Quarta-feira, Junho 27, 2007
MANHATTAN:Título:
ManhattanRealizador: Woody Allen
Ano: 1979

Houve dois elementos que nos habituámos a ver na longa filmografia de Woody Allen: o jazz e Manhattan. Aliás, para ser mais exacto, vinte e oito dos trinta e poucos filmes de Allen passam-se em Manhattan. Por isso, não foi de estranhar que o realizador norte-americano tivesse dedicado um filme inteiro ao bairro nova-iorquino.
Manhattan é um enorme e assumido tributo à cidade, que se inicia com quatro minutos certinhos em formato de declaração de amor, assinada e tudo -
Ele adorava Nova Iorque, idolatrava-a desmesuradamente. No entanto, não se pense que é uma homenagem convencional que Allen faz; é certo que estão lá alguns dos marcos turísticos mais importantes - o Central Park, o Museu de Arte Moderna ou a Broadway -, mas a Manhattan que Allen quer perpetuar é a sua, a dos pequenos factos mundadnos. O trânsito, as pessoas, as longas avenidas ortogonais...
Além disso, Woody Allen filma a preto e branco, porque a sua Nova Iorque é a mesma de George Gershwin (cuja música é omnipresente): a do patine da época de ouro norte-americana. E Allen aproveita o facto para explorar aquela ambivalência das personagens que o preto e branco confere sempre e para filmar alguns das melhores cenas em contra-luz do cinema contemporâneo: a da Ponte de Manhattan, documentada na foto que remata estas linhas, e a fabulosa sequência na penumbra dos corredores do Planetário.
Quanto ao filme em si,
Manhattan é um romance simples e característico de Woody Allen: o habitual leque de personagens fellinianas, Allen a fazer de si próprio e um filme assente, sobretudo, nos diálogos de humor subtil e inteligente, impregandos de referências culturais (de Bergman a Lenny Bruce, passando por Kubrick ou Scott Fitzgerald).
Allen faz de Isaac Davis, um neurótico comediante que conhece Mary Wilkie (a sua musa, Diane Keaton), que é uma espécie do seu reflexo em feminino. Ambos estão em relações condenadas ao fracasso - Isaac namora com Tracy (uma penosa Mariel Hemingway), uma adolescente de 17 anos (de onde é que eu me lembro disto?), e Mary com Yale (Michael Murphy), que é casado - e, por isso, vão apaixonar-se naturalmente.
Manhattan é o romance típico de Woody Allen: agridoce e com final infeliz. E no final, a declaração de amor definitiva a Manhattan: posso não ter uma mulher, mas sempre te terei a ti. É como aquela coisa do
teremos sempre Paris.
Manhattan é um dos Allens maiores (apesar do realizador continuar a afirmar que é o seu filme que mais detesta), maior que o próprio McRoyal Deluxe.
Posted by: dermot @
6:24 PM
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