Royale With Cheese

 Royale With Cheese

 
 



quarta-feira, novembro 29, 2006  

UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:

É verdade, os seus olhos não o atraiçoaram. O Royale With Cheese tem mesmo uma rubrica nova. Auxiliando-se da maior invenção dos últimos anos, no que diz respeito à internet - o youtube -, o Royale With Cheese vai começar a apresentar periodicamente (leia-se, sempre que achar algo que o justifique) uma curta-metragem de qualidade superior.

Se bem se lembram, já aqui há uns tempos deixei por cá (aqui) Rabbit, de Run Wrake, o vencedor do IMAGO deste ano. Agora, vou deixar-vos com Aligato, curta-metragem de 2004, realizada por Maka Sidibé. Aligato surpreendeu-me no Festróia de há dois anos pela sua evolução narrativa, passando do oito ao oitenta em poucos minutos, de forma coerente, credível e equilibrada. Uma curta que eu gostaria de ter feito.

Posted by: dermot @ 10:32 da tarde
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terça-feira, novembro 28, 2006  

SUPER-HOMEM:

Título: Superman
Realizador: Richard Donner
Ano: 1978


Agora que o Super-Homem voltou a voar no grande ecrã, faz todo o sentido revisitar como tudo começou. Foi em 1978 que Richard Donner (quiçá o mais subvalorizado realizador de acção de sempre) nos mostrou uma nave que chegou à Terra, vinda de Krypton, trazendo no seu interior o pequeno Kal-El, mais conhecido entre o grande público como Super-Homem, o maior herói de todos os tempos.

O projecto foi idealizado à partida em dose dupla. Por isso, Super-Homem é o mais longo filme do herói, uma vez que começa por abordar toda a sua origem. E é também aquele que traz a ameaça mais "vulgar", chamemos-lhe assim, uma vez que os verdadeiros inimigos estariam para surgir em Super-Homem: A Aventura Continua (apesar de já ter sido lançada a ponte neste primeiro tomo).

Comecemos pelo início, por Krypton (um planeta super-avançado tecnologicamente, representado por todos os efeitos especiais que as mesas de mistura da época tinham), meses antes de se destruir. É aqui que conhecemos o pai biológico de Kal-El, o cientista Jor-El (um Marlon Brando pago a peso de ouro e que, mesmo sem disfarçar o frete que estava a fazer por estar vestido de forma ridícula, brilha no registo em que era perfeito) que envia o filho para a Terra, salvando-o do armagedão local. Com ele envia também grandes responsabilidades - grandes poderes trazem grandes responsabilidades, lembram-se do Homem-Aranha? -, transformando Super-Homem numa espécie de salvador, mas mais próximo do super-homem de Nietzsche do que do Cristo da Bíblia.

Depois contactamos ainda a adolescência do jovem Jor-El, agora Clark Kent (Jeff East), e só depois entra em cena um então desconhecido Cristopher Reeve. A sua interpretação foi desde o primeiro minuto tão unânime, que Reeve roubou para si a própria personagem do Super-Homem, deixando o seu fantasma a pairar sobre todos aqueles que o tentem substituir no futuro. Cristopher Reeve é perfeito para o papel e consegue intercalar a imagem invulnerável e confiante do Homem-de-Aço com a do seu alter-ego, o franzino e desajeitado jornalista Clark Kent. Normalmente diz-se que o Super-Homem se distingue de Clark Kent apenas pelos óculos e o caracol sobre a testa. Pois quem vê Super-Homem também nunca diria que aquele nerd era na verdade o Homem-de-Aço.

Super-Homem serve para introduzir a personagem: conhecemos a origem de Kal-El, contactamos com o crescimento de Clark Kent e somos introduzidos ao Super-Homem. Depois são introduzidas todos as outras personagens fundamentais à vida de Kent: a sua perpétua amada, a hiper-activa jornalista Lois Lane (Margot Kidder) e o seu arqui-inimigo, o exuberante Lex Luthor (genial Gene Hackman), que se vai envolver num catastrófico plano imobiliário que o herói terá de impedir.

Richard Donner filma Super-Homem como um claro filme introdutório, assumindo o action flick apenas na sequela. Aqui, prefere filmar os dilemas existenciais de Clark Kent (que Bryan Singer explora depois a fundo em Super-Homem: O Regresso), criar os laços afectivos entre o Super-Homem e Lois Lane (na famosa cena romântica "Passei A Noite Com O Super-Homem", em que ele a leva a voar) e trasnformar o Homem-de-Aço no protector de Metróplis, o defensor da verdade, da justiça e do ideal americano.

O retrato que Donner faz do próprio herói também é bem diferente da personalidade pouco comunicativa e quase divina que Bryan Singer lhe conferiu em Super-Homem: O Regresso. O Super-Homem de Cristopher Reeve é um herói bem-disposto, com one-liners e bem humano. Richard Donner introduzia aqui a essência dos buddy movies dos anos 90.

Super-Homem tinha tudo para ser perfeito. As estrelas certas, um tema imortal criado por John Williams, que ainda hoje provoca magia sempre que tocado, e um argumento competente qb. No entanto, o seu problema é que é filmado com muita ingenuidade, Lex Luthor é caricaturado em demasia e o final é, de certa forma, ridículo, com o Super-Homem a ser demasiado super. O McBacon não é um desprimor, até porque a primeira vez que vemos o Super-Homem a voar é um dos momentos mais marcantes da minha memória cinéfila.

Posted by: dermot @ 7:01 da tarde
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JUVENTUDE EM MARCHA:

Título: Juventude Em Marcha
Realizador: Pedro Costa
Ano: 2006


Depois de motivos profissionais me terem impedido de apanhar Transe numa sala de cinema, não poderia faltar a mais um happening cinematográfico do cinema português (ainda por cima quando existem tão poucos no nosso país): a estreia de Juventude Em Marcha, que marca o regresso de Pedro Costa, o realizador português mais secreto de todos, depois das críticas favoráveis que recebeu em Cannes.

Durante todo o filme, a câmara apenas mexe por duas vezes. Mas mesmo assim, Pedro Costa consegue ser mil vezes mais dinâmico e activo que o chamado cinema de autor de Manoel de Oliveira, por exemplo.

Tal como em No Quarto Da Vanda, Pedro Costa volta a mergulhar na parte trágica da nossa sociedade, desta vez no universo dos emigrantes cabo-verdianos em Portugal, mais concretamente no Bairro das Fontaínhas, a realidade dos trabalhos nas obras, as barracas, a droga, os bairros sociais... A figura central é Ventura, que tal como nos filmes anteriores do realizador, não é uma personagem, mas antes uma figura real.

Juventude Em Marcha é uma espécie de uma ficção documental (ou será o contrário?), onde a câmara estática é como se não existisse, um artifício ausente - ou não fosse Pedro Costa um sucessor do cinema-verdade de Vertov e Rouch -, de um humanismo directo e cru. A fotografia é assombrosa e, só por si, quase que vale o bilhete do filme; é uma espécie de surrealismo misterioso, como Tarkovsky a reproduzir um Caravaggio.

Juventude Em Marcha confunde-se com a própria história de Ventura e a sua vida circular, num encadeamento de visitas repetitivas aos seus vários filhos, passo a passo até à fatalidade final, que espreita neste tipo de vidas a cada esquina. Ventura é como aquele convalescente do momento que ao ver passar a vida, faz-me tédio. E ao mergulharmos na sua vida, mergulhamos também no Portugal profundo, onde Clotilde é uma personagem da qual os Gato Fedorento conseguiriam fazer maravilhas.

Contudo, Juventude Em Marcha não me convence. Perebe-se a insistência extrema de Pedro Costa na parábola narrativa (a qual ganha forma e consistência na romântica carta que Ventura decora durante o filme), mas esse marasmo propositado não justifica a extensão do filme. E depois, sobretudo, não me convencem os planos fixos de janelas ou paredes, enquanto nada se passa ou se ouve, porque ao fim do primeiro minuto começam a assemelhar-se a pseudo-intelectualismos. O que chateia porque sabemos claramente que não é; Pedro Costa é uma pessoa que sabe realizar como poucos.

Uma coisa que uma vez ouvi o António Pascoalinho a dizer foi que não devemos ver filmes por militância. É certo que necessitamos de filmes destes de vez em quando, para nos relembrarmos do cinema a sério, da sua força e verdade. Mas temo que Pedro Costa começa a parecer-me militância. Por isto, este Double Cheeseburger é mais pelo benefício da dúvida do que por outra coisa.

