Domingo, Julho 15, 2007
HOT FUZZ:Título:
Hot FuzzRealizador: Edgar Wright
Ano: 2007

Desde que
Zombies Party - Uma Noite... De Morte (argh, este título provoca-me urticária), a primeira comédia romântica de zombies, me introduziu no maravilhoso universo de Simon Pegg (vénia encarpada) e Edgar Wright, que me tornei num fã incondicional da dupla. Por isso, quando soube que os dois tinham voltado a experimentar o cinema em nome próprio, prestei-me a não o deixar escapar.
Simon Pegg e Edgar Wright têm estado ligados ao que de melhor tem acontecido na britcom dos últimos tempos (alguém mencionou
Spaced?) e
Zombies Party (argh), a primeira experiência de ambos no cinema, é uma das mais fantásticas comédias que a sétima arte pariu nesta última década.
Enquanto
Zombies Partchspfh é um tributo subtil, inteligente e hilariante ao mundo dos filmes de zombies, criado segundo o molde da comédia romântica convencional,
Hot Fuzz é uma paródia aos action heroes dos filmes de acção de Hollywood (os habitualmente chamados blockbusters), especialmente os buddy movies.
A tagline de
Hot Fuzz é deliciosamente apelativa -
Big Cops. Small Town. Moderate Violence. - e dá-nos logo um lamiré do que nos espera: Nicholas Angel (Simon Pegg) é o herói do filme, o super-agente da Polícia Metropolitana de Londres(!), com um currículo invejável, o recorde nacional de detenções e várias especializações em coisas como o xadrez. Angel é tão bom que os próprios colegas têm inveja de si. E por isso, o seu superior promove-o a sargento de uma terreola do interior: Sandford, uma aldeia onde aparentemente não se passa nada, mas que afinal se vai revelar ser uma espécie de Liga Dos Cavalheiros ainda mais demente.
Com o advento do youtube, os mashups de trailers tem ganho uma invulgar notoriedade. Estou a falar daqueles vídeos que certamente já viram em que pegam num trailer dum filme e que lhe dão outro tratamento, transformando-o em algo completamente diferente. Como este genial
Scary Poppins, por exemplo.
Hot Fuzz faz lembrar um desses mashups: Edgar Wright e Simon Pegg pegam numa mão cheia de tarefas policiais super aborrecidas - miúdos a roubar chocolates num supermecado, menores a beber cerveja num bar, ou um homem-estátua sem licença - e dão-lhe um efeito de blockbuster de altíssimo orçamento, transformando-o no maior filme de acção deste ano.
Hot Fuzz parodia o formato do blockbuster pipoqueiro norte-americano, de nomes como John Woo, Michael Bay e (especialmente) Tony Scott, com uma montagem dinâmica, filtros de cor, violência estiliada, câmara-lentas, efeitos sonoros trepidantes e outros truques visuais. A estética em detrimento do conteúdo. E curiosamente, a coisa até resulta melhor do que nos últimos filmes do Tony Scott. E depois, repisa todos os clichets do género, homenageando desde
Bad Boys II a
Parque Jurássico, passando por
O Génio Do Mal e, especialmente,
Ruptura Explosiva (com uma perseguição a pé cheia de adrenalina): há saltos no ar em câmara lenta enquanto se disparam duas armas, explosões por tudo e por nada, munições que não acabam, gente a esconder-se dos tiros atrás das coisas mais pequenas e carros a capotar constantemente. Só falta mesmo um relacionamento amoroso gratuito.
Menos in your face que
Zombies Party (argh),
Hot Fuzz relembra uns Monty Phytons mais intelectuais, não tendo vergonha de se aproximar por vezes do non-sense de coisas como
Top Secret!. Além disso, tem ainda um rol de actores de excepção - de Timothy Dalton a Martin Freeman, passando por Bill Nighy -, que lhe dá uma credibilidade do caraças.
Esta espécie de remake britânico de
O Último Grande Herói é um dos filmes deste ano e não me lembro se não é mesmo o meu primeiro Royale With Cheese de 2007. E já que não vai chegar às nossas salas de cinema, a única coisa pela qual anseio é saber que tradução é que lhe vão dar desta vez. Eu aposto em
Super Chuis... do Caraças.
Posted by: dermot @
11:34 PM
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