Royale With Cheese

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domingo, outubro 29, 2006  

A LENDA DA FLORESTA:

Título: Legend
Realizador: Ridley Scott
Ano: 1985


Ridley Scott é bem capaz de ser o realizador mais inconstante da história recente do cinema, que tanto faz obras-primas de eleição (olá Blade Runner - Perigo Iminente) como pastelões sem graça nenhuma (olá Reino Dos Céus). O que me parece é que ele se compremete vezes demais com a indústria e é por isso que, de vez em quando, aparecem coisas como GI Jane - Até Ao Limite.

Contudo, quando Ridley Scott se descontrai e se diverte, surgem filmes descomprometidos razoavelmente interessantes - é o caso de A Lenda Da Floresta.

A Lenda Da Floresta é uma fantasia que se contradiz um pouco: por um lado porque é uma história claramente juvenil; e por outro, porque é um filme com um ambiente negro a apelar a um público mais crescido. Mas certamente que não será isto a inviabilizar a coerência do filme.

Ora bem, todos sabemos que o universo é um sistema equilibrado. Por isso, às forças do Bem opõem-se as forças do Mal, dominadas pelo Senhor das Trevas (um brutalmente caracterizado Tim Curry). Quanto este decide acabar com a Luz e dominar tudo e todos, o sistema entra em perigo e a ordem agita-se, elegendo um campeão que restabeleça o equilíbrio.

Já falámos das forças do Mal (faltava só referir um goblin com as feições do rei Keith Richards), falemos agora das forças do Bem, que vão procurar resolver a questão: a princesa humana Lily (Mia Sara) e o seu amigo-quase-a-tornar-se-seu-namorado Jack (um novinho Tom Cruise acabado de ser desembrulhado do brat pack), ajudados por um grupo de guerreiros, cuja face mais visível é Gump (David Bennent), uma espécie de Tom Bombadil lutador.

A Lenda Da Floresta é, assim, uma aventura no domínio da fantasia, que por vezes não é mais do que um rip-off de O Senhor Dos Anéis ou As Crónicas De Nárnia. No entanto, como foi realizado muitos anos antes das respectivas adaptações destes clássicos do género, Ridley Scott está desculpado.

Fora isto, nada de novo há no argumento: os bons, os maus, o amor, o moral, o final feliz e muito blá blá blá. Mas depois há três pormenores de excepção: a banda-sonora dos Tangerine Dream (existe também uma versão do filme com a banda-sonora assinada por Jerry Goldsmith); a fantástica fotografia de como Ridley Scott filma a floresta, que é claramente a mais bela floresta dos contos de fadas da sétima arte; e o diabo de Tim Curry, que serviu depois de inspiração máxima ao videojogo Diablo.

Depois do Dr. Frank N' Futher e de Pennywise, Tim Curry completa aqui, com o seu Lorde das Trevas, uma tríade de personagens brutais que, inexplicavelmente, ainda não lhe deram o reconhecimento merecido. Só a sua personagem já merece o McChicken; mas se tiver 12 anos, este fará muito mais sentido.

Posted by: dermot @ 7:32 da tarde
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A CASA DOS 1000 CADÁVERES:

Título: House Of 1000 Corpses
Realizador: Rob Zombie
Ano: 2003


Normalmente, falar de halloween e cinema é o mesmo do que falar de The Rocky Horror Picture Show. No entanto, desde de 2003 que um novo título se intrometeu na conversa. Falo, obviamente, de A Casa Dos 1000 Cadáveres.

Depois de três anos na gaveta, a estreia do músico Rob Zombie na cadeira de realizador viu, finalmente, a luz do dia. Rob Zombie é um tipo estranho, com um fascínio macabro pelo cinema de série z, de terror e pelos clássicos da exploitation. Uma espécie de Quentin Tarantino, mas em versão distorcida. E por isto, A Casa Dos 1000 Cadáveres não é mais do que um trabalho de amor.

O filme não tenta enganar ninguém. Até o próprio guião é o do costume: quatro adolescentes embarcam numa qualquer viagem e, devido a um furo, vão ver-se encurralados no sítio mais assustador à face da terra. Mas isto de ser o guião do costume não significa que seja mau. Já por várias vezes que deu resultado. Lembram-se de Evil Dead - A Noite Dos Mortos-Vivos?

Pois bem, aqui os quatro jovens vão parar ao bizarro circo do Capitão Spaulding (Sid Haig), uma atracção de macabras aberrações e serial killers plantada à beira da auto-estrada. Contudo, se pensavam que o Capitão Spaulding era a coisa mais assustadora que podiam encontrar, então estavam bem enganados. Logo depois, os quatro jovens vão acabar por ir dar a uma casa no meio do campo povoado de rednecks psicopatas, rednecks que fazem os de Fim-de-Semana Alucinante parecerem meninos de coro.

A Casa Dos 1000 Cadáveres recupera o espírito dos slashers dos anos 70 (alguém mencionou Last House On The Left?), que parece que vai ser recuperado em força no próximo filme (obra-prima?) de Tarantino e Robert Rodriguez. Mal posso esperar... Adiante. Rob Zombie junta então os condimentos necesários para uma boa refeição gore: quatro jovens inocentes, alguns psicopatas doentios e muitas, muitas critautas esquisitas. E depois faz uma coisa que é decisiva para o sucesso do filme: não se preocupa em demasia com a profundidade do argumento, preocupando-se apenas em ser demente e doentio ao máximo. E é por isso que existem mutantes, aberrações, experiências cirúrgicas, mutilações, imolações, estripamentos e muitas outras coisas do estilo.

Tudo isto é misturado num caldeirão onde surgem recortes de clássicos a preto-e-branco, flashes fugazes de cenas que podem não ter nada a ver com o resto, filtros de cores saturadas, ou, simplesmente, reconstituições a 8mm. Tudo isto é uma espécie de Assassinos Natos, versão terror. E apesar de não fazerem muito sentido, apenas servem para aumentar o grau de demência de A Casa Dos 1000 Cadáveres. Um género de pastiche de festim gore com uma banda-sonora apropriada.

Apesar dos lugares-comuns, A Casa Dos 1000 Cadáveres tem a vantagem de não cair nos clichés do género: os jovens ingénuos a permanecerem impávidos aos ataques dos inimigos ou o típico pensamento de olha uma sala escura e com ar assustador, deixa-me lá entrar para ver o que acontece. E mesmo assim, A Casa Dos 1000 Cadáveres redefine o conceito de choque. Esqueça lá o que viu em Hostel...

A Casa Dos 1000 Cadáveres é um filme doentio e demente. É irrealista e difícil de suportar. Ou seja, um regalo à vista, aos ouvidos e ao coração. Que podemos pedir mais? A Casa Dos 1000 Cadáveres é mesmo O Massacre Do Texas do novo século, em termos de impacto. E para mim, o seu McRoyal Deluxe arruma qualquer filme de terror dos últimos tempos.

Posted by: dermot @ 3:28 da manhã
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quinta-feira, outubro 26, 2006  

(AINDA O) IMAGO 2006:

Os mais atentos devem ter reparado, durante a cobertura que o Royale With Cheese fez por dentro da edição deste ano do Imago, no meu fascínio por um dos filmes que lá passou (e que por acaso até veio a ganhar o prémio principal do júri): Rabbit, de Run Wrake.

Para os que não se lembram, este era uma pequena animação infantil, feita com cromos educacionais dos anos 50, em que era tudo aquilo que é a antítese dos filems infantis: cruél (há mortes de animais com fartazana) e imoral (há muita luxúria e cobiça). Posto tudo isto, Rabbit ainda consgeuia ser uma fábula com uma forte mensagem.

Como isto do serviço público não é só escrever o que é bom e o que é mau, eis que o Royale With Cheese recorre ao mundo imenso que é o youtube para vos apresentar Rabbit, de Run Wrake!

Posted by: dermot @ 11:44 da manhã
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terça-feira, outubro 24, 2006  

HALLOWEEN SCREENINGS:

Não é costume o Royale With Cheese fazer muita publicidade. Apenas quando os festivais são bons. Por isso, se o Royale With Cheese aconselha é porque tem qualidade. Já sabem disso.

O ciclo Halloween Screenings acontece já este fim-de-semana, no Teatro do Elefante, em Setúbal, e só tem pontos positivos: uma programação muito boa, que inclui zombie flicks, giallos italianos, expressionismo alemão ou slashers movies; e, o mais importante de tudo, entradas grátis.

Por isso, se apenas considera o Halloween como uma tradição norte-americana, se pensa que as abóboras apenas servem para fazer sopa e se acha que as máscaras apenas fazem sentido no Carnaval, então este é o fim-de-semana perfeito para si. O Royale With Cheese vai lá estar.



Eis a programação:

Dia 28 (sábado)
17 horas - Last House On The Left, de Wes Craven
20 horas - A Catedral, de Tomek Baginski + Suspiria, de Dario Argento
22 horas - A Semente Do Diabo, de Roman Polanski
24 horas - I'll See You In My Dreams, de Filipe Melo + A Casa Dos 1000 Cadáveres, de Rob Zombie

Dia 29 (domingo)
11 horas - Dance Of Skeletons, de Walt Disney + Legend, de Ridley Scott
15 horas - O Gabinete Do Dr. Caligari, de Robert Wiene
17 horas - Vincent, de Tim Burton + Plano 9 Dos Vampiros Zombies, de Ed Wood
22 horas - Parada De Monstros, de Tod Browning
24 horas - Batman: Dead End, de Sandy Collora + Hostel, de Eli Roth

Posted by: dermot @ 5:04 da tarde
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segunda-feira, outubro 23, 2006  

BRASIL - O OUTRO LADO DO SONHO:

Título: Brazil
Realizador: Terry Gilliam
Ano: 1985


Para os fãs dos Monty Python (uma vénia encarpada com saída à rectaguarda), pode parecer estranho que Terry Gilliam faça filmes normais (leia-se que não sejam comédias). Contudo, não é muito difícil compreender, basta apenas ver os pouco convencionais Brasil - O Outro Lado Do Sonho e A Fantástica Aventura Do Barão.

Brasil - O Outro Lado Do Sonho (numa imaginativa tradução do título para português) iniciou a carreira de Gilliam como realizador em nome próprio e, consequentemente, a sua luta com as grandes produtoras. Felizmente, conseguiu levar a sua avante e deixar a mal-amada versão do filme, Love Conquers All, na gaveta. Esta versão era uma edição feita pelo próprio produtor, com um final lamechas à boa maneira de Hollywood e muitas cenas omitidas. Hollywoodices...

Brasil - O Outro Lado Do Sonho é o retrato de um distopia com um terço de pós-apocalipse e dois de futurismo-retro, afogada em burocracias e em exacerbada bizarraria. No centro da estória está Sam Lowry (um genial Jonathan Pryce), que morre de aborrecimento com a sua vida cinzenta e tem um sonho recorrente, onde num misto de Ícaro e de Kurosawa, salva uma bela donzela.

No meio de toda a papelada e burocracia daquela sociedade cinzentona, Lawry vai ver-se envolvido num erro de sistema, cujas consequências o colocam no centro de um terrível jogo de poder contra o terrorismo (onde a cara visível é a do engenheiro térmico Tuttle, um fantástico Robert De Niro) e a má reputação. E claro, no centro de uma romântica estória de amor, pela proscrita Jill Layton (uma sofrível Kim Greist; não foi por acaso que Terry Gilliam cortou a maioria das suas cenas).

Parece complicado; e é! Brasil - O Outro Lado Do Sonho é um bizarro documento, mas com alguns traços comuns ao cinema de Terry Gilliam: o humor absurdo que fez furor nos Monty Python (e que conta, inclusive, com prestações de Michael Palin e de Gordon "René Artois" Kaye); a crítica à sociedade e à nossa natureza auto-destrutiva, que encontrou a sua principal projecção em 12 Macacos; e as personagens esteriotipadas e situações non-sense. Junto a isto há ainda vários sinais de uma espécie de cinema de autor, tão comum nas primeiras obras, quando os realizadores de divertem a experimentar coisas novas.

Brasil - O Outro Lado Do Sonho é um filme inteligente e negro (ou não fosse ele filmado como se de um film noir se tratasse), que explica muita da obra de Gilliam. Para o final nota-se que o realizador começou a perder o controlo e a exagerar demasiado (como acontece na célebre curta-metragem que antecede O Sentido Da Vida, que começara como um simples gag do filme e descambou num outro filme dentro do filme, que custou mais que o próprio Sentido Da Vida), mas felizmente o filme estava no fim e os estragos não foram muitos. E o McRoyal Deluxe ainda premeia o final triste, algo tão difícil de encontrar na sétima arte e que a minha mórbida natureza tão preza.


Posted by: dermot @ 6:31 da tarde
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sexta-feira, outubro 20, 2006  

CORAÇÃO DE CAVALEIRO:

Título: A Knight's Tale
Realizador: Brian Helgeland
Ano: 2001


Se há coisa que eu gosto (mesmo) muito no cinema são os anacronismos. Talvez por ser a propriedade mais visível do cinema enquanto máquina de sonhos; ou então, talvez por ser uma possibilidade de recriar a história sobre moldes pop (não é por acaso que Pulp Fiction continua a ser tomado como obra-prima das obras-primas aqui neste antro). É por isto que gosto bastante da versão contemporânea de Romeu + Julieta e é por isso que estou em pulgas para ver Maria Antonieta.

Por isso, quando em 2001 vi um trailer em que dois cavaleiros em plena Idade Média se degladiavam numa justa ao som do hino dos Queen, "We Will Rock You", pensei de mim para mim "cá está o meu novo guilty pleasure". Afinal, não podia estar mais enganado. É que nem os anacronismos fazem milgares, não é?