Posted by: dermot @ 9:55 da manhã
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quinta-feira, novembro 23, 2006  

ANGEL-A:

Título: Angel-A
Realizador: Luc Besson
Ano: 2005


É o herói nacional do novo cinema francês: Luc Besson é o realizador mais importante de França da última década ou duas. Tudo graças a uma nova forma de filmar, que fez os americanos (e o Mundo, em geral) verem o cinema francês de outra forma. Com Besson, o cinema francês deixou de ser um cinema de autor (supostamente) para pseudo-intelectuais, para passar a ser um cinema descontraído e generalista.

É certo que Luc Besson tem algumas obras-primas em carteira (alguém mencionou León, O Profissional?), mas desde O Quinto Elemento que a qualidade da sua obra tem vindo a decair. Aliás, Besson foi mesmo acusado de traição pelos seus conterrâneos quando realizou este último. Talvez por isso, o realizador optou pelo mais sensato: antes que a sua carreira bata no fundo, decidiu colocar-lhe um ponto final - Angel-A foi anunciado como o seu último trabalho (mesmo que ainda venha aí a animação Artur E Os Minimeus).

Angel-A é a história de André (Jamel Debbouze), um vigarista mentiroso e aldrabão, com tanto de ambição como de fracassado. Afogado em dívidas, André decide-se pela opção mais cobarde de todas: o suicídio. Mas mesmo que pareça ser um empecilho que não pertence a lado nenhum (ele é um francês de origem argelina que ganhou a cidadania americana numa rifa), André tem um bom coração e a moral suficiente para que Deus lhe envie um anjo da guarda: Angela (a modelo Rie Rasmussen, à procura de ser uma nova Milla Jovovich) - daí o trocadilho fácil do título -, uma loira de 1,80m (uma espécie de Grace Jones, mas em branco), que desce à Terra mascarada de... puta.

O objectivo parece simples: comédia agri-doce, moralista e de final feliz, a puxar à lágrima fácil e ao romantismo despregado. Angela vai guiar André através das suas dificuldades, fazendo-o ver as soluções certas nem sempre pelos caminhos mais ortodoxos. E no final, André vai conseguir, finalmente, entender toda a beleza de Paris.

Contudo, Angel-A é um filme extremamente óbvio. Há quem o apelide de naif, mas nenhuma das relações parece credível, principalmente vindo de quem um dia escreveu um filme como Vertigem Azul. Aliás, se algum dia Deus achar por bem enviar-me um anjo e este me fizer ver a vida da mesma forma que Angela o fez a André, então eu acho que lhe dou dois pares de estalos, porque ela chega a ser mesmo chata e incoveniente. Além do mais, a relação entre os dois protagonistas só ganha interesse nos momentos mais agrestes, deixando os momentos românticos saberem a uma simples azeitice.

Angel-A falha principalmente na sua categoria de feelgood movie, assemelhando-se demasiado sério para o efeito. Além do mais, Luc Besson dá-lhe um toque arty, ao filmá-lo a preto e branco, opção demasiado duvidosa mesmo para uma comédia romântica passada em Paris.

Não me parece que Luc Besson termine a carreira de realizador da melhor forma. Angel-A é uma variação demasiado simplista sobre as matrizes correntes da comédia romântica. Parece apenas um capricho de Bresson, uma ideia que talvez teve aos 15 anos e que sempre foi seu sonho filmar, mas que só agora teve dinheiro para o fazer - claramente, tarde demais. E digo-vos mais: este Cheeseburguer já conta com uma bonificação especial pelas pernas de Rie Rasmussen (não via uma coisa assim desde as de Uma Thurman em Os Produtores) e pela banda-sonora de Anja Garbarek.


Posted by: dermot @ 11:56 da tarde
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FILMES A VER ANTES DE MORRER #5:

Título: The Favour, The Watch And The Very Big Fish
Realizador: Ben Lewin
Ano: 1991
Porquê:
- Porque tem o melhor orgasmo do cinema (esqueçam o famoso da Meg Ryan em Um Amor Inevítável)
- Porque tem o Jeff Goldblum a fazer de Jesus Cristo (melhor que isto, só se fosse o Cristopher Walken)
- Porque é uma comédia romântica para quem não gosta de comédias românticas
- Porque tem o maior ataque de fúria de um pianista de sempre

Posted by: dermot @ 7:51 da tarde
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BORAT: APRENDER CULTURA DA AMÉRICA PARA FAZER BENEFÍCIO GLORIOSO À NAÇÃO DO CAZAQUISTÃO:

Título: Borat: Cultural Learnings Of America For Make Benefit Glorious Nation Of Kazakhstan
Realizador:
Ano: 2006


Fazer rir é complicado, mas é cada vez mais difícil faze-lo. É certo que a comédia já teve melhores dias, mas a culpa também é nossa, do público, que nesta sociedade capitalista andamos demasiado sérios para nos rirmos de coisas simples. Por isso, quando há uns anos atrás, American Pie - A Primeira Vez marcou pontos, Hollywood prestou-se a espremer a comédia screwball até aos seus limites. Claro que como a piada que é contada muitas vezes perde a graça, também esta aposta não durou muito tempo.

No entanto, algumas mentes doentias pensaram: e se nós ultrapassássemos esses limites? E assim, nestes últimos pares de anos, houve duas comédias completamente fora que conseguiram ser verdadeiramente hilariantes (e doentias na mesma proporção). A primeira foi Jackass: O Filme; e agora, Borat.

Borat (ou devo dizer Sacha Baron Cohen, ou melhor, Ali G) é um pseudo-repórter do Cazaquistão, um dos maiores países do Mundo, mas não por isso o mais avançado. Por isso, o Ministério da Informação do seu país envia-o aos EUA para contactar com o maior país de todos e trazer a sua experiência para o povo cazaque. Claro que a personagem de Borat tira uma fotografia esteriotipada (e gigantemente exagerada) do Cazaquistão: castrador do direito das mulheres, anti-semita, parada no tempo, terceiro mundista e adeptos da poligamia e do incesto. Tudo isto é uma sátira atroz e uma caricatura levada ao extremo, mas para as mentes mais sensíveis, tudo isto pode fazer querer sair do filme ainda antes dos créditos iniciais.

No entanto, para aqueles que têm uma mente aberta (ou simplesmente distorcida, como a minha), Borat pode ser facilmente o filme mais hilariante de sempre. Primeiro, porque a personagem de Sacha Baron Cohen é deliciosamente ingénua e, consequentemente, simpática; e depois porque é completamente destravada, sem papas na língua e capaz de fazer tudo e mais uma coisa (que por acaso era a essência de Jackass: O Filme).

Aliás, tal como em Jackass: O Filme, Borat também não é bem um filme, pelo menos segundo as convenções habituais. É mais um conjunto de apanhados da vida real (lembram-se do programa do Joaquim Letria?), onde Borat vai entrevistar várias personalidades com a mesma graciosidade com que um elefante atravessa uma plantação de morangos. Imaginem um bebé que diz a alguém, com toda a sua sinceridade, como ele é feio, uma vez que ainda não foi corrompido pela consciência da idade; Borat é assim, uma criança crescida, que ainda não foi corrompida pelo progresso e pela evolução.

Mas o que é mesmo assustador no filme são algumas situações em que o próprio Borat nada tem que fazer para elas serem ridículas e absurdas. Lembro-me de uma entrevista a um cowboy do Texas, que apregoava o enforcamento dos homossexuais, ou uma convenção de uma igreja-engana-parvos. Creepy stuff. Os americanos são doidos.

Borat tem episódios de chorar a rir (literalmente). Tem situações espontâneas, episódios screwball e também cenas encenadas. Até tem os primeiros acordes de Ederlezi, do grande Goran Bregovic. E no final uma perseguição a Pamela Anderson! Borat é o mais hilariante Le Big Mac do último par de anos, mas também é um filme para ver uma vez e depois apenas repetir com os amigos.

Posted by: dermot @ 1:14 da manhã
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quarta-feira, novembro 22, 2006  

TOP 3:

Este humilde antro cinematográfico não se poderia levar a sério se deixasse passar o infeliz acontecimento de ontem: a morte de Robert Altman, um dos mais importantes autores norte-americanos das últimas décadas. Não era nada que ninguém estivesse à espera, ou A Praire Home Companion - Bastidoes De Rádio, o seu recém-estreado último filme, não tivesse tido um realizador suplente pré-escolhido, não fosse o diabo tecê-las.

Quando se fala em filmes-mosaico, fala-se automaticamente em Magnólia. Contudo, Robert Altman já o fazia muitos anos antes. Foi ele o percursor desta técnica narrativa, ao contar várias histórias paralela e simultaneamente. Realizador inconformado, tem os seus filmes menos bons nos momentos em que se comprometeu com a indústria.

