Royale With Cheese

 Royale With Cheese

 
 



sábado, dezembro 30, 2006  

A RAINHA:

Título: The Queen
Realizador: Stephen Frears
Ano: 2006


A rainha inglesa Elizabete II é a monarca mais respeitada do planeta e é amada pelo seu povo, em muito devido às suas quatro décadas de reinado, enfrentando guerras mundiais e outras crises semelhantes sempre com grande dignidade. Mas há cerca de uma década atrás, uma fatalidade quase arruinou a família real inglesa como a conhecemos e a própria monarquia - falo do acidente que vitimou a princesa Diana em Paris.

Todos nós nos lembramos como se tivesse sido ontem das imagens marcantes e comoventes dos milhares de pessoas que, durante uma semana, se juntaram em vigília nas portas do Palácio de Buckingham (e que são recuperadas aqui pelo realizador). Mais despercebido a nós, estrangeiros, foi a forma de como as acções da família real afectaram o julgamento do seu próprio povo, que exigia uma presença mais afectuosa da rainha, apesar de esta estar apenas a cumprir o protocolo de estado.

A Rainha aborda essa semana fatídica pelo lado de dentro, mas seria um erro se o interpretassemos apenas como um filme sobre a morte de Diana. Antes pelo contrário: tal como o título o informa, A Rainha é um filme sobre a última grande etapa da rainha Elizabete II.

É que não foi só a morte de Diana que veio abalar o protocolo rígido e conservador da casa real britânica, pouco habituada a abrir precedentes, ainda para mais quando se tratava de um ex-membro da família real. Era também a situação política que havia mudado depois de 19 anos de um governo conservador: Tony Blair, o mais novo primeiro-ministro do século, era um trabalhista adorado pelo povo que agitava no ar a bandeira da modernização. O progresso estava a bater à porta de Buckingham como nunca; e a rainha ou se adaptava ou morria.

Afinal, nem uma coisa nem outra. A rainha (e a casa real) sobreviveram. E o resto é história. Pelo meio, ficou uma semana intensa e de grande carga dramática, que Stephen Frears capta com pose e nobreza, dignas de um gentleman (ou de uma produção da BBC). Ao contrário do que seria de esperar, A Rainha não se furta aos factos mais embaraçosos: um príncipe Carlos muito inseguro; um governo que não vê com muito bons olhos o conservadorismo da monarquia; uma princesa Diana mal vista pela família real; ou uma Camila feia como o diabo. Ah não, esta última parte não aparece lá. Mas não deixa de ser verdade.

Contudo, apesar de todos estes pormenores, A Rainha é um filme muito politicamente correcto. E é este o grande trunfo de Stephen Frears enquanto realizador, que ainda aborda com excelência os mundos distantes da rainha Elizabete II e do primeiro-ministro Tony Blair. O da primeira é de um protocolo rigoroso e de grande nobreza, filmado com planos de baixo para cima e majestosas panorâmicas; enquanto que o segundo é um universo familiar, abusando do formato digital e com muito informalidade.

E depois há o segundo trunfo do filme: os actores. Michael Sheen é um Tony Blair fantástico, mas Helen Mirren honra as suas raízes teatrais e faz uma rainha Elizabete II perfeita, que lhe valeram uma ovação de pé de cinco minutos em Veneza e, muito provavelmente, o próximo Óscar de Melhor Actriz.

Filme conservador, mas que é tanto capaz de agradar ao establishment como aos modernistas, A Rainha é um daqueles candidatos crónicos aos grandes prémios, tal é a sua pose respeitável e digna. Daqui recebe um McRoyal Deluxe como prémio.

Posted by: dermot @ 6:44 da tarde
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CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL - JANEIRO:

Para os que aqui costumam dar uma vista de olhos, já devem ter certamente reparado nas minhas queixas em relação à realidade cinematográfica de Setúbal, uma cidade capitald e distrito que só tem uma sala e meia de cinema(!). Este cenário faz com que os filmes cheguem aqui ao burgo com várias semanas de atraso (para não dizer meses) e, às vezes, nem sequer chegam.

Pois bem, a partir de Janeiro, apresento-vos a minha singela contribuição para mudar isso. Não, não é uma purga; é antes a criação do Clube de Cinema de Setúbal (título um pouco pretensioso, eu sei), uma parceria entre a Experimentáculo e o IPJ de Setúbal, que vai tentar disfarçar a pouca oferta cinematográfica através de temáticas mensais, com sessões em formato digital todas as sextas e sábados às 21h30. As entradas têm o preço simbólico de 1€, com desconto de 50% para os estudantes ou portadores de Cartão Jovem.

No mês de Janeiro, o arranque faz-se sob o signo da Ficção-Científica de todos os quadrantes e estilos, que vai desde os clássicos até aos mais contemporâneos. Aproveitem que este mês as entradas são gratuitas. Eis a programação:

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Dia 5 - Guerra dos Mundos, de Byron Haskin (1953)
Dia 6 - La Jetée, de Chris Marker (1962) + 12 Monkeys, de Terry Gilliam (1995)
Dia 12 - Planeta Proibido, de Fred M. Wilcox (1956)
Dia 13 - O Monstro, de Georges Méliès (1903) + A Mosca, de David Cronenberg (1986)
Dia 19 - Cidade Misteriosa, de Alex Proyas (1998)
Dia 26 - Tron, de Steven Lisberger (1983)
Dia 27 - Guerra Dos Mundos, de Steven Spielberg (2005)

Posted by: dermot @ 11:48 da manhã
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7 BLOGUES, 6 ESTREIAS, 5 ESTRELAS:

Serve este post para comunicar que já está disponivel, no sítio do costume, a tabela das estrelinhas de vários cineblogues nacionais (este incluído), referentes às estreias do mês de Dezembro.

Serve também ainda para uma bajulação grandiloquente ao excelso Knoxville, que promove e conduz esta louvável iniciativa no seu bastante respeitável Cinema Notebook e que não gosta nada que eu escreva estas coisas sobre a sua pessoa.

Posted by: dermot @ 11:43 da manhã
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sexta-feira, dezembro 29, 2006  

NACHO LIBRE:

Título: Nacho Libre
Realizador: Jared Hess
Ano: 2006


Em 2004, uma pouco usual comédia de humor slapstick exagerado - uma espécie de South Park kitsch -, arrebatou primeiro Sundance e depois o Mundo, criando uma verdadeira legião de fãs - estou a falar de Napoleon Dynamite. De um momento para o outro, o realizador Jared Hess transformou-se no homem mais procurado do momento. Por isso, o seu segundo filme, Nacho Libre, em parceria com Jack Black, chegou rodeado de enormes expectativas.

Napoleon Dynamite não é nada de especial. Cria uma mão cheia de personagens hilariantes, mas esgota-se aí. Nisso, Nacho Libre é claramente superior, uma vez que se preocupa em ter um argumento. Nacho (Jack Black) é um órfão que vive desde pequenino num convento no México, onde trabalha como cozinheiro, com uma obsessão pela luta-livre apenas proporcional ao seu peso. Contudo, a luta-livre é vista aos olhos de Deus como pecado e por isso Nacho tem que manter a sua paixão encoberta.

Mas com o surgir em cena de uma nova freira, a bela Encarnacion (Ana de la Reguera), Nacho vai ter o estímulo que lhe faltava para abraçar a sua verdadeira vocação, juntando-se numa temível tag team com o atlético (leia-se franzino) Esqueleto (Héctor Jiménez). Mas essa vida dupla não poderá durar para sempre.

Nacho Libre é uma sucessão de enormes clichets que são empolados de forma dramaticamente exagerada, até se tornarem em enormes esteriotipos, que os mais sensíveis podem entender como xenofobia ou racismo. De Napoelon Dynamite, Nacho Libre importa ainda a fotografia iconográfica e bastante colorida, como se de um filme de Pedro Almodovar se tratasse.

Formalmente, Nacho Libre consegue ser genial, mergulhando a fundo no mundo da lucha-libre mexicana, onde recordamos com nostalgia os tempos áureos dos filmes de série B do mítico El Santo. Em Nacho Libre, os luchadores mascarados são verdadeiros heróis de capa e espada, como um Super-Homem ou um Homem-Aranha.

Mas tal como Napoleon Dynamite, Nacho Libre volta a falhar no essencial: na sua essência. É que depois de construir todo este cenário fantástico de mau guarda-roupa, sotaques irritantes e uma banda-sonora genial (que mistura Os Mutantes om versões de Black Is Black em espanhol), Nacho Libre não consegue ter piada, com gags já gastos de humor físico ou situações de humor burlesco mal feito.