Coração De Cavaleiro é a clássica tragédia shakespereana de um amor proibido, aqui entre duas pessoas de diferentes estratos sociais. William Thatcher (Heath Ledger) é um camponês apostado em subir na vida; para isso, assume a identidade do nobre Sir Ulrich von Lichenstein e, com a ajuda dos seus escudeiros, passa a participar nos famosos torneios da justa, onde se vem a tornar num dos favoritos do público e no rival odiado do actual campeão, o maléfico Conde Adhemar (Rufus Sewell). O amor surge, entretanto, na pessoa de Lady Jocelyn (Shannyn Sossamon), que vai ser disputada pelos dois combatentes.

O argumento é clássico e nem tenta fugir aos lugares-comuns do tema, uma vez que a sua aposta recai sobre esses tais anacronismos. Coração De Cavaleiro é um filme anacrónico, descontraído e que não se leva a sério. E o facto de não se levar minimamente a sério é a morte do artista. É que Coração De Cavaleiro poderia ser um grande filme: apesar das músicas nem sempre serem bem escolhidas, temas como "We Will Rock You" ou "The Boys Are Back In Town" funcionam na perfeição; é também divertida a associação que o realizador faz entre os torneios de justa e os jogos de futebol; e funciona muito bem a pose-modelo da bela Shannyn Sossamon, cujos penteados contemporâneos que mudam de cena para cena assentam que nem uma luva. No entanto, desprezar todo o resto do universo feudal acaba por ser mau demais.

Tão demais,que ao fim de meia-hora já Coração De Cavaleiro se tornou numa comédia romântica adolescente, em que o facto de andarem todos de cavalo é que parece ser o factor anacrónico. E depois há a personagem de Lady Jocelyn completamente mal escrita, sendo apenas uma fedelha irritante, que passa o filme todo a merecer um par de estalos. Cortasse ela os braços por vontade própria e tínhamos ali um retrato perfeito desta nova tribo urbana dos emos, seja isso o que for.

É que das duas uma: ou Coração De Cavaleiro era um filme anacrónico e apenas inseria elementos contemporâneos no universo da Idade Média; ou então assumia-se de vez como uma sátira divertida e apostava sobretudo no humor, em vez de inserir todos os clichets no argumento.

Por isso, Coração De Cavaleiro serve apenas para ver uma vez e esquecermos rapidamente. Serve para vermos um combate de justa ao som dos Queen, com o público a dançar a preceito; serve para ver as apresentações deliciosas de Paul Bettany, como que a dizer "olhem para mim, sou um actor bom demais para fazer estes filmes"; serve para ver os penteados de Shannyn Sossamon; e serve para vermos uma armadura da Nike. Fora isso, nada mais é do que um Happy Meal. E o brinquedo é o bónus pelos anacronismos.

Posted by: dermot @ 10:01 da manhã
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quinta-feira, outubro 19, 2006  

MISSÃO IMPOSSÍVEL 3:

Título: Mission: Impossible III
Realizador: J.J. Abrams
Ano: 2006


Apesar de já se contarem quatro décadas desde que foi criada, Missão Impossível mantém-se como uma das melhores séries de todo o sempre. Aliás, o culto pela Força Missão Impossível foi tanto que nos anos 80 deu lugar a uma reprise, que apesar de baixar ligeiramente a qualidade, mantinha intacto todo o espírito da série original. Por isso, só faltava dar o passo seguinte, o da transposição para o grande ecrã. E esse foi dado em 1996.

A escolha não poderia ter sido melhor; se haveria alguém capaz de transpôr fielmente o universo de Missão Impossível para o cinema esse alguém era Brian De Palma, o rei dos gangster movies. E em 1996, Missão Impossível 1 recolocava os filmes de espiões na berra outra vez. Curiosamente, o filme marcou também o declínio do realizador norte-americano. Para a sequela, o escolhido foi o rei da wire-action John Woo e o resultado teve tanto fogo-de-artifício, circo e pipoquice que se tornou penoso ver o nome Missão Impossível 2 associado aquilo.

Por isso, o mais complicado neste fecho de triologia era recuperar a credibilidade da instituição. E aqui a escolha do Tom-Cruise-produtor não poderia ter sido melhor: J.J. Abrams, o homem por detrás dos recentes êxitos televisios A Vingadora e Perdidos (vénia encarpada com saída à rectaguarda).

E a forma que Abrams encontrou para reabilitar Missão Impossível 3 foi muito simples: um ritmo de acção vertiginoso e non-stop, como está habituado a fazer em A Vingadora, capaz de fazer Die Hard - A Vingança parecer um filme em câmara lenta; e a humanização do herói Ethan Hunt (Tom Cruise), ao dar-lhe uma família com que se preocupar, tão em voga nos recentes filmes de super-heróis, desde que Bryan Singer deu uns problemas existenciais aos X-Men. Tudo isto sem descurar o universo da série original, as missões impossíveis, os jogos de espiões e os gadgets engenhosos.

Dispensável era apenas a teoria do complô, que parece ser sempre a forma mais simples de resolver um argumento que chega a um beco sem saída. Isso e Michelle Monaghan, claramente o elo mais fraco do elenco, sem uma pinga de talento digna de registo, principalmente nas sequências de acção. Em contrapartida, Philip Seymour Hoffman (em claro estado de graça desde Capite) é o vilão mais sacananinha dos últimos tempos (desde Castor Troy, talvez).

Em todo o resto Missão Impossível 3 é um filme de acção irrepreensível. Claro que quem não gosta de mil explosões por segundo ou quem acha a série James Bond inverossímel não vai achar muita piada a este terceiro tomo, mas os amantes da série não ficarão certamente desiludidos (a missão no Vaticano é, claramente, uma das melhores da triologia), tal como os fãs dos filmes de acção (desde Matrix que não havia uma sequência como a da ponte).

Lamento avisar, mas gostei mesmo muito deste Missão Impossível 3. E até ver - ainda falta estrear Casino Royale -, este é o melhor action flick de 2006. E se não concordam com o Le Big Mac é porque procuram nos filmes de acção algo de muito diferente do que eu.

Posted by: dermot @ 1:42 da tarde
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terça-feira, outubro 17, 2006  

EFEITO BORBOLETA:

Título: Butterfly Effect
Realizador: Eric Bress & J. Mackye Gruber
Ano: 2004


Se há filme que mais tem dividido as opiniões neste novo século, esse filme é Efeito Borboleta. Por todo o lado se houvem vozes a clamar "obra-prima", para do outro lado surgirem logo outros tantos delatores a acusá-lo de "bela porcaria". O que é certo é que se ama ou se odeia. Pois bem, se você é um daqueles raros indivíduos que ainda não o viu e que ainda lhe faz espécie como é que tanta gente pode considerar um filme como um dos melhores da sua vida, enquanto que outras tantas pessoas o arrasam completamente, então veio ao sítio certo - porque o Royale With Cheese é já um selo de qualidade! Chamemos-lhe antes serviço público.

Ora bem, vamos direito ao assunto - Efeito Borboleta é um filme espertalhão. Espertalhão na medida em que tenta ser mais do que aquilo é; tenta puxar dos galões e parecer mais importante e mais inteligente. Até tem uma frase bonita ao início, sobre a Teoria do Caos, que tenta passar por pertinente. Se fosse um pouco mais honesto e poderia ser, certamente, aquela obra-prima que tantos dizem ser. Contudo, não se pense que isto é cem por cento mau.

À partida, um filme com Ashton Kutcher no papel principal deixa-me sempre de pé atrás. E desta vez nem é o meu mau feitio a falar mais alto. Kutcher é mesmo um actor sofrível e andar a meter-se debaixo da Demi Moore parece abrir algumas portas importantes. Pronto, agora sim, é o meu mau feitio a falar... Adiante.

Kutcher é Evan Treborn, um jovem cuja infância e adolescência começamos por acompanhar através de flashback. Aí ficamos a conhecer uns estranhos blackouts que o jovem Kutcher tem, principalmente nas situações mais delicadas do seu crescimento, que a sua memória parece esconder inconscientemente. Mais tarde, Treborn vai conseguir lembrar-se do passado e começar a preencher os espaços em branco.

Mas a verdadeira essência do filme começa aí, nesses recalcamentos. Treborn começa a conseguir entrar nessas recordações e moldá-las a seu bel-prazer. E quando se muda o passado, todo o futuro se altera. É o efeito Regresso Ao Futuro. E Treborn vai começar a faze-lo vezes sem conta, emendando de um lado, escangalhando do outro. Até ao caos total! E até a um final extremamente meloso e politicamente correcto.

Qual é o problema de Efeito Borboleta? É o facto de todo o filme assentar numa premissa que é explciada pela mais antiga justificação de todas - o porque sim. Treborn consegue moldar o passado. Ok, parece-me bem. Mas porquê? Porque sim.

Fora isso, tudo o resto é (quase) perfeito - o argumento em modo repeat, tipo Memento, que no fim se encerra, não deixando buracos em aberto; a forma como alterna de estilo, saltando de situações perturbadoras para o simpático feel-good movie; ou a forma como nos consegue manter-nos interessados, mesmo quando sabemos o que vai acontecer a seguir. Imperfeito só a interpretação de Ashton Kutcher, alguns momentos mais atabalhoados de argumento e o já mencionado final.

Infelizmente, Efeito Borboleta tem também um daqueles momentos em que nos fazem ver que estamos a ficar velhos: num dos primeiros flashbacks, o Kutcher em versão jovem e os seus amigos vão ver um filme ao cinema. E esse filme é Sete Pecados Mortais. Ainda parece que foi ontem que o fui ver ao cinema...

Efeito Borboleta é um filme espertalhão, mas não é nada um mau filme. Mas agora a todos os que dizem que é o melhor filme de sempre (ou um dos melhores) a este aconselho-os a irem ver uns quantos filmes. Ou então a irem comer um McBacon, que sempre gastam menos dinheiro e perdem menos tempo.

Posted by: dermot @ 12:02 da manhã
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sábado, outubro 14, 2006  

O JUSTICEIRO DA NOITE:

Título: Death Wish
Realizador: Michael Winner
Ano: 1974


Agora que o vosso humilde anfitrião terminou a licenciatura em arquitectura, faz todo o sentido recuperar este clássico do cinema de acção - O Justiceiro Da Noite. Não, não é que eu agora vá pegar numa arma e sair por aí a abater criminosos. É que o protagonista de O Justiceiro Da Noite é o arquitecto mais cool do cinema. E se não houvesse uma obra como Vontade Indómita e este seria o maior filme sobre arquitectura de sempre.

O Justiceiro Da Noite é uma daquelas pérolas do cinema de acção que deveriam ser muito mais vezes mencionadas, assim como Fúria Cega ou até Ruptura Explosiva, por exemplo. Talvez o seu maior problema tenha sido dar azo a três sequelas, que foram baixando de qualidade até ao desastre autêntico que foi o quarto e último tomo.

Mas afinal quem é O Vigilante Da Noite? O seu nome é Paul Kersey (Charles Bronson) e é um arquitecto de sucesso, com um casamento feliz e uma filha bonita. No entanto, viver numa Nova Iorque onde a taxa de crime é elevadíssima faz com que "acidentes" aconteçam; e certo dia, uma gangue de malfeitores liderados por um Jeff Goldblum muito novo, que parecia saída de Laranja Mecânica, invade o seu apartamento, espanca a sua esposa (Hope Lange) até à morte e deixam a sua filha num estado de choque vegetativo. Daí até Paul Kersey se tornar num vingador que faz justiça pelas próprias mãos é um pulo.

Já vimos esta história mais do que uma vez: um indivíduo respeitável, alguém mata/deixa inválido/viola (escolher a opção que achar mais acertada) um membro da sua família e esse indivíduo transforma-se num vingador tramado. Aliás, até há quem tenha feito duas décadas de carreira apenas com esta história. Não é, Van Damme? No entanto, O Justiceiro Da Noite não é o acion flick vulgar. Tudo porque as coisas não se passam do dia para a noite, como em O Justiceiro, por exemplo. Em O Justiceiro Da Noite a evolução é gradual e estudada.

Há então um argumento sólido e uma base plausível sobre a qual o filme se desenvolve. Paul Kersey vai ganhando motivações para a vingança há medida que certos episódios vão acontecendo: o aumento dos assaltos na rua, uma visita a uma aldeia turística do velho oeste com uma reconstituição de um tiroteio e, o acontecimento que despoleta toda a acção, a chegada das fotografias das suas férias no Hawai. O Justiceiro Da Noite é assim uma espécie de Taxi Driver, mas em versão mais gráfica e ultra-violenta.

Além disso, tem ainda uma forte mensagem e crítica politico-social e uns maravilhosos resquícios de western spaghetti (que a personagem de Bronson absorve inconscientemente), para o qual a fantástica banda-sonora do mestre Herbie Hancock só vem ajudar. Com um a cinematografia semelhante à do cinema de autor europeu que estava tão em voga nos anos 70, O Vigilante Da Noite é um filme como já não se faz, daqueles que dignifica o género de acção e não o limita à pipoquice.

Por fim,uma referência especial em forma de parágrafo ao mítico Charles Bronson. Aquele que chegou a ser considerado "o homem mais feio do cinema" e que foi o protótipo do outro ícone, Chuck Norris, encarna aqui pela primeira vez o vigilante Paul Kersey, personagem que viria a servir de influência a outros durões, como Dirty Harry por exemplo. E tudo isto apenas com duas expressões faciais: de boca aberta e de boca fechada. Um senhor, portanto.

Com a apetência que anda aí por remakes, não deve tardar muito um de O Justiceiro Da Noite. E ao contrário do que é costume, até nem me parece mal. Porque este é um filme que se adaptaria facilmente às roupagens contemporâneas do cinema de acção. Desde que fosse bem feita, claro está. No entanto, aconteça o que acontecer, nunca negue o produto original e o seu respectivo McRoyal Deluxe.

Posted by: dermot @ 11:17 da tarde
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quarta-feira, outubro 11, 2006  

VOLTAR:

Tìtulo: Volver
Realizador: Pedro Almodóvar
Ano: 2006


Se há algum realizador no Mundo mais feminista que Pedro Almodóvar, então eu desconheço. É que para além dos seus filmes com protagonistas femininas, Almodóvar representa sempre os homens dos seus filmes como violadores, mentirosos, adúlteros e outras vicitudes que tais. Mesmo Má Educação, onde ambos os protagonistas são homens, é um filme extremamente feminino.