O Royale With Cheese presta a sua homenagem a Robert Altman com mais uma das suas célebres listas. Desta vez é o TOP 3 DOS FILMES DE ROBERT ALTMAN (não tendo em conta o já mencionado A Praire Home Companion - Bastidores De Rádio, uma vez que ainda não tive oportunidade de o ver):

3º Lugar - M*A*S*H*
2º Lugar - Short Cuts - Os Americanos
1º Lugar - O Jogador

Menção Honrosa - Peter Gunn (eu vou ser sincero - acho que nunca vi nenhum episódio do Peter Gunn. No entanto, não podia deixar passar esta que foi a primeira série a ter um genérico oficial. E o tema de Henry Mancini é, ainda hoje, um dos mais intemporais momentos rock de sempre)

Posted by: dermot @ 1:48 da tarde
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1º ENCONTRO NACIONAL DE BLOGUES DE CINEMA:

O universo cinematográfico português é, infelizmente, parco em ícones (aliás, um pouco como toda a nossa cultura). No entanto, desses poucos há um que se destaca facilmente - Lauro António. O cineasta lisboeta ficou para sempre perpetuado na memória do cinéfilo nacional, primeiro por Manhã Submersa, e depois pelo fantástico boneco do Herman José (o famoso Lauro Dérmio), na altura em que ainda tinha piada. Além disso, Lauro António é ainda um dos mais importantes teóricos da nossa praça.

Então e que tem isto a ver com o título desde post, perguntarão vocês. Pois bem, é que para além disto tudo, Lauro António tam também um blogue de cinema, o Lauro António Apresenta. E a partir daí, em parceria com o Famafest, o Festival de Cinema de Famalicão, Lauro António é o dinamizador do 1º Encontro Nacional de Blogues de Cinema, a decorrer a 9, 10 e 11 de Março do próximo ano. Todos os blogues de cinema estão convidados a participar nesta inovadora troca de ideias sobre a sétima arte - até porque vai haver workshops e actividades especiais; para tal, é só darem um saltinho ao Lauro António Apresenta e informarem-se.

O Royale With Cheese, se puder, irá lá estar.


imagem gentilmente pilhada à Helena

Posted by: dermot @ 1:31 da tarde
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terça-feira, novembro 21, 2006  

SAW II - A EXPERIÊNCIA DO MEDO:

Título: Saw II
Realizador: Darren Lynn Bousman
Ano: 2005


Em 2004, uma modesta produção independente de terror saiu de Sundance para revolucionar o mundo, transformando-se num verdadeiro caso de sucesso: Saw - Enigma Mortal. Para os mais optimistas, era o passo seguinte na evolução do thriller de terror sanguinário, enquanto que os mais pessimistas acharam que era apenas um rip-off competente de Sete Pecados Mortais. Quanto a mim, surpreendeu-me sobretudo a frescura perante um estilo que estava demasiado formatizado nos últimos anos.

Claro que Hollywood viu-o como a sua próxima galinha dos ovos de ouro e agarrou-o com as duas mãos, não fosse ele escapar. E assim, nuns meros 25 dias - vinte e cinco - realizou a sequela Saw II - A Experiência Do Medo (viva as traduções imaginativas), deixando logo na forja uma terceira parte. Por isso, já sabíamos à partida, que no fim íamos ter um final em aberto.

Era complicado fazer melhor que Saw - Enigma Mortal, é verdade. Mas mais complicado que isso era conseguir que aquilo não parecesse que já tivesse sido feito. Pois, o argumento de Saw II - A Experiência DO Medo não é nada de especial, antes pelo contrário. Assim, retoma-se o serial killer Jigsaw (Tobin Bell) e os seus mortíferos jogos mentais, mas desta vez o jogo é diferente. Uma casa fechada, seis pessoas envenenadas e um antídoto escondido algures. Em suma, foi pegar no rip-off já explorado de O Jogo e fundi-lo com o ambiente claustrofóbico de O Cubo.

Se fosse só isto, até parecia bem. Não era preciso pensar muito, apenas sentar e esperar o banho de sangue doentio e distorcido. Mas Darren Lynn Bousman achou por em complicar o enredo e dar uma de inteligente e assim foi buscar um polícia (Donnie Wahlberg), com um passado pouco ortodoxo a defender a lei, para salvar o filho encarcerado na casa. De início até poderia parecer interessante o facto de Jigsaw ser capturado no primeiro quarto de hora do filme; mas o resto do tempo é apenas uma repetição de lugares-comuns.

Saw II - A Experiência Do Medo vale assim pelo que se passa dentro de casa. Nem é que as personagens se desenvolvam particularmente bem. Mas existem situações daquelas tramadas que nos deixam em pele de galinha, uma reincidência no giallo italiano (que já havia no primeiro) e um aparatoso twist final. Em contrapartida, o estilo é demasido frenético, adoptando todo aquele nervosismo de uma emissão em directo da MTV. Não poderia ser tudo bom, não é?

Saw II - A Experiência Do Medo vale um Cheeseburger e eu explico porquê. Porque o twist final, contra todas as expectativas, resulta (apesar de já o termos visto em Sete Pecados Mortais); porque a cena das seringas é verdadeiramente tramada; porque é bastante interessante a ideia de um serial killer sanguinário como Jigsaw ser um velhadas decrépito com cancro; e porque estou bem disposto. De resto... nada de novo a oeste.

Aqui, podem recuperar a crítica opinativa de Saw - Enigma Mortal.

Posted by: dermot @ 12:51 da manhã
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domingo, novembro 19, 2006  

O LEOPARDO:

Título: Il Gattopardo
Realizador: Luchino Visconti
Ano: 1967


Apesar de viver numa cidade com apenas uma sala e meia de cinema, não me posso quaixar. Por cá, apesar dos atrasos, acabam por chegar os títulos quase todos que interessam. Não me posso esquecer que por aqui passaram Os Amantes Regulares, filme que em Portugal só esteve em duas(!) salas em todo o país (alguém me confirma isto?). Por isso, há que aplaudir a repetição da reposição de O Leopardo.

As vésperas de uma revolução são sempre dias agitados e o cinema parece dar-se bem com eles. O Leopardo inicia-se à porta da revolução civil italiana, no século XVIII, acompanhando depois o período de transição da monarquia para a república. Este é o contexto histórico do retrato que Visconti tira ao siciliano Príncipe de Salina (Burt Lancaster), um homem demasiado velho para um Mundo demasiado novo.

O Leopardo é uma crónica de costumes acerca do teatro da aristocracia, uma espécie de Buñuel neo-realista, que prefere a sátira humorística à crítica acutilante. Utilizando exemplos bem portugueses, O Leopardo é uma fusão entre o quotidiano neo-realista de Eça de Queirós - as caçadas, as festas, os jogos de cartas... -, com a sátira feroz de Gil Vicente - a igreja, a nova burguesia..., tudo personagens dignas de um Auto Da Barca Do Inferno.

O Leopardo é também um drama shakespeareano, uma tragédia acerca da condição existencial de um Homem demasiado velho para manter a sua fachada de actor da alta elite e que prefere perpetuar a sua linhagem sacrificando-se, voltanto ao mesmo tempo à sua condição de Homem. Uma espécie de Rei Lear, mas sem os monólogos existenciais. E tal como o Maio de 68 era o veículo indirecto de Os Sonhadores, aqui é a revolução italiana que justifica, em segundo plano, a condição actual do Príncipe.

Visconti fila tudo isto como se fosse um pintor renascentista; cada cena é uma pintura humanista, em que a figura humana é a personagem principal do quadro, mas em que a mise-en-scene é fundamental e composta ao milímetro. Visconti filma ainda toda a aristocracia com uma opulência barroca, usando e abusando das panorâmicas e pondo em prática alguns truques de Leni Riefenstahl.

Apesar de ter levantado celeuma (Visconti quereria Laurence Olivier, mas os estúdios optaram por alguém com outra projecção internacionail), a escolha de Burt Lancaster revelou-se o mais acertada, uma vez que ele é o próprio filme. Lancaster espalha estilo e coolness, chegando mesmo a ofuscar o outro galã, Alain Delon, criando um retrato do povo siciliano que explica em muito O Padrinho. Já que estamos a falar dos actores, isto lembra-me que nunca falei aqui neste espaço daquele grande ídolo de infância que é o Terence Hill. A resolver em breve.

Mas o ex-libris de todo o filme acaba por ser a famosa cena do baile, que há bem pouco tempo influenciou a de Orgulho E Preconceito. Nesta meia-hora final, Visconti dá uma aula de fotografia e de que como se deve filmar, num realismo barroco bem melancólico.