Mesmo assim, Nacho Libre está a milhas do seu antecessor e é um filme delicioso para se ver com o célebro desligado. Se é fã de comédias slapsticks ou se ainda recorda com emoção dos bons tempos do ZAZ style (os filmes da tríade composta pelos irmãos Zucker e Jim Abrahams), então este pode ser a sua próxima paixão. Uma paixão com sabor a McBacon.

Posted by: dermot @ 8:41 da tarde
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quarta-feira, dezembro 27, 2006  

TOP 5:

Chegados a esta altura do ano, todos parecem ser atacados por um vírus que os obriga a efectuarem o balanço anual no que diz respeito ao que de melhor se fez por aí. São as famosas listas dos melhores do ano. Toda a gente as faz, toda a gentes as quer fazer e toda a gente as quer ler, para depois comparar com as suas. No entanto, o que ninguém tem coragem é de fazer o balanço do que de pior se fez no ano. Toda a gente? Não, o Royale With Cheese tem a coragem suficiente para compilar o TOP 5 DOS PIORES FILMES DE 2006:

5º Lugar - Stoned, Anos Loucos (crítica) - Brian Jones foi um dos grandes génios da música nos anos 60. Mas a esta hora deve estar a dar voltas na campa com a caricatura ridícula que lhe traçaram
4º Lugar - Klimt (crítica) - Raoul Ruiz até já fez filmes giros. Mas este biopic é uma salganhada descomunal, que só se safa a espaços. E acaba com uns créditos finais em comic sans. Ninguém com mais de 15 anos usa comic sans.
3º Lugar - Miami Vice (crítica) - pois é, tal como Charlie E A Fábrica De Chocolate no ano passado, este ganha o prémio de desilusão do ano. Uma adaptação de Acção Em Miami sem uma única perseguição... tsc tsc tsc.
2º Lugar - Animal (crítica) - o Diogo Infante numa espécie de Hannibal Lecter wannabe, foi o que de melhor este filme teve. I rest my case.
1º Lugar (ex aquo) - Lavado Em Lágrimas e Vanitas (crítica e crítica) - pois é, depois de um ano bem razoável, o cinema português volta a vir ao fundo. O primeiro é uma pseudo-intelectualidade que faz trocadilhos inteligentes (ironia) com a palavra "humana" e o nome "ana"; e o segundo é uma diarreia mental do Paulo Rocha.

Menção (des)Honrosa - Saw II - A Experiência Do Medo (crítica) - só de pensar que isto vai ter sequelas atrás de sequelas, até me faz arrepiar os pêlos da nuca. Conhecem aquela sensação do been there, done that?

Posted by: dermot @ 12:38 da manhã
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terça-feira, dezembro 26, 2006  

HOMEM-ARANHA 2:

Título: Spider-Man 2
Realizador: Sam Raimi
Ano: 2004


Estamos na época exacta para as adaptações dos heróis de banda-desenhada ao cinema. Com o avanço da tecnologia e a sofisticação dos efeitos-especiais, nada como os pôr em uso sob a alçada dos sobre-humanos e das suas habilidades acima da média. Contudo, convém não desleixar a carga humana dos heróis, ao deixar-nos distrair com tanta pirotecnia e masturbação digital.

O Homem-Aranha é um desses heróis com uma grande carga humana, um super-herói que sofre dos mesmos problemas que o homem comum: dificuldades em pagar a renda de casa, problemas com as mulheres e dificuldades familiares. Por isso é que a sua adaptação ao cinema exigia uma sensibilidade acima da média. E Sam Raimi, aproveitando a sua condição de fã inveterado do aracnídeo, veio provar ter sido uma escolha acertada, com o seu Homem-Aranha.

Depois desse primeiro filme, em que erámos introduzidos ao herói, o Homem-Aranha amadureceu. Neste Homem-Aranha 2, encontramos um Peter Parker mais seguro em relação aos seus poderes e um Sam Raimi mais confiante na manipulação dos personagens. Por isso, o Homem-Aranha desta sequela é um Homem-Aranha mais próximo daquele que conhecemos: um super-herói com letra maiúscula que se diverte enquanto derrota os bandidos, com tiradas espirituosas e muito boa disposição.

Depois do Duende Verde, Sam Raimi introduz o arqui-inimigo clássico do Homem-Aranha: o temível Dr. Octupus (genial Sam Molina). E posso garantir-vos: a primeira aparição do vilão é uma cena de tirar o fôlego, ao nível de momentos como o da primeira vez que vimos o Supe-Homem a voar, por exemplo.

As cenas entre o Homem-Aranha e o Dr. Octupus são do melhor que se tem feito no CGI e na manipulação digital, mas Sam Raimi não se deixou deslumbrar com esse circo e tratou de dar profundidade ao enredo. Por isso, paralelamente a essa trama principal, desenvolvem-se os habituais problemas pessoais de Peter Parker: a dificuldade de comunicação com a mulher do seu coração, Mary Jane (Kirsten Dunst); a dificuldade em aceitar a morte do seu tio Ben (Cliff Robertson); os problemas financeiros da sua tia May (Rosemary Harris); e até os recalcamentos vingativos de Harry Osborn (James Franco), que antes de terminar o filme, ainda nos abre uma porta para o que irá acontecer no terceiro tomo da triologia.

Pelo meio ainda há tempo para o já citado comic relief, com um Homem-Aranha espirituoso e um JJ Jameson (J.K. Simmons) tirado a papel químico dos quadradinhos. Sam Raimi volta a truncar e modificar pormenores da banda-desenhada, decisões que são sempre arriscadas, mas tal como em Homem-Aranha, o realizador volta a ganhar a aposta (principalmente com a natureza humana do Dr. Octupus).

Homem-Aranha 2 é uma sequela bastante respeitável, que ainda nos dá alguns bónus extra: a personagem do Dr. Connors (Dylan Baker), a do filho de JJ Jameson, o astronauta John Jameson (Daniel Gillies), uma série de gravuras pintadas pelo magnífico Alex Ross, o sempre genial cameo de Bruce Campbell, ou o fantástico tributo a Evil Dead, na cena em que o Dr. Octavius acorda pela primeira vez na pele de Dr. Octupus, onde nem falta a serra eléctrica. Homem-Aranha 2 é a adaptação que mais se parece com a banda-desenhada em movimento; e com todos estes bónus, tinha mesmo que subir a parada do seu antecessor para o McRoyal Deluxe.

Lembra-se do primeiro Homem-Aranha? Então relembre-o aqui.

Posted by: dermot @ 12:00 da tarde
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segunda-feira, dezembro 25, 2006  

O TESOURO DA SIERRA MADRE:

Título: The Treasure Of Sierra Madre
Realizador: John Huston
Ano: 1948


Em 2004, a Premiere fez uma lista das 100 personagens mais memoráveis do cinema. E a secundá-la vinha um tal de Fred C. Dobbs. A primeira coisa que eu disse quando li aquilo foi "Quem?". Depois li o resto e vi que era a personagem de Humphrey Bogart em O Tesouro Da Sierra Madre. Na altura não tinha visto ainda o filme, mas conhecia-o por alto e sabia que ele usava um chapéu à Indiana Jones, por isso a coisa até me pareceu que podia ser acertada. Só mais tarde é que vi então O Tesouro Da Sierra Madre, uma das grandes obras de John Huston, e então tudo me fez mais sentido.

O Tesouro Da Sierra Madre adapta ao grande ecrã o romance homónimo de B. Traven, onde dois americanos sem dinheiro nas ruas do México decidem ir tentar a sorte como garimpadores. São eles o tal Frank C. Dobbs (Humphrey Bogart) e Bob Curtin (Tim Holt), a quem se junta um velho com muita experiência no ramo, Howard (Walter Huston, o pai de John Huston que, reza a lenda, teve que lhe pedir que se contesse um pouco, uma vez que a sua interpretação estava a ofuscar a de Bogart).

Mascarado de filme de aventuras, O Tesouro Da Sierra Madre é um ensaio sobre a natureza humana perante o vil metal dourado - o oiro. Walter Huston sintetiza todo o filme na mítica fala enquanto não se descobrir nada, a nobre irmandade irá manter-se, mas quando os montes de ouro começarem a aumentar... é aí que os problemas começarão. Eu sei o que o ouro faz às almas dos Homens.