Para Voltar, Almodóvar voltou a pegar nas mulheres de carne e osso. E logo em três gerações de actrizes distintas - Carmen Maura (a de 800 Balas ou A Comunidade), Lola Dueñas (que vimos recentemente em Mar Adentro) e Penélope Cruz (que toda a gente sabe quem é). É certo que Volver é um regresso aos dramas no feminino que deram fama e proveito a Almodóvar, em filmes como Mulheres À Beira De Um Ataque De Nervos, mas é também um regresso às tragédias de registos como Ata-me. E tudo isto mantido num ambiente autobiográfico, como haveria sido o anterior Má Educação.

O título, Voltar, não é por acaso, nem tão-pouco devido à canção que Penélope Cruz canta num playback ruinzinho. Voltar é um filme de regressos - o regresso de Raimunda (Penélope Cruz), a sua filha Paula (Yohana Cobo) e a sua irmã Sole (Lola Dueñas), à sua Mancha natal (onde as hélices mecânicas substituem agora os moinhos de D. Quixote, mas que mantêm o mesmo significado simbólico) e, consequentemente, ao seu passado esquecido. E o regresso da falecida Irene (Carmen Maura), para confrontar os que cá ficaram com o que tentaram esquecer.

Voltar é um espécie de farsa trágica, com uma trama hitchcockiana com resquícios de fantasmagoria, mas filmada sob os moldes do cinema de autor de Pedro Almodóvar, que transforma todos aqueles recalcamentos num filme ligeiro e acessível. Fosse outro realizador a pegar nesta história e o resultado seria um drama de faca e alguidar, pouco subtil e pouco inteligente.

Este é um filme de actores (de actrizes, neste caso), mas onde vale apenas referir a bela Penélope Cruz, devido a dois factores: primeiro porque Almodóvar filma-a como se esta fosse Sophia Loren, demorando-se bastante mais vezes no seu peito do que é normal; e segundo, porque Penélope Cruz agradece a confiança e responde com uma actuação e pêras, que irá fazer calar todos aqueles cépticos que nunca viram De Olhos Abertos e estão habituados a vê-la em pipoquices como Bandidas.

Voltar não é o melhor filme de Almodóvar dos últimos tempos, mas nem de longe será o pior. Aliás, porque o realizador espanhol nem consegue fazer filmes maus. É antes um dos mais ligeiros e acessíveis, assim a modos que um McBacon.
Alguém escreveu algures que ele estava a ficar mais maduro. Discordo; Almodóvar está é cada vez mais a marimbar-se para os outros e a fazer aquilo que realmente quer e lhe dá prazer.

Posted by: dermot @ 10:42 da manhã
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terça-feira, outubro 10, 2006  

98 OCTANAS:

Título: 98 Octanas
Realizador: Fernando Lopes
Ano: 2006


Confesso que tenho um estranho fascínio, quase masoquista até, em ver todos os filmes portugueses que estreiam cá pelo burgo. Mesmo que estes tenham sido arrasados pela crítica, como foi 98 Octanas(com excepção da Premiere, que apesar de desancar no filme, dá umas simpáticas três estrelinhas. Coincidência por João Lopes, o argumentista, trabalhar lá?).

98 Octanas é, segundo o próprio Fernando Lopes, um road movie à portuguesa, influenciado por filmes como Os Filhos Da Noite. Fazer um road movie português faz quase tanto sentido quanto um americano cantar fado; e compará-lo a um qualquer filme de Nicholas Ray das duas uma: ou é pretensão a mais, ou é ambição desmedida.

Dinis (Rogério Samora) e Maria (Carla Chambel) conhecem-se fortuitamente numa estação de serviço perdida no alcatrão da auto-estrada - ele anda a fugir de algo, de negócios ilegais ao que parece; ela procura a sua identidade, numa crise adolescente tão característica da idade. Ambos vão apanhar boleia um do outro e vão partir para longe. E onde fica isso? Perto.

O conceito não é novo, mas nem por isso menos interessante. O problema é que 98 Octanas tem todas as vicitudes do cinema português. Mal começa e sabemos logo que é um filme nacional - ainda nem foi dita uma palavra e já estamos a ver Carla Chambel em topless. E poucos minutos depois tem a cena mais gratuita de sempre do cinema em Portugal desde o strip-tease de Carla Matadinho, em Sorte Nula - um padre entra na casa de banho pública e vai à máquina comprar preservativos na pior interpretação de sempre.

O filme faz-se da relação entre Rogério Samora e Carla Chambel. No entanto, se os diálogos não ajudam e são quase sempre risíveis (João Lopes não sabe, decididamente, escrever argumentos), no característico tom de pergunta/resposta - Para onde vamos? Longe. Onde fica isso? Perto. -, pior são os desequilíbrios do filme. E depois há um sem-número de truques fáceis, de cartilha, que Fernando Lopes não se cansa de utilizar - os planos enquadrados entre vedações ou galhos das árvores a rematar todas as sequências, planos fixos do céu azul ou do mar e até um trocadilho com o néon de um hotel e a plavra "hot".
Nem mesmo a grande interpretação de Rogério Samora (um grande actor, normalmente perdido em filmes menores) e a banda-sonora do sempre magistral Bernardo Sasseti salvam o filme.

Ambíguas são, contudo, as questões técnicas do filme. Se por um lado as cenas de estrada são de excepção, alternando planos tecnicamente superiores com pastiches do cinema dos anos 50 (em que os actores viajam num carro falso sobre imagens a passar), a fotografia é para esquecer, principalmente nas cenas à noite (com excepção das cenas na casa da avó (Márcia Breia), onde tudo ganha ares de uma pintura de José Malhoa).

É certo que já se viu pior este ano nos cinemas nacionais, mas 98 Octanas é, sobretudo, uma grande desilusão. E até prefiro esquecer aquele que é, oficialmente, o pior final de sempre da história do cinema desde Meia Noite E Um - um plano longo de um sobreiro e de repente ouve-se o diálogo Para onde vamos? Longe. Onde fica isso? Perto.
E o Double Cheeseburger já está a contemplar um ponto a mais pelo nu integral de Carla Chambel.

Posted by: dermot @ 12:07 da manhã
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segunda-feira, outubro 09, 2006  

IMAGO 2006:

DIA 8

Normalmente, o último dia dos festivais de cinema são sempre os mais aguardados devido a um pormenor muito importante: a revelação dos vencedores. Contudo, como já aqui o disse anteriormente, o Imago não é um festival igual aos outros. E assim, neste oitavo e último dia, havia aidna algo mais importante: a projecção do clássico El Topo, de Jodorowsky, o primeiro midnight movie da sétima arte!

Retrospectiva Alejandro Jodorowsky - EL TOPO:

Crítica disponível aqui.

Vencedores Imago 2006:
Já o aqui o disse, não é segredo para ninguém - o meu favorito à vitória era Rabbit, de Run Wrake. No entanto, o Júri Jovem (do qual fiz parte) resolveu atribuir o prémio a Terra Incognita. Tudo bem, era a minha segunda escolha. Contudo, revelada a lista dos vencedores, fiquei a saber que devia ter estado no outro juri. Eis os vencedores do Imago 2006:

Competição Oficial, Melhor Filme - Rabbit, de Run Wrake
Competição Oficial, Melhor Realizador Europeu - Antonio's Breaksfast, de Daniel Mulloy
Competição Oficial, Prémio do Juri - Celuvkata, de Tomas Waszarow
Melhor Documentário - Aldrig Som Första Gangen!, de Jonas Odell
Melhor Realizador Under 25 - Sports And Diversions, de Bum Lee
Melhor Filme Nacional Under 25 - Morrer, de Diogo Camões
Prémio Juri Jovem - Terra Incognita, de Peter Volkart
Prémio do Público - Medianeras, de Gustavo Taretto
Prémio Onda Curta - Medianeras, de Gustavo Teratto | Monster, de Jennifer Kent | Terra Incognita, de Peter Volkart

Posted by: dermot @ 1:51 da tarde
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IMAGO 2006:

DIA 7

E ao sétimo dia, o Royale With Cheese descansou (por motivos profissionais, entenda-se).

Posted by: dermot @ 1:49 da tarde
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IMAGO 2006:

DIA 6

Para os espectadores aplicados do festival, a partir do 5º dia praticamente todos os filmes estavam vistos. Pelo menos, os filmes em competição. Por isso, ao sexto dia este escriba viu o último bloco de curtas a concurso.

Secção Competitiva Internacional:
Foi talvez a sessão mais dura do festival. Tudo devido a La Guerra, um drama desconfortável e (demasiado) cruél passado na II Guerra Mundial, onde uma criança tenta escapar a um soldado nazi. A partir daqui tudo o resto pareceu ligeiro: a homenagem ao cinema policial dos anos 40 de Film Noir, construído com recortes e uma banda-sonora à medida; Le Fil Des Coups, drama de faca e alguidar sobre violência infantil e recalcamentos, filmado com filtro azul numa opção demasiado fácil, como se fosse um Picasso na sua fase azul; a relação tempestuosa de um adolescente com o sexo feminino e uma escelente jovem actriz, em Porno; e o niilismo e abastraccionismo de Un, Deux, Trois, Crepuscule, uma animação que faria as delícias a Vasco Granja.

Depois destacaram-se ainda duas curtas, uma pelo melhor e outra pelo pior. Pela melhor esteve Celuvkata, uma curta de apenas um-minuto-um(!) que veio provar que não é necessário muito tempo para fazer algo bonito, interessante e divertido; e pelo pior esteve Medianeras, um retrato romântico apaixonante de Buenos Aires, mas que depois não consegue manter o nível e descamba até à banalidade das comédias românticas.

Secção Comics - BUNKER PALACE HOTEL:

Título: Bunker Palace Hôtel
Realizador: Enki Bilal
Ano: 1989


Em 2004, o Imago estreava com pompa e circunstância Imortal, o na altura novíssimo filme de Enki Bilal, o respeitado autor de banda-desenhada que se estreava na animação digital. O filme, no entanto, viria a desiludir até os fãs menos exigentes da triologia Nikopol. Talvez para compensar esse episódio, a edição deste ano do Imago acrescentou à sua programação, inserido na secção Comics, aquele que é o primeiro e o melhor filme de Bilal. O que não significa que, mesmo assim, seja um grande filme.

Ao contrário do que seria de esperar, Bunker Palace Hotel não deve muito à ficção-científica, mas mais à distopias. Num futuro incerto, numa país indefenido, o regime político autoritário é tomado por rebeldes e os confrontos estalam nas ruas. A escalada de violência é cada vez maior e a cidade torna-se um sítio perigoso para se estar. De emergência, a alta burguesia reúne-se num bunker luxuoso construído para tais casualidades, onde esperam ansiosamente por ordens do presidente.

Com uma poupança de meios cirúrgica, Bilal constrói uma sociedade futurista sem ser incredível. E depois de confinar uma série dos mais sujos aristocratas da sociedade num sítio sem saída, insere lá um espião (Carole Bouquet) que, apesar de descoberto, vai funcionar como observador daquela decadência.

Crítica social e política, Bunker Palace Hotel assume influências de Buñuel e das suas críticas de costumes, utilizando de forma perspicaz a fórmula policial do estilo Cluedo, que vimos pela última vez em Gosford Park, de Robert Altman - uma casa, um morto e uma mão-cheia de suspeitos com segredos proibidos. Para quem viu Aparelho Voador A Baixa Altitude percebe na perfeição onde Solveig Nordlund foi beber inspiração.

Enki Bilal constrói assim um puzzle claustrofóbico e abafado, sempre na velocidade mais lenta, onde as coisas vão acontecendo pausadamente, para desespero dos ocupantes e do público. E quem espera um twist final, bem pode ficar sentado à espera. Como disse, Bunker Palace Hotel é o melhor filme de Enki Bilal, mas não significa isso que seja um filme de excepção. É apenas um McChicken.

Posted by: dermot @ 12:14 da tarde
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domingo, outubro 08, 2006  

IMAGO 2006:

DIA 5:

Pode-se dizer que este quinto dia marca o início do fim do Imago deste ano. Primeiro, porque chegámos ao meio da semana. E porque depois recomeçaram os concertos integrados na secção Sound And Vision Experience - eu sei que este sítio não se costuma debruçar sobre a crítica musical, mas se os Ölga fazem sentido a alguém, então é porque são mais inteligentes do que eu. E quanto ao DJ Mr. Mitsuhirato, é o maior!

Secção Competitiva Under 25:
A animação abstracta tem muito que o diga. Olhem, basta perguntarem ao Vasco Granja. Eu divido-a em três grupos - aquela em que não se percebe nada, como Walking; aquela em que se continua a não perceber nada, mas que visualmente é cativante, como Sports And Diversions; e aquela em que se mantém abstracta, mas que no final faz sentido, como A Film About Us. Também existem depois coisas execráveis que são apenas forma de chupar dinheiro ao estado e às entidadescertas, como o impronunciável Kampfgeichwaser Junkers Ju 86 K.

Retrospectiva Alejandro Jodorowsky - FANDO E LIS:

Título: Fando Y Lis
Realizador: Alejandro Jodorowsky
Ano: 1968


Em 1968, o chileno Alejandro Jodorowsky estreava-se na realização, com a adaptação de Fando E Lis, baseado na peça de Fernando Arrabal que já havia ensaiado anos antes no teatro. No final da projecção do filme os motins irromperam e Fando E Lis ganhou automaticamente a conotação de filme de culto, do demo, incompreendido ou, simplesmente, lixo cinematográfico. O que é certo é que enquanto obra surrealista cumpre na perfeição os seus requesitos - chocar e perturbar o público em geral.