Assistir a um Visconti no cinema no século XXI é uma experiência que à primeira vista parece impossível de realizar. No entanto, se nos for dada essa possibilidade, não a devemos deixar escapar. É que para além de ser um dos realizadores malditos, uma espécie de Baudelaire do cinema, o cinema de Visconti deve ser apreciado numa tela bem grande, tal é a sua escala e a sua grandiloquência. Tal como O Leopardo, que, mesmo assim, não é uma das suas obras-primas - é "só" um McChicken -, por lhe faltar aquele golpe de asa decisivo.

Posted by: dermot @ 12:09 da tarde
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sexta-feira, novembro 17, 2006  

O CASTELO ANDANTE:

Título: Hauru No Ugoku Shiro
Realizador: Hayao Miyazaki
Ano: 2004


Todos nós sabemos que os desenhos-animados de antigamente é que eram. No entanto, alguns de nós, os mais novos, pensamos que isso é apenas a nostalgia dos mais velhos a falar. Errado! Dantes, no tempo da Heidi, do Marco, ou do Conan, é que era mesmo, uma altura em que os desenhos-animados tinham uma mística e uma magia especial.

O Castelo Andante é o regresso ao tempo em que era, um regresso à animação que não necessita de explosões, velocidades estonteantes e violência gráfica a mil frames por segundo para entreter. Uma animação com magia, capaz de fazer sonhar e sorrir, como a Disney sempre nos habituou e que tomou como própria imagem de marca. Aliás, Hayo Miyazaki é o sucessor directo da Disney, caída no flagelo que é a globalização e o capitalismo e que tarda em reerguer-se em glória. Aliás, curiosamente, Miyazaki era o criador de Conan, O Rapaz Do Futuro.

Adaptado livremente do romance homónimo de Diana Wynne Jones (uma das autoras infantis contemporâneas obrigatórias), O Castelo Andante é uma fábula bem ao jeito de Hayo Myiazaki - uma história de bruxas e feiticeiros, que mistura o ambiente inglês vitoriano, com reis, raínhas e princesas inclusive, e um retro-futurismo bastante original.

Howl é então um feiticeiro poderosíssimo que vive num castelo andante(!), uma fortaleza viva e desengonçada (e ela própria uma personagem), cujo coração é um demónio de fogo chamado Calcifer. Quando Howl ajuda uma jovem bem-aventurada, Sophie (uma espécie de Gata Borralheira, mas de livre vontade), a ciumenta Bruxa do Nada vinga-se e transforma-a numa velhota enrugada. Agora, Sophie tem que encontrar maneira de reverter o feitiço ou habituar-se a viver assim. Mas pelo meio vai encontrar um espantalho enfeitiçado (que coloca a um canto o de O Feiticeiro De Oz, no que a simpatia diz respeito), bruxas vingativas, um cão bonacheirão, magos com problemas de personalidade e uma guerra brutal entre reinos.

Descrever O Castelo Andante é uma tarefa hercúlea. Posso tentar, misturando na mesma panela O Feiticeiro De Oz, a Disney, o Harry Potter, a Heidi e A Lista De Schindler (há um excelente paralelismo entre a guerra do filme e a II Guerra Mundial, com as mesmas filas de refugiados a deixarem as cidades ou os bombardeamentos nocturnos), mas apenas iria causar alguma confusão a quem não está familiarizado com a obra cinematográfica de Hayo Miyazaki. O melhor a fazer é mesmo generalizar e dizer que O Castelo Andante é uma animação que sabe a Natal, uma verdadeira paleta de emoções que nos faz experimentar vários estados de espírito ao longo do filme e chegar ao filme com o coração cheio e confortado.

No entanto, para quem está por dentro da carreira de Miyazaki, O Castelo Andante poderá decepcionar um pouco. Não é por ser um mau filme, antes pelo contrário. Isto nas mãos de outro qualquer seria praticamente um Royale With Cheese. Mas com um currículo como o seu (A Princesa Mononoke ou A Viagem De Chihiro dizem-vos alguma coisa?), não podemos ser benevolentes com Miyazaki e aceitar algo menos que a perfeição. Por isso, é que vou ser duro e intrangisente com o McRoyal Deluxe.

Posted by: dermot @ 12:36 da manhã
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quarta-feira, novembro 15, 2006  

ALIEN AUTOPSY:

Título: Alien Autopsy
Realizador: Jonny Campbell
Ano: 2006


Em 1995, um evento à escala mundial colou meio planeta à televisão. Lembro-me perfeitamente como se tivesse sido ontem e até ainda tenho para ali algures gravado em VHS. Era a transmissão da alegada autópsia efectuada pelos militares norte-americanos aos extraterrestres despenhados em Roswell, no Novo México, em 1947, e agora revelada ao Mundo. Cá por Portugal teve os comentários de várias caras conhecidas, das quais só me recordo da de Pinto da Costa (se alguém se lembrar quem eram os outros, utilizem o sistema de comentários, se faz favor), que esgrimiram argumentos, uns a favor da verdade e outros da falsidade daquelas filmagens. Tempos depois era confirmada a fraude daquele documentário muito mal filmado...

Agora, dez anos depois, a verdade é reposta. Quer dizer, mais ou menos, uma vez que Alien Autopsy é uma adaptação livre do que alegadamente - repito, alegadamente - aconteceu. Ou seja, dois tipos vulgares, Ray Santilli e Gary Shoefield (respectivamente encarnados pelos apresentadores Declan Donnelly e Ant McPartlin) foram bafejados pela graça divina: de forma inesperada, foi-lhes cair às mãos a gravação perdida das autópsias dos extraterrestres de Roswell. Ou seja, de um momento para o outro, Ray e Gary tinham nas mãos a maior descoberta do século XX, a prova documentada de que não estamos sozinhos no universo.

No entanto, a fita já era velhinha e, em contacto com o ambiente, desintegrou-se. E uma vez que os dois amigos já tinham vários milhares de dólares empatados, só lhes restou uma solução: fazerem um "remake" daquela filmagem proibida, rezando a todos os santinhos para que o mafioso húngaro que lhes emprestou o dinheiro enfiasse o barrete. E apesar de ser extremamente mal filmado por um monhé-filmador-de-casamentos (Omid Djalili) (e com um boneco cheio de miudezas do talho), a farsa colou. Não só junto do mafioso húngaro mas... de todo o Mundo. Estava dado o golpe do século!

Agora, dez anos depois, Ray Santilli e Gary Shoefield vêm ficcionar a verdade mais uma vez e voltar a encher os bolsos com mais uns milhares de euros. Só que desta vez, até faz sentido.

Alien Autopsy é então uma britcom meets falso-documentário, uma espécie de Projecto Blair Witch inglês, ou melhor, um This Is Spinal Tap inglês - uma comédia ligeira e divertida, situada nos subúrbios urbanos de Inglaterra, daquela forma que a actual britcom gosta tanto de incidir. O humor é simples e eficaz e o ritmo do filme é suficiente para nos proporcionar um serão curto e agradável.

É certo que existem cenas demasiado exageradas para acreditarmos que foram baseadas em factos verídicos, mas quero acreditar que são apenas truques dramáticos para darem profundidade ao filme. E as personagens bizarras de Götz Otto, um mafioso húngaro gigante e ultra-sensível, e de David Threlfall, um super-geek com barbas imensas e ar de criado do doutor Frankenstein, são absolutamente deliciosas. Tal como as participações dos sempre grandes Bill Pullman e Harry Dean Stanton.

Alien Autopsy tem sido muito mal recebido por onde quer que passe e, por isso, não deve chegar às salas portuguesas. No entanto, procure-o avidamente porque se enquanto filme é um delicioso McBacon, como esquema para sacar dinheiro continua a ser um verdadeiro Royale With Cheese. Quem me dera ter ideias destas...

Posted by: dermot @ 12:04 da manhã
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terça-feira, novembro 14, 2006  

ENTREVISTA:

É só para dizer que já está on-line a entrevista a Diogo Camões, a grande revelação nacional da edição deste ano do IMAGO, com o documnetário Morrer. Podem ler tudo aqui.
Também on-line, mas esta há mais tempo, está a entrevista a Sandra Castiço, a realizadora que colmatou uma das lacunas do cinema nacional com o seu Rockumentário, documentário rock acerca da (super)banda Bunnyranch. Para descobrir aqui.

Posted by: dermot @ 2:26 da tarde
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A FÚRIA DO DRAGÃO:

Título: Meng Long Guojiang
Realizador: Bruce Lee
Ano: 1972


Há uns dias atrás fui abordado por uma jornalista em busca de matéria para um artigo sobre os cinéfilos de hoje; e quando esta me perguntou que actores/realizadores me tinham incutido esta paixão pelos filmes, a minha resposta mental foi imediata: Bruce Lee! Quem mais haveria de ser. Depois pensei melhor e respondi outra coisa qualquer, mas algo ficou a martelar-me a cabeça, insistidamente: como é possível ainda não ter falado do grande Bruce Lee neste meu humilde antro?

