Quarta-feira, Junho 13, 2007
RENASCIMENTO:Título:
RenaissanceRealizador: Christian Volckman
Ano: 2006

A melhor descrição possível que se pode fazer a
Renaissance, é que é um filho híbrido de uma relação entre
O Homem Duplo e
Sin City - Cidade Do Pecado: do primeiro herdou a rotoscopia, técnica de animação que consiste em desenhar o filme por cima da imagem real; e do segundo, herdou o grafismo neo-noir estilizado.
Contudo, deve-se fazer a devida ressalva:
Renaissance nada tem de cópia destes dois filmes, porque começou a ser feito muito antes destes, mais propriamente em 1997. No entanto, os atrasos na pós-produção fizeram-no sair nove anos fora do tempo e, por isso,
Renaissance tem sofrido as consequências de ser um aparente subproduto de mercado.
Renaissance é uma espécie de sucessor directo de
Blade Runner - Perigo Eminente; numa Paris futurista, controlada pela empresa omnipresente Avalon (alguém mencionou o Big Brother?), o conceituado Capitão Karas (Patrick Floersheim) - um polícia cuja reputação o antecede e que não se furta a quebrar os protocolos para atingir os seus objectivos - é incubido de encontrar a promissora investigadora Ilona Tasuiev (Virginie Mery), entretando raptada.
A história não é nova e já foi contada um milhão de vezes, assim como a sua mensagem moral: apesar de ambientado num futurismo próximo da ficção-científica,
Renaissance critica o progresso e a maquinização da sociedade, como perda de identidade. Aliás, como qualquer distopia que se preze... Mas a novidade está em faze-lo nos moldes do thriller-policial, numa investigação que vai envolver uma perigosa intriga escondida, informação, contra-informação e muitas soluções de argumento facilitadas por muletas demasiado confortáveis.
Renaissance ganha então na sua componente visual, verdadeiramente assombrosa. Começando pela atmosfera noir a preto e branco, que transmite sempre uma certa ambiguidade entre os personagens, e terminando pela Paris retro-futurista de 2054, sempre com a Torre Eiffel como âncora: uma ilha entre arranha-céus, linhas intermináveis de caminhos-de-ferro sobre-elevadas e edifícios pós-modernistas a lembrar a arquitectura utópica de gente como Boullet.
Se como filme,
Renaissance não passa de um policial competente, visualmente é uma obra impressionante, de cortar o fôlego. Por isso, fazendo as contas, a média resulta em qualquer coisa como um McBacon.
Posted by: dermot @
10:09 PM
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