Terça-feira, Janeiro 23, 2007
A PRAIRIE HOME COMPANION - BASTIDORES DA RÁDIO:Título:
A Prairie Home CompanionRealizador: Robert Altman
Ano: 2006

Robert Altman, que nos deixou no final do ano passado, foi o último dos grandes génios do cinema americano. Esperemos que a sua morte ao menos tenha servido para que comece a ser creditado em vez de Paul Thomas Anderson, quando se fala nos famosos filmes-mosaico. Aliás, Anderson não é mais do que o seu mais directo discípulo, ou não tivesse ele acompanhado as filmagens deste
A Praire Home Companion - Bastidores Da Rádio, não fosse Altman não o conseguir terminar a tempo.
A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio (mais uma vez o sub-título português a teimar em revelar mais do que é necessário) foi uma espécie de cartão de despedida de Robert Altman, que se rodeou de amigos e filmou uma última obra cheia de alegria, nostalgia e, também, de morte.
O filme inicia-se debaixo da patine do cinema clássico de Hollywood, com um Kevin Kline magistral a fazer de narrador ao balcão de um daqueles restaurantes imortalizados pelas pinturas de Edward Hopper, sob um solo jazzy de saxofone, qual detective num policial noir dos anos 40 (claro que o nome da sua personagem, Guy Noir, não é mera coincidência). Mas
A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio nem precisava deste conjunto de elementos para nos encher de nostalgia: bastava começar na cena seguinte, onde nos mostra o Teatro Fitzegrald e o
A Prairie Home Companion.
Este é um local parado no tempo, onde é emitido ao vivo há várias décadas um programa de rádio de variedades, coisa que já não se faz actualmente. E em minutos, estamos sentados na cadeira do cinema a recordar nostalgicamente os bons velhos tempos da rádio, dos
Parodiantes, a
Bola Branca e até o
Jogo da Mala.
Fiél a si próprio, Altman desconstrói o argumento em várias histórias (ou não fosse ele o pai dos filmes-mosaico), cada uma ligada a determinados personagens: às Johnsons (Meryl Streep, Lily Tomlin e Lindsay Lohan), uma família ligada à tradição musical, semelhante à família Carter, por exemplo (lembram-se de June Carter, a esposa de Johnny Cash?); a Lefty (John C. Reilly) e Dusty (Woody Harrelson), os Quim Barreiros do countrygrass; ao apresentador GK (Garrison Keillor); ou ao próprio Kevin Kline, por exemplo, o director do programa.
A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio relata o último destes programas, uma vez que o teatro onde se realiza semanalmente vai ser demolido, após ter sido comprado por um texano rico (Tommy Lee Jones). Irremediavelmente, este é um filme sobre o fim: o fim de um ciclo com mais de trinta anos e o fim de um edifício com várias histórias para contar. Mas Altman fá-lo de forma ainda mais simbólica, quase em forma de requiem, ao introduzir uma personagem lindíssima: a
Mulher Perigosa (Virginia Madsen), um anjo misterioso que passeia pelos bastidores, envergando uma gabardine alva. Que pena Michelle Pfeiffer ter recusado este papel...
Altman mantém o seu humor inteligente, o seu tacto apurado e a sua sensibilidade tocante. Altman até faz Lindsay Lohan parecer uma actriz a sério. E depois ainda há os momentos musicais, Meryl Streep (que canta quase tão bem quanto representa), Lily Tomlin, Woody Harrelson, Kevin Kline, Tommy Lee Jones... e L.Q. Jones, aquele que foi o mestre de
Walker, O Ranger Do Texas, no filme que introduziu a personagem mítica de Chuck Norris -
McQuade, O Lobo Solitário.
A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio é o verdadeiro cinema total, que ao longo do filme nos faz rir, chorar e recordar. No final, enquanto os créditos passam, só nos apetece levantar e aplaudir Robert Altman por tudo o que nos deu ao longo dos anos. Ainda bem que Altamn se pôde despedir de todos com um filme como este. O Royale With Cheese é a minha homenagem para com ele. Só tenho pena de não o ter visto mais cedo, para o ter inserido na minha lista dos melhores do ano.
Posted by: dermot @
12:17 AM
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