Por isso, resolvi preencher essa lacuna e escrever algumas linhas sobre o profeta das artes marciais, Bruce Lee. Por momentos pensei sobre que filme haveria de escrever. Deveria falar daquele que é a sua melhor obra, O Dragão Ataca? Ou deveria falar do seu mais iconográfico filme, O Último Combate De Bruce Lee, aquele que perpetuou a sua imagem num fato amarelo? Claro que acabei por me decidir por A Fúria Do Dragão, aquele que juntou as duas maiores lendas do cinema de acção: Bruce Lee e Chuck Norris (vénia encarpada com saída à rectaguarda).

Apesar do título procurar enganar o espectador ao tentar levá-lo a pensar que seria uma sequela de O Dragão Ataca, A Fúria Do Dragão nada tem a ver com este último. A começar logo pelo local de acção: a Itália, mais particularmente, Roma. Bruce Lee é Tang Lung, um jovem lutador de kung fu que viaja de Hong Kong para a capital italiana para ajudar uma antiga amiga do seu tio, Chen Ching Hua (Nora Miao). Esta é a proprietária de um restaurante chinês bastante pretendido pelo chefe da máfia local por alguma razão desconhecida.

O flick não é novo e Jackie Chan faz-nos o favor de o repetir até à exaustão. Há emigrantes em apuros e um forasteiro que os vem ajudar. Faz lembrar um pouco a essência dos western spaghetti, quando o forasteiro era quase como uma purga que vinha limpar a sujidade da cidade. Claro que aqui os criminosos (quase) nunca usam armas de fogo, para que se possa fazer uso das artes marciais a bel-prazer. E ninguém se importa com isso. Eu pelo menos não me importo.

Mas os filmes de artes-marciais de Bruce Lee são diferentes de todos os outros. Mesmo que tenham a mesma história. É que Bruce Lee é o lutador mais realista de todos: não tem o circo das coreografias de Jackie Chan ou Jet Li, mas tem a credibilidade e o realismo de um lutador a sério. Por isso, não esperem wi-fu ou bailados complexos, apenas muita intensidade e autênticas aulas de Jeet Kune Do, a arte marcial que o próprio Bruce Lee inventou e que procurava ser a mais eficaz de todas. Por isso, não se admirem se o virem a pontapear os adversários no escroto ou outros golpes baixos do género. Aqui, o que interessa, é a maior eficácia possível.

Os orientais têm um estranho fascínio pela comédia física clássica, de Chaplin e de Buster Keaton. Por isso, quando surgem filmes orientais que tentam a ocidentalização, é comum aparecerem tentativas de reproduzir este tipo de humor. Bruce Lee não é excepção, mas A Fúria Do Dragão é o exemplo onde isso melhor se vê. Talvez por se focar sobre um chinês a viver num país completamente diferente do seu.

A Fúria Do Dragão é um bom filme, mas atinge um novo nível de galvanização quando, na última meia-hora, é introduzida um então desconhecido actor de artes-marciais: nada mais nada menos do que Chuck Norris. Este aparece também como uma pequena provocação do próprio Bruce Lee, que toda a sua carreira se viu acusado de ensinar artes marciais a ocidentais, ao mostrar como o seu pior inimigo poderia ser um norte-americano.

Todo o combate final entre os dois é um verdadeiro momento Royale With Cheese. Chuck Norris (ainda sem barba, mas já com aquele olhar matador, próximo de uns Clint eyes) começa por tirar o kimono e revelar toda a sua penugem à Tony Ramos, digna de um Planeta Dos Macacos. E depois há um combate brutal em pleno Coliseu de Roma, quais gladiadores na mais majestosa arena de todas, até que Norris perece com dignidade, às mãos de um head-lock de Bruce Lee, o único homem no Mundo capaz de terminar um filme com um golpe (aparentemente) tão frouxo quanto este (normalmente, Van Damme despachava os seus inimigos com três ou quatro muito mais vistosos rotativos).

Um momento Royale With Cheese, mais um filme McChicken, faz-se as contas, noves fora... e ficamos com um McBacon.

Posted by: dermot @ 12:03 da manhã
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domingo, novembro 12, 2006  

UMA FAMÍLIA À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS:

Título: Little Miss Sunshine
Realizador: Jonathan Dayton & Valerie Faris
Ano: 2006


Se o termo indie servia, literalmente, para identificar os filmes independentes que eram lançados fora da alçada das grandes produtoras, rapidamente se convencionou o termo para definir um tipo de cinema conscientemente desviado do mainstream, descomprometido com os ideais estéticos convencionais. Contudo, actualmente o cinema indie é já uma escola, com preocupações em se manter fora desse mainstream; o cúmulo chega quando esses alegados filems independentes são encomendados, produzidos e distribuidos pelas grandes produtoras. Por isso, o cinema indie é actualmente uma grande contradição.

Este paradoxo (e o meu mau feitio) fazem-me desconfiar automaticamente dos indie flicks - normalmente são filmes pretensiosos, que tentam desesperadamente ser originais. E sim, estou a falar de Garden State ou de Eu, Tu E Todos Os Que Conhecemos, por exemplo. Por isso, toda a euforia que apareceu à volta deste Uma Família À Beira De Um Ataque De Nervos passou-me praticamente indiferente.

Talvez tenha sido isso; talvez tenha ajudado ter ido para a sala de cinema sem grandes expectativas. Mas o que é certo é que Uma Família À Beira De Um Ataque De Nervos é um excelente filme, que justifica todo o hype que se construiu à sua volta. Principalmente porque não tenta ser original. E, sobretudo, porque é divertido como tudo. Uma Família À Beira De Um Ataque De Nervos é o melhor falso-indie dos últimos tempos.

Desde 2001 que o nosso conceito de família disfuncional está alinhavado com Uma Comédia Genial. No entanto, Jonathan Dayton e Valerie Faris conseguem reescrever essa definição ao apresentarem a família mais disfuncional de sempre - os Hoover: o pai (Greg Kinnear), o inventor de um genial programa pessoal chamado "9 Degraus Para O Sucesso"; a mãe (Toni Collette), que ao tentar ser a melhor mãe do mundo, ajudando tudo e todos, torna-se numa mãe ausente; o avô (Alan Arkin), um velhote depravado e sem papas na língua, viciado em heroína; o tio (genial Steve Carell), o maior conhecedor de Proust dos Estados Unidos, gay, deprimido e suicida; o filho (Paul Dano), um jovem anti-social, seguidor de Nietzsche, que fez um voto de silêncio; e a filha (Abigail Breslin), aspirante a vencedora do Little Miss Sunshine, uma espécie de Miss América para crianças.

Uma Família À Beira De Um Ataque De Nervos é uma crítica acutilante e inteligente à sociedade contemporânea, demasiado preocupada em ser bem sucedida e, principalmente, em ser feliz. Para reforçar essa ideia, os realizadores colocam esta família à beira do abismo e empurra-os: se cairem estarão perdidos, se recuperarem o equilíbrio estarão salvos. Ou seja, coloca-os a todos num espaço limitado (uma carrinha amarela daquelas dos tipos libaneses que mataram o Doc em Regresso Ao Futuro) e dá-lhes uma empresa comum: o concurso mais fútil à face da Terra.

Contudo, e com uma pinga de ironia, esse concuro de plástico acaba por ser a redenção daquela família, demasiado preocupada com os outros. E se durante a jornada vários acontecimentos vão determinar essa salvação final, o clímax encontra-se no momento mais hilariante do ano cinematográfico, o qual só posso revelar que inclui o fantástico Superfreak, de Rick James.

Passar de indie-movie a feelgood-movie (e entrar assim no mainstream, quase num paradoxo), acaba por ser o toque de originalidade deste Uma Família À Beira De Um Ataque De Nervos. E isso aliado a desempenhos notáveis, a um argumento equilibrado e a momentos verdadeiramente divertidos transformam-no num dos filmes do ano. É certo que o momento final é um Royale With Cheese sem sombras para dúvidas, mas como o filme não se resume a quinze minutos apenas, vejo-me forçado a terminar esta prosa com um Le Big Mac.

Posted by: dermot @ 6:42 da tarde
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sexta-feira, novembro 10, 2006  

ANIMAL:

Título: Animal
Realizador: Roselyne Bosch
Ano: 2005


Animal é uma co-produção que envolve capital português, francês e inglês. Para além de dinheiro, Portugal fornece também alguns actores, entre eles um dos protagonistas - Diogo Infante -, para além de emprestar também muitos dos locais de filmagem, nomeadamente o Parque das Nações. O filme é realizado pela francesa Roselyne Bosch, que apesar de marcar a sua estreia na cadeira de realizadora, não é uma novata nestas andanças, uma vez que foi ela quem escreveu 1942: Cristovão Colombo.