Neste seu primeiro filme, Jodorowsky colocou em prática todos os mandamentos do seu Manifesto do Cinema, uma espécie de Dogma, mas em mau - não usar luz artificial, não pensar muito nos planos e, pura e simplesmente, não utilizar guião. De facto, Fando E Lis foi realizado sem uma única linha pré-definida, apenas baseado nas lembranças que o realizador tinha da peça que havia ensaiado anos antes. Assim, Fando E Lis é uma obra surrealiasta ao quadrado, porque parte do entendimento surreal de Jodorowsky de uma obra surrealista.

Fando (Sergio Kleiner) e Lis (Diana Mariscal) são um casal apaixonado que parte em empresa, em busca da cidade perdida de Tar, que segundo a profecia é a única resistente de um anunciado armagedão. São estes os únicos pormenoes identificáveis do filme. Tudo o resto é incoerente e não-linear. Por isso, o interesse de Fando E Lis apenas poderá vir de: a) entretenimento visual e sonoro. b) tentativa de encontrarmos o nosso próprio entendimento do que se está a ver.

Eu próprio tenho um entendimento sobre Fando E Lis. Compreendo-o como um filme sobre a natureza do Homem e da sua inevitabilidade perante a perdição e os pecados capitais. No entanto, isto pode-vos fazer tanto sentido quanto a física quântica. Por isso, assimile o Cheeseburger da forma que lhe pareça ser a mais adequada e vá ver o filme por sua conta e risco.




Retrospectiva Dave McKean - A MÁSCARA DE CRISTAL:

Título: MirrorMask
Realizador: Dave McKean
Ano: 2005


Apostada em recuperar a mística da fantasia que os estúdios Henson, do seu pai, imortalizaram com Os Marretas, Lisa Henson viu na dupla Dave McKean/Neil Gaiman a oportunidade ideial. O primeiro é um dos mais requisitados ilustradores de banda-desenhada da actualidade, com algumas experiências em (dispensáveis) curtas-metragens, enquanto que o segundo é um dos mais promissores autores fantásticos da actualidade, ao lado de gente como Alan Moore ou Frank Miller.

A proposta era fazerem um filme virado para um público juvenil, em que misturasse animação com imagem real, na onda do que fora feito em filmes como Labirinto. No entanto, tudo isto seria muito bonito se o orçamento dispónível não fosse inferior ao desse filme, que já foi feito há duas décadas. Mas tais limitações não se reflectem no filme, antes pelo contrário. A animação é fluída e a justaposição com a imagem real quase perfeita.

A Máscara De Cristal é uma aventura juvenil que não poderia começar com um anti-clichet maior - Helena (Stephanie Leonidas) quer fugir do circo. Normalmente, as crianças querem fugir para se juntarem ao circo. Mas Helena, cansada de viver toda a sua vida em itinerância (mesmo que seja um circo sofisticado e com uma aura especial), preferia mudar de vida. Depois existem umas discussões e quando a sua mãe (Gina McKee) tem um AVC, Helena vai sentir-se culpada. Tão culpada que vai criar em sonhos um mundo de fantasia, onde tem que combater raínhas malvadas e criaturas esquisitas para salvar aquela e a sua própria realidade.

A Máscara De Cristal é uma aventura fantástica, na onde de As Crónicas De Nárnia, mas com um argumento mais intrincado, onde existem respostas que ficam por dar. No entanto, o problema fulcral reside na própria jornada de Helena e do seu sidekick, o mascarado Valentine (Jason Barry), demasiado inofensiva e inóqua, que chega a fazer dar uns longos bocejos.

Dave McKean e Neil Gaiman parecem ter noção disso e parecem querer compensar com situações visualmente arrebatadoras (lembram-se de A Cela?) e com um humor apurado. Mas é pouco. Quem não é nada pouca é Stephanie Leonidas, uma bonita e promissora adolescente que se tiver sorte nos seus próximos papéis poderá muito bem crescer ao nível de uma próxima Natalie Portman.

Apesar de por vezes aborrecido e apenas um McChicken, era bom que todos os Harry Potters e afins fossem assim.

Posted by: dermot @ 5:16 da tarde
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IMAGO 2006:

DIA 4

Retemperava-se forças no Imago, à espera das noites loucas que recomeçariam já no dia seguinte, com a actuação dos Ölga ou de Mr. Mitsuhirato. Por isso, o quarto dia de festivla decorreu sem sobressaltos de maior, dedicado na totalidade à Secção Competitiva Internacional. A excepção foi a homenagem ao belga Nicolas Provost, que integrava o juri internacional.

Secção Competitiva Internacional (1):
O primeiro bloco dedicado a esta secção começou com um dos mais aguardados filmes em competição do festival - Rapace, a estreia de João Nicolau na realização, que vinha directamente do Festival de Vila do Conde carregado de prémios e boas referências. De facto, Rapace é um filme a fixar - com um estilo absurdo muito semelhante a A Cara Que Mereces (onde nem faltou a devida referência), Rapace é uma curta surreal que faz da palavra portuguesa a sua arma, adaptando numa história sem muito interesse diálogos de gente tão venerada como Tom Zé ou José Mário Branco. Depois, termina ainda com uma espécie de teledisco à maneira de Para Onde O Vento Sopra, completamente delicioso. Parece ser um candidato à vitória no Imago, certo? Errado! Errado, porque Rapace tem um problema que corta pela raiz qualquer aspiração de maior - os actores, que são tão maus que faz doer (com excepção a Márcia Breia, obviamente).

Quanto ao resto do bloco, houve lugar ao único filme de terror em competição no certame, Monster, com direito até a jump scenes. Estivesse no Fantasporto e esta fábula típica do "monstro dentro do armário" poderia ter ido mais longe. Quanto a Antonio's Breakfast, drama sobre os problemas de um jovem de um bairro problemático, Il Memorias Del Cani, sonoramente demasiado agressivo e Fish, um travelling tecnicamente interessante e pouco mais, nada mais poderei acrescentar do que a palavra simpático. Quanto a Fish, bem que o realizador ao apresentá-lo disse que iria fazer-nos ficar a pensar no fim. Fez-nos pensar tanto que ainda o estou a fazer...

Secção Competitiva Internacional (2):
E após tanto tempo à espera que uma curta se destacasse claramente, eis um bloco onde isso acontece não uma, mas duas vezes! A primeira é com Rabbit, uma animação de Run Wrake que recorre a uma colecção de cormos educacionais dos anos 50 (daqueles tipo livro da primária, com desenhos e legendas a acompanhar) para criar um conto que é a antítese de tudo o que é infantil - uma fábula imoral e cruél, onde meninos esventram coelhos e matam animais de forma gananciosa. Fosse eu (sozinho) a mandar e estava encontrado o vencedor. E façam o que for preciso para o tentar ver.

O outro destaque chama-se Terra Incognita, um falso documentário em homenagem ao surrealista/romântico Raymond Roussel. Este documentário fictício conta a história de um ambicioso patafísico (pormenor delicioso) que parte em busca de uma ilha onde não há gravidade. Recorrendo a recortes e frames de clássicos da sétima arte (Parada De Monstros ou 20 000 Mil Léguas Submarinas foram alguns dos reconhecidos), o suiço Peter Volkart conta de forma séria uma jornada de humor absurdo e non-sense, algures entre Aonde Pára A Polícia e Rua Sésamo. Uma homenagem perfeita a Raymond Roussel.

Este bloco foi claramente o melhor, porque ainda houve a curta nacional História Trágica Com Final Feliz, uma animação com influências de Tim Burton, as quais estamos muito pouco habituados a ver no nosso país, que peca apenas pelo final, e Bawke, drama sobre a emigração ilegal onde sobressaiu pela primeira vez a direcção de actores.

Claro que também houve lugar a coisas menos interessantes, como o neo-realismo do desgraçadinho de Primeira Nieve, ou Sans Supervision, um filme onde uma menina é deixada vezes sem conta sozinha enquanto os pais escapam para dar uma queca. Enquanto os pais se divertem, a miúda vai apanhando uma seca descomunal. E nós também.

Retrospectiva Nicolas Provost:
O belga Nicolas Provost foi outro dos nomes homenageados na edição deste ano do Imago. Provost é um dos realizadores mais improtantes da nova vaga experimental, mas que faz do ecletismo o seu trunfo. Uma espécie de Matthew Barney em bom, que não se furta a experimentar outros géneros.

Por isso, de entre o lote de curtas apresentadas foi possível encontrar dramas sobre a dificuldade da inserção social das minorias étnicas (Exoticore), exercícios expeirmentais deliciosos recorrendo a Rashomon, de Kurosawa (Papillon D'amour e Bataille), surrealismo de grande beleza visual (Oh Dear), ou simplesmente manipulação imaginética com recurso a filmes porno (I Hate This Town). Para ver e não pensar muito mais no assunto.

Posted by: dermot @ 4:35 da tarde
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sábado, outubro 07, 2006  

IMAGO 2006:

DIA 3

E ao terceiro dia, iniciou-se a Competição Internacional. Mas o ponto mais aguardado do dia seria a sessão final, dedicada aos Comics, onde o realizador Dez Vylenz apresentou o documentário sobre o conceituado Alan Moore.

Secção Competitiva Internacional:
O início da secção competitiva internacional não poderia ter tido um melhor início. The Mechanicals foi uma curta na verdadeira acepção da palavra: uma ideia e um fio narrativo com princípio, meio e fim, condensado em poucos minutos e, mais importante do que tudo, coerente e com piada. Pegando naquela ideia que de vez em quando dizemos de que são uns pretos pequeninos que estão dentro das máquinas, The Mechanicals cria um grupo de operários que trabalham às escondidas no interior das paredes das nossas casas para o funcionamento correcto dos nossos electrodomesticos. Depois houve Respire, uma curta de Taiwan que recria um oriente pós-apocalíptico com uma SARS permanente, mas cujo único ponto positivo foi não ter sido demasiado óbvio e Wolkenbruch, que se destacou pelo tipo de animação e pelo non-sense. Outra boa surpresa foi Hibernation, uma variação infantil da fábula de Frankenstein, em formato melodrama, enquanto que Breached, um drama de faca e alguidar, apenas se destacou pela pertinência do tema (a emigração ilegal do México para os EU, no dia em que foi aprovada a construção de um muro gigante na fronteira entre os dois países). Quanto a Boyraz foi apenas diarreia mental.

Secção Competitiva Doc In Shorts:
Um filme português com o título em inglês ou é algo muito pretensioso ou algo feito com capital estrangeiro. Nem uma coisa nem outra - Words And Thoughts In RGB é apenas um documentário demasiado técnico para um salto qualitativo de excepção. Em contrapartida, Las Obreras Saliendo De La Fabrica arrisca-se a ser a maior nulidade do festival, uma história contemplativa e com um clichet final risível. Felizmente que Aldrig Som Första Gorgon salvou este bloco de documentários - dividido em quatro actos, são alguns relatos divertidos, cruéis e românticos sobre a perda da virgindade. Du Sleil En Hiver é o retrato melancólico do quotidiano rural nórdico, ou como se pode ser feliz no meio do nada; Hello, Thanks um ensaio sobre o mundo dos anúncios pessoais, ou como se pode gostar mais das palavras do que das pessoas; The River Crossing é uma narrativa ilustrada com imagens aleatórias, ou como se pode fazer cinema sem se perceber nada disso; e The Dentist Of Jaipur é um objecto fílmico com pouco interesse, mas sobre uma situação hilariante, acerca de um dentista paquistânes que arranca dentes no passeio com a mesma rapidez de que diz anticonstituicionalissimamente três vezes de seguida.

Early Years... Retrospectiva Clint Eastwood - O PISTOLEIRO DO DIABO:

Título: High Plains Drifter
Realizador: Clint Eastwood
Ano: 1973


Depois de se ter iniciado nas lides de realizador num género em que estávamos pouco habituados em vê-lo (falo, obviamente, de Perversa Paixão), Clint Eastwood resolveu experimentar aquele em que fez carreiradurante alguns anos - o western. O resultado foi O Pistoleiro Do Diabo, um filme de caubóis onde traz o fato do western spaghetti ainda com o pó por sacudir.

De facto, O Pistoleiro Do Diabo é bem remeniscente do western spaghetti, tanto que ainda é comum encontra-lo publicitado como uma sequela da triologia do Homem Sem Nome. De facto, aqui Clint Eastwood também é um forasteiro sem nome, mas que nada tem a ver com a personagem de Leone. Nem mesmo os famosos clint eyes são usados da mesma forma.

Ao chegar a Lago e depois de ter despachado a tiro três agiotas, o forasteiro (Clint Eastwood) é convidado a permanecer na cidade, com tudo pago, desde que a proteja de três bandidos que acabaram de sair da prisão e que vêm para não deixarem pedra sobre pedra. Relutante ao início, o estranho acaba por aceitar, mas de forma a dar uma lição aqueles cidadão que certa vez deixaram o xerife Jim Duncan ser chicoteado até à morte naquelas mesmas ruas.

Mais uma vez, as semelhanças com o western spaghetti - a temática do forasteiro que vem de fora para dar uma lição moral à população, numa cidade que é sempre símbolo de corrupção e não de progresso, como nos westerns clássicos. Só que ao contrário do Homem Sem Nome de Leone, aqui Eastwood é muito mais sacana. Que o diga a meretriz Sarah Belding (Verna Bloom), vítima de uma "violação consentida". Outro ponto em que se vê o dedo de Clint Eastwood a tentar ser original é no cerne da própria história, com direito a final aberto e um je ne se quois de misticismo e fantasmagoria.

Há ali uma altura em que O Pistoleiro Do Diabo se assemelha a um episódio de O Esquadrão Classe A - o forasteiro apenas conta com a ajuda da boa vontade de uma mão cheia de indivíduos para encurralar e capturar três bandidos que irão atacar a cidade. No entanto, até mesmo em O Esquadrão Classe A os bandidos costumavam ser mais e dar uma sensação de maior dificuldade.