De facto, enquanto a exploração decorre, tudo se desenrola como um buddy movie de aventuras. No entanto, assim que o ouro começa a pesar nos bolsos, as mentes começam a ficar corrompidas e a ganância começa a falar mais alto, ao ponto de Fred C. Dobbs enlouquecer. Como Harvey Keitel em Polícia Sem Lei, mas com ouro em vez de cocaína. Eu achava mais giro que enlouquecessem todos, mas isto é a minha mente distorcida.

Pelo meio, surgem ainda obstáculos que forçarão a trindade a reatar forças, chegando O Tesouro Da Sierra Madre a vestir a pele de western, com tiroteios e tudo. É aqui que surge a outra tirada mítica da sétima arte, quando um bandido mexicano atira o badges? We ain't got no badges. We don't need no badges. I don't have to show you any stinking badges. É também durante esta altura que nos esquecemos do que estamos realmente a ver, mas passado isto Humphrey Bogart volta a enlouquecer e a colocar o ouro acima de todas as preocupações.

O Tesouro Da Sierra Madre é um clássico do cinema de Hollywood que ainda tem a particularidade de ter Humphrey Bogart a fazer algo que nunca tinha feito antes. Para não falar do facto de reunir os génios de Walter e John Huston. Contudo, não vou além do McBacon porque, como referi acima, preferia que a história se desenrolasse de outra forma. Amuei.

Posted by: dermot @ 9:22 da tarde
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A VIAGEM DE CHIHIRO:

Título: Sen To Chihiro No Kamikakushi
Realizador: Hayao Miyazaki
Ano: 2000


Ao longo de vários anos, Walt Disney criou uma aura mística à volta das suas animações que, mais do que uma marca, transformaram a Disney num adjectivo. Mas, com a perda de fulgor da Disney neste novo século, principalmente com o advento da animação digital, o mundo descobriu a animação oriental de Hayao Miyazaki que, ao recorrer a uma animação tradicional irrepreensível, veio recuperar os valores da Disney. Em pleno século XXI, Miyazaki é o novo Walt Disney!

O cinema de animação de Miyazaki destaca-se pela fusão entre os valores familiares e morais da Disney com universos fantásticos de monstros imaginários, bem ao jeito oriental, criando fábulas em cenários de A Quinta Dimensão. O seu trabalho mais reconhecido continua a ser A Viagem De Chihiro, animação que derrubou todos os recordes de bilheteira e que arrecadou, inclusive, o Óscar para Melhor Animação.

Chihiro é uma jovem rapariga, cujos pais decidem mudar-se para o campo. Novos amigos, nova escola, nova vida... Chihiro não está muito animada com a viagem, antes pelo contrário. Mas o pai vai perder-se por uma estrada secundária e os três vão dar a uma estranha e deserta cidade, aparentemente desabitada, que afinal não é mais do que umas termas de luxo para deuses, geridas por uma bruxa maligna. Chihiro irá então ter de salvar os seus pais, transformados entretanto em porcos, e tentar fugir daquele mundo alternativo.

A Viagem De Chihiro coloca então a jovem Chihiro num mundo alternativo, encetando uma aventura cheia de perigos e peripécias que mais não é do que uma metáfora ao seu estado de inadaptação perante uma nova vida. O filme desenrola-se a um ritmo constante de acontecimentos, todos eles com tanto de simbolismos e valores morais, como de criaturas fantásticas e cenários assombrosos.

O filme destaca-se sobretudo por três motivos: pela animação fluída e extremamente realista, provando que a animação tradicional não fica a dever em nada à animação digital; pelo mundo genial criado por Myiazaki, que compila num enorme edifício um universo alternativo inesquecível; e pela capacidade do próprio Myiazaki em criar ambientes. A sua mão é como uma palete de emoções; perto do final, por exemplo, quando Chihiro embarca numa longa viagem de comboio, mergulhamos numa onda de melancolia que, raramente, experienciamos nos filmes de imagem real.

As histórias de Myiazaki não são propriamente inovadoras e originais (famílias trasnformadas em porcos e amores proibidos não são coisas que nunca tivessemos visto), mas o autor japonês trata-as com um sentimento único e renovado. A Viagem De Chihiro é a Alice No País Das Maravilhas do novo milénio. Um Le Big Mac a poucas batatas fritas da perfeição.

Posted by: dermot @ 4:49 da tarde
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sábado, dezembro 23, 2006  

OS ONZE DE OCEANO:

Título: Ocean's Eleven
Realizador: Lewis Milestone
Ano: 1960


Nos anos 60, um grupo de cinco estrelas passeava estilo e glamour numa vida boémia e noctívaga por Las Vegas - Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr., Peter Lawford e Joey Bishop eram os cinco que formavam o chamado Rat Pack, um grupo de amigos de copos, mulheres e jogo.

Certo dia pensaram: então e se a nossa vida consistisse em andar aí pela boa vida, pelos casinos, a engatar miúdas, beber uns whiskys e gastar dinheiro e ainda nos pagassem para isso?. A ideia foi tão boa que houve logo quem a aproveitasse - Lewis Milestone arranjou algo ligeiramente parecido a um argumento e criou Os Onze De Oceano, documento-cool que originou o remake de 2001, Ocean's Eleven - Façam As Vossas Apostas. Este é um daqueles raros casos em que o remake é (ligeiramente) melhor que o original, mas que não teve a categoria de uma tradução do título como esta - Os Onze De Oceano.

Esse "Oceano" não é o ex-jogador do Sporting e ex-parceiro de Marina Mota (piada demasiado óbvia); é antes Danny Ocean (Frank Sinatra), um antigo sargento de uma força especial de militares da Segunda Guerra, que reúne os seus companheiros 20 anos depois para protagonizarem o golpe do século: um assalto simultâneo a cinco casinos de Las Vegas, em plena reveilhão.

Os Onze De Oceano devia ser um heist movie, mas acaba mais por ser um buddy movie com "buddies" a sério. Não há grande sofisticação, nem particulares preocupações nisso; há antes muita descontração e divertimento, num filme que é, antes de tudo, entertenimento. E muito estilo. Basicamente, são um grupo de amigos a divertirem-se e a não levarem as coisas muito a sério. Só assim as coisas resultam tão bem, como os diálogos constantemente improvisados ou o cameo delicioso de Shirley MacLaine, no papel de uma jovem com uns copos a mais, que cita divertidamente o próprio Dean Martin.

Depois há também os momentos musicais do próprio Dean Martin (vénia à rectaguarda) e de Sammy Davis Jr., faltando apenas Frank Sinatra. Curiosamente, até é o The Voice que passa mais despercebido por todo o filme, destacando-se sobretudo na sua faceta de mulherengo, como na cena em que despacha Patrice Wymore.

Os Onze De Oceano é ainda um filme bastante cool, com um genérico fantástico e vários momentos que pedem quase desesperadamente para serem citados de futuro em outros filmes. Não é tão bom quanto o remake, mas Os Onze De Oceano é uma versão bem menos hi-tech que Ocean's Eleven - Façam As Vossas Apostas. E tem um dos finais mais tristes (leia-se depressivos) de sempre. Esqueçam o perú da noite de natal e mandem vir McRoyal Deluxes em catadupa.

Posted by: dermot @ 7:03 da tarde
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terça-feira, dezembro 19, 2006  

UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:

Pois é, infelizmente o pretexto que me faz retomar hoje esta rubrica não é dos melhores. Morreu hoje Joseph Barbera, a outra metade da mítica produtora de animação Hanna-Barbera.

Lembro-me de acordar todos os sábados bem cedo para ver no Canal 1 o Hanna-Barbera Apresenta, que juntava no mesmo desenho-animado as mais importantes criações dessa dupla genial. Das suas cabeças saíram nomes como Tom & Jerry, Scooby-Doo, The Flinstones, ou Wacky Races. Os desenhos-animados da Hanna-Barbera tinham a magia da Disney e o humor que esta não alcançava.

Joseph Barbera, para além de ter sido imortalizado com uma estrela no Passeio da Fama, recebeu ainda um Óscar para melhor Curta Metragem de Animação, em 1946, com o musical em technicolor, The Cat Concerto. Se o leitor tem mais do que 15 anos e/ou já passou mais do que 24 horas a ver a Cartoon Network, de certeza que já viu este episódio do Tom & Jerry, que pode ser agora perpetuado nesse ecrãzinho aí em baixo.