Posto tudo isto - e acrescentando o facto de ter tido honras de ante-estreia no Fantasporto deste ano, tendo arrecadado inclusive um dos galardões -, Animal passou pelas nossas salas de cinema de forma discreta, quase sem ninguém dar por isso. E porquê? O que me quer parecer é que os responsáveis portugueses após verem o resultado final devem ter querido esquecer muito depressa que tinham dado dinheiro para fazer isto.

Animal é um thriller de ficção-científica que se passa num futuro próximo, num país indefinido, algures na Europa. Só não é tão indefinido quanto isso porque se passa em Portugal e nós reconhecemos as paisagens facilmente. Mas é curioso observar como o Oceanário é mascarado de prisão de alta segurança ou o Pavilhão de Portugal usado como cemitério(!).

O ser humano é uma criatura agressiva por natureza. Está nos nossos genes e não podemos escapar a isto. Não nos podemos esquecer que somos um dos poucos animais que mata por puro prazer, nem ignorar a nossa apetência natural para as guerras (por cada ano de paz da nossa história, correspondem treze anos de guerra). Nada disto é novidade, mas não é por isso que deixa de ser um tema interessante para um filme. Mas Animal escusava de pisar todos os lugares comuns do género e ser um enorme clichet pejado de outros pequenos clichets.

Thomas Nielsen (Andreas Wilson) é um cientista que acredita conseguir eliminar esse "instinto assassino" do ser humano através de mutação genética. Para isso, escolhe como alvo o serial killer condenado à morte, Iparrak (Diogo Infante), uma espécie de Hannibal Lecter mas em mau. Depois há uma mulher pelo meio (Emma Griffiths Malin), vários lobos e muita teoria sobre a condição humana e a sua natureza predadora. Se Animal fosse um filme minimamente competente poderia compara-lo em certa medida a Laranja Mecânica, mas o resultado final é tão mau que se o fizer estarei a insultar a obra-prima de Stanley Kubrick.

Animal é um filme assustadoramente supérfulo, onde as personagens não têm profundidade e as questões são abordadas de ânimo leve. É do tipo ah e tal, agora vou-te injectar com um virús experimental que pode matar-te ou então não fazer nada, ok? e o outro ah, 'tá bem. E pronto. Depois, como se isto não bastasse, com o passar dos minutos o filme vai perdendo coerência... Coisas que acontecem sem explicação ou sem motivo aparente, dignas de um Ed Wood.

Mas o pior de tudo é mesmo Andreas Wilson. Aliás, não há nenhuma interpretação genial, mas a interpretação de Diogo Infante comparada com a de Andreas Wilson merece um Óscar. Acho que dá para entender...

Será cem por cento inútil, este Animal? Não, claro que não, nada é cem por cento inútil no cinema, uma vez que em último caso podem sempre servir como mau exemplo. Mas Animal tem até uma belíssima fotografia, da escola oriental, fazendo Lisboa parecer uma indefinida metrópole contemporânea.

Animal é um grande Pão Com Manteiga porque além de ser um péssimo filme é ainda uma enorme desilusão. Eis o novo slogan do estado português - 50 anos a patrocinar o pior cinema que se faz pela Europa fora.

Posted by: dermot @ 12:13 da manhã
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quinta-feira, novembro 09, 2006  

THE DEPARTED: ENTRE INIMIGOS:

Título: The Departed
Realizador: Martin Scorcese
Ano: 2006


Ao fim de dois minutos de The Departed: Entre Inimigos, eis o que temos: Jack Nicholson a fazer de mau e os Rolling Stones a darem por trás, com o magnífico Gimmie Shelter. Digam-me lá, o que é preciso mais para ser uma obra-prima? Eu dou-vos mais uma razão: Martin Sheen! E se quiserem, dou ainda outras: os Pink Floyd, Matt Damon, Mark Wahlberg, Leonardo DiCaprio e Alec Baldwin. Ok, esqueçam o Alec Baldwin.

The Departed: Entre Inimigos é o assumido (e consentindo) rip-off norte-americano da triologia oriental Inflitrados, assinado pelo mestre Martin Scorcese, que assim regressa ao gangster flick e aquilo que sabe fazer melhor. E, surpresa das surpresas, The Departed: Entre Inimigos, apesar de compartilhar pontos comuns na história e até planos semelhantes, ainda consegue ser francamente melhor. O que à partida parecia impossível.

Transportado de Hong Kong para o submundo do crime de Boston (o mesmo que de Os Santos de Boondock, mas com actores que não se parecem nada com irlandeses), The Departed: Entre Inimigos é a intrincada trama policial que envolve polícias, gangsters e a versão corrupta destes dois. Do lado dos polícias destacam-se Billy Costigan (Leonardo DiCaprio), um polícia que se vai infiltrar nas tropas do inimigo, e Colin Sullivan (Matt Damon), um suposto polícia exemplar que afinal não é mais do que um informador inimigo dentro da própria polícia. Do lado dos maus destaca-se Frank Costello (Jack Nicholson), o cabecilha do submundo do crime de Boston e uma espécie de encarnação do mal, que todos querem apanhar.

O enredo é complicado, mas bem explanado; e é extremamente irónico. Ora, Castigan, um polícia cuja família tem um cadastro sujo como tudo, acaba por ser o salvador do filme, enquanto que Sullivan, supostamente o menino-bonito com um cadastro imaculado, acaba por ser o pior daquela gente toda. No equilibrar desta balança (que acaba por ser o mote central de toda a intriga) está uma mulher (como não poderia deixar de ser), que funciona como elemento neutro, mas também como elo de ligação entre ambos: Madolyn (Vera Farmiga), uma psiquiatra criminal.

Mas The Departed: Entre Inimigos é, sobretudo, um policial e um gangster flick inteligente e genial, feito à medida de Martin Scorcese. Às tantas, no filme, a personagem de DiCaprio diz que a única coisa que aprendeu na prisão foi conseguir manter uma aparência calma, mesmo quando o coração batia a trezentos à hora. Pois esta é a melhor descrição do filme: The Departed: Entre Criminosos é um filme com um ritmo infernal, mas que consegue manter uma aparência calma. No entanto, no seu interior, as entranhas revolvem-se a cem à hora e as emoçõese os conflitos sobrepõem-se. É um pouco o espelho do próprio Martin Scorcese, um velhote que aparenta a tranquilidade dos seus setenta anos, mas que fala a uma velocidade estonteante, como se tivesse a idade mental de um adolescente.

Durante duas horas e meia há de tudo em The Departed: Entre Inimigos: cambalhotas à frente e à rectaguarda no argumento, relações amorosas e imprevistas, tiroteios, ajustes de contas, transações de droga, conspirações internas, lutas por poder e muita suspeição. The Departed: Entre Inimigos traz ainda à memória a essência dos filmes noir, onde não há um herói imaculado, porque todas as personagens têm um passado culpado.

Em The Departed: Entre Inimigos tudo é perfeito: a construção e o desenvolvimento das personagens, as interpretações (vénia a Jack Nicholson e Martin Sheen e um grande passóbem a Mark Whalberg) e a banda-sonora. Desde há muito tempo (desde Casino, mais ou menos) que não se via um Scorcese com tanta vitalidade, utilizando pela primeira vez a não-lineariedade de argumento, influência oriental do filme original. Em suma, The Departed: Entre Inimigos é o filme do ano. Uma obra-prima. Um Royale With Cheese. Espero que me tenha feito entender.

Posted by: dermot @ 1:13 da tarde
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segunda-feira, novembro 06, 2006  

SUPER-HOMEM: O REGRESSO:

Título: Superman Returns
Realizador: Bryan Singer
Ano: 2006


Sejamos sinceros: o Super-Homem é o super-herói mais desinteressante de todos. É certo que todos nós gostamos de super-heróis, mas o Super-Homem é demasiado super - é veloz que nem uma bala, voa, é resistente, deita raios pelos olhos e trinta por uma linha. Ou seja, é difícil encontrar-lhe pontos fracos e dar-lhe umas aventuras interessantes. É por isso que a partir de Super-Homem 2 - A Aventura Continua que as sequelas se tornaram confrangedoras; após super-vilões, era impossível encontrar inimigos capazes de fazer mossa a um super demasiado super.