O Pistoleiro Do Diabo não é um mau filme, mas nota-se claramente que é uma primeira obra. Nota-se alguma ingenuidade em algumas situações e opções tomadas, em que se fossem feitas hoje, aposto que Eastwood não as faria assim. De excepção, só mesmo a cena final em que o forasteiro chicoteia um bandido em contra-luz, com as chamas a irromperem por trás, com claras influências de Fulci ou Argento. Como disse, não é um mau filme, mas de Clint Eastwood estamos sempre à espera do máximo. E é por isso que o Double Cheeseburger é um castigo cruél.




Secção Comics - THE MINDSCPAE OF ALAN MOORE:

Título: The Mindscape Of Alan Moore
Realizador: Dez Vylenz
Ano: 2003


A estreia em território português do documentário The Mindscape Of Alan Moore era, talvez, a mais aguardada sessão de todo o Imago 2006. Tudo porque Alan Moore é o autor de banda-desenhada mais conceituado da actualidade. E numa edição dedicada à nona arte, não poderia faltar a sua presença no leque de filmes.

Alan Moore é um gajo esquisito, um daqueles artistas excêntricos e quase eremita, com longas barbas, uns anéis estranhos e uma maneira de falar semelhante à de António Freitas. Além disso, raramente dá entrevistas, o que aumenta o interesse neste documentário. Como se isso não fosse suficiente, Alan Moore ainda se auto-intitula um feiticeiro, razão que suporta com muito palavreado místico e simbólico.

É sobre esta última faceta que The Mindscape Of Alan Moore se debruça. Apesar de começar por contextualizar o artista e a sua obra, rapidamente o documentário abraça esta temática e, por estranho que pareça, tudo o que Alan Moore diz sobre feitiçaria e simbolismo e ser um mago faz sentido. Não é por acaso que o realizador o apelida de o o único xamã da actualidade.

Mas chamar The Mindscape Of Alan Moore de documentário pode ser considerado uma falácia. O mais correcto é apelida-lo de entrevista, porque é mesmo isso que é. Uma entrevista a Alan Moore, que fala pelos cotovelos em tom monocórdico, do princípio ao fim do filme, apenas ilustrado por umas imagens de arquivo. E quando entra na temática do misticismo, as imagens começam a ser ilustrações oníricas e afins, e a nossa concetração prende-se por completo no que o autor diz. O que não é muito bom para um filme...

The Mindscape Of Alan Moore é, claramente, um filme para fãs de Alan Moore, uma vez que é demasiado técnico e pouco fala do artista. Até eu, enquanto fã de Moore, gostaria de o ter ouvido a falar mais da sua obra. Mas não era esse o objectivo de Dez Vylenz e aceita-se. No entanto, se nao conhecer nada sobre Moore, não pense que é com este documentário que vai alterar isso. Muito menos, com um McChicken.

Posted by: dermot @ 4:21 da tarde
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quarta-feira, outubro 04, 2006  

IMAGO 2006:

DIA 2:

Depois da corrida contra o tempo que tinha sido o dia de abertura, tudo foi normal ao segundo dia de festival. E para além das primeiras longas-metragens, houve lugar às primeiras secções oficiais. Por acaso, já vos disse que o edifício da Moagem é um sítio magnífico?

Secção Competitiva Under 25
Não se pode dizer que tenha sido uma abertura em cheio, principalmente porque não houve nenhuma curta metragem que se destacasse. Por exemplo, enquanto que Sitzen Bleiben Schuetz simplesmente aconteceu, The Boy With No Name teve o descaramento de ser uma cópia chapada de Vincet, mas em mau. No mesmo estilo, mas com muito mais interesse, esteve a simpática animação Carnivore Reflux. Houve ainda um interessante ensaio sobre um ensaio de porrada chamado Episode e Morrer, um interessante documentário português sobre o último estádio do ser humano: a morgue.

Secção Competitiva Doc In Shorts
Bem melhor foi a estreia da secção competitiva Doc In Shorts, dedicada aos documentários em versão curta-metragem. Daqui, houveram alguns exemplos bem interessantes, como o divertido Ouch!, uma colecção de divertidas histórias sobre a circunsisão tardia masculina, com um toque de humor à la Médicos E Estagiários, ou McLaren's Negatives, acerca da vida do conceituado animador Norman McLaren, que revolucionou a animação ao pintar directamente sobre película os estímulos da música jazz (se não conhecem façam um favor a vós próprios e pesquisem no youtube). O documentário tem o condão especial de recuperar de forma fiél a estética de McLaren , mas sem ser uma cópia.

Depois ainda houve tempo para uma falsa animação, estática (ou não se chamasse En Suspense), com claras influências da banda-desenhada de Schuitters e Peeters, uma relação forçad(íssim)a entre um trabalhador de um carrossel e uma senhora das portagens(!) - Passer/8 - e o documentário nacional Pé Na Terra, rude, rural e com um pormenor delicioso nas legendas, ao traduzirem a expressão cona da prima por cousin's pussy.

Secção Atmo

A Atmo é uma produtora sueca controversa que alinha no tão em voga diapaão da cultura anti-americana, prolongando-se a todos os braços do "império Bush", através de filmes de intervenção manipuladores, irónicos e satíricos.

Convidada para o Imago deste ano, a Atmo começou por apresentar Surplus e The Voice, duas médias-metragens onde tomam imagens reais das personagens políticas mais faladas da actalidade (de Bush a Le Pen, de Bin Laden a Tony Blair) e manipulam os diálogos e o contexto. É certo que mais vale um Michael Moore assumido do que dois anónimos, mas após meia-hora, os filmes da Atmo começam a tornarem-se maçadores e repetitivos. Valem então pelas gargalhadas do início e do seu estilo videoclip, muito musical e muito MTV.

Secção Comics - SWORD OF VENGEANCE:

Título: Kozure Ôkami: Kowokashi Udekashi Tsukamatsuru
Realizador: Kenji Misumi
Ano: 1972


Sword Of Vengeance é a primeira adaptação para o grande ecrã da série japonesa de banda-desenhada Lone Wolf And Cub. O facto de ter sido levada ao cinema quase ao mesmo tempo em que os livros foram feitos possivelmente contribuiu para o seu sucesso e para uma adaptação cinematográfica fiél, convincente e bastante satisfatória. Sword Of Vengeance era talvez uma pouco comum escolha para inaugurar a secção Comics do Imago; mas este não é um festival comum e a opção revelou-se extremamente acertada.

Sword Of Vengeance é assim a introdução à personagem e ao universo do Lobo Solitário (vulgo Ogami Ito (Tomisaburo Wakayama)) e a sua Cria (vulgo Sugito, o seu filho (Fumio Watanabe)), um ronin nómada que deambula pelo Japão feudal empurrando o seu petiz num carrinho de madeira, alugando-se a si próprios. Lobo Solitário era o carrasco cruél de um shogunato corrupto, cuja família foi assassinada por retaliação. Lobo Solitário jurou vingança e assim tornou-se numa espécie de anti-herói, após uma cambalhota irónica nos papéis - de carrasco odiado, Lobo Solitário transforma-se no solitário herói do filme.

Quando se fala do cinema de artes-marciais dos anos 70, fala-se automaticamente de Akira Kurosawa. Logo, quando aparecem outros filmes, as comparações com o cinema do mestre japonês tornam-se inevitáveis. Contudo, em Sword Of Vengeance tal comparação não é nada injusta, uma vez que o filme de Kenji Misumi não fica nada abaixo dos de Kurosawa. Antes pelo contrário.

As principais características dos filmes de samurais encontram-se em Sword Of Vengeance: os (muitos) códigos de honra, a corrupção no Japão feudal ou a ingenuidade do povo perante os samurais. No entanto, Sword Of Vengeance apresenta-se perante o cinema da altura como um filme já algo à frente do seu tempo, com uma filmografia com sinais de alguma contemporaneidade e muito mais pele à mostra do que seria de esperar. Aliás, até há uma cena erótica que faz O Império Dos Sentidos corar de inveja.

Com uma fotografia sombria onde Coppola foi beber alguma da inspiração para Apocalipse Now, Sword Of Vengeance tem ainda uns dez minutos finais arrasadores, num duelo brutal deonde sairão certamente muitos elementos se um dia Quentin Tarantino voltar ao registo de Kill Bill. Como vê, os McRoyal Deluxes não são exclusivos a Akira Kurosawa, quando se fala de cinema japonês da década de 70.




Retrospectiva Alejandro Jodorowsky - SANTA SANGRE:

Título: Santa Sangre
Realizador: Alejandro Jodorowsky
Ano: 1989


Mesmo depois de o realizador ter cancelado a sua presença no festival, a retrospectiva de Alejandro Jodorowsky mantinha-se como uma das principais atracções da edição deste ano do Imago. Mesmo sem Holy Mountain, o tríptico Fando E Lis, Santa Sangre e El Topo eram mais do que razões suficiente para uma visita ao Fundão.

Santa Sangre foi a primeira escolha de exibição devido ao facto de ser o melhor exemplo da obra de Alejandro Jodorowsky. Santa Sangre é um filme com todas as características do cinema do realizador chileno: a luxúria, o surrealismo, a crítica religiosa, o simbolismo e o sensacionalismo gratuito. Além disso, Santa Sangre é o filme mais convencional e acessível de Jodorwosky. Convencional apenas na medida em que é possível identificar um princípio, um meio e um fim. Porque de resto mantém-se a desmedida ambição por algo claramente superior. È o tradicional desabafo de que nem sempre percebemos o que estamos a ver, mas nunca o iremos esquecer. E é este o melhor elogio que se pode fazer a Jodorowsky.

Santa Sangre é a história de Fenix (Axel Jodorowsky), um jovem traumatizado que através de um flashback descobrimos o porquê do seu internamento num hospício; quando era novo, Fenix presenciou a mutilação da sua mãe (Blanca Guerra), uma devota religiosa pagã, por parte do próprio pai (Guy Stockwell), o dono de um circo muito peculiar. Afectado, Fenix vai embarcar numa obsessão pela própria mãe, regressada do mundo das trevas para o ordenar a matar indiscriminadamente.

A sinopse é curta e até com pouco interesse, mas pouco ou nada revela do próprio filme. Este é um daqueles filmes em que é quase impossível escrever seja o que for, uma vez que a sua função é mesmo ser visto. Mesmo que Santa Sangre seja um filme sobre a obsessão - lembram-se de As Mãos De Orlac? Santa Sangre não tem muito a ver, mas é sempre uma excelente oportunidade para relembrar este clássico do cinema fantástico -, e um filme cíclico, onde a história se repete e só pode ser quebrada por um amor puro, aqui sob a forma de uma menina surda-muda e com a cara pintada de branco (Sabrina Dennison).

Santa Sangre tem momentos inesquecíveis - a morte de um elefante, trágica e sangrenta; a mutilação da mulher-tatuada, que é a mais fantástica homenagem ao giallo italiano que alguma vez se fez; a referência ao cinema mexicano com um combate de wrestling entre alguns lutadores mascarados e uma mulher-gigante chamada... El Santa; um dos mais oníricos circos da sétima arte, em que em vez de as suas "aberrações" não são tratadas como seres humanos a encarnar uma personagem circense (como em Parada De Monstros), mas antes figuras alternativas que vivem mesmo assim; e a mais provocadora igraja pagã, onde se adora uma imagem de uma barbie de tamanho real amputada.

Se não conhece a obra de Jodorowsky, Santa Sangre é o documento ideal para iniciar a aventura de descoberta. E o McBacon não é nada um desfavor.

Posted by: dermot @ 11:50 da manhã
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segunda-feira, outubro 02, 2006  

IMAGO 2006:

DIA 1:

Falar do primeiro dia da edição deste ano do Imago, o Festival de Cinema Jovem do Fundão, implica primeiro contextualizar e relatar alguns pormenores importantes. Para começar, a própria cidade.

O Fundão, basicamente, resume-se a uma nvenida longuíssima. Todos os edifícios que se destacam (e não são muitos) encontram-se nessa avenida. E é no final desta que se ergue a recém-restaurada Moagem. Tão recente, tão recente, que quando cheguei de manhã parecia que as obras tinham iniciado apenas há poucas horas: não haviam loiças nas instalações sanitárias, pó por todo o lado e muitos cabos espalhados. E ao que consta, se tivesse chegado apenas algumas horas antes nem pedras na calçada teria encontrado ainda. Em suma, as obras estavam atrasadas, tão atrasadas que as sessões da tarde acabaram por ser adiadas.

Contudo, à hora da sessão de abertura tudo era diferente. As obras estavam terminadas e quem não tivesse visto não acreditaria como estavam as coisas de manhã. E valeu a pena a espera, porque o edifício é MUITO bom arquitectonicamente falando.

A sessão de abertura contou então com uma pequena amostra do que poderemos encontrar nos restantes dias do festival, com uma curta referente a cada secção do Imago 2006. Destas vale a pena destacar Urbicande, uma curta de animação baseada na banda-desenhada (não fosse este o tema do festival deste ano) de Schuiten e Peeters, cujo estilo arquitectónico casa na perfeição com o grande ecrã, e claro, o momento de cine-concerto, onde o maestro Luis Cipriano e o seu coro ACBI colaborou com o conjunto hip-hop Factor Activo para musicar duas curtas do Gato Félix.

Os cine-concertos são a coisa mais fenomenal que inventaram e aqui funcionou muito bem, casando a animação clássica (e de grande qualidade) com os ritmos dub e a pouca ortodoxia do coro ACBI, que utilizou, inclusive, sacos de plástico do LIDL como instrumento. Valeu bem a pena esperar durante a tarde.

Para o after-hours o Fundão encheu para acolher os suecos El Perro Del Mar, num excelente concerto de melodias pop despidas até à sua forma mais pura, que apanhou de surpresa os mais desprevenidos, e pouco depois o dj set dos Kill Discos DJ's, que apesar do início prometedor (com Martha & The Vandellas e Bill Withers) descambou em algo extremamente banal (apesar de ainda se ter ouvido Pixies lá pelo meio).