Posted by: dermot @ 4:05 da tarde
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UM MUNDO CATITA:

Que tem em comum Manuel João Vieira e Filipe Melo? Aparentemente nada, com excepção do primeiro ter tido uma curta participação na média-metragem I'll See You In My Dreams, do segundo. No entanto, eis que nos chega Um Mundo Catita, nova produção de Pato Profissional, que junta estes dois pesos pesados na cultura contemporânea nacional.

Mas afinal o que é Um Mundo Catita? Segundo os autores, é uma produção independente para a televisão, dividida em sete episódios, que ficcionam a vida e obra do pintor, músico e candidato à presidência Manuel João Vieira.

Ainda sem grandes informações adicionais, posso para já adiantar que a sua estreia está prevista para o próximo Verão e podemos encontrar no elenco, entre outros, Chiquito, Gimba, Phil Mendrix (vénia à rectaguarda) e a grande diva Karley Aida.



Para mais informações, podem sempre visitar a página oficial.

Posted by: dermot @ 3:48 da tarde
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segunda-feira, dezembro 18, 2006  

EM PARIS:

Título: Dans Paris
Realizador: Cristophe Honoré
Ano: 2006


Nos últimos tempos, o cinema francês parece estar a querer reabilitar o seu cinema de autor, definição não muito feliz, mas que, por convenção generalista, continua a ser a melhor forma de o chamarmos. E os dois maiores símbolos dessa nova vaga são Roman Duris e Louis Garrel, dois jovens e versáteis actores que têm estados nos melhores capítulos desta estória recente - Amantes Regulares, Os Sonhadores, Minha Mãe... Por isto, era só uma questão de tempo até os dois se encontrarem num ecrã de cinema. E esse encontro foi agora potenciado por Cristophe Honoré, com Em Paris. Nada de estranho, ou não fosse este o mais promissor realizador deste novo assalto do cinema francês.

É uma das maiores frases clichet da prosa de supermercado, mas eu vou utiliza-la na mesma - Em Paris é um filme sobre a vida como ela é. Utilizei-a sem pudor, porque Em Paris é um filme terrivelmente humano, que transporta esta frase para novos níveis de realismo. No filme, a família é tão incrivemente disfuncional quanto normal, que se parece assustadoramente com as nossas.

As trindades dão-se bem no cinema francês - Jules E Jim, Os Sonhadores (e antes que vocês me chateiem a dizerem que este não é francês, eu digo "é sim!", e pronto, assunto arrumado). Por isso, a célula familiar de Em Paris está claramente fragmentada desde que a irmã mais nova se suicidou precocemente. Agora, os seus dois irmãos tentam colmatar esse buraco com as suas relações amorosas, enquanto o pai procura completar os vértices do triângulo com os seus restantes dois filhos.

Os dois irmaõs são o depressivo Paul (Romain Duris), a cargo com uma depressão amorosa, e o volátil Jonathan (Louis Garrel), uma verdadeira máquina de cobrição. Nesta tríade de personagens - os irmãos e o pai (Guy Marchand) - ramifica-se uma série de relações - de Paul com a ex-namorada (Joana Preiss), de Jonathan com as várias raparigas que vai conhecendo, do pai com a mãe (Marie-France Pisier) e dos três com a mãe. Tudo isto se passa na véspera de Natal, aquela época em que os sentimentos são mais verdadeiros e mais difíceis de reprimir.

Em Paris é um filme complexo e pesado, mas Honoré transforma-o num feelgood movie, muito graças à personagem genial de Garrel. Em pouco mais de hora e meia de filme (a duração ideal para qualquer película), Honoré cita a Novelle Vague à boca cheia, com uma narrativa não-linear e apostas em coisas novas, como um narrador original consciente da sua posição no filme enquanto personagem, ou momentos musicais que poderiam muito bem ter sido retirados de Uma Mulher É Uma Mulher.

Mas não só de nostalgia se faz Em Paris. Honoré cria os seus próprios momentos ímpares, como um momento de introspeção muito pessoal ao som de Cambodja, de Kim Wilde (ai anos 80, como vocês tratarm tão mal a música), ou um inesquecível dueto à capella por telefone de Avant La Haine.

Lírico e simultaneamente descontraído, Em Paris é, sem dúvida, o filme do ano mais subvalorizado. E Honoré é um nome a fixar. Se têm dúvidas, basta ver como o realizador francês resume em vinte minutos o auge e o declínio da relação entre Paul e Anna. Philippe Garrel já se pode reformar descansadamente... antes um Em Paris do que três Amantes Regulares. Ou falando em hamburgas, antes um Le Big Mac do que três Double Cheeseburgers.

Posted by: dermot @ 11:59 da tarde
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FASTER, PUSSYCAT! KILL! KILL!

Título: Faster, Pussycat! Kill! Kill!
Realizador: Russ Meyer
Ano: 1965


Senhoras e senhores, bem-vindos à violência.

Tal como o bluesman Skip James necessitava tanto das mulheres e do álcool no sábado à noite, como da missa e da redenção no domingo de manhã, também eu sou um tipo de dicotomias, que tanto preciso de ver um Godard como um Russ Meyer para me sentir bem. Por isso, como há pouco tempo falei aqui de Bande À Part, nada melhor do que escrever algo sobre Faster, Pussycat! Kill! Kill! para equilibrar a balança.

Russ Meyer é um daqueles mestres do cinema que, um dia, quando eu mandar no Mundo, vou obrigar toda a gente a ver - rei dos exploitation movies, pai dos soft-porn sem nunca mostrar umas mamas sequer e um verdadeiro autor, que escrevia, filmava, dirigia e montava os próprios filmes. Além disso, Meyer era ainda um fotógrafo exemplar que tinha uma fixação por peitos femininos, tanto que disse certa vez que não existe tal coisa como peitos grandes demais. Por isso, as actrizes dos seus filmes eram sempre senhoras muito bem dotadas fisicamente...

Faster, Pussycat! Kill! Kill! é o seu mais reconhecido filme (que já originou milhentos tributos, rip-ofs, spin-ofs e outros afins) e, quiçá, o seu melhor trabalho, mesmo que anteriormente tenha surgido uma pérola chamada Mudhoney. Nele encontramos todos os elementos que foram recorrentes na sua obra: meninas vistosas com mamas grandes e muita pele à vista; uma sátira ácida aos costumes norte-americanos, recorrendo a personagens esteriotipadas; o humor camp nos diálogos geniais; e a banda-sonora psych-surf (vénias repetidas até à exaustão neste caso particular).

É certo que Faster, Pussycat! Kill! Kill! é um panfleto do que de melhor se fez durante a exploitation e uma apologia à violência gráfia e gratuita, mas não se limita a estes contornos; Faster, Pussycat! Kill! Kill! é um importantante documento de emancipação feminina - a origem do girl-power, ou pensam que as influências no teledisco de Say You'll Be There, das Spice Girls, é pura coincidência?.

Varla (mítica Tura Satana, mesmo a gritar demasiado para o meu gosto), Rosie (Haji) e Billie (Lori Williams) são três dançarinas exóticas com idade para votar, para beber whisky e para fazer amor. Esta tríade demoníaca, para além de nos dar três representações iconográficas (as melhores mulheres de armas do cinema de sempre), vão ainda envolver-se com um velho paralítico e os seus dois filhos, em busca da sua fortuna escondida - uma trama que envolve rapto, violência e assassinato.

Muito do filme faz-se da mistura difusa entre o sensacionalismo barato e a visão alargada do autor, mas Faster, Pussycat! Kill! Kill! não seria o mesmo se não fosse Russ Meyer. Com os seus planos arrojadose e a cinematografia acima da média, Faster, Pussycat! Kill! Kill! é uma espécie de sexploitation movie meets nouvelle vague. E acreditem: não é exagero.

Há demasiadas coisas perfeitas no filme para o deixarem escapar sem lhe darem uma vista de olhos: as personagens femininas, a banda-soora, o próprio título, o monólogo de abertura... A única coisa imperfeita é mesmo o McRoyal Deluxe.