Estava-se assim num limbo existencial. Mas com este novo hype em torno dos super-heróis (Homem-Aranha, Hulk, Elektra, etc etc), fazia todo o sentido recuperar o projecto Super-Homem. Para mais quando era um projecto com mais de dez anos e vários realizadores na gaveta (Tim Burton e Kevin Smith à cabeça). Por isso, fez-se a aposta decisiva com o nome que dava mais garantias: Bryan Singer, responsável pela adaptação de enorme sucesso do maior grupo de super-heróis da banda desenhada, os X-Men.

E Bryan Singer aproveitou com metria o ponto de situação. Primeiro, aproveitou este hiato de dez anos para ausentar o Super-Homem da Terra (em viagem de reconhecimento aos restos de Krypton); neste período, muita coisa mudou, mas o essencial resume-se a dois pontos: a população esqueceu-se do Super-Homem (assim como nós, espectadores) e uma ressentida Lois Lane (Kate Bosworth) casou-se e teve um filho. Posto isto, a população vai ter de se reabituar (tal como nós, espectadores) àquela figura vestida de borracha azul e vermelha, tal como este vai ter de se adaptar a um novo Mundo; a evolução faz-se sentir e agora qualquer miúdo tem tecnologia de ponta à mão de semear (como aquele rapaz que, graças a um telemóvel com fotografias, capta um momento do Super-Homem semelhante ao da capa do seu primeiro livro de banda-desenhada).

Bryan Singer faz então ao Super-Homem aquilo que tem acontecido nas outras adaptações de super-heróis ao cinema: dá-lhe uma condição humana. Mas ao contrário do Homem-Aranha, que é um humano que ganha super-poderes (grandes poderes trazem grandes responsabilidades), o Super-Homem é um extra-terrestre que vem "guiar" os humanos. Uma espécie de Cristo, com as dúvidas existenciais do ser humano (lembram-se de A Última Tentação De Cristo?). Ou acham que aquela cena iconoclasta, em que o Homem de Aço fica prostrado na posição da cruz, quando salva o Mundo no final, é por acaso?

Mas Super-Homem: O Regresso não é apenas isto, porque senão ficava muito chato (e por vezes já o é, Lois Lane aparece vezes demais e o Super-Homem vezes de menos); Bryan Singer insere-lhe então um vilão, o seu arqui-inimigo Lex Luthor (genial Kevin Spacey), que através de uma original especulação imobiliária vai colocar a Terra em risco, transformando a parte de acção de Super-Homem: O Regresso num filme-catástrofe.

Super-Homem: O Regresso é um filme bem competente. E aquelas que dizem "ah e tal, tem efeitos especiais a mais, não gosto" são parvas. Se estão a ver um filme sobre um tipo que voa e com força sobre-humana estão à espera do quê? Do Música No Coração? Pois é mesmo esse o ponto fraco de Super-Homem: O Regresso; apesar de uma cena brutal em que um avião se despenha, o Super-Homem tem muito poucas chances de se mostrar.

Para terminar, um parágrafo para falar de Brandon Routh, o novo Homem de Aço. Bryan Singer fez bem em apostar num desconhecido para pegar numa personagem demasiado colada a Cristopher Reeves. Routh tem talento e até é parecido com o próprio Reeves, criando contudo um novo Super-Homem, um Super-Homem mais silencioso, numa posição mais perto de um deus do que de um humano, um deus que pondera as suas palavras antes de falar. Por isso, se estão à espera de one-lines jocosas, podem esperar sentados.

Super-Homem: O Regresso é um bem competente McBacon, que executa na perfeição o seu principal objectivo: reavivar o franchise Super-Homem. Quanto ao resto, esperam-se melhorias nos próximos capítulos. Para já, fica uma possibilidade em aberto que possibilita uma mudança radical nos próximos filmes. Vocês, os que já viram o filme, sabem do que estou a falar.

Posted by: dermot @ 9:20 da tarde
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sábado, novembro 04, 2006  

5 BLOGUES, 5 ESTRELAS:

Responde ao repto do Knoxville, o ilustre responsável da não menos ilustre casa Cinema Notebook, o Royale With Cheese juntou-se ao Gonn1000, ao Pasmos Filtrados e ao CinePT numa iniciativa intitulada 5 Blogues, 5 Estrelas. E em que consiste tal coisa?

Nada mais fácil; como o próprio título já deixa antever, esta é um rubrica mensal onde estes cinco cineblogues farão uma ronda pontual pelas principais estreias cinematográficas do mês, sendo todas reunidas numa bonita tabela no Cinema Notebook.

Deixo-vos a primeira dessas tabelas, a de Outubro, para vocês verem. Mas não se habituem porque a partir de agora terão que a ir ver ao blogue do Knoxville.

Posted by: dermot @ 1:12 da manhã
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quinta-feira, novembro 02, 2006  

A DÁLIA NEGRA:

Título: The Black Dahlia
Realizador: Brian De Palma
Ano: 2006


Desde 1996, ano em que assinou Missão Impossível, que a carreira de Brian De Palma, realizador mui estimado neste humilde antro, não tem sido muito feliz - Mulher Fatal foi apenas o menos mau desses capítulos. Talvez preocupado com isto, o próprio Brian De Palma decidiu alterar a situação e voltar ao que sabe fazer melhor: um film noir com uma trama bem complexa, num cenário de gangsters, polícias e segredos escondidos.

A intenção era boa. E o argumento ainda era melhor: A Dália Negra, uma adaptação do best-seller homónimo de James Ellroy, um policial que parte do assassínio real de Elizabeth Short - que ficou conhecida para a posterioridade como a Dália Negra -, ficcionando um cenário de conspirações e intrigas envolvendo os polícias encarregues do caso. Para completar o ramalhete, De Palma escolheu ainda um elenco de luxo: Scarlett Johanson, Hillary Swank, Josh Hartnett e Aaron Eckhart.

Não havia então nenhum motivo para falhar. Ou havia?

A Dália Negra (aqui encarnada por Mia Kirshner) foi uma obscura aspirante a actriz que, nos anos trinta, foi encontrada esventrada e cortada literalmente ao meio. O brutal assassinato foi empolado, sensacionalizado e mitificado, principalmente porque nunca se encontrou o seu assassino. A Dália Negra parte deste caso, mas este é apenas o mote para uma intriga complexa que envolve os dois detectives Bucky Bleichert (Josh Hartnett) e Lee Blanchard (Aaron Eckhart) e duas raparigas de má-fama, Kay Lake (Scarlett Johansson) e Madeleine Linscott (Hilary Swank).

É curioso reparar como nesta história, em que as figuras femininas são todas de alguma forma meninas da vida (se é que me entendem), a Dália Negra aparece numa gravação de um casting imitando Scarlett O'Hara e a sua famosa fala Nunca mais irei passar fome. Nem que tenha que mentir, enganar, roubar ou matar. Que Deus seja minha testemunha, eu nunca mais irei passar fome. Tal como a protagonista de E Tudo O Vento Levou, as três figuras femininas desta história mentem, enganam, roubam e matam de forma a escaparem ao passado miserável.

Aproveitando a época da estória, Brian De Palma filma A Dália Negra como um film noir dos anos 30, onde só falta o preto e branco. De resto, todos os sinais estão lá, começando pelo mais importante: todas as personagens são culpadas de algo e têm segredos obscuros e pecados por confessar, o que faz manter o suspense até ao final e o espectador na dúvida sobre a chave do enigma. Mas as personagens são todas bastante densas e a intriga demasiado complexa, o que torna a adaptação numa tarefa hercúlea; e mesmo num filme de duas horas e tal, Brian De Palma não consegue esconder a sensação de que certas coisas são abordadas levemente e outras nem sequer são abordadas. Isto para não falar do desenvolvimento das personagens.

Mas A Dália Negra não é um mau filme, tem é alguns problemas, começando desde logo pelas representações. A super-mediática Scarlett Johanson só vem confirmar a minha convição de que não passa de uma actriz banal e, por vezes competente (e agora com as mamas maiores). Aqui, em A Dália Negra, Scarlett Johanson nem consegue aproveitar a vertente clássica do filme, estilo para o qual tem mais aptidão. Quanto a Hillary Swank, nunca será na vida uma femme fatale... Aaron Eckhart é o melhor do quadrado sentimental que faz trabalhar todo o motor do filme, mas quem se destaca mesmo é Mia Kirshner, talvez por não ter tido a pressão das outras duas actrizes.

A Dália Negra é um regresso formalmente perfeito ao film noir, com o guarda-roupa e os cenários certos, mas que falha no essencial. Não é um mau filme, porque Brian De
Palma não sabe fazer maus filmes e vale, nem que seja, para ver alguns travellings brutais. Brian De Palma é o rei dos travellings (lembram-se de Os Olhos Da Serpente?). Escusada era uma sequência filmada como na primeira pessoa, lembrando o estilo shoot-em-up de Doom - Sobrevivência.