Posted by: dermot @ 11:34 da manhã
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COTAÇÃO:
10 - Royale With Cheese
9 - Le Big Mac
8 - McRoyal Deluxe
7 - McBacon
6 - McChicken
5 - Double Cheeseburger
4 - Cheeseburger
3 - Caixinha de 500 paus (Happy Meal)
2 - Hamburga de Choco
1 - Pão com Manteiga

TAKE:
Take - cinema magazine | take.com.pt


ARE YOU TALKING TO ME:
DUELO AO SOL
CLARENCE HAD A LITTLE LAMB
GONN1000
BITAITES
ANTESTREIA
CINEBLOG
CINEMA NOTEBOOK
CONTRA CAMPO
ZONA NEGRA
O MELHOR BLOG DO UNIVERSO
A CAUSA DAS COISAS
O MEU PIU PIU
AMARCORD
LAURO ANTÓNIO APRESENTA
SARICES ARTÍSTICAS
A RAZÃO TEM SEMPRE CLIENTE
MIL E UM FILMES
AS IMAGENS PRIMEIRO
A DUPLA PERSONALIDADE
TRASH CINEMA TRASH
SUNSET BOULEVARD
CINEMA XUNGA


ARE YOU TALKIN' TO ME?
cinephilus@mail.pt


CRÍTICAS:
- A Armadilha
- A Arte De Pensar Negativamente
- A Árvore Da Vida
- A Balada de Jack And Rose
- A Bela E O Paparazzo
- A Boda
- À Boleia Pela Galáxia
- A Cabana Do Medo
- A Cela
- A Canção De Lisboa
- A Cara Que Mereces
- A Casa Dos 1000 Cadáveres
- A Casa Maldita
- A Cidade Dos Malditos
- A Ciência Dos Sonhos
- A Comunidade
- A Cor Do Dinheiro
- A Costa Dos Murmúrios
- A Criança
- A Dália Negra
- A Dama De Honor
- A Descida
- A Duquesa
- À Dúzia É Mais Barato
- A Encruzilhada
- A Estrada
- A Estranha Em Mim
- A Frieza Da Luz
- A Fúria Do Dragão
- A História De Uma Abelha
- A Honra Da Família
- A Janela (Maryalva Mix)
- A Lagoa Azul
- A Lenda Da Floresta
- A Liga Dos Cavalheiros Extraordinários
- A Lista De Schindler
- A Lojinha Dos Horrores
- A Mais Louca Odisseia No Espaço
- A Maldição Da Flor Dourada
- A Mansão
- A Maravilhosa Aventura De Charlie
- A Marcha Dos Pinguins
- A Máscara
- A Máscara De Cristal
- A Menina Jagoda No Supermercado
- A Minha Bela Lavandaria
- A Minha Vida Sem Mim
- A Morte Do Senhor Lazarescu
- A Mosca
- A Mulher Do Astronauta
- A Mulher Que Viveu Duas Vezes
- A Múmia
- A Noiva Cadáver
- A Noiva Estava De Luto
- A Origem
- A Outra Margem
- A Paixão De Cristo
- A Pele Onde Eu Vivo
- A Pequena Loja Dos Horrores
- A Prairie Home Companion - Bastidores Da Rádio
- A Presa
- À Procura Da Terra Do Nunca
- A Promessa
- À Prova De Morte
- A Rainha
- A Rai­nha Africana
- A Raiz Do Medo
- A Rapariga Santa
- A Rede Social
- A Religiosa Portuguesa
- A Ressaca
- A Residencial Espanhola
- A Sangue Frio
- A Secretária
- A Semente Do Diabo
- A Senhora Da Água
- A Severa
- A Sombra Do Caçador
- A Sombra Do Samurai
- A Tempestade No Meu Coração
- A Tempo E Horas
- A Torre Do Inferno
- A Turma
- A Última Famel
- A Última Tentação De Cristo
- A Valsa Com Bashir
- A Verdadeira História De Jack, O Estripador
- A Viagem De Chihiro
- A Viagem De Iszka
- A Vida De Brian
- A Vida É Um Jogo
- A Vida É Um Milagre
- A Vida Em Directo
- A Vida Secreta Das Palavras
- A Vila
- A Vítima Do Medo
- A Vizinha Do Lado
- A Volta Ao Mundo Em 80 Dias
- Aberto Até De Madrugada
- Abraços Desfeitos
- Acção Total
- Aconteceu No Oeste
- Across The Universe
- Actividade Paranormal
- Acusado
- Adam Renascido
- Admitido
- Adriana
- Aelita
- Ágora
- Água Aos Elefantes
- Air Guitar Nation
- Albert, O Gordo
- Aldeia Da Roupa Branca
- Alice
- Alice In Acidland
- Alice No País Das Maravilhas
- Alien - O Oitavo Passageiro
- Aliens - O Reencontro Final
- Alien - A Desforra
- Alien - O Regresso
- Alien Vs. Predador
- Alien Autopsy
- Alma Em Paz
- Almoço De 15 De Agosto
- Alphaville
- Alta Fidelidade
- Alta Golpada
- Alta Tensão
- Alucinação
- Amália
- Amarcord
- American Movie
- American Splendor
- Amor À Queima-Roupa
- Amor De Verão
- Amor E Corridas
- Amor E Vacas
- Amor Em Las Vegas
- Amor Ou Consequência
- And Soon The Darkness
- Angel-A
- Animal
- Annie Hall
- Anónimo
- Antes Do Anoitecer
- Antes Que O Diabo Saiba Que Morreste
- Anticristo
- Anvil! The True Story of Anvil
- Anytinhig Else - A Vida E Tudo Mais
- Appaloosa
- Apocalypto
- Aquele Querido Mês De Agosto
- Aracnofobia
- Aragami
- Arizona Dream
- Armin
- Arséne Lupin - O Ladrão Sedutor
- As Asas Do Desejo
- As Aventuras De Jack Burton Nas Garras Do Mandarim
- As Aventuras De Tintim - O Segredo Do Licorne
- As Aventuras Do Príncipe Achmed
- As Bandeiras Dos Nossos Pais
- As Bonecas Russas
- As Canções De Amor
- As Crónicas De Narnia - O Leão, A Feiticeira E O Guarda-Roupa
- As Diabólicas
- As Ervas Daninhas
- As Invasões Bárbaras
- As Lágrimas Do Tigre Negro
- As Leis Da Atracção
- As Noites Loucas Do Dr. Jerryll
- As Penas Do Desejo
- As Tartarugas Também Voam
- As Vidas Dos Outros
- Aberto Até De Madrugada
- Assalto À Esquadra 13 (1976)
- Assalto À Esquadra 13 (2005)
- Assalto Ao Santa Maria
- Assassinos Natos
- Ata-me
- Até Ao Inferno
- Até Ao Limite Do Terror
- Atraídos Pelo Crime
- Através Da Noite
- Attack Of The 50 Foot Woman
- Aurora
- Austrália
- Autocarro 174
- Avatar
- Aviva, Meu Amor
- Aztec Rex
- Azul Metálico

- Babel
- Backbeat, Geração Inquieta
- Balas E Bolinhos - O Regresso
- Balbúrdia No Oeste
- Bando À Parte
- Baraka
- Barbarella
- Barreira Invisí­vel
- Batman
- Batman Regressa
- Batman - O Início
- Be Cool
- Beijing Bastards
- Belleville Rendez-Vouz
- Bem-vindo À Zombieland
- Bem-vindo Ao Norte
- Berlin 36
- Birth - O Mistério
- Biutiful
- Black Sheep
- Black Snake Moan - A Redenção
- Blade Runner - Perigo Iminente
- Blueberry
- Boa Noite E Boa Sorte
- Bobby Darin - O Amor É Eterno
- Body Rice
- Bombom
- Bom Dia Noite
- Bom Dia Vietnam
- Bonnie E Clyde
- Boogie Nights
- Borat
- Brasil - O Outro Lado Do Sonho
- Breakfast On Pluto
- Brincadeiras Perigosas (2007)
- Brisa De Mudança
- Bronson
- Bruce, O Todo-poderoso
- Bruiser - O Rosto Da Vingança
- Bruno
- Buffalo 66
- Bubba Ho-Tep
- Bullit
- Bunker Palace Hotel
- Buried
- Busca Implacável
- Bz, Viagem Alucinante

- Cadillac Records
- Cães Danados
- Cães De Palha
- Café E Cigarros
- Call Girl
- Camino
- Capitão Alatriste
- Capitão América - O Primeiro Vingador
- Capote
- Carrie
- Cartas Ao Padre Jacob
- Cartas De Iwo Jima
- Casa De Loucos
- Casablanca
- Casino Royale
- Catwoman
- Cavalo De Guerra
- Cemitério Vivo
- Censurado
- Centurion
- Charlie E A Fábrica De Chocolate
- Che - Guerrilha
- Che - O Argentino
- Chemical Wedding
- Chéri
- Chinatown
- Chocolate
- Choke - Asfixia
- Chovem Almôndegas
- Christine - O Carro Assassino
- Cidade Fria
- Cinco Dias, Cinco Noites
- Cinema Paraíso
- Cinerama
- Cisne Negro
- Clube De Combate
- Coco Avant Chanel
- Coisa Ruim
- Cold Mountain
- Cold Weather
- Colete De Forças
- Colisão
- Com Outra? Nem Morta!
- Comboios Rigorosamente Vigiados
- Comer Orar Amar
- Complexo - Universo Paralelo
- Conan, O Bárbaro
- Contrato
- Control
- Controle
- Coração De Cavaleiro
- Coração De Gelo
- Coração Selvagem
- Corações De Aço
- Coragem De Mãe: Confrontando O Autismo
- Corre Lola Corre
- Correio De Risco
- Correio De Risco 3
- Corrida Contra O Futuro
- Corrupção
- Cozinhando A História
- Crank - Veneno No Sangue
- Crank - Alta Voltagem
- Cremaster
- Crime Ferpeito
- Crippled Masters
- Cristóvão Colombo - O Enigma
- Crónica Dos Bons Malandros
- Crueldade Intolerável
- Cubo
- Culture Boy
- Cypher
- Cyrano de Bergerac (1950)

- Daisy Town
- Dallas
- Danny The Dog - Força Destruidora
- Daqui P'ra Frente
- Dark City - Cidade Misteriosa
- De Cabeça Para Baixo
- De Homem Para Homem
- De Olhos Abertos
- De Olhos Bem Fechados
- De Sepultura Em Sepultura
- De Tanto Bater O Meu Coração Parou
- De-Lovely
- Delhi Belly
- Dead Snow
- Death Race 2000
- Deixa-me Entrar
- Delicatessen
- Demolidor - O Homem Sem Medo
- Dentro Da Garganta Funda
- Depois Do Casamento
- Destruir Depois De Ler
- Diamante De Sangue
- Diário Dos Mortos
- Diários De Che Guevara
- Dias De Futebol
- Dick E Jane - Ladrões Sem Jeito
- Dictado
- Die Hard 4.0 - Viver Ou Morrer
- Die You Zombie Bastards!
- Dogma
- Domino
- Don Juan DeMarco
- Donnie Brasco
- Doom - Sobrevivência
- Doomsday - Juízo Final
- Dorian Gray
- Dot.Com
- Dr. Estranhoamor
- Drácula 2001
- Drácula De Bram Stoker
- Drive - Risco Duplo
- Dreamgirls
- Duas Mulheres

- É Na Terra Não É Na Lua
- Easy A
- Easy Rider
- Eduardo Mãos De Tesoura
- Efeito Borboleta
- El Mariachi
- El Topo
- Ela Odeia-me
- Eles
- Eles Vivem
- Elvis
- Em Bruges
- Em Busca Da Felicidade
- Em Carne Viva
- Em Liberdade
- Em Nome De Caim
- Em Nome De Deus
- Em Paris
- Em Privado
- Embargo
- Encarnação Do Demónio
- Encontros Em Nova Iorque
- Encrenca Dupla
- Encurralada
- Ensaio Sobre A Cegueira
- Enterrado Na Areia
- Entre Os Dedos
- Entrevista
- Equilibrium
- Era Uma Vez No México
- Eraserhead - No Céu Tudo É Perfeito
- Escola De Criminosos
- Escolha Mortal
- Esporas De Aço
- Estado De Guerra
- Estamos Vivos
- Este É O Meu Lugar
- Este País Não É Para Velhos
- Estômago
- Estrada Perdida
- Estranhos
- Estrellita
- Eu Amo-te Phillip Morris
- Eu, Peter Sellers
- Eu Sou A Lenda
- Eu Sou Evadido
- Eu, Tu E Todos Os Que Conhecemos
- Everything Must Go
- Evil Dead - A Noite Dos Mortos-Vivos
- Evil Dead 2 - A Morte Chega De Madrugada
- Evil Dead 3 - O Exército Das Trevas
- Ex-Drummer
- Exterminador Implacável 1
- Exterminador Implacável 2 - O Dia Do Julgamento Final
- Exterminador Implacável 3 - Ascensão Das Máquinas
- Exterminador Implacável 4 - A Salvação

- Factory Girl - Quando Edie Conheceu Warhol
- Factotum
- Fados
- Fahrenheit 9/11
- Falso Alarme
- Fando E Lis
- Fantasmas De Marte
- Fargo
- Faster, Pussycat! Kill! Kill!
- Fausto 5.0
- Favores Em Cadeia
- Felicidade
- Feliz Natal
- Férias No Harém
- Festival Rocky De Terror
- Ficheiros Secretos: Quero Acreditar
- Fim De Ano Em Split
- Fim-De-Semana Alucinante
- Final Cut - A Última Memória
- Fish Tank
- Florbela
- Flores Partidas
- Fome
- Footloose - A Música Está Do Teu Lado
- Força Delta
- Forrest Gump
- Freddy Vs. Jason
- Frenético
- Frida
- Frost/Nixon
- Fruto Proibido
- Fuga De Los Angeles
- Fuga Para A Vitória
- Fur - Um Retrato Imaginário De Diane Arbus
- Fúria Cega
- Fúria De Viver
- Fúria Silenciosa