Posted by: dermot @ 12:20 da manhã
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quinta-feira, dezembro 14, 2006  

MIAMI VICE:

Título: Miami Vice
Realizador: Michael Mann
Ano: 2006


Quando era mais novo, durante o saudoso tempo do Agora Escolha e da Vera Roquete, haviam três séries que me faziam vir a correr para casa depois das aulas: Soldados Da Fortuna (que agora todos conhecem como Esquadrão Classe A), Os Três Duques e Acção Em Miami. Esta última era um verdadeiro portento da natureza, uma série de acção como nunca tinha visto. E além disso era um autêntico mostruário dos anos 80: a roupa, os penteados, os carros...

Com o advento dos remakes, adaptações, sequelas e prequelas, exigia-se a revitalização de Acção Em Miami. E se havia alguém com crédito para o fazer era Michael Mann. É que para além de ter sido um dos responsáveis pela série, Mann é um dos melhores realizadores de acção da actualidade. Miami Vice tinha então tudo para ser uma obra-prima. E eu estava em felgas para o ver.

Pois devo confessar que estou desiludido. Muito desiludido. Miami Vice é a desilusão do ano!

Don Johnson e Philip Michael Thomas dão lugar a Colin Farrell (num horripilante look à Paulinho Cascavel, muito eighties-style) e Jammie Foxx como os detectives Sonny Crockett e Rico Tubbs, respectivamente. Ambos vão-se inflitrar numa poderosa rede de tráfigo de drogas, controlada por Arcangel de Jesus Montoya (Luis Tosar) e Isabella (Li Gong), para a desmantelar por dentro. Claro que nestas situações, a quantidade informação recolhida é sempre proporcional à de contra-informação, pelo que o thriller dá ainda umas quantas voltas até ao tiroteio final, onde os bandidos morrem, os bons sobrevivem e os protagonistas ficam com as duas raparigas mais giras do filme.

Michael Mann recupera todo o estilo da série e um tipo de acção semelhante ao estilo de vida que se vive em Miami - uma acção jet-set. Em Miami Vice tudo é muito cool, muito low-profile, onde os polícias vestem-se como top-models, falam sempre com o mesmo tom de voz e andam pelas investigações com o ar mais banal do Mundo. Tudo coisas que funcionam no cinema, mas que em Colin Farrell não me convencem nem que se pinte de oiro. Ainda para mais quando o estamos a comparar com o Sonny de Don Johnson.

Miami Vice é um thriller urbano bastante lento. E se estamos a ver Miami Vice queremos ver perseguições a alta velocidade e explosões. Não bastam estar lá os Ferraris, as lanchas super-rápidas e os helicópteros. Nós queremos acção. Eu sei que Michael Mann preferiu o estilo mais selecto e o argumetno inteligente, mas pelo amor de Deus... estamos a falar de Miami Vice! Os homens andam num Ferrari F430 Spider. Por favor, dêem-lhe uso!!

No entanto, para quem viu Michael Mann realizar coisas como Heat - Cidade Sob Pressão, ver um argumento como este é quase como partir as próprias rótulas. Tudo em Miami Vice já foi visto vezes sem conta e é demasiado previsível. É certo que é filmado com aquele nervoso miudinho que nos inqueta nas obras de Mann, mas falta-lhe objectividade e, especialmente, originalidade. E depois de ver um filme como The Departed - Entre Inimigos, aqueles negócios de infiltrados parecem brincadeiras de criança. E que raio são aqueles planos subjectivos, como aquele em que Jammie Foxx fica a olhar para o oceano, como que a pensar porque é que não sou um golfinho, para não ter estes problemas?

Mas nem tudo é mau em Miami Vice. O que é mesmo realmente mau é a banda-sonora. É certo que se chega a ouvir os Mogwai, mas Linkin Park e o rock-fm do segundo álbum dos Audioslave? Nem vou comentar.

Miami Vice é a desilusão do ano. Claro que Michael Mann é um realizador genial e quase que vale a pena pagar para ver como ele filma as cenas nocturnas, transformando a noite em dia. Mas se for só para isso alugamos o Colateral e ficamos melhor servidos. Bem, acho que vou esquecer-me da série original e pensar neste filme apenas como um Double Cheeseburger isolado da filmografia de Mann.

Posted by: dermot @ 5:44 da tarde
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quarta-feira, dezembro 13, 2006  

BANDE À PART:

Título: Bande À Part
Realizador: Jean-Luc Godard
Ano: 1964


É para gente como Jean-Luc Godard que existe o cinema: para que possam expressar toda a sua criatividade e genialidade. Depois, existem os outros, que se vão divertindo e abusando desta máquina de sonhos. Godard é ainda um dos grandes responsáveis pelo cinema contemporâneo como o conhecemos, depois de encabeçar a Nouvelle Vague francesa ao lado de Truffaut, revitalizando o cinema francês em particular e o cinema ocidental em geral.

Jean-Luc Godard é o Tarantino dos anos 60. Ok, eu sei, é o contrário, mas assim a frase ficava mais gira. Bande À Part é o mais acessível filme do realizador francês - o filme de Godard para quem não gosta de Godard -, mas não é por isso que deixa de ser uma das suas melhores pérolas. Nele, Godard mantém de forma simples e eficaz as suas principais características e da nouvelle vague - levando a experimentação ao extremo apenas num momento (a mítica cena do (literal) minuto de silêncio, que infuenciou a cena do don't be so square de Uma Thurman em
Pulp Fiction), ou desconstruindo a linearidade narrativa com o recurso a um narrador omnipresente.

Bande À Part é um heist movie de baixo-orçamento reiventado - ou pensavam que Cães Danados tinha sido o primeiro? Nele desenha-se um triângulo amoro e cúmplice, com tanto de Os Sonhadores como de Os Edukadores: Odile (Anna Karina), Franz (Sami Frey) e Claude Brasseur (Claude Brasseur). Aproveitando-se na insatisfação da primeira, os segundos vão pôr em prática um assalto à sua casa, que trará resultados desastrosos.

Formalmente construído como um film noir de série b, Bande À Part passeia discrição e classe, tomando o novo e tornando-o clássico - como a mítica cena da Madison Dance (que o fabuloso mundo do youtube me permite disponibilizar no final), uma sequência de dança genial que anos mais tarde iria originar uma outra, desta vez com Uma Thurman e John Travolta como protagonistas. Nesta cena, Godard antecipa a cultura pop, ao transformar a cultura juvenil em coolness; e aqui se vê na perfeição que Godard usa a banda-sonora como Quentin Tarantino, ou seja, como se esta fosse mais uma personagem e não um simples adorno sonoro.

Para a posterioridade fica também a cena em que os três protagonistas atravessam o Museu do Louvre em tempo recorde (recorde este já batido, entretanto, por Bernardo Bertolluci no seu recente Os Sonhadores) e, claro, a bela Anna Karina. Godard comparou-a certa vez a Marie Falconetti. Não é preciso abusar, mas a presença da diva dinamarquesa é hipnotizante, justificando na totalidade a obsessão do realizador francês.

Bande À Part peca apenas por demorar a arrancar - tudo o resto é de uma excelência tão simples que até irrita. E para os que nunca o viram, por favor, vejam este vídeo que se segue e digam lá que se só por ele não vale o Le Big Mac.

PS - alguém sabe dizer-me se este filme teve tradução em português?


Posted by: dermot @ 12:57 da manhã
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terça-feira, dezembro 12, 2006  

PIRATA DAS CARAÍBAS - O COFRE DO HOMEM MORTO:

Título: Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest
Realizador: Gore Verbinksi
Ano: 2006


Em 2003, um aparente filme da pipoca surpreendia meio mundo (eu incluido): Pirata Das Caraíbas - A Maldição Do Pérola Negra era um divertido blockbuster que não só revitalizava os filmes de piratas, como recuperava as próprias matinés domingueiras. E apresentava o capitão Jack Sparrow, um boneco fabuloso de Johnny Depp, um pirata batoteiro e audaz, baseado na degradância charmosa de Keith Richards (ovação de pé). Pirata Das Caraíbas foi o que de melhor aconteceu ao cinema de aventuras desde Indiana Jones.

O sucesso do filme deveu-se em muito ao facto de ser inesperado. De facto, realizar um filme de piratas no século XXI parecia à partida condenado ao insucesso e, por isso, fora feito sem grande pretensões ou mediatismos. Contudo, com a populariade do filme e, claro, de Jack Sparrow, a Disney e Jerry Bruckheimer prestaram-se a transformar Pirata Das Caraíbas numa triologia que se traduzisse em muito dinheiro. E qualquer frase que inclua o nome Jerry Bruckheimer e a palavra dinheiro não agoira nada de bom.

