Quinta-feira, Junho 21, 2007
SETE ANOS NO TIBETE:Título:
Seven Years In TibetRealizador: Jean-Jacques Annaud
Ano: 1997

Agora que o Dalai Lama está quase a regressar a Portugal, faz todo o sentido recuperar
Sete Anos No Tibete, o filme que fez com que Brad Pitt nunca mais pudesse pisar solo chinês.
Sete Anos No Tibete é a adaptação cinematográfica do romance homónimo de Heinrich Harrer, o livro que introduziu definitivamente a cultura tibetana no mundo Ocidental, que fez com que hoje em dia seja in dizer que se quer ir visitar o Tibete e que fez mais pela sua libertação do que quatro décadas de diplomacia internacional.
Heinrich Harrer (aqui encarnado por Brad Pitt) foi um famoso alpinista austríaco, cuja expedição para subir a um dos picos dos Himalaias acabou prisioneira das tropas aliadas aquando do início da Segunda Grande Guerra. De forma a escapar ao cativeiro e à guerra, Harrer e o amigo Peter Aufschnaiter (David Thewlis) fugiram em direcção ao Tibete, onde se tornaram nos primeiros estrangeiros a viver na cidade sagrada de Lassa. E Harrer tornou-se num amigo próximo do jovem Dalai Lama (aqui interpretado por um miúdo com um nome fantástico, Jamyang Jamtsho Wangchuk), a quem intorduziu a cultura ocidental e de quem se manteve amigo até à sua morte no ano passado.
O romance (leia-se docudrama) de Harrer é um livro informal e bastante light, que o fazem um produto ideal da chamada cultura de supermercado. No entanto, Jean-Jacques Annaud achou por bem que a sua adaptação cinematográfica ainda deveria ter menos calorias, sujeitando-o a uma dieta extrema. O resultado?
Seven Years In Tibet é um filme anorético.
E como se isto não bastasse, sujeitou-se também a todos os compromissos da indústria: inseriu o habitual sub-enredo romântico, com uma ridícula tibetana alfaiate(!), que vai disputar o coração dos dois amigos; introduziu um ministro corrupto, que vai trair o Tibete quando este é invadido pelos chineses; e transformou Harrer num indivíduo arrogante e egocêntrico, cuja vida no Tibete o vai transformar num tipo decente. Além disso, usa o filho ausente de Harrer como âncora emocional, para explicar a relação entre Harrer e o Dalai Lama numa coisa do género
pai/imagem do filho desaparecido. Ou seja, tudo coisas escusadas...
Além disso, como uma guerra vende sempre melhor do que agricultores a salvarem minhocas,
Sete Anos No Tibete acaba por ser um filme sobre a invasão da China ao Tibete e a subjugação deste, com muitos massacres e coisas do género. Enquanto que o livro é um documento fantástico que descreve e explica a civilização fascinante do Tibete, o filme é um thriller político anti-chinês.
Deixei para o fim, mas nem por isso é menso importante.
Sete Anos No Tibete também sofre daquele mal palerma da maioria dos filmes históricos norte-americanos. Ou seja, como os dois heróis da aventura são alemães a falarem inglês, decidiu-se dar-lhes um sotaque ridículo, fazendo com que Brad Pitt pareça estar a fazer uma má imitação do Schwarzenegger.
Sete Anos No Tibete é o típico filme de Hollywood: um embrulho bonito, colorido e bem arranjadinho, mas com muito pouco conteúdo. Apenas o suficiente para um Chesseburger.
E entretanto, não se esqueçam que o melhor filme sobre budismo continua a ser
Samsara.
Posted by: dermot @
2:37 PM
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