- Gabrielle
- Gainsbourg - Vida Heróica
- Gang Dos Tubarões
- Gangs de Nova Iorque
- Garden State
- Génova
- GI Joe - O Ataque Dos Cobra
- Godzilla
- Goodbye Lenine!
- Gosford Park
- Gothika
- Gran Torino
- Grande Mundo Do Som
- Gremlins
- Grizzly Man
- Gru - O Maldisposto
- Guerra Dos Mundos (2005)
- Guerra Dos Mundos (1953)

- Há Lodo No Cais
- Hairspray
- Half Nelson - Encurralados
- Hard Candy
- Harley Davidson E O Cowboy Do Asfalto
- Harold E Maude
- Harry Brown
- Haverá Sangue
- Hawai Azul
- He-Man - Mestres Do Universo
- Head On - A Esposa Turca
- Heartbreak Hotel
- Hell Ride
- Hellboy
- Hellboy 2: O Exército Dourado
- Helter Skelter - O Caso De Sharon Tate
- Henry E June
- Hereafter - Outra Vida
- Hiena
- História De Duas Irmãs
- História De Um Fotógrafo
- Hobo With A Shotgunbr> - Hollywood Ending
- Homem Aranha
- Homem Aranha 2
- Homem Aranha 3
- Homem De Ferro
- Homem Demolidor
- Homem Em Fúria
- Homens De Negro
- Homens De Negro 2
- Homens Que Matam Cabras Só Com O Olhar
- Hostel
- Hostel 2
- Hot Fuzz - Esquadrão De Província
- Howl - Grito
- Hugo

- I Am Sam - A Força Do Amor
- I Spit On Your Grave
- I'll See You In My Dreams
- Iluminados Pelo Fogo
- I'm Still Here
- I Wanna Hold Your Hand
- Imitação Da Vida
- Imortal
- In Search Of A Midnight Kiss
- Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal
- Indomável
- Infiltrado
- Inimigos Públicos
- INLAND EMPIRE
- Inquietos
- Insidioso
- Insónia
- Intervenção Divina
- Intriga Internacional
- Invictus
- Irmão, Onde Estás?
- It
- It Might Get Loud
- Italian Spiderman

- Jack Ketchum's The Girl Next Door
- Jackass 2
- Jackass 3D
- Jackie Brown
- Jacuzzi - O Desastre Do Tempo
- James Bond - Agente Secreto
- James Bond - Casino Royale
- James Bond - Quantum Of Solace
- Janela Indiscreta (1954)
- Janela Indiscreta (1998)
- Janela Secreta
- JCVD
- Joga Como Beckham
- John Rambo
- Jonestown - The Life And Death Of Peoples Temple
- Jovens Rebeldes - A Verdadeira História
- Julgamento
- Julie E Julia
- Juno
- Juventude Em Marcha
- Juventude Tardia

- Kalifórnia
- Kandahar
- Karate Kid
- Katyn
- Kenny
- Kick Ass - O Novo Super-herói
- Kids - Miúdos
- Kill Bill vol.2
- King Kong (2005)
- Kiss Kiss Bang Bang
- Kiss Me
- Klimt
- Kopps
- Kung-Fu-Zão
- Kung Pow - Punhos Loucos

- La Jetée
- La Vie En Rose
- Ladrões
- Lady Snowblood
- Laranja Mecânica
- Last Days - Os Últimos Dias
- Lavado Em Lágrimas
- Lemmy
- Léon, O Profissional
- Lichter
- Lindas Encrencas As Garotas
- Lobos
- Longe Da Terra Queimada
- Lost In Translation - O Amor É Um Lugar Estranho
- Lua De Mel, Lua De Fel
- Lucifer Rising
- Lucky Luke
- Lucky Number Slevin - Há Dias De Azar

- M - Matou!
- Má Educação
- Machete
- Madrigal
- Maldito United
- Mamma Mia
- Manhattan
- Manô
- Mamonas Pra Sempre
- Mar Adentro
- Maria E As Outras
- Marie Antoinette
- Marjoe
- Marte Ataca!
- Matança De Natal
- Match Point
- Matou A Família E Foi Ao Cinem
- McQuade, O Lobo Solitário
- Meia-Noite Em Paris
- Meio Metro De Pedra
- Melancolia
- Melinda E Melinda
- Menina
- Mephisto
- Metrópolis
- Meu Nome É Bruce
- Miami Vice
- Milhões
- Milk
- Millenium 1. Os Homens Que Odeiam As Mulheres
- Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos
- Minha Mãe
- Minha Terra
- Misery - Capí­tulo Final
- Missão A Marte
- Missão Impossí­vel 3
- Missão Impossível - Missão Fantasma
- Missão Solar
- Mistérios De Lisboa
- Momentos Agradáveis
- Moneyball - Jogada De Risco
- Monsters - Zona Interdita
- Monstro
- Monty Phyton E O Cálice Sagradi
- Morte Cerebral
- Morte De Um Presidente
- Movimentos Perpétuos
- Mr. E Mrs. Smith
- Mrs. Henderson Presents
- Muito Bem, Obrigado
- Mulholland Drive
- Mundo Fantasma
- Mundos Separados
- Munique
- Murderball - Espírito De Combate
- Murish
- Mutilados
- Mysterious Skin

- Na Cama
- Nacho Libre
- Não Estou Aí
- Napoleon Dynamite
- Nas Costas Do Diabo
- Nas Nuvens
- Needle
- Nico: À Margem Da Lei
- Ninguém Sabe
- Nixon
- No Limite Do Amor
- No Vale De Elah
- Noite De Agosto
- Noite Escura
- Noivos Sangrentos
- Nome De Código: Cloverfield
- Northfork
- Nosferatu, O Vampiro
- Nothing
- Nova Iorque 1997
- Nove Raínhas
- Nunca Digas Sim

- O Acontecimento
- O Agente Da Broadway
- O Lugar Do Morto
- O Americano
- O Amor Acontece
- O Anjo Exterminador
- O Anti-Pai Natal
- O Artista
- O Assassínio De Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford
- O Assassí­nio De Richard Nixon
- O Batedor
- O Bom Alemão
- O Bom, O Mau E O Vilão
- O Cabo Do Medo
- O Caminho De São Diego
- O Cão, O General E Os Pássaros
- O Capacete Dourado
- O Castelo Andante
- O Castor
- O Cavaleiro Das Trevas
- O China
- O Cobrador
- O Código Da Vinci
- O Comboio Dos Mortos
- O Comboio Mistério
- O Condenado
- O Couraçado Potemkin
- O Cowboy Da Meia-Noite
- O Crepúsculo Dos Deuses
- O Dedo De Deus
- O Delator!
- O Demónio
- O Despertar Da Besta
- O Despertar Da Mente
- O Deus Da Carnificina
- O Deus Elefante
- O Dia Em Que A Terra Parou (1951)
- O Dia Em Que A Terra Parou (2008)
- O Dia Da Besta
- O Discurso Do Rei
- O Enigma Do Espaço
- O Estranho Caso De Benjamin Button
- O Estranho Mundo De Jack
- O Evangelho Segundo São Mateus
- O Exorcista
- O Fatalista
- O Feiticeiro De Oz
- O Feitiço Do Tempo
- O Fiél Jardineiro
- O Gabinete Das Figuras De Cera
- O Gabinete Do Dr. Caligari
- O Gato Das Botas
- O Génio Do Mal (1976)
- O Grande Peixe
- O Grande Ditador
- O Guerreiro
- O Homem Duplo
- O Homem Que Copiava
- O Homem Que Sabia Demasiado
- O Homem Que Veio Do Futuro
- O Idealista
- O Jogo
- O Júri
- O Imperador Da Califórnia
- O Inquilino
- O Justiceiro Da Noite
- O Labirinto Do Fauno
- O Laço Branco
- O Lado Selvagem
- O Lago Perfeito
- O Leopardo
- O Livro Negro
- O Lobo Do Mar
- O Macaco De Ferro
- O Maquinista
- O Marinheiro De Água Doce
- O Menino De Ouro
- O Meu Tio
- O Milagre De Berna
- O Milagre Segundo Salomé
- O Mistério Galindez
- O Monstro Da Lagoa Negra
- O Mundo A Seus Pés
- O Nevoeiro (1980)
- O Ofício De Matar
- O Olho
- O Orfanato
- O Paciente Inglês
- O Padrinho - Parte I
- O Padrinho - Parte II
- O Padrinho - Parte III
- O Panda Do Kung Fu
- O Panda Do Kung Fu 2
- O Pesadelo De Darwin
- O Pistoleiro Do Diabo
- O Planeta Selvagem
- O Pó Dos Tempos
- O Portador Da Espada
- O Presidiário
- O Prisioneiro Do Rock
- O Protegido
- O Próximo A Abater
- O Quinto Elemento
- O Quinto Império
- O Regresso
- O Rei Dos Gazeteiros
- O Reino Proibido
- O Ritual
- O Ritual Dos Sádicos
- O Sabor Do Amor
- O Sargento Da Força Um
- O Segredo A Brokeback Mountain
- O Segredo De Um Cuscuz
- O Segredo Dos Punhais Voadores
- O Selvagem
- O Sentido Da Vida
- O Sétimo Selo
- O Sítio Das Coisas Selvagens
- O Sonho Comanda A Vida
- O Sonho De Cassandra
- O Sorriso De Mona Lisa
- O Tempo Do Lobo
- O Tesouro Da Sierra Madre
- O Tigre E A Neve
- O Tio Boonmee Que Se Lembra Das Suas Vidas Anteriores
- O Triunfo Da Vontade
- O Turista
- O Último Airbender
- O Último Grande Herói
- O Último Rei Da Escócia
- O Último Tango Em Paris
- O Último Voo Do Flamingo
- O Vingador Tóxico
- O Wrestler
- Ocean's Eleven - Façam As Vossas Apostas
- Odete
- Oldboy - Velho Amigo
- Olho Mágico
- Oliver Twist
- Ônibus 174
- Orca
- Órfã
- Os Amantes Regulares
- Os Amigos De Alex
- Os Bons E Os Maus
- Os Caça-Fantasmas
- Os Cavaleiros Do Asfalto
- Os Chapéus De Chuva De Cherburgo
- Os Cinco Venenos
- Os Clãs Da Intriga
- Os Condenados De Shawshank
- Os Descendentes
- Os Edukadores
- Os Famosos E Os Duendes Da Morte
- Os Filhos Do Homem
- Os Friedmans
- Os Guardiões Da Noite
- Os Homens Preferem As Loiras
- Os Imortais
- Os Inadaptados
- Os Índios Apache
- Os Invisíveis
- Os Irmãos Grimm
- Os Limites Do Controlo
- Os Marginais
- Os Mercenários
- Os Miúdos Estão Bem
- Os Novos Dez Mandamentos
- Os Olhos Da Serpente
- Os Olhos Sem Rosto
- Os Onze De Oceano
- Os Optimistas
- Os Pássaros
- Os Produtores (2005)
- Os Psico-Detectives
- Os Rapazes Da Noite
- Os Rapazes Não Choram
- Os Renegados Do Diabo
- Os Rutles - All You Need Is Cash
- Os Selvagens Da Noite
- Os Simpsons - O Filme
- Os Sonhadores
- Os Sorrisos Do Destino
- Os Super-Heróis
- Os Supeitos Do Costume
- Os Três Enterros De Um Homem
-Os Visistantes Da Idade Média
- Os 300 Espartanos

- Pagafantas
- Palpitações
- Papillon
- Para Onde O Vento Sopra
- Parada De Monstros
- Paraíso, Inferno... Terra
- Paranoid Park
- Paris Je T'Aime
- Party Monster
- Pecados Íntimos
- Pele
- Pequenas Mentiras Entre Amigos
- Performance
- Perigo Na Noite
- Perto Demais
- Pesadelo Em Elm Street
- Pink Floyd The Wall
- Piranha 3D
- Piratas Das Caraíbas - O Mistério do Pérola Negra
- Piratas Das Caraí­bas - O Cofre Do Homem Morto
- Piratas Das Caraíbas - Nos Confins Do Mundo
- Planeta Dos Macacos
- Planeta Dos Macacos: A Origem
- Planeta Terror
- Plano 9 Dos Vampiros Zombies
- Polaróides Urbanas
- Polí­cia Sem Lei (1992)
- Polícia Sem Lei (2009)
- Poltergeist, O Fenómeno
- Ponto De Mira
- Por Favor Rebobine
- Por Favor Não Me Morda O Pescoço
- Porcos & Selvagens
- Posto Fronteiriço
- Precious
- Predadores
- Presente De Morte
- Preto E Branco
- Primer
- Príncipe Da Pérsia - As Areias Do Tempo
- Procurado
- Profissão: Repórter
- Promessas Proibidas
- Proposta Indecente
- Proteger
- Psico
- Psicopata Americano
- Pulp Fiction
- Pulsação Zero
- Punch-Drunk Love - Embriagado De Amor
- Purana Mandir
- Purple Rain

- Quando Viste O Teu Pai Pela Última Vez
- Quarentena
- Quarteto Fantástico (1994)
- Quarteto Fantástico (2005)
- Quase Famosos
- Quatro Noites Com Anna
- Que Lugar Maravilhoso
- Que Se Mueran Los Feos
- Queijo E Marmelada
- Quem Quer Ser Bilionário
- Querida Famí­lia
- Querida Wendy

- R
- Rapariga Com Brinco De Pérola
- Rare Exports
- Ratatui
- Ratos Assassinos
- Ray
- [Rec]
- [REC]2
- Red Eye
- Relatório Kinsey
- Relatório Minoritário
- Religulous - Que O Céu Nos Ajude
- Relíquia Macabra
- Renascimento
- Resident Evil: Apocalypse
- Rio
- Rio Bravo
- Rock De Fogo
- Rock, Rock, Rock
- Rocknrolla - A Quadrilha
- Rocky Balboa
- Roger E Eu
- Roma
- Romance E Cigarros
- Roxanne
- RRRrrrr!!!
- Rubber - Pneu
- Ruídos Do Além
- Ruivas, Loiras E Morenas
- Rumo À Liberdade
- Ruptura Explosiva