Filmado em conjunto com o último tomo da série, Pirata Das Caraíbas - O Cofre Do Homem Morto é a tão ansiada quanto temida sequela, feita com o triplo do orçamento do seu antecessor. Claro que quando o orçamento aumenta desta maneira, a qualidade do argumento não costuma ser proporcional. E esta não é a excepção que confirma a regra.

Mas Pirata Das Caraíbas - O Cofre Do Homem Morto não preenche as nossas piores expectativas. De facto, até satisfaz na perfeição o seu principal requisito: o de entreter. É certo que o argumento é pouco inteligente, mas já o primeiro o era. E também é certo que o filme se torna demasiado lento em demasiadas partes. Mas quando engata a terceira (e a quarta), as peripécias sucedem-se a uma velocidade vertiginosa e sempre numa escala de eloquência visual e sonora estrondosa: panorâmicas de paisagens de cortar a respiração, monstros gigantes, exércitos de inimigos e rodas gigantes em queda. Dispensável, só mesmo o momento O Senhor Dos Anéis, em que Jack Sparrow enfrenta a criatura mitológia kraken.

A intriga até se baseia numa história bem bonita: há muito tempo, um pirata rejeitado pela mulher que amava perdidamente, decidiu retirar o seu próprio coração do peito e encarcera-lo num cofre. O mais assustador é se esse pirata for uma lula humana cruél, líder de uma tripulação de homens-peixes. Para simplificar um pouco as coisas, digamos que quem possuir o coração controla os acontecimentos. E por isso, todos vão estar atrás dele.

O argumento é pouco imaginativo na forma como faz reencontrar as personagens do primeiro episódio: o já mencionado capitão Jack Sparrow, a bela Elizabeth (Keira Knightley), o seu noivo Will Turner (o sempre dispensável Orlando Bloom) e até o esquecido comodoro Norrington (Jack Davenport). Talvez Pirata Das Caraíbas - O Cofre Do Homem Morto devesse aprender com 24 como é que se criam intrigas secundárias interessantes sem retirar preponderância à principal.

Pirata Das Caraíbas - O Cofre Do Homem Morto é um filme bem competente áquilo que se presta. E ainda tem a melhor banda-sonora instrumental do ano, a cargo de Hans Zimmer; a melhor dupla de comic relief que me lembro, com Pintel (Lee Arenberg) e Ragetti (Mackenzie Crook); e o cliffhanger final cumpre relativamente bem o seu papel de nos deixar com alguma expectativa para o final da triologia. Têm que me desculpar mas eu não resisto: um McBacon harharrrr!

Para recordar como tudo começou pode dirigir-se aqui.

Posted by: dermot @ 1:06 da manhã
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quarta-feira, dezembro 06, 2006  

POLÍCIA SEM LEI:

Título: Bad Lieutenant
Realizador: Abel Ferrara
Ano: 1992


Antes de andar a fazer filmes da cartucha (opinião fundamentada sem ver o seu último filme, Maria Madalena), Abel Ferrara realizou um par de filmes interessantes, onde se situa esta pequena pérola, Polícia Sem Lei, um filme independente daqueles que não se intimida de usar e abusar da violência gráfica e que marcaram o início da década de 90.

O polícia de quem fala o título é Harvey Keitel, um polícia durão e corrupto, viciado em cocaína, no jogo e nas perversões do sexo. Em suma, Keitel é uma espécie de Dirty Harry viciado em coca, em plena queda livre em direcção ao abismo. Paralelamente a isto, decorre a investigação a um brutal caso de violação de uma jovem freira, que mais não é que a sua única (e última) via de redenção.

Abel Ferrara filma com um interesse mórbido e extremamente crúél o definhar de Harvey Keitel, enfiado num buraco de dívidas ao jogo e dependência de drogas duras (que o levam a roubar aos próprios traficantes, por exemplo), que quanto mais tenta escapar mais se enterra. É a humanização do pecador, temática constante na filmografia de Ferrara, assim como o piscar de olhos às "regras" cristãs, aqui mais explícito do que em outros filmes - Harvey Keitel acaba mesmo num confronto cara-a-cara com o próprio Jesus Cristo (e Paul Hipp é o melhor actor a fazer de Cristo pregado na cruz de sempre, tenho dito). Castigar com a espada de fogo ou dar a outra face?

Em Polícia Sem Lei há uma história crua e perturbadora, mas sem Harvey Keitel dificilmente o filme fugiria ao rótulo de pretensioso e espertalhão. Como costume, Keitel não se coíbe de arriscar num papel polémico e até duvidoso - a cena em que assedia duas adolescentes num automóvel, enquanto se masturba é mítica -, entregando-se de corpo e alma, mesmo que tenha de aparecer em nu frontal. Um dos últimos actores do método a sério que vale sempre a pena referenciar. E Harvey Keitel a chorar é das coisas mais intensas do cinema contemporâneo (mesmo que pareça que está a imitar o Chewbacca).

É apenas um ténue risco no chão que separa a provocação do abuso, mas a diferença entre ambos é abismal. E Polícia Sem Lei consegue o raro feito de provocar sem abusar - mesmo que tenha freiras sodomizadas, igrejas profanadas ou o próprio Jesus Cristo vilipendiado. E no final, Abel Ferrara ainda nos tira o tapete debaixo dos pés, atingindo-nos com um soco em cheio no estômago.

Acusado por muitos, desprezado por outros tantos e polémico - é assim Polícia Sem Lei. Só não se percebe porque não é mais vezes referenciado. A minha referência possível faz-se através de um McRoyal Deluxe.

Posted by: dermot @ 11:26 da tarde
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terça-feira, dezembro 05, 2006  

MARIE ANTOINETTE:

Título: Marie Antoinette
Realizador: Sofia Coppola
Ano: 2006


Todos nós conhecemos Maria Antonieta, figura fundamental da História francesa e espelho do circo opulento de Versalhes do século XVIII. uma mulher mimada, cruél e caprichosa, que acabou por perder a cabeça. Literalmente (trocadilho demasiado óbvio, eu sei). Contudo, Sofia Coppola viu nela a chance ideal de completar a sua triologia de raparigas deslocadas e inadaptadas.

De facto, Marie Antoinette tira um retrato muito mais humano da rainha de França (encarnada pela bel(íssim)a Kirsten Dunst - uma adolescente que troca o descomprometido reino austríaco pelo protocolo barroco francês, os perfumes, o champanhe, os caniches e todas essas mariquices. É mais ou menos como que se agarrassem num freak e o obrigassem a viver com a Lili Caneças no seu imenso jet-set. Além disso, o seu marido (Jason Schwartzman) não consegue executar os seus deveres de homem e quem paga é a pobre raínha, vista pelos demais como uma incapaz de dar um herdeiro a França. Em suma, Maria Antonieta é duplamente inadaptada.

Durante a primeira parte do filme, Sofia Coppola filma o desencanto da rainha perante a sua nova casa e todo o circo de Versalhes com toques neo-realistas e uma opulência cinematográfica quase minimalista (parece paradoxal, eu sei). Mas quando Maria Antonieta chega aquele ponto em que não consegue aguentar mais e acaba por definhar em todo aquele artificialismo vistoso, mas degradante por dentro, Marie Antoinette explode num outro filme, facto que se destaca claramente com a troca da banda-sonora clássica pelo punk new-wave dos anos 80.

Esta opção levantou enorme celeuma e valeu várias críticas negativas ao filme. Mas eu gosto de filmes anacrónicos e ter uma adolescente enfadada com a vida a ouvir New Order fica sempre bem, seja em que século for. Por isso, as minhas expectativas para este filme eram à partida elevadas. Mas confesso que neste ponto me soube a pouco: Marie Antoinette precisava, claramente, de mais rock'n'roll, que rompesse de vez com o historicismo.

Mas tal como Marie Antoinette não é um filme histórico sobre a raínha francesa, também Marie Antoinette não é um filme anacrónico. Marie Antoinette é um filme sobre uma miúda inadaptada, que tem o punk como reflexo da sua rebelião contra a sociedade condescendente. Ou não fosse essa atitude da própria música punk. Marie Antoniette mais do que um filme histórico-pop, é um histórico-chic, com muitos vestidos cor-de-rosa, bolos requintados, cabeleiras gigantescas e festas pela madrugada fora.

