:
InsomniaRealizador: Cristopher Nolan
Ano: 2002

Se todos os remakes que os americanos continuam a teimar em fazer de filmes europeus tivesse a qualidade de
Insónia, nós até nem nos chateávamos muito. Não é que este
Insónia seja melhor que o original - o de Erik Skjoldbjærg é muito mais negro e as pequenas mudanças que Cristopher Nolan introduz no argmento são daquelas coisas que detestamos em Hollywood por quererem ser politicamente correctos -, mas atinge o mínimo de qualidade exigida nestes casos.
Insónia é um thriller policial ambientado no cenário gélido do Alaska, onde é dia 6 meses por ano e noite outros tantos meses. Will Dormer (Al Pacino) e Hap Eckhart (Martin Donovan) são dois super-detectives de Los Angeles enviados para ajudar na investigação de um brutal assassinato de uma adolescente, que ficamos a saber mais tarde ter sido executado por Walter Finch (Robin Williams). Contudo, os dois polícias têm um passado escondido e uma tragédia precoce vai fazer com que se crie uma estranha relação de chantagem e manipulação entre o detective Dormer e o assassino.
O grande factor de desequilíbrio entre
Insónia e os restantes thrillers policiais é o seu ambiente gélido e diurno. Numa cidade em que nunca anoitece e em que Al Pacino vai transformar-se num improvável anti-herói, embarcamos numa aura de paranóia e de cansaço. No entanto, a insónia de Pacino tanto é provocada pela luz constante, como pelo peso da sua consciência.
Para além do mind-blowing flick do argumento, que Cristopher Nolan acentua copiando o
Clube De Combate de Fincher (introduzindo flashbacks constantes sob o formato de flashes rápidos e fugidios),
Insónia segue a matriz da cinematografia nórdica, que eu gosto de apelidar de dramas gelados - Ingmar Bergman, Dogma 95, etc, etc -, que aproveita na perfeição o estilo contido de Al Pacino (vénias à rectaguarda).
Apesar de ser uma obra muito respeitável, apesar do tal aspecto mais soft (para quem não conhece, ficarão espantados em saber como é que o agente Dormer assusta a melhor amiga da vítima no jipe), em
Insónia aborrece-me, sobretudo, a teimosia habitual pelo final feliz. Para quando um thriller policial em que os maus ganhem? Até lá, despeço-me com um McBacon.
Posted by: dermot @
6:06 PM
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