- Sacanas Sem Lei
- Sala De Pânico
- Salazar - A Vida Privada
- Salto Mortal
- Samsara
- Sangue Do Meu Sangue
- Sangue Por Sangue
- Santa Sangre
- Sapatos Pretos
- Save The Green Planet!
- Saw - Enigma Mortal
- Saw II - A Experiência Do Medo
- Saw 3D - O Capítulo Final
- Scoop
- Scott Pilgrim Contra O Mundo
- Seconds Apart
- Seis Indomáveis Patifes
- Sem Ela
- Sem Limites
- Sem Rumo
- Sem Tempo
- Semi-Pro
- Ser E Ter
- Sereia
- Serpentes A Bordo
- Sete Anos No Tibete
- Sete Vidas
- Sexo E A Cidade
- Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band
- Shaolin Daredevils
- Shaolin Soccer - O Ás Da Bola
- Shaolin Vs. Evil Dead
- Shattered Glass - Verdade Ou Mentira
- Sherlock Holmes
- Sherlock Holmes - Jogo De Sombras
- Shining
- Shoot 'Em Up - Atirar A Matar
- Shortbus
- Shrek 2
- Shrek O Terceiro
- Shrek Para Sempre
- Sicko
- Sid And Nancy
- Sideways
- Simpatyhy For Mr. Vengeance
- Sin City - Cidade Do Pecado
- Sinais
- Sinais De Fogo
- Sinais Do Futuro
- Sinais Vermelhos
- Singularidades De Uma Rapariga Loira
- Sky Captain E O Mundo De Amanhã
- Slither - Os Invasores
- Soldados Da Fortuna
- Soldados Do Universo
- Sombras Da Escuridão
- Somewhere - Algures
- Sonho De Uma Noite De Inverno
- Sonny
- Sophie Scholl - Os Últimos Dias
- Soro Maléfico
- Sorte Nula
- Soul Kitchen
- Spartacus
- Spartan - O Rapto
- Splice
- Stacy - Attack Of The Schoolgirl Zombies
- Star Wars - A Ameaça Fantasma
- Star Wars - A Vingança Dos Sith
- Star Wars - O Ataque Dos Clones
- Stardust - O Mistério Da Estrela Cadente
- Stone - Ninguém É Inocente
- Stoned, Anos Loucos
- Submarino
- Super
- Super Baldas
- Super-Homem
- Super-Homem: O Regresso
- Super 8
- Superstar
- Suspeita
- Suspiria
- Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro De Fleet Street
- Swimming Pool
- Sword Of Vengeance
- Sympathy For The Devil

- Taking Woodstock
- Tarnation
- Tarzan, O Homem Macaco (1981)
- Taxidermia
- Team America - Polí­cia Mundial
- Tebas
- Tecumseh
- Teeth
- Tempestade Tropical
- Tennessee
- Terra De Cegos
- Terminal De Aeroporto
- Terra Dos Mortos
- Terror Em Setembro
- Terror Na Auto-estrada
- Terror Nas Montanhas
- Tetro
- The Bloodstained Butterfly
- The Brown Bunny
- The Darjeeling Limited
- The Departed: Entre Inimigos
- The Devil And Daniel Johnston - Loucuras De Um Génio
- The Devil's Double
- The First Great Train Robbery
- The Fountain - O Último Capítulo
- The Grudge - A Maldição
- The Host - A Criatura
- The Impossible Kid
- The King Of Kong
- The Langoliers - Meia-Noite E Um
- The Last House On The Left
- The Machine Girl
- The Man From Earth
- The Marine
- The Million Dollar Hotel - O Hotel
- The Mindscape Of Alan Moore
- The Mist - Nevoeiro Misterioso
- The Others - Os Outros
- The Prestige - O Terceiro Passo
- The 50 Worst Movies Ever Made
- The Way
- The Woman
- Thirst - Este É O Meu Sangue
- This Is It
- This Is Spinal Tap
- Thor
- Thriller - A Cruel Picture
- THX 1138
- Tirar Vidas
- Titanic 2
- Tony
- Tournée - Em Digressão
- Toy Story 3
- Tragam-me A Cabeça De Alfredo Garcia
- Transamerica
- Tron
- Tron: O Legado
- Tropa De Elite
- Tropa De Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro
- Tsotsi
- Tubarão
- Tubarão 2
- Tubarão 3
- Tubarão IV - A Vingança
- Tucker E Dale Contra O Mal
- Tudo Ficará Bem
- Tudo Pode Dar Certo
- Twisted - Homicídios Ocultos

- Ultra Secreto
- Um Amor De Perdição
- Um Azar Do Caraças
- Um Bater De Corações
- Um Belo Par... De Patins
- Um Cão Andaluz
- Um Dia A Casa Vai Abaixo
- Um Dia De Raiva
- Um Homem Singular
- Um Longo Domingo De Noivado
- Um Lugar Para Viver
- Um Padrasto Para Esquecer
- Um Profeta
- Um Tiro No Escuro
- Um Trabalho Em Itália
- Uma Aventura Na Casa Assombrada
- Uma Boa Mulher
- Uma Canção De Amor
- Uma Espécie De Cavalheiro
- Uma Famí­lia À Beira De Um Ataque De Nervos
- Uma História De Violência
- Uma Pequena Vingança
- Uma Rapariga Com Sorte
- Uma Segunda Juventude
- Uma Segunda Vida
- Undefeatable
- Unseen Evil 2 - Alien 3000
- Up - Altamente

- V De Vingança
- Vai E Vive
- Vais Conhecer O Homem Dos Teus Sonhos
- Valhalla Rising - Destino De Sangue
- Valquíria
- Vampiros de John Carpenter
- Van Helsing
- Vanilla Sky
- Vanitas
- Vasilhame
- Veio Do Outro Mundo
- Veludo Azul
- Velvet Goldmine
- Vencidos Pela Lei
- Vendendo A Pele
- Veneno Cura
- Vera Drake
- Versus - A Ressurreição
- Vestida Para Matar
- Vice
- Vício - Quando Nada É Suficiente
- Vicky Cristina Barcelona
- Vidas Sombrias
- Vigilância
- Vingança Redentora
- Virgem Aos 40 Anos
- Vitus
- Viúva Rica Solteira Não Fica
- Viver A Sua Vida
- Voando Sobre Um Ninho De Cucos
- Voltando Para Casa
- Voltar
- Vontade Indómita
- Voo 93

- Walk Hard - A História De Dewey Cox
- Walk The Line
- WALL-E
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Wassup Rockers - Desafios De Rua
- Watchmen - Os Guardiões
- Welcome To The Rileys
- White Irish Drunkers
- Wild Zero
- Win Win
- Wolf Creek
- Wristcutters: A Love Story

- X-Men
- X-Men 2
- X-Men 3 - O Confronto Final
- X-Men: O Início
- X-Men Origens: Wolverine

- Zack E Miri Fazem Um Porno
- Zardoz
- Zatoichi
- Zombies Party - Uma Noite... De Morte
- Zombies Strippers
- Zozo

- 007 - Agente Secreto
- 007 - Casino Royale
- 007 - Quantum Of Solace
- 10 Coisas Que Odeio Em Ti
- 100 Volta
- 10.000 AC
- 12 Homens Em Fúria
- 12 Macacos
- 12:08 A Este De Bucareste
- 1984
- 2LDK
- 24 Hour Party People
- 28 Dias Depois
- 20,13 - Purgatório
- 2012
- 300
- 4 Copas
- 48
- 50/50
- 6=0 Homeostética
- 8 1/2
- 9 Canções
- 98 Octanas


ENTREVISTAS:
- Fernando Fragata
- Festróia - Mário Ventura
- Filipe Melo
- Good N Evil
- IMAGO - Sérgio Felizardo
- José Barahona
- Nuno Markl
- Paulo Furtado
- Rodrigo Areias
- Sara David Lopes
- Solveig Nordlund
- Fernando Alle


TOPES:
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2011
- Top 5 dos Piores Filmes de 2011
- Top 10 dos Melhores Filmes de 2010
- Top 5 dos Piores Filmes de 2010
- Top 5 dos filmes de Leslie Nielsen
- Top 10 Dos Filmes Low Cost
- Top 5 das Melhores Cenas de Dança
- Top 8 dos Melhores Filmes de 2009
- Top 5 dos Piores Filmes de 2009
- Top 5 dos Filmes Que Tenho Vergonha De Dizer Que Gosto
- Top 5 das Melhores Músicas de Ennio Morricone
- Top 5 dos filmes com Patrick Swayze
- Top 5 dos Telediscos do Michael Jackson
- Top 5 dos Filmes com David Carradine
- Top 5 dos Filmes com Lutadores de Luta-Livre
- Top 10 Os Melhores Filmes de 2008
- Top 5 Os Piores Filmes de 2008
- Top 5 dos Piores Filmes de Natal
- Top 5 das Coisas que não Esperávamos Ver no Cinema
- Top 5 dos Melhores Filmes de Paul Newman
- Top 5 Personagens Com Palas Nos Olhos
- Top 10 Melhores Cartazes De Cinema
- Top 5 dos Filmes de Chuck Norris
- Top 5 dos Filmes de Patrick Swayze
- Top 10 Os Melhores/Piores Vestidos dos Oscares
- Top 5 As Mortes de Crianças Mais Gratuitas
- Top 10 Os Melhores de 2007
- Top 5 Os Piores de 2007
- Top 7 Adaptações ao Cinema de Livros de Stephen King
- Top 5 Filmes Pela Paz
- Top 5 Os Melhores Beijos
- Top 5 Grandes Arquitectos
- Top 10 Filmes Que Mudaram A Minha Vida
- Top 5 Mulheres de Cabeça Rapada
- Top 5 As Cenas Mais Excitantes
- Top 10 Os Melhores de 2006
- Top 5 Os Piores de 2006
- Top 3 Filmes de Robert Altman
- Top 5 Os Vilões do Cinema
- Top 5 Filmes Com Mick Jagger
- Top 5 Filmes Com Steve Buscemi
- Top 5 Dos Cães no Cinema
- Top 5 Dos Filmes do Indie06
- Top 5 Dos Filmes do Fantas06
- Top 5 dos Presidentes
- Top 10 Os Melhores de 2005
- Top 5 Os Piores de 2005
- Top 5 Filmes com Pat Morita
- Top 10 Os Melhores Filmes Independentes
- Top 5 Os Piores Filmes da Saga Bond
- Top 5 Filmes com Dolph Lundgren
- Top 5 Adaptações de BD Para Cinema
- Top 10 Cenas Mais Assustadoras de Sempre
- Top 5 Vencedores do Óscar
- Top 5 Bond Girls
- Top 5 Filmes Sobre Doenças
- Top 5 Filmes de Natal
- Top 5 Melhores Batalhas Corpo-A-Corpo
- Top 10 Melhores Canções do Cinema
- Top 10 Melhores Filmes de Sempre
- Top 5 Melhores Momentos Musicais
- Top 5 Grandes Duelos do Cinema
- Top 10 Maiores Personagens do Cinema
- Top 5 Piores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 10 Melhores Momentos da Ficção Cientí­fica
- Top 5 Filmes Religiosos


BAÚ DO TRASH:
- Needle
- Que Se Mueran Los Feos
- Easy A
- Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
- Saw 3D - O Capítulo Final
- And Soon The Darkness
- Os Imortais
- Purana Mandir
- Pagafantas
- The Bloodstained Butterfly
- Cisne Negro


ROYALE WITH CHEESE APRESENTA:
- A Tasca Da Cultura
- A Causa Das Coisas - parte I
- A Causa Das Coisas - parte II
- A Momentary Lapse Of Reason


FILMES A VER ANTES DE MORRER:
- #1 As Lágrimas Do Tigre Negro
- #2 Alucarda
- #3 Time Enough At Last
- #4 Armageddon
- #5 The Favour, The Watch And The Very Big Fish
- #6 Italian Spiderman
- #7 The Soldier And Death


UMA CURTA POR DIA NÃO SABE O BEM QUE LHE FAZIA:
- 1# Rabbit, de Run Wrake
- 2# Aligato, de Maka Sidibé
- 3# The Cat Concerto, de Joseph Barbera & William Hanna
- 4# A Curva, de David Rebordão
- 5# Batman: Dead End, de Sandy Callora
- 6# O Código Tarantino, de Selton Mello
- 7# Malus, de António Aleixo & Crosswalk, de Telmo Martins
- 8# Three Blind Mice, de George Dunning
- 9# Bedhead, de Robert Rodriguez
- 10# Key To Reserva, de Martin Scorcese
- 11# Bambi Meets Godzilla, de Marv Newland
- 12# The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon, de Richard Gale
- 13# Stolz Der Nation, de Eli Roth
- 14# Papá Wrestling, de Fernando Alle
- 15# Glas, de Bert Haanstra
- 16# Fotoromanza, de Michelangelo Antonioni
- 17# Quem É Ricardo?, de José Barahona
- 17# Terra Incognita, de Peter Volkart


AS MELHORES PIORES CENAS DE SEMPRE:
- A Pior Luta
- A Cena Mais Metida A Martelo
- O Ataque Animal Mais Brutal
- A Perseguição Mais Alucinante
- O Duelo Mais Improvável


CLUBE DE CINEMA DE SETÚBAL:
- Janeiro
- Fevereiro
- Março
- Abril
- Maio
- Setembro
- Novembro


FESTIVAIS:
- 20º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9
- 21º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 22º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 23º Festróia
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
- 24º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 26º Festróia
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- 12º Caminhos Do Cinema Português
Dia 0 | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8
- Imago 2006
Dia 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8

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