Para o fim, Marie Antoinette perde algum fôlego, principalmente no desenvolvimento da última fase da vida da rainha - apesar de ser aqui que surgem as cenas com mais intensidade dramática (alguém mencionou a cena na varanda perante a multidão enfurecida?). E Sofia Coppola nem necessitou de levar a história até ao fim. Porque este é um daqueles filmes como A Paixão De Cristo, onde toda a gente sabe como acaba: a personagem principal morre no fim.

Aproveito ainda este parágrafo onde encomendo um McBacon para o filme, para mandar um bem-haja à grande Marianne Faithfull, que encarna aqui com pose a rainha Maria Teresa, e para realçar os posters de promoção de Marie Antoinette, que fazem referência ao grafismo da capa de Never Mind The Bollocks, o álbum dos Sex Pistols.

Posted by: dermot @ 12:09 da manhã
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segunda-feira, dezembro 04, 2006  

OS SUSPEITOS DO COSTUME:

Título: The Usual Suspects
Realizador: Bryan Singer
Ano: 1995


Quando se fala em twists finais fala-se de O Sexto Sentido, de A Raiz Do Medo, de Memento, de Clube De Combate... E fala-se sobretudo de Os Suspeitos Do Costume (talvez por ter sido o único destes que ganhou Óscares). Antes de se tornar no gajo que faz os filmes de super-heróis, Bryan Singer deu-se a conhecer com esta pérola independente.

Os Suspeitos Do Costume é um thriller policial sobre o submundo do crime, naquele estilo film noir revisistado, que Tarantino originou com Pulp Fiction e que depois deu origem a Snatch - Porcos E Diamantes ou a Lucky Number Slevin - Há Dias De Azar.

Temos então um roubo a um camião cheio de peças de armas em Nova Iorque. Sem um único suspeito, a polícia vai buscar para interrogatório cinco bandidos com um cadastro mais longo que a Muralha da China - os suspeitos do costume. Tudo aquilo tem ar de armadilha, mas mais não é do que uma pista disfarçada para o twist final.

Temos então McManus (Stephen Baldwin), Dean Keaton (Gabriel Byrne), Fenster (Benicio Del Toro), Hockney (Kevin Pollak) e Verbal (Kevin Spacey), cinco bandidos colocados na mesma cela. Obviamente, aproveitam aquela situação menos agradável para falarem de negócios e acabam por formar uma equipa de criminosos bastante eficaz. Daí até serem contactados por Kaizer Soze para um trabalho milionário é um pequeno passo.

E quem é Keyzer Soze? É aí que reside todo o busílis do filme. E no final, apesar do twist, a resposta não é certa. Apenas uma possibilidade, dentro do universo dos finais em aberto. O que se sabe é que Keyzer Soze é o rei do submundo do crime, uma figura tão terrível quanto secreta e, por isso, com uma assinalável quantidade de lendas macabras à sua volta.

Os Suspeitos Do Costume constrói então um enredo complexo, que se diverte a dar nós no argumento para no final os desatar a todos de um só puxão. No entanto, para além deste argumento inteligente, constrói ainda situações secundárias de interesse, que Bryan Singer filma superiormente, com alguns pormenores de excepção, comuns nas primeiras obras.

Falar de Os Suspeitos Do Costume é falar automaticamente de Kevin Spacey. É ele a personagem principal do filme, uma vez que este funciona em modo flashback, com Spacey a assumir as funções de narrador. E a sua personagem do gangster mais inofensivo da história do cinema já lhe valeram todas as linhas que poderiam ter sido escritas (e um Óscar inclusive). Por isso, prefiro falar de Benicio Del Toro, que encarna um divertidíssimo gigolo cheio de estilo, uma espécie de Erik Estrada (mais) abichanado.

Os Suspeitos Do Costume é um daqueles filmes que vale sobretudo pela primeira vez que se vê, quando não se sabe ao que vai. Mas mesmo assim não se aproxima da obra-prima que é fadado a maior parte das vezes. Aliás, pedir um Le Big Mac como este até é mais olhos do que barriga: porque o twist final resulta satisfatoriamente bem e pela excelente frase que resume todo o filme numa só linha - "o melhor truque que o Diabo fez, foi convencer o Mundo de que não existia".

Posted by: dermot @ 12:12 da manhã
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sexta-feira, dezembro 01, 2006  

5 BLOGUES 5 FILMES REDUX - NOVEMBRO:

Já está disponível a rubrica 5 Blogues 5 Filmes respeitante ao mês de Novembro, agora em formato redux, uma vez que aumentaram o número de filmes e o o de blogues inscritos. Podem-na conferir no sítio do costume, ou em alguns dos outors blogues participantes. Eu por cá prometo que vou aumentar a minha participação nos próximos meses. E já agora vou outra vez elogiar o Knoxville pela excelente iniciativa, só para ele ficar aborrecido comigo.

Aproveito ainda estas linhas para actualizar o I Encontro Nacional de Blogues de Cinema, a acontecer no próximo Famafest. Lauro António, o responsável por esta brilhante iniciativa, anunciou também a eleição do melhor blogue de cinema e o melhor blogue de cultura, galardões a serem atribuidos lá. As votações estão abertas aqui, mas apenas para os bloggers.

Posted by: dermot @ 4:04 da tarde
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ATA-ME::

Título: Átame!
Realizador: Pedro Almodóvar
Ano: 1990


Lembro-me perfeitamente de uma noite, quando era gaiato, de ter ficado acordado até mais tarde, para assistir às escondidas no Canal 2, ao Ata-me, de Pedro Almodóvar. Era um ciclo dedicado ao cinema erótico e a publicidade nos dias anteriroes era apelativa. No final do filme, uma meia-desilusão: é certo que há em Ata-me muita pele à mostra (Victoria Abril estava em grande forma) e a melhor cena de sexo do cinema (as palavras são de Elia Kazan, não minhas), mas de erótico há muito pouco. Ou pelo menos comparado com O Império Dos Sentidos, que tinha dado no dia antes. Em contrapartida descobri que também havia cinema como deve ser feito na Europa.

Ainda com Mulheres À Beira De Um Ataque De Nervos bem presente na memória do público, Almodóvar estava em estado de graça. Por isso, Ata-me foi um flop na altura. Hoje em dia, permance como um dos mais incompreendidos filmes da sua carreira. Isto apesar de conter todos os ingredientes do cinema de autor que deram fama ao realizador espanhol.

Ata-me é a estória de Ricky (Antonio Banderas), a partir do momento em que este recebe alta do Hospital Psiquiátrico. Como se costuma dizer convencionalmente, Ricky tem um parafuso a menos. E é um ladrão compulsivo. E tem graves tendências psicóticas. E uma enorme obsessão por Marina Osorio (Victoria Abril), uma ex-heroínoma e ex-actriz porno, resgatada para o cinema de terror por um realizador veterano e bem sucedido, Máximo Espejo (Francisco Rabal).

Cada um exprime as suas pancadas da maneira que melhor entende. Máximo Espejo, entravado já numa cadeira de rodas, decidiu resolver a sua obsessão por aquela actriz porno ao contata-la para um seu último filme, de forma a pode-la observar de perto e, quem sabe, algo mais. Ricky, por sua vez, tentou uma maneira mais radical: rapta-la e esperar até que ela se apaixonasse por si (alguém mencionou Misery - Capítulo Final?).

Almodóvar mexe-se com desenvoltura no campo em que é o melhor: o da tragico-comédia - um thriller que caminha na corda bamba, com o humor negro de um lado e a tragédia iminente do outro. Se no primeiro já encontramos sucessores como Alex De La Iglésia, no segundo a referência máxima continua a ser Alfred Hitchcock. Depois há ainda todo o colorido característico do realizador espanhol e aquela fixação doentia (leia-se distorcida) pelo sexo.

Ata-me levantou celeuma pela sua apologia ao bondage e à perversão sexual (e uma famosa cena de masturbação na banheira, com um boneco de um homem-rã a corda), mas é uma visão muito mais funda do sexo. É antes uma crítica irónica e até parodiante das relações convencionais, especialmente do casamento. E como faz isto? Através da exploração perfeita do famoso Síndrome de Estocolmo, com um trabalho de actores equilibrado e coerente. Recentemente tivemos um episódio da vida real semelhante a Ata-me. Falo de Natacha Kampush, a jovem austríaca que esteve raptada 18 anos por um estranho. Reality is stranger than fiction.