A Dália Negra é um (pequenino) McBacon, mas não faz esquecer os saudosos tempos de Perseguido Pelo Passado ou Scarface - A Força Do Poder.

Posted by: dermot @ 12:42 da manhã
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COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
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5 - Double Cheeseburger
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3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga

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- As Noites Loucas Do Dr. Jerryll
- As Penas Do Desejo
- As Tartarugas Também Voam
- As Vidas Dos Outros
- Aberto Até De Madrugada
- Assalto À Esquadra 13 (1976)
- Assalto À Esquadra 13 (2005)
- Assalto Ao Santa Maria
- Assassinos Natos
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- Era Uma Vez No México
- Eraserhead - No Céu Tudo É Perfeito
- Escola De Criminosos
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- Estado De Guerra
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- Este É O Meu Lugar
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- Eu, Peter Sellers
- Eu Sou A Lenda
- Eu Sou Evadido
- Eu, Tu E Todos Os Que Conhecemos
- Everything Must Go
- Evil Dead - A Noite Dos Mortos-Vivos
- Evil Dead 2 - A Morte Chega De Madrugada
- Evil Dead 3 - O Exército Das Trevas
- Ex-Drummer
- Exterminador Implacável 1
- Exterminador Implacável 2 - O Dia Do Julgamento Final
- Exterminador Implacável 3 - Ascensão Das Máquinas
- Exterminador Implacável 4 - A Salvação

- Factory Girl - Quando Edie Conheceu Warhol
- Factotum
- Fados
- Fahrenheit 9/11
- Falso Alarme
- Fando E Lis
- Fantasmas De Marte
- Fargo
- Faster, Pussycat! Kill! Kill!
- Fausto 5.0
- Favores Em Cadeia
- Felicidade
- Feliz Natal
- Férias No Harém
- Festival Rocky De Terror
- Ficheiros Secretos: Quero Acreditar
- Fim De Ano Em Split
- Fim-De-Semana Alucinante
- Final Cut - A Última Memória
- Fish Tank
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- Footloose - A Música Está Do Teu Lado
- Força Delta
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- Frost/Nixon
- Fruto Proibido
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- Fur - Um Retrato Imaginário De Diane Arbus
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- Gainsbourg - Vida Heróica
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- Gru - O Maldisposto
- Guerra Dos Mundos (2005)
- Guerra Dos Mundos (1953)

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- Hairspray
- Half Nelson - Encurralados
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- Harley Davidson E O Cowboy Do Asfalto
- Harold E Maude
- Harry Brown
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- O Mundo A Seus Pés
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- 20,13 - Purgatório
- 2012
- 300
- 4 Copas
- 48
- 50/50
- 6=0 Homeostética
- 8 1/2
- 9 Canções
- 98 Octanas


ENTREVISTAS:
- Fernando Fragata
- Festróia - Mário Ventura
- Filipe Melo
- Good N Evil
- IMAGO - Sérgio Felizardo
- José Barahona
- Nuno Markl
- Paulo Furtado
- Rodrigo Areias
- Sara David Lopes
- Solveig Nordlund
- Fernando Alle


TOPES:
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2011
- Top 5 dos Piores Filmes de 2011
- Top 10 dos Melhores Filmes de 2010
- Top 5 dos Piores Filmes de 2010
- Top 5 dos filmes de Leslie Nielsen
- Top 10 Dos Filmes Low Cost
- Top 5 das Melhores Cenas de Dança
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2009
- Top 5 dos Piores Filmes de 2009
- Top 5 dos Filmes Que Tenho Vergonha De Dizer Que Gosto
- Top 5 das Melhores Músicas de Ennio Morricone
- Top 5 dos filmes com Patrick Swayze
- Top 5 dos Telediscos do Michael Jackson
- Top 5 dos Filmes com David Carradine
- Top 5 dos Filmes com Lutadores de Luta-Livre
- Top 10 Os Melhores Filmes de 2008
- Top 5 Os Piores Filmes de 2008
- Top 5 dos Piores Filmes de Natal
- Top 5 das Coisas que não Esperávamos Ver no Cinema
- Top 5 dos Melhores Filmes de Paul Newman
- Top 5 Personagens Com Palas Nos Olhos
- Top 10 Melhores Cartazes De Cinema
- Top 5 dos Filmes de Chuck Norris
- Top 5 dos Filmes de Patrick Swayze
- Top 10 Os Melhores/Piores Vestidos dos Oscares
- Top 5 As Mortes de Crianças Mais Gratuitas
- Top 10 Os Melhores de 2007
- Top 5 Os Piores de 2007
- Top 7 Adaptações ao Cinema de Livros de Stephen King
- Top 5 Filmes Pela Paz
- Top 5 Os Melhores Beijos
- Top 5 Grandes Arquitectos
- Top 10 Filmes Que Mudaram A Minha Vida
- Top 5 Mulheres de Cabeça Rapada
- Top 5 As Cenas Mais Excitantes
- Top 10 Os Melhores de 2006
- Top 5 Os Piores de 2006
- Top 3 Filmes de Robert Altman
- Top 5 Os Vilões do Cinema
- Top 5 Filmes Com Mick Jagger
- Top 5 Filmes Com Steve Buscemi
- Top 5 Dos Cães no Cinema
- Top 5 Dos Filmes do Indie06
- Top 5 Dos Filmes do Fantas06
- Top 5 dos Presidentes
- Top 10 Os Melhores de 2005
- Top 5 Os Piores de 2005
- Top 5 Filmes com Pat Morita
- Top 10 Os Melhores Filmes Independentes
- Top 5 Os Piores Filmes da Saga Bond
- Top 5 Filmes com Dolph Lundgren
- Top 5 Adaptações de BD Para Cinema
- Top 10 Cenas Mais Assustadoras de Sempre
- Top 5 Vencedores do Óscar
- Top 5 Bond Girls
- Top 5 Filmes Sobre Doenças
- Top 5 Filmes de Natal
- Top 5 Melhores Batalhas Corpo-A-Corpo
- Top 10 Melhores Canções do Cinema
- Top 10 Melhores Filmes de Sempre
- Top 5 Melhores Momentos Musicais
- Top 5 Grandes Duelos do Cinema
- Top 10 Maiores Personagens do Cinema
- Top 5 Piores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 10 Melhores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 5 Filmes Religiosos


BAÚ DO TRASH:
- Needle
- Que Se Mueran Los Feos
- Easy A
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Saw 3D - O Capítulo Final
- And Soon The Darkness
- Os Imortais
- Purana Mandir
- Pagafantas
- The Bloodstained Butterfly
- Cisne Negro


ROYALE WITH CHEESE APRESENTA:
- A Tasca Da Cultura
- A Causa Das Coisas - parte I
- A Causa Das Coisas - parte II
- A Momentary Lapse Of Reason


FILMES A VER ANTES DE MORRER:
- #1 As Lágrimas Do Tigre Negro
- #2 Alucarda
- #3 Time Enough At Last
- #4 Armageddon
- #5 The Favour, The Watch And The Very Big Fish
- #6 Italian Spiderman
- #7 The Soldier And Death


UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:
- 1# Rabbit, de Run Wrake
- 2# Aligato, de Maka Sidibé
- 3# The Cat Concerto, de Joseph Barbera & William Hanna
- 4# A Curva, de David Rebordão
- 5# Batman: Dead End, de Sandy Callora
- 6# O Código Tarantino, de Selton Mello
- 7# Malus, de António Aleixo & Crosswalk, de Telmo Martins
- 8# Three Blind Mice, de George Dunning
- 9# Bedhead, de Robert Rodriguez
- 10# Key To Reserva, de Martin Scorcese
- 11# Bambi Meets Godzilla, de Marv Newland
- 12# The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon, de Richard Gale
- 13# Stolz Der Nation, de Eli Roth
- 14# Papá Wrestling, de Fernando Alle
- 15# Glas, de Bert Haanstra
- 16# Fotoromanza, de Michelangelo Antonioni
- 17# Quem É Ricardo?, de José Barahona
- 17# Terra Incognita, de Peter Volkart


AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE:
- A Pior Luta
- A Cena Mais Metida A Martelo
- O Ataque Animal Mais Brutal
- A Perseguição Mais Alucinante
- O Duelo Mais Improvável


CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL:
- Janeiro
- Fevereiro
- Março
- Abril
- Maio
- Setembro
- Novembro


FESTIVAIS:
- 20º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9
- 21º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 22º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 23º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 24º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 26º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 12º Caminhos Do Cinema Português
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- Imago 2006
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8

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