Domingo, Junho 17, 2007
VONTADE INDÓMITA:Título:
The FountainheadRealizador: King Vidor
Ano: 1949

Toda a gente sabe que o maior filme sobre arquitectura é
A Torre Do Inferno - onde o vilão é um engenheiro civil, que contrói um arranha-céus cheio de defeitos e o herói é um arquitecto, que salva toda a gente de morrer esturricada. No entanto, quando temos que impressionar alguém (nomeadamente, os professores de Projecto), o filme que referimos é
Verdade Indómita.
Vontade Indómita é a versão cinematográfica do romance homónimo de Ayn Rand, que é, quiçá, a maior defensora da corrente filosófica do individualismo/idealismo, que chega inclusive a tomar o egoísmo como uma virtude. De forma a exprimir as suas ideias em formato drama-realista, Rand recorreu à arquietctura como analogia simbólica.
De facto,
Vontade Indómita situa-se num momento fundamental da história contemporânea da arquitectura: o período do início do século XX em que alguns arquitectos vanguardistas - Frank Lloyd Wright, Le Corbuiser... -, defendiam o chamado movimento vanguardista em detrimento do estilo neo-clássico que já enjoava, em tudo o que era edifício importante nos Estados Unidos (alguém mencionou a Casa Branca ou o Capitólio?). É certo que a reconstituição histórica é um pouco radicalizada, mas percebe-se a intenção.
Howard Roark (Gary Cooper) é, então, um arquitecto modernista e - mais importante que tudo - individualista. Defende que a arquitectura deve ser o resultado das ideias de um Homem e não um pastiche de opiniões que agradem à opinião pública. Por isso, como não cede aos compromissos dos seus clientes, vai ser ostracizado durante muito tempo, principalmente por ir contra as ideias do The Banner, jornal opinion-maker de Nova Iorque, controlado pelo poderoso magnata Gail Wynand (Raymond Massey). Entretanto, Roark conhece o amor da sua vida: Dominique Francon (Patricia Neal), uma mulher livre e rebelde, que não gosta de compromissos e que não acredita da Humanidade.
Mas
Vontade Indómita não se esgota sobre esse tema e abre-se numa pluridade de visões, que se extendem até a uma intrincada história de amor e uma dissertação sobre o poder. Claro que no cerne da questão, o que está em causa é o seguinte: deverá um arquitecto manter-se fiél às suas ideias, ou deverá ceder aos intuitos do cliente? Ayn Rand subverte um pouco as coisas, devido à sua atitude radical perante as suas ideias, uma vez que leva a história um pouco longe de mais. Nos dias de hoje, qualquer um podeira identificar
Vontade Indómita como um film pró-terrismo.
Numa espécie de cruzada ideológica, as personagens de
Vontade Indómita pouco têm de seres humanos: parecem antes autómatos a declamar as suas falas, em prejuízo claro para os actores, nomeadamente Gary Gooper. Este tem o seu ponto alto na parte final do filme, quando este se transforma em filme de tribunal, lembrando o cinema moral da Warner Brothers da década de 20 (
Eu Sou Evadido, anyone?), naquele que é, até há data, o discurso de tribunal mais longo do cinema.
Mas
Vontade Indómita é, claramente, o filme sobre arquitectura. E assim como, se um dia tiver uma produtora de cinema, a irei chamar de Royale With Cheese, se tiver um atelier de arquitectura chama-lo-ei de Howard Roark Arquitectos.
E para finalizar, um McBacon em jeito de veredicto final.
Posted by: dermot @
11:47 AM
|