Depois de tantos anos encarcerada, Natacha Kampush desenvolveu uma estranha afinidade com o raptor. Pode parecer estranho a quem está de fora, mas conviver diariamente com uma pessoa conduz a uma identificação automática com o agressor - uma forma de adaptabilidade às condições adversas. No entanto, apesar desta simpatia pelo seu raptor, Natacha acabou mesmo por fugir. A diferença em Ata-me, é que Marina Osorio acaba por escolher o outro caminho.

Em Ata-me existe um quadrado de sucesso que é a principal razão para o brilhantismo do filme. Os seus vértices são Pedro Almodóvar, obviamente; um jovem Antonio Banderas, a justificar todos os predicados que fizeram Hollywood apostar em si; a escultural Victoria Abril, a transbordar sensualidade; e o Pelé das bandas-sonoras, Ennio Morricone, a provar que tem uma espécie de Toque de Midas, transformando em sucesso tudo em que colabora.

Não é o melhor filme de Pedro Almodóvar, mas é o mais intrigante. Talvez quando o realizador espanhol morrer se transforme no seu filme de culto. Pelo menos, a cena final merece-o - uma espécie de Quanto Mais Idiota, Melhor, mas com uma versão espanhola de I Will Survive em vez do Bohemian Rapsody. Por cá vai sendo acompanhado regularmente por um McRoyal Deluxe.

Posted by: dermot @ 12:23 da manhã
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COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga

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- As Aventuras De Tintim - O Segredo Do Licorne
- As Aventuras Do Príncipe Achmed
- As Bandeiras Dos Nossos Pais
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- As Canções De Amor
- As Crónicas De Narnia - O Leão, A Feiticeira E O Guarda-Roupa
- As Diabólicas
- As Ervas Daninhas
- As Invasões Bárbaras
- As Lágrimas Do Tigre Negro
- As Leis Da Atracção
- As Noites Loucas Do Dr. Jerryll
- As Penas Do Desejo
- As Tartarugas Também Voam
- As Vidas Dos Outros
- Aberto Até De Madrugada
- Assalto À Esquadra 13 (1976)
- Assalto À Esquadra 13 (2005)
- Assalto Ao Santa Maria
- Assassinos Natos
- Ata-me
- Até Ao Inferno
- Até Ao Limite Do Terror
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- Através Da Noite
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- Evil Dead 2 - A Morte Chega De Madrugada
- Evil Dead 3 - O Exército Das Trevas
- Ex-Drummer
- Exterminador Implacável 1
- Exterminador Implacável 2 - O Dia Do Julgamento Final
- Exterminador Implacável 3 - Ascensão Das Máquinas
- Exterminador Implacável 4 - A Salvação

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- Festival Rocky De Terror
- Ficheiros Secretos: Quero Acreditar
- Fim De Ano Em Split
- Fim-De-Semana Alucinante
- Final Cut - A Última Memória
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- Guerra Dos Mundos (1953)

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- Harley Davidson E O Cowboy Do Asfalto
- Harold E Maude
- Harry Brown
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- Rodrigo Areias
- Sara David Lopes
- Solveig Nordlund
- Fernando Alle


TOPES:
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2011
- Top 5 dos Piores Filmes de 2011
- Top 10 dos Melhores Filmes de 2010
- Top 5 dos Piores Filmes de 2010
- Top 5 dos filmes de Leslie Nielsen
- Top 10 Dos Filmes Low Cost
- Top 5 das Melhores Cenas de Dança
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2009
- Top 5 dos Piores Filmes de 2009
- Top 5 dos Filmes Que Tenho Vergonha De Dizer Que Gosto
- Top 5 das Melhores Músicas de Ennio Morricone
- Top 5 dos filmes com Patrick Swayze
- Top 5 dos Telediscos do Michael Jackson
- Top 5 dos Filmes com David Carradine
- Top 5 dos Filmes com Lutadores de Luta-Livre
- Top 10 Os Melhores Filmes de 2008
- Top 5 Os Piores Filmes de 2008
- Top 5 dos Piores Filmes de Natal
- Top 5 das Coisas que não Esperávamos Ver no Cinema
- Top 5 dos Melhores Filmes de Paul Newman
- Top 5 Personagens Com Palas Nos Olhos
- Top 10 Melhores Cartazes De Cinema
- Top 5 dos Filmes de Chuck Norris
- Top 5 dos Filmes de Patrick Swayze
- Top 10 Os Melhores/Piores Vestidos dos Oscares
- Top 5 As Mortes de Crianças Mais Gratuitas
- Top 10 Os Melhores de 2007
- Top 5 Os Piores de 2007
- Top 7 Adaptações ao Cinema de Livros de Stephen King
- Top 5 Filmes Pela Paz
- Top 5 Os Melhores Beijos
- Top 5 Grandes Arquitectos
- Top 10 Filmes Que Mudaram A Minha Vida
- Top 5 Mulheres de Cabeça Rapada
- Top 5 As Cenas Mais Excitantes
- Top 10 Os Melhores de 2006
- Top 5 Os Piores de 2006
- Top 3 Filmes de Robert Altman
- Top 5 Os Vilões do Cinema
- Top 5 Filmes Com Mick Jagger
- Top 5 Filmes Com Steve Buscemi
- Top 5 Dos Cães no Cinema
- Top 5 Dos Filmes do Indie06
- Top 5 Dos Filmes do Fantas06
- Top 5 dos Presidentes
- Top 10 Os Melhores de 2005
- Top 5 Os Piores de 2005
- Top 5 Filmes com Pat Morita
- Top 10 Os Melhores Filmes Independentes
- Top 5 Os Piores Filmes da Saga Bond
- Top 5 Filmes com Dolph Lundgren
- Top 5 Adaptações de BD Para Cinema
- Top 10 Cenas Mais Assustadoras de Sempre
- Top 5 Vencedores do Óscar
- Top 5 Bond Girls
- Top 5 Filmes Sobre Doenças
- Top 5 Filmes de Natal
- Top 5 Melhores Batalhas Corpo-A-Corpo
- Top 10 Melhores Canções do Cinema
- Top 10 Melhores Filmes de Sempre
- Top 5 Melhores Momentos Musicais
- Top 5 Grandes Duelos do Cinema
- Top 10 Maiores Personagens do Cinema
- Top 5 Piores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 10 Melhores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 5 Filmes Religiosos


BAÚ DO TRASH:
- Needle
- Que Se Mueran Los Feos
- Easy A
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Saw 3D - O Capítulo Final
- And Soon The Darkness
- Os Imortais
- Purana Mandir
- Pagafantas
- The Bloodstained Butterfly
- Cisne Negro


ROYALE WITH CHEESE APRESENTA:
- A Tasca Da Cultura
- A Causa Das Coisas - parte I
- A Causa Das Coisas - parte II
- A Momentary Lapse Of Reason


FILMES A VER ANTES DE MORRER:
- #1 As Lágrimas Do Tigre Negro
- #2 Alucarda
- #3 Time Enough At Last
- #4 Armageddon
- #5 The Favour, The Watch And The Very Big Fish
- #6 Italian Spiderman
- #7 The Soldier And Death


UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:
- 1# Rabbit, de Run Wrake
- 2# Aligato, de Maka Sidibé
- 3# The Cat Concerto, de Joseph Barbera & William Hanna
- 4# A Curva, de David Rebordão
- 5# Batman: Dead End, de Sandy Callora
- 6# O Código Tarantino, de Selton Mello
- 7# Malus, de António Aleixo & Crosswalk, de Telmo Martins
- 8# Three Blind Mice, de George Dunning
- 9# Bedhead, de Robert Rodriguez
- 10# Key To Reserva, de Martin Scorcese
- 11# Bambi Meets Godzilla, de Marv Newland
- 12# The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon, de Richard Gale
- 13# Stolz Der Nation, de Eli Roth
- 14# Papá Wrestling, de Fernando Alle
- 15# Glas, de Bert Haanstra
- 16# Fotoromanza, de Michelangelo Antonioni
- 17# Quem É Ricardo?, de José Barahona
- 17# Terra Incognita, de Peter Volkart


AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE:
- A Pior Luta
- A Cena Mais Metida A Martelo
- O Ataque Animal Mais Brutal
- A Perseguição Mais Alucinante
- O Duelo Mais Improvável


CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL:
- Janeiro
- Fevereiro
- Março
- Abril
- Maio
- Setembro
- Novembro


FESTIVAIS:
- 20º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9
- 21º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 22º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 23º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 24º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 26º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 12º Caminhos Do Cinema Português
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- Imago 2006